terça-feira, 29 de dezembro de 2009

VIAGEM NO TEMPO

"O que está acontecendo, o mundo está ao contrário e ninguém reparou..." (´Trecho da música Relicário).

A aproximadamente um ano fiz a viagem mais incrível da minha vida. Entrei numa máquina do tempo! Até aquela ocasião eu não sabia que isso era possível, mas aconteceu comigo. Hoje eu sei que isso é possível!

Que sensação estranha é esta, voltar no tempo. Nunca pensei que fosse tão doloroso reviver os momentos do passado. Não era qualquer momento, e sim os melhores momentos, contudo o que doeu mesmo foi o desfecho. Foram estes que me proporcionaram maiores dores. Os primeiros dias foram terríveis.

Ao desembarcar vislumbrei-me com tudo. Realmente era incrível ver que tudo estava da forma que havia sido marcado em minha memória. Como era possível ocorrer tal coisa? Por que fui escolhido para viver tal experiência? Tantas perguntas rondavam minha mente e para tantas ainda não havia resposta.

Até hoje não soube explicar o que aconteceu comigo naqueles dias. Sei apenas que não estava satisfeito com todos os acontecimentos. Estava sim indignado. Fiquei rancoroso e muito irritadiço. Queria apenas viajar e não voltar no tempo. Faz parte da vida progredir, evoluir, agregar valores, transcender,... e não repetir fatos já outrora “resolvidos”!

Com o passar dos dias compreendi que talvez aquela oportunidade me havia sido dada com uma única finalidade: Não tinha entendido bem determinadas lições e teria que repeti-las. Vi que era isso mesmo. Após entender isso, já no segundo dia, voltar foi a melhor coisa que aconteceu, estava no caminho certo. Eu tinha que reaprender algumas lições de vida, tinha que “re-iniciar meu sistema”!

Que maravilha foi perceber, neste ínterim, que eu poderia mudar certas coisas que não havia dado certo. Tive a chance de reviver momentos maravilhosos, reencontrar pessoas e amores que tinham passado. Quem sabe agora pudesse concertar alguns erros que havia cometido?

Uma das coisas que inicialmente fiz foi reencontrar uma grande amizade e um grande amor do passado. Foi fantástico! Falei coisas que não havia falado antes, vivi coisas que não tive coragem de viver antes. Dei vida a um sentimento outrora perdido e abafado. Que grande oportunidade aquela. Estava realmente muito feliz; afinal tinha conseguido uma nova oportunidade para concertar o “erro” que havia cometido. Assim o fiz. Comecei a reescrever o meu passado! Agora com cores mais belas e vivas.

Tudo estava perfeito até que no terceiro dia tudo começou a ruir. Novos eventos ocorreram e pela segunda vez, ou pela quarta ou quinta vez, ela me deixou! Insisti, argumentei, amei o mais profundo que pude e mesmo assim ela me deixou novamente. Mais uma vez! O meu ideal de recomeço ao lado dela havia sido totalmente destruído. Dessa vez eu senti que seria para sempre. Aquela que para mim era a pessoa ideal, escapou por entre meus dedos. Foi então que dei-me conta: Ela não era a ideal! Não mesmo. Definitivamente, como pude ser tão burro e cego? Como pude ter me enganado tanto assim? Foi então que “morri” pela segunda vez! Foi uma “morte” diferente da primeira, a dois anos antes. Está foi inesperada, enquanto a outra foi moldada e aquitetada!

A sensação de morte é terrível. Os que já passaram por isso sabem do que estou falando, os que ainda não passaram, preparem-se para estas horas. Não adianta evitar, acontece com todos, mais de uma vez, inúmeras vezes, durante toda a vida!

Esta minha morte foi diferente da primeira. Na ocasião, a dois anos, foi uma “morte” tranqüila, quase um rito de passagem; cheio de pompas e solenidades. Entrei no paraíso pela primeira vez. No entanto, dessa vez a coisa foi cruel e sanguinária. A sensação era como se eu tivesse sido alvejado por tiros, ou ainda, era como se eu tivesse sido perfurado por uma lamina afiada e esta, após a dilaceração, tivesse atingido meu coração e o arrancado do peito. Um amor outrora magnífico foi abafado, estagnado, interrompido, estancado, atravancado, obstruído, podado, enclausurado. O feitiço que eu lancei voltou-se contra mim! A boa semente, de frutos suculentos e apreciados por todos, não teve a chance de nascer, foi jogada em terra ruim. Vieram os porcos e a comeram. A semente foi parar no meio do esterco e da lama.

Estava tudo acabado. Já estava no fim do quarto dia. Infelizmente, por falta de forças, perdi o quinto dia também.

Não queria permanecer naquela situação, aquilo estava me destruindo aos poucos. Como era possível? Definitivamente, não se pode mudar o passado. Fui ingênuo, e para minha infelicidade sofri duas vezes por uma mesma coisa. Idiota! Deveria saber disso, ou não; talvez este fosse o motivo da viagem: Descobrir com minhas próprias experiências que por mais que tentamos mudar o passado ele nunca mudará! O que passou, passou e não volta jamais! Quando volta, por mais que nos esforcemos, outros fatos ocorrem para que a ordem natural das coisas não seja quebrada e o presente seja preservado.

Fiz um novo insight e redescobrir o meu caminho. Eu precisava entender melhor o momento presente! Era Natal, deveria redescobrir a família. Sim, obvio, agora estava no caminho certo – era por isso que retornara ao passado –, teria que redescobrir a família. Só que com a minha família eu também não havia me saído bem nos últimos dias. O passado não estava me fazendo bem!

No sexto dia eu revi minha vida, desde antes da minha “primeira morte” até aquele instante, o momento imediatamente após minha “segunda morte”! Respirei fundo, olhei para meus pais, olhei para o meu amor perdido, olhei para o alto e para os extremos da eternidade, olhei para o mundo ao meu redor, olhei para o paraíso e para o inferno. Dei-me conta da minha fragilidade e pequenez frente ao universo, e da minha força e poder perante o mundo. Sou o Rei do “meu mundo”!

Após seis dias de perdição, de caos, de desespero e de sofrimento; concluo a minha viagem no tempo. No sétimo dia eu voltei ao presente e descansei. Enfim, redescobri a minha família, redescobri a mim mesmo, redescobri o amor e gargalhei profundamente! Foi o meu melhor momento.

Era 31 de Dezembro e faltavam poucas horas para o Dia da Paz Mundial. Estava com minha família, fazendo tudo o que sempre fazíamos quando nos encontrávamos: Conversar, comer, beber e rir, rir em demasia. Tudo havia voltado à normalidade! Foi então que percebi algo diferente no ar; um novo rito havia se iniciado. Era um rito sorrateiro e sutil. Era o rito que eu havia criado inconscientemente e que certamente iria me acompanhar até o fim dos dias, durante todas as “mortes” vindouras e conseqüentes “ressurreições”, até o dia da “morte plena” e conseqüente passagem ao estado atemporal!

Faltava só isso para completar o rito: minha coroação e meu retorno ao presente! Bastava esperar e seguir conforme o coração desejava! Acalentei-o e reconfortei-o. Ao vê-lo diretamente percebi uma cicatriz, uma que não estava lá antes. Ela ficará marcada eternamente em sua carne e será responsável pela lembrança do amor que não deu certo, pela “segunda morte” que sofri, pela minha redescoberta da família e pelo meu retorno ao presente. Aquela cicatriz ficará eternamente marcada em minha alma. Basta olhar para o meu coração que verei o resumo das aventuras e desventuras sofridas. O interessante é sempre verificar que há espaço para mais cicatrizes. Isso me dá um certo pavor, mas não receio e muito menos medo da vida. Dá-me sim ânsia de vida e vontade de caminhar para ainda mais longe, para onde poucos chegaram. Tenho confiança, chega a ser quase uma certeza, que um dia ultrapassarei o horizonte e que lá, muito distante daqui, encontrarei o meu tesouro mais precioso.

0 comentários:

Postar um comentário

Postagens populares

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...