terça-feira, 31 de agosto de 2010

O Velho e o Mar

Acabei de ler este clássico da literatura e a unica coisa que me vem à mente é o fato de estar diante de um livro "simples", mas que contém uma grande mensagem: O homem pode sempre mais!

Hemingway foi muito feliz ao escrevê-lo. Não foi por menos que na ocasião em que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura, em 1954, este livro foi explicitamente mencionado como a justificativa para tal premiação, sendo considerado uma obra-prima da prosa moderna.

Somos "poeira" diante do universo!

Olá Pessoal,

Vídeo para reflexão! Desejo que gostem!

Abração,

Flávio Nunes.


Garoto Chinês Apaixonado!

Olá Pessoal,

Não há emoção maior na vida que descobrir, à cada dia, que estamos completamente apaixonados por alguém. De forma inexplicável, este amor torna-se algo fantástico quando descobrimos que somos correspondidos!

Achei este vídeo no YouTube! Vale a pena assistir!

Abração,

Flávio Nunes.


segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Sobre o Inferno, o Mundo e o Paraíso (Fábula) #1


Meu lugar é permanecer no caminho.

Havia, a muitos anos atrás, um guerreiro que caminhava errante sobre a face da terra. Obteve várias conquistas e foi derrotado em outras tantas batalhas, mas sobrevivera para contar suas histórias. Após tantos anos guerreando traçou uma meta pessoal: Conhecer o máximo que pudesse a cerca do mundo antes que a morte sorrateira viesse lhe buscar.
Havia aprendido com um sábio que tudo na vida é passageiro e que um dia ele também pereceria. Sua vida de nada valeria se não tivesse aprendido o máximo que pudesse e se não deixasse algo realmente significativo para as futuras gerações. Aprendeu também que o mundo é cruel com todos aqueles que não sabem lutar e defender seus reinos, por isso tornou-se guerreiro.
Mas ele não era qualquer tipo de guerreiro. Ele não é desses que se encontram por aí em qualquer vila ou povoado, não é o tipo sanguinário. Esse que vos falo é um guerreiro estrategista, astuto e compassivo. Isso fez dele o melhor de todos. Ninguém antes dele havia ganhado tantas batalhas e recebido tantas condecorações.
Tamanha era sua bravura que chegou a derrotar dezenas de inimigos numa só batalha, sem derramar uma só gota de sangue. Ele destruía mentes e corações. Sua armadura era os frangalhos que usava e suas armas eram suas palavras. Não tinha medo de morrer, assim como não tinha medo de viver. O tempo passava e seguia seu plano: Conhecer o mundo! No fim precisava deixar algo, um legado, uma marca que poderia ser vista, se possível, por toda a eternidade. Era isso que buscava, ininterruptamente!
Certo dia ao sair de dentro de uma floresta densa e cheia de armadilhas, deparou-se com a entrada de uma caverna, esta situava-se aos pés de uma gigantesca montanha.
Ao aproximar-se da entrada da caverna o homem percebeu que havia uma inscrição talhada na pedra: “o Inferno, o Mundo e o Paraíso”.
“Que dizeres mais estranhos para estarem entalhados na entrada de uma caverna”, pensou o guerreiro.
A muito tempo ninguém passava por aquele lugar. Havia muita vegetação obstruindo a entrada. Começou a limpar e deparou-se com outras duas inscrições entalhadas na entrada da caverna que diziam: “Para todos os que desejam conhecer [o Inferno, o Mundo e o Paraíso] entre por esta porta e a verdade lhe será revelada”.
Pelo menos agora havia uma frase, mas nem por isso aquele inscrito tornava-se menos enigmático. O guerreiro sentiu-se impelido a entrar naquele misterioso lugar. Estava com medo, mas não poderia recusar aquele chamado. Sentia que ao entrar naquela caverna sua vida poderia mudar, e caso a inscrição estivesse correta, seria possuidor de um conhecimento e uma sabedoria sem igual. Algo em seu interior o impelia a entrar. Talvez a vaidade, quem sabe ditou as regras neste ponto.
Improvisou uma tocha, acendeu-a e adentrou na caverna. Os primeiro passos foram cautelosos, não conhecia o caminho e muito menos o que lhe aguardava após a próxima curva ou pedra que transpunha. Caminhou durante algum tempo, até que chegou num salão. Logo na entrada havia uma tocha presa na parede, ele aproximou o fogo e ela se acendeu e isso gerou uma cascata de reações. Após poucos instantes o salão estava todo iluminado.
Após isso, seus olhos depararam-se com algo surpreendente. O salão era dividido por blocos de pedras. Cada um deles possuía entalhes com imagens ou escritos. Não demorou muito para o guerreiro perceber que aquele lugar já havia sido visitado por muitos antes dele. Era um lugar antigo. Talvez fosse usado para adoração de alguns deuses, talvez era um templo de meditação e recolhimento, talvez era apenas um refugio para os desabrigados. Que importância isso tinha naquele momento, o homem queria apenas conhecer o lugar onde se encontrava e que ligação tudo aquilo tinha com os dizeres que leu antes de entrar.
Começou a andar por entre os blocos de pedra e verificou que ali encontrava-se vestígios de civilizações antigas. Por todos os lados que olhava, e logo abaixo de cada coluna, estava pousado algum objeto. Viu vasos de barro trabalhados a mão, viu pergaminhos, viu braceletes de ouro, viu roupas, viu cajados, viu armas de guerra e tantos outros objetos. Ficou vislumbrado. “Como tudo isso veio parar aqui”, pensou.
Continuou caminhando e percebeu que a partir de um determinado ponto os blocos estavam todos inteiros, não havia nenhuma inscrição, nenhum entalhe e nenhum objeto posto próximo a eles. Continuou caminhando até que deparou-se com uma fenda, uma ponte feita de cordas e taboas, e do outros lado avistou três portais.
Atravessou a ponte e ao chegar do outro lado ficou atônito. Haviam dezenas de caveiras, eram esqueletos completos. O que mais lhe intrigou foi que todos estavam próximos de uma pequenino altar feito de pedra. Aproximou-se e viu que em cima desse altar encontrava-se um pergaminho aberto. Retirou a poeira que o encobria e em seguida começou a ler o que nele estava escrito:
Caro viajante,
Quis o destino lhe presentear. Você esta diante de três portas mágicas. A primeira, e maior de todas, é a porta que lhe mostrará e lhe conduzirá ao Inferno; a segunda, a porta mediana, é a que lhe mostrará e lhe conduzirá ao Mundo; e a última delas, a menor de todas as portas, lhe mostrará e lhe conduzirá ao Paraíso.
Querido viajante, guerreiro de tantas batalhas, possuidor do conhecimento de todos os tempos, tu é o resumo de todas as estradas por onde já passou e mais sábio que o mais sábio que já esteve aqui pela última vez. Você foi escolhido para descobrir os mistérios e as verdades do mundo.
Quis o destino lhe presentear. Aproveite e não desperdice esta oportunidade única que agora apresenta-se diante de ti.
Tu terás a oportunidade de entrar em cada uma das portas e precisarás conhecer bem o que lhe ofereço. Poderá ficar não mais que sete ciclos lunares dentro de cada uma delas, após esse tempo deverá reencontrar seu caminho e voltar sozinho para diante dos portais. Uma vez cumprido esta etapa deverá escolher apenas um portal, entrará e dele nunca mais sairá. Contudo este não será o fim!
Poderá ficar no interior da caverna eternamente. Este fogo o iluminará e queimará enquanto existir vida e sangue correndo em suas veias. A única saída será escolher um dos portais. Por mais que tente, nunca mais conseguirá achar o caminho de volta ao mundo que existia antes de entrar aqui. Aquele mundo não existe mais para você!
O seu coração convenceu a sua razão que seria interessante desbravar um novo caminho. Apostou no desconhecido e chegou até aqui. Continua a ser um ser livre, contudo suas escolhas o conduziram através da escuridão e sua ânsia pela verdade iluminou cada passo seu.
Lembre-se apenas que enquanto permanecer aqui, no interior da caverna, continuará na escuridão e toda a beleza que verá será a dos vultos refletidos nas paredes, compartilhará dos tesouros que foram deixados aqui por outros antes de ti, mas jamais poderá ir além do horizonte, jamais verá a luz do sol novamente. Entretanto, uma vez feito a sua escolha, isso o conduzirá a algo muito maior, isso o conduzirá à verdade, aquela verdade que apenas você pode descobrir.
Por isso, querido viajante, toque, veja, ouça, sinta, viva! Conheça tudo o que puder de cada uma das verdades que lhe apresento e, no fim, faça sua escolha definitiva.
Ass: F.
Atenção: Você poderá ir e retornar pela ponte apenas uma vez!

O Encontro com o Velho Mestre Zaph #2


Sem que me desse conta, meu templo ao ar livre havia sido invadido por um desconhecido. O que antes parecia levitar e estar envolto por uma áurea harmônica, agora parecia pesado e envolto por uma névoa densa. Incomodei-me, mesmo sem motivos, com a presença daquele estranho.

Nessa altura eu já fazia planos de ir embora. Não queria ser incomodado em meu momento de contemplação. Começara a escrever em meu bloco de anotações os meu pensamentos, fruto de tudo o que recebia através dos sentidos. A sensação que sempre tive neste momento é a de trazer de algum lugar, utilizando minhas emoções como ponte, tudo o que a natureza gostaria de dizer mas não tem ninguém que conte ou escreva. Pode parecer loucura, mas parece que estabeleço uma sintonia profunda com tudo o que me rodeia e dessa relação nascem textos, poemas e outros escritos. É o que chamo de minhas “viagens filosóficas”. Quando isso ocorre, não gosto que ninguém me atrapalhe enquanto escrevo. O motivo era simples: Vai que perco a linha de raciocínio e conseqüentemente a idéia que estava colocando no papel perca-se completamente? Não é bom arriscar. Minha memória nunca foi boa para guardar algo por muito tempo. E este era um dos motivos pelos quais sempre andava com uma caneta e um caderno de anotações. Nunca sei quando pode surgir uma idéia boa o suficiente para deixar registrada.

“Ficarei aqui escrevendo de cabeça baixa, sem lhe dar atenção. Com um pouco de sorte ele vai entender o recado e irá embora. Se isso não acontecer, após alguns minutos levanto-me e vou me sentar noutro banco”, pensei.

Não demorou muito para que o velho puxasse conversa.

- Bela tarde, você não acha?

- Sim, é verdade. Aprendi a ser cordial com as pessoas, mas antes disso havia aprendido a não sustentar assunto com estranhos. Não desejava ser rude, contudo não queria que ninguém me atrapalhasse enquanto fazia minhas anotações.

- Impressiono-me sempre com a beleza da natureza e a integração que existe entre as plantas, os animais, a água, o ar,...

- É realmente muito impressionante! Disse, cortando a fala do velho. Não há nada mais inconveniente do que alguém que corta a frase do seu interlocutor pela metade. Era o inicio do meu “plano de fuga”. Dali a mais uma ou duas frases pronunciadas pelo velho eu iria pedir licença com toda delicadeza e iria me retirar. Sem sustentar a conversa, voltei a fazer minhas anotações.

O velho sorriu, aguardou alguns instantes, olhou-me e perguntou:

- O que está escrevendo aí?

“Como assim? Por que esse estranho queria saber o que eu estava escrevendo”? Fiquei atônito e sem reação.

Instantaneamente meus pensamentos transportaram-me a um incidente ocorrido a mais ou menos cinco anos. Recordei-me de uma menina pela qual me apaixonei. Ela estudava no mesmo colégio que eu, sendo que eu estava um ano adiantado e isso me dava uma certa importância. Ser mais velho mesmo que sejam alguns meses é bem significativo para as meninas. "Homens mais velhos são mais experientes" pensam os meninos para se gabar e as meninas por puro instinto de proteção. Até aquele momento eu achava que ser mais velho fazia uma grande diferença. Contudo quando realmente ficamos mais velhos percebemos que velhice separado de maturidade psico-emocional de nada adianta.

O Encontro com o Velho Mestre Zaph #1


Numa bela tarde de primavera resolvi andar até um dos parques que existe em minha cidade. É um belíssimo posto. Existem árvores e um bom espaço para as crianças brincarem e correrem até as forças acabarem.

Como costumava fazer regularmente, li algumas páginas no inicio daquela tarde, ainda em casa, após uma pausa peguei meu bloco de anotações, uma caneta e iniciei uma caminhada leve. Após alguns minutos cheguei na praça e sentei-me em meu banco favorito. O banco ficava sob um enorme carvalho, que por sua vez era uma das maiores árvores do parque. Sempre me impressiono com o seu tamanho e magnitude. Muitas aves fazem seus ninhos nos galhos daquela beleza extraordinária da natureza. Dali, daquele posto, vejo outras árvores e diversos animais que por ali circulam. Quase não há movimentação e isso ajuda-me bastante na hora de concentrar-me para escrever.

Precisava descansar um pouco. Estava tenso, pois dentro de poucos dias iria apresentar meu trabalho de conclusão de curso. A monografia havia ficado boa, contudo extensa. Segundo meu orientador, precisava cortar algumas partes do texto. O problema era que eu considerava tudo muito importante para ser cortado. Mas como ele era o mestre e eu o aprendiz, acatei sua decisão. Devido a dificuldade, estava levando muito tempo para preparar o texto tal qual havia me pedido. Aquilo me desgastava em demasia, e uma das formas de relaxar era fazendo aquelas caminhadas vespertinas em meio à natureza e aos animais.

O dia estava terminando e o sol já baixava no horizonte. Estava ali sob a sombra do carvalho centenário, com meu caderno de anotações nas mãos, caneta em punho, ouvido o cantar e a movimentação de algumas aves sobre minha cabeça.

Observava a natureza à minha volta e escutava as crianças correrem de um lado para o outro. Aquilo sempre me trazia uma sensação de paz e tranqüilidade. “Viver ali realmente era muito bom. Deus não poderia ter escolhido lugar melhor para me colocar neste mundo”, pensei.

Foi então que no meio de todo aquele marasmo, surge a figura de um velho homem. Ele caminhava lentamente. Usava camisa branca de linho, calça jeans e um tênis marrom elegante, porém desbotado. “Que velho é este. Nunca o vi por aqui antes. E que roupa mais estranha para ele utilizar” pensei com um ar de espanto e, até certo ponto, pré-conceito. Até parece que só jovens como eu utilizavam aquela roupa! O que tinha de errado num senhor que gosta de jeans e tênis? Absolutamente nada. Sorri sozinho de meus pensamentos!

O velho vinha andando com as mãos nos bolsos da calça e com um ar de total despreocupação. Enquanto caminhava olhava em todas as direções. Olhou para o alto, para a copa das árvores; olhou para as crianças correndo ao longe, olhou o casal de jovens namorando num banco mais adiante, até que ao aproximar-se do banco onde eu estava sentado, olhou-me diretamente nos olhos, deu um sorriso e aproximou-se.

- Boa Tarde! Posso me sentar aqui ao seu lado meu jovem? Disse o velho.

- Sim senhor! Pode ficar à vontade! Respondi com gentileza. Afinal era assim que fora educado por meus pais. “Que coisa mais estranha, com tantos bancos neste jardim, por que esse velho quis sentar-se logo ao meu lado? Espero que ele não demore muito aqui”, pensei ligeiro. Não sei se meu comportamento me denunciava, mas fiquei incomodado com aquela presença repentina. Senti que ele havia invadido o meu espaço e pela primeira vez percebi que aquele lugar significava algo para mim. Apesar de público, tinha aquele banco e aquele ponto da praça como um refúgio pessoal, qualquer invasão causava-me incomodo.

sábado, 28 de agosto de 2010

Lembrança antiga - Tutti!


Escrevi este texto a pouco mais de cinco anos! Decidi não alterá-lo e postá-lo aqui tal qual o produzi na época. Então peço perdão pelos erros de concordâncias, repetições, etc... Espero que gostem do relato que, em linhas gerais, conta a história de meu primeiro animal de estimação!

Abração.

PS: A foto não é a da minha "Tutti", mas lembra muito!


Tutti

A lembrança mais antiga que tenho, no que diz respeito ao contato com os animais, é a da Tutti. Ela foi meu primeiro animal de estimação, era uma cadelinha linda, da raça Fox Paulistinha, branca com manchas marrons. Foi-me dada de presente por um amigo do meu pai. Não lembro muita coisa do convívio com ela. Recordo apenas fatos esporádicos.

O primeiro desses fatos é o momento em que a vi pela primeira vez. Eu devia ter entre um e dois anos de idade. Dizem os neurocientistas que fatos marcantes, tanto para o bem como para o mal, ficam registrados em lugares “especiais” de nossa mente. A imagem de ter visto a Tutti pela primeira vez nunca mais saiu da minha cabeça. Ela era linda, já disse isso né?! (Risos)

Eu tinha em torno de dois anos, lembro-me de estar no colo de minha mãe. Aos poucos fomos, minha mãe e eu, nos aproximando de uma “gigantesca” caixa de televisão de vinte polegadas (Para mim ela era enorme naquela época), com uma dose de curiosidade surpreendente e pura emoção, a vi. Ela era o filhote mais bonito de cachorro que jamais havia visto na vida até aquele momento. Lembro de minha mãe falando para dar remédio de carrapato pois seus ouvidos estavam “tampados de tanto bicho que tinha”.

Ela era quase do mesmo tamanho que eu. Tinha uma barriga proeminente como a minha, mas diferente de mim, ela estava cheia de vermes. Enfim, foi quase um presente de grego. Mas mesmo assim, ela era a criaturinha mais bacana e engraçada que eu já havia visto. Nada mais importava, agora ela era minha. Era linda (Já falei isso?). Como me diverti com ela.

Outra passagem que me lembro bem, foi o dia em que saímos de casa pela manhã e minha mãe deixou lençóis estendidos no varal. Quando chegamos em casa no fim do dia, todos os lençóis estavam no quintal, rasgados e sujos. Ela, como de costume, nos recebeu com latidos e com um balançar de caudas sem igual. Era pura alegria e satisfação em nos ver de volta. A cena seguinte eu não lembro, mas meu pai conta que dobrou uma folha de jornal e deu um “corretivo” nela, o que de nada adianto; ela repetiu a façanha algumas outras vezes, inclusive com uma calça de trabalho do meu pai e com meu uniforme da escola. Depois de tanto tempo minha mãe decidiu aumentar a altura do varal.

Junto com este mesmo relato lembro-me de outra cena. Um dia, não sei por qual motivo eu olhei pela janela e ela estava com uma pequena toalha na boca. Fui até ela para tentar resgatar o pedaço de pano. Ela adorava brincar de cabo-de-guerra. Eu puxava de um lado e ela do outro. Até que num momento eu consegui tirar a toalha da boca dela, só que não contava que ela estava extremamente envolvida com a brincadeira. Foi então que na falta da toalha ela pegou o meu braço direito. Neste dia ganhei uma cicatriz que tenho até hoje. Basta olhar as fotos e a cicatriz em meu braço para lembrar-me dela.

A última imagem que tenho da minha cadelinha foi o dia em que ela morreu. Ela tinha aproximadamente oito anos de idade e eu tinha aproximadamente dez anos. Lembro que ela tinha varias estruturas arredondadas espalhadas pelo corpo e estava evacuando uma diarréia liquida e fétida. Já não era mais aquela cadelinha ativa com a qual tanto brinquei e me diverti por anos. Lembro que o veterinário, amigo do meu pai, o mesmo que tinha me presenteado a alguns anos, ia com freqüência lá em casa para medicá-la, mas ela não melhorava.

Desde que ela havia ficado doente, todos os dias, antes de ir para a escola, eu me despedia. Ela já não saia tanto da sua casinha, ficava ali a maior parte do dia. Saia apenas para se alimentar, tomar água, urinar e defecar. Já não brincava mais.

No último dia, eu cheguei perto da sua casinha e ela estava muito ofegante, nitidamente cansada e abatida. Minha mãe e eu olhamos para ela e ela retribuiu o olhar, deitou, deu um ganido e morreu. Não entendi o que tinha acontecido, afinal era a primeira vez que me encontrava diante da morte e diante de um ser que representava algo para mim (Diferente dos meus pais). Minha mãe em meio ao choro, me conduziu até o portão, onde meu pai já me aguardava para conduzir-me à escola.

Naquele dia a Tutti tinha “dormido” e tinha ficado “curada” da sua doença. Não sentia mais dor. Contudo ela foi morar com Deus lá no céu. Esta foi a história que escutei durante um bom tempo dos meus pais. Não lembro de ter chorado quando soube que ela não voltaria mais, que estava no céu, e que Deus tomava conta dela lá por mim. Não tenho essa imagem registrada. Talvez nesse momento também tenha descoberto o que significava e representava Deus em minha vida. Uma figura muito boa, que tomava conta da minha Tutti, e era o melhor veterinário do mundo, pois a curou; coisa que o outro não tinha conseguido fazer.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Almoço, jardim, livros e natureza!


Adoro refugiar-me no jardim da Cada de Rui Barbosa após o almoço. Ali é um lugar tranquilo para se ler e escrever, ou apenas permanecer com a mente flutuante e o olhar distante, deixando o relógio ir de 3/4 para 1 inteiro de hora.

É fácil ver sabiás e bem-te-vis descendo ao chão para saciarem suas curiosidades, alimentarem-se ou simplesmente beberem água num dos pequeninos lagos artificiais, onde há, em maior quantidade, carpas brancas e alaranjadas. Vez ou outra um grupo de pardais vão de uma árvore à outra ou de um arbusto ao outro, numa mescla de bater de asas e sons, que só eles entende o significado. Só sendo um pardal para saber o que tal comportamento significa; contudo em minha ignorância deduzo tratar-se de uma "brincadeira entre conhecidos", uma "briga entre rivais" por
território ou por uma fêmea em particular. Todos os animais na natureza, e principalmente o ser humano, tem esta particularidade: Quando desafiados, adoram brigar por um "rabo-de-saia"! O que quer que seja, estas pequeninas aves fazem bastante barulho.

Ali permaneço por algumas páginas, sentando à sombra de uma árvore, seja no banco perto do antigo galinheiro, seja na escada em frente ao quiosque verde, que era utilizado nos dias quentes de verão para um banho refrescante ao ar livre. Imagino o quanto as crianças daquela casa, e até mesmo o Sr. Rui Barbosa, deveriam gostar de tal engenhoca, que para a época era fantástica.

Mais alguns instantes alí eu fico, respirando fundo e seguindo os signos perco-me em pensamentos. Quando retorno, trago de lá mais conhecimentos do passado, perfeitamente aplicáveis aqui, no agora.

O Mito da Caverna (A República - Cap. VII)

Li uma postagem agora a pouco que indagava o seguinte (Não necessariamente nestas palavras, mas a idéia é esta): "Por que permanecemos presos se as portas estão abertas"? Recordei-me de plantão, quando na República descreve o "Mito da Caverna"!

Segue a seguir o diálogo entre Platão e Glauco (O Mito da Caverna).

Boa Leitura!

Trata-se de um diálogo metafórico onde as falas na primeira pessoa são de Sócrates, e seus interlocutores, Glauco e Adimanto, são os irmãos mais novos de Platão. No diálogo, é dada ênfase ao processo de conhecimento, mostrando a visão de mundo do ignorante, que vive de senso comum, e do filósofo, na sua eterna busca da verdade.

Sócrates – Agora imagina a maneira como segue o estado da nossa natureza relativamente à instrução e à ignorância. Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, com uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, de pernas e pescoços acorrentados, de modo que não podem mexer-se nem ver senão o que está diante deles, pois as correntes os impedem de voltar a cabeça; a luz chega-lhes de uma fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa uma estrada ascendente. Imagina que ao longo dessa estrada está construído um pequeno muro, semelhante às divisórias que os apresentadores de títeres armam diante de si e por cima das quais exibem as suas maravilhas.

Glauco – Estou vendo.

Sócrates – Imagina agora, ao longo desse pequeno muro, homens que transportam objetos de toda espécie, que os transpõem: estatuetas de homens e animais, de pedra, madeira e toda espécie de matéria; naturalmente, entre esses transportadores, uns falam e outros seguem em silêncio.

Glauco - Um quadro estranho e estranhos prisioneiros.

Sócrates - Assemelham-se a nós. E, para começar, achas que, numa tal condição, eles tenham alguma vez visto, de si mesmos e de seus companheiros, mais do que as sombras projetadas pelo fogo na parede da caverna que lhes fica defronte?

Glauco - Como, se são obrigados a ficar de cabeça imóvel durante toda a vida?

Sócrates - E com as coisas que desfilam? Não se passa o mesmo?

Glauco - Sem dúvida.

Sócrates - Portanto, se pudessem se comunicar uns com os outros, não achas que tomariam por objetos reais as sombras que veriam?

Glauco - É bem possível.

Sócrates - E se a parede do fundo da prisão provocasse eco sempre que um dos transportadores falasse, não julgariam ouvir a sombra que passasse diante deles?

Glauco - Sim, por Zeus!

Sócrates - Dessa forma, tais homens não atribuirão realidade senão às sombras dos objetos fabricados?

Glauco - Assim terá de ser.

Sócrates - Considera agora o que lhes acontecerá, naturalmente, se forem libertados das suas cadeias e curados da sua ignorância. Que se liberte um desses prisioneiros, que seja ele obrigado a endireitar-se imediatamente, a voltar o pescoço, a caminhar, a erguer os olhos para a luz: ao fazer todos estes movimentos sofrerá, e o deslumbramento impedi-lo-á de distinguir os objetos de que antes via as sombras. Que achas que responderá se alguém lhe vier dizer que não viu até então senão fantasmas, mas que agora, mais perto da realidade e voltado para objetos mais reais, vê com mais justeza? Se, enfim, mostrando-lhe cada uma das coisas que passam, o obrigar, à força de perguntas, a dizer o que é? Não achas que ficará embaraçado e que as sombras que via outrora lhe parecerão mais verdadeiras do que os objetos que lhe mostram agora?

Glauco - Muito mais verdadeiras.

Sócrates - E se o forçarem a fixar a luz, os seus olhos não ficarão magoados? Não desviará ele a vista para voltar às coisas que pode fitar e não acreditará que estas são realmente mais distintas do que as que se lhe mostram?

Glauco - Com toda a certeza.

Sócrates - E se o arrancarem à força da sua caverna, o obrigarem a subir a encosta rude e escarpada e não o largarem antes de o terem arrastado até a luz do Sol, não sofrerá vivamente e não se queixará de tais violências? E, quando tiver chegado à luz, poderá, com os olhos ofuscados pelo seu brilho, distinguir uma só das coisas que ora denominamos verdadeiras?

Glauco - Não o conseguirá, pelo menos de início.

Sócrates - Terá, creio eu, necessidade de se habituar a ver os objetos da região superior. Começará por distinguir mais facilmente as sombras; em seguida, as imagens dos homens e dos outros objetos que se refletem nas águas; por último, os próprios objetos. Depois disso, poderá, enfrentando a claridade dos astros e da Lua, contemplar mais facilmente, durante a noite, os corpos celestes e o próprio céu do que, durante o dia, o Sol e sua luz.

Glauco - Sem dúvida.

Sócrates - Por fim, suponho eu, será o sol, e não as suas imagens refletidas nas águas ou em qualquer outra coisa, mas o próprio Sol, no seu verdadeiro lugar, que poderá ver e contemplar tal qual é.

Glauco - Necessariamente.

Sócrates - Depois disso, poderá concluir, a respeito do Sol, que é ele que faz as estações e os anos, que governa tudo no mundo visível e que, de certa maneira, é a causa de tudo o que ele via com os seus companheiros, na caverna.

Glauco - É evidente que chegará a essa conclusão.

Sócrates - Ora, lembrando-se de sua primeira morada, da sabedoria que aí se professa e daqueles que foram seus companheiros de cativeiro, não achas que se alegrará com a mudança e lamentará os que lá ficaram?

Glauco - Sim, com certeza, Sócrates.

Sócrates - E se então distribuíssem honras e louvores, se tivessem recompensas para aquele que se apercebesse, com o olhar mais vivo, da passagem das sombras, que melhor se recordasse das que costumavam chegar em primeiro ou em último lugar, ou virem juntas, e que por isso era o mais hábil em adivinhar a sua aparição, e que provocasse a inveja daqueles que, entre os prisioneiros, são venerados e poderosos? Ou então, como o herói de Homero, não preferirá mil vezes ser um simples lavrador, e sofrer tudo no mundo, a voltar às antigas ilusões e viver como vivia?

Glauco - Sou de tua opinião. Preferirá sofrer tudo a ter de viver dessa maneira.

Sócrates - Imagina ainda que esse homem volta à caverna e vai sentar-se no seu antigo lugar: Não ficará com os olhos cegos pelas trevas ao se afastar bruscamente da luz do Sol?

Glauco - Por certo que sim.

Sócrates - E se tiver de entrar de novo em competição com os prisioneiros que não se libertaram de suas correntes, para julgar essas sombras, estando ainda sua vista confusa e antes que seus olhos se tenham recomposto, pois habituar-se à escuridão exigirá um tempo bastante longo, não fará que os outros se riam à sua custa e digam que, tendo ido lá acima, voltou com a vista estragada, pelo que não vale a pena tentar subir até lá? E se alguém tentar libertar e conduzir para o alto, esse alguém não o mataria, se pudesse fazê-lo?

Glauco - Sem nenhuma dúvida.

Sócrates - Agora, meu caro Glauco, é preciso aplicar, ponto por ponto, esta imagem ao que dissemos atrás e comparar o mundo que nos cerca com a vida da prisão na caverna, e a luz do fogo que a ilumina com a força do Sol. Quanto à subida à região superior e à contemplação dos seus objetos, se a considerares como a ascensão da alma para a mansão inteligível, não te enganarás quanto à minha idéia, visto que também tu desejas conhecê-la. Só Deus sabe se ela é verdadeira. Quanto a mim, a minha opinião é esta: no mundo inteligível, a idéia do bem é a última a ser apreendida, e com dificuldade, mas não se pode apreendê-la sem concluir que ela é a causa de tudo o que de reto e belo existe em todas as coisas; no mundo visível, ela engendrou a luz; no mundo inteligível, é ela que é soberana e dispensa a verdade e a inteligência; e é preciso vê-la para se comportar com sabedoria na vida particular e na vida pública.

Glauco - Concordo com a tua opinião, até onde posso compreendê-la.

(Platão, A República, v. II p. 105 a 109)


Agora para descontrair e tentar absorver melhor o que foi apresentado, segue uma adaptação feita pelo Mauricio de Souza para a turma da Mônica:


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Prefácio: Livros e Chocolate!



Gosto da Livraria Prefácio. É um lugar com luz baixa, som ambiente, livros dispostos nas prateleiras não necessariamente ordenados, mesas de madeira e mármore, que faz lembrar o Rio antigo.

Há sempre pessoas nas mesas ao lado em conversas interesantes. Não há incômodo e sim um fluir constante de energia. Há movimento!


Em meio a esta tranquilidade sinto-me à vontade o suficiente para ler, escrever e deliciar-me com alguma guloseima a base de chocolate. Estes são meus maiores vícios, se morro disso, morro feliz. Em minha lápide autorizo escrever: AQUI ENCONTRA-SE UM HOMEM QUE VIVEU INTENSAMENTE. LEU, ESCREVEU E DEGUSTOU TODO O CHOCOLATE QUE TEVE VONTADE. POR ISSO FOI FELIZ E AMOU ININTERRÚPTAMENTE.


Alguns encontram inspiração numa taça de vinho, outros num café, eu prefiro chocolate. É claro que as outras opções também me trazem algum proveito mas nada substitui o bom e velho cacau com suas propriedades terapêuticas tão docemente equilibradas.


Prazer que leva-me ao vício e ao desejo de repetição constante! Como parar? Não sei. Agora já estou entregue ao cheiro e à textura dos livros, à maravilhosa sensação de sentir a tinta sair da caneta e empregnar a folha com os signos que minhas emoções (e todo meu ser) ditam, e à fragância, gosto e leveza do chocolate.

Sortudo que sou, encontrei um oasis!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Primeira Sessão de Acupuntura!


Hoje realizei minha primeira sessão de acupuntura. Confesso que pelo desconhecimento da técnica, encontrava-me um pouco apreensivo. Até a presente data, procurei informar-me sobre que tipo de sensações teria ao ver-me deitado sobre uma cama sendo perfurado em vários pontos do corpo por agulhas de metal. Minha imaginação não ajudava muito.

Com o passar dos meses, mais e mais convicto ficava ao obter boas referências sobre a ajuda orgânica que esta prática oriental milenar porta aos seus praticantes. Sem contar que todos me diziam sempre as mesmas palavras, "é quase indolor". O reconhecimento deste "quase" é que fez o tempo passar e adiar o que hoje concretizei.

Cheguei ao local indicado por uma amiga, faltando nove minutos para o início da consulta. Fui gentilmente recebido e aguardei até ser chamado. Para evitar o tédio e alimentar meu vício, tomei pelas mãos o livro que trazia comigo, o dispús confortavelmente sobre o colo, abri-o na página marcada e reiniciei a leitura do ponto onde havia parado ao descer do metrô.

Não se passaram quatro páginas e fui chamado pelo meu "carrasco", aquele que iria friamente introduzir as agulhas no meu corpo à sangue frio. Atrás daqueles cabelos brancos, corpo franzino, olhar calmo e voz suave, encontrava-se um masoquista em potencial. No fundo do meu coração eu suspeitei disso, ainda assim segui adiante até o fim do corredor, "no final, à esquerda", ele disse, conduzindo-me à sua masmorra, à sua sala de torturas!

Ao chegar vi um lugar estranhamente simples, onde havia uma cadeira, na qual deixei meus pertences, havia uma cama devidamente forrada com leçol branco e uma cômoda de madeira antiga. Diante da cama havia uma janela donde pude ouvir pássaros, crianças e carros circulando ela rua. Mas onde estavam as agulhas? Será que ele resolvera abandonar as agulhas e fazer um Shiatsu? Esta é uma técnica japonesa que usa o principio da acupuntura, porem sem a utilização das agulhas. Doce ilusão, havia pedido acupuntura em alto e bom som, e todos sabiamos disso, não precisava enganar-me daquela forma. Comecei a acreditar que quem gostava de sofrer era eu, afinal fui com minhas próprias pernas ao encontro das agulhas.

Sentamos, ele e eu, sobre a cama, de frente um para o outro, cada qual de um lado. Não era uma cama de pregos, percebi logo. Sabe-se lá.

"Então", começou ele quebrando o gelo,"por que veio até aqui? O que está ocorrendo"? Descorri sobre meu estado de saúde e sobre a indicação da amiga pelo local. Após cinco minutos ou menos de conversa vi que aquele homem estava com boas intenções e explicou-me resumidamente, à sua maneira, o que ia fazer. Pediu para acomodar-me bem confortavelmente sobre a cama e foi buscar as agulhas. Na primeira sessão pagamos pelo kit de agulhas que serão usadas à posteriori. Ao retornar ouvi o barulho de um líquido sendo derramado e logo percebi, pelo cheiro, que se trava de álcool. Ouvi também o barulho das agulhas, que pareciam ser muitas. Apreensão, este era o sentimento.

Ele aproximou-se e com um algodão umedecido em álcool, passou-o sobre meu peito, num ponto específico, bem no centro, no esterno, utilizou o mesmo algodão sobre meus punhos, canelas e calcanhares.

A primeira agulhada foi no peito. Doeu um pouco, "mas se todas foram assim tudo bem, é suportável", pensei. Após esta ele espetou agulhas em mais oito pontos, e para minha surpresa apenas um deles doeu um pouco, o outros sete pontos foram completamente indolores. Incrível!

Ele perguntou mais uma vez se estava confortável, no que respondi afirmativamente. Ele disse que isso era bom, pois eu ficaria alí por vinte minutos! Fazer o que né, tudo bem! Após dois ou três minutos imóvel, amargurei o fato de não ter trazido meu aparelho de mp3!

Qual foi minha segunda grande surpresa ao perceber que após poucos instantes parte da minha falta de ar havia diminuido. Tamanho foi meu relaxamento que meu corpo entregou-se ao sono. Acordei com sua entrada na sala dizendo: "Pelo jeito fez efeito", seguido de uma risada. Retirou as agulhas e percebi que no lugar dos dois pontos mais doloridos sangraram levemente. Foram apenas duas gotículas, nada para alarmar-se.

Marquei a próxima sessão para daqui a uma semana, fui aconselhado quanto à ingestão de bastante líquido - no caso, água -, mudanças no hábito alimentar e práticas de atividades físicas. Gostei do cara, e recordando um desejo antigo, por um segundo, ressurgiu em minha mente a imagem do jovem universitário que sonhava em aplicar as técnicas da Medicina Tradicional Chinesa na vida profissional.

Ser Médico Veterinário "plantonista" é...


Existem vantagens e desvantagens num plantão veterinário.


Uma das vantagens (aqui citarei apenas dois exemplos), é que os atendimentos sempre são emergenciais e isso requer uma compreensão maior da medicina clínica/cirúrgica, o que torna o trabalho muito mais exigente, contudo mais atraente aos olhos daqueles que gostam de uma adrenalina a mais correndo em suas veias. Outra vantagem é a financeira, o que, em alguns casos, pode trazer um retorno proveitoso, mais do que valeria se a pessoa estivesse vindo no horário comercial.


As desvantagens são várias. Uma delas é obvia e diz respeito ao processo. Não tem como domir propriamente dito, quanto muito cochila-se. Sempre presei muito pelas noites de sono bem dormidas, contudo agora, retomando a "atividade noturna", e está ficando cada vez mais difícil dormir antes de 01:00h nos dias extra-plantões. Outra desvantagem é estar em contato direto com problemas agudos e muitas vezes, de dificil solução. Esta última gera sempre uma grande tensão, trazida sempre pelos proprietários ou responsáveis pelos animais. Só para citar, como já havia relacionado a vantagem financeira, há também o seu antônimo, ou seja, ganha-se mais, contudo esse "a mais" também diz respeito à porcentagem deixada na clinica!


Ser plantonista requer um estado de espirito singular. Não desejo "puxar sardinha" para o meu lado, mas é quase uma vocação! Não querendo usar tal palavra na tentativa de engrandecer o ato, ou diminuir a palavra em função deste. O que desejo é fazer o leitor perceber que não é qualquer pessoa que nasceu para exercer tal função.


Acima de tudo é preciso amor, muito amor ao que faz. Depois é preciso disposição física e psicológica para lidar com momentos críticos, onde um erro pode ser fatal. É preciso ter "jogo de cintura" para tratar o paciente, conversar com o cliente, fazer a conta justa e receber por tudo isso. Parece fácil? Mas imagine-se às 03:45h da manhã, após conter uma hemorragia, estabilizar o paciente, explicar para o responsável do animal que naquele momento não há possibilidade de uma transfusão imediata (mas que tudo está sendo feito e será providenciado o quanto antes), após fluido e oxigeno-terapia, medicações aplicadas, procedimento cirúrgico e estabilização do paciente; após calcular e apresentar a conta a pelos procedimentos realizados, negociar a melhor forma e efetuar o procedimento de pagamento; enfim, após tudo isso imagine-se olhando para a recepção e ver que chegou outro paciente, que por estar no meio da noite numa clinica veterinária, certamente boa coisa não ocorreu! Consegue pensar "estou pronto para outra"? Está mesmo pronto? Vale lembrar que há momentos onde isso ocorre, duas, três, quatro vezes, numa única noite! E aí, disposto a encarar? Tem vocação?


Além de toda a bagagem técnico/científico que é preciso ter, é preciso também o "algo a mais" que em muitos profissionais, infelizmente (ou felizmente, quem sabe) não existe! Este "algo a mais", para o plantonista, resume-se ao fato, na maioria das vezes, de possuir uma fonte extra de amor à profissão. Pois acima do salário, do cansaço físico, do desgaste psicológico e emocional, está o desejo sincero de ver vidas sendo salvas!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Qualquer lugar!

Não é preciso muito esforço para encontrar um bom escritório. Escrever é tão satisfatório e requer tão poucos recursor, que fica à inspiração o trabalho pesado!

Abraços e até breve.

domingo, 22 de agosto de 2010

Francisco da Silva - Trecho do livro!

Trecho do Livro que estou começando a escrever!

Semi-pobre. Foi assim que Francisco da Silva veio ao mundo. Nasceu na condição de semi-pobreza. Na realidade a maioria dos brasileiros nasce nesta condição, porém muitos de nós nem percebe que geramos, criamos, ou ainda, somos nós, um cidadão que não nasceu em berço de ouro, mas em berço de palha. A percepção da pobreza física sobrepõe-se a todas as demais pobrezas, inclusive a algumas riquezas. “Felizes daquele que nascem em berço de ouro e que possuem sangue azul correndo nas veias; estes sim foram agraciados por Deus”! É isso o que a maioria pensa. Doce engano!

Gostaria de explicar-lhes algo. Muitos não sabem o que é nascer em tal situação, ou seja, na semi-pobreza. Esta é uma condição muito especial, que quando bem vivida pode gerar muita riqueza. Francisco é filho único por opção. Isso quer dizer que seus pais optaram por não ter mais de um filho, já que não teriam condições de alimentar mais de uma boca. Contudo optaram por terem um único filho e amá-lo profundamente, foi assim que após três anos de casamento Francisco nasceu e foi amado desde o primeiro respiro e choro. Seus pais não tinham bens materiais caros, a maioria dos seus pertences fora doados por parentes e a outra parte comprado com muito esforço. Entretanto, apesar de todos os pesares, possuíam em seus corações um amor profundo por aquele pequeno ser humano que agora enchia a casa de uma luminosidade sem igual. Suas vidas tornaram-se mais coloridas.

Foi assim que Francisco nasceu na condição de semi-pobreza. Era pobre materialmente, mas riquíssimo em amor. Isso fez toda diferença no decurso de toda sua infância, conseqüente juventude e vida adulta. Da mesma forma que não foi por acaso que ele veio ao mundo, também não foi por acaso que ele chegou ao posto mais alto de reconhecimento que um ser humano pode obter.

De seu pai, Francisco herdou o gosto pelos estudos e pela busca do conhecimento; de sua mãe, Francisco herdou a força de vontade e a capacidade de lutar pelos seus ideais, e de ambos ele herdou a amorosidade com a qual tratava as pessoas. É difícil conhecer Francisco e não esboçar qualquer sentimento. Durante toda a vida ele teve dezenas de inimigos, contudo cultivou centenas, ou melhor, milhares de amizades. E isso, no mundo de hoje, faz uma grande diferença. Francisco sofreu, chorou, foi ao inferno e voltou, entretanto recomeçou sempre, todas as vezes, e amou intensamente. Ajudou multidões a ver a vida com outros olhos, doando-se completamente, de corpo e de alma, na realização de seus sonhos. Escreveu seu nome na história.

Francisco foi um sonhador e com eximia maestria soube realizar todos os seus sonhos. Mas não o fez sozinho, obteve ajuda de diversas pessoas, das mais variadas formações, raças, crenças e idades. Era uma troca constante de idéias, projetos e conhecimentos, dos mais simples aos mais mirabolantes. Francisco sempre achou que nenhuma idéia é perdida quando bem ouvida e trabalhada. Eis duas coisas que ele sempre fez muito bem, ouvir e trabalhar. Hoje em dia as pessoas falam muito, falam excessivamente, mas pouquíssimas “sabem ouvir” de fato o que o seu interlocutor tem para dizer.

Saber ouvir é uma arte que precisa ser desenvolvida tanto quanto a pintura ou a música. Uma pessoa que sabe ouvir, sabe também o momento certo de calar, sabe o momento certo de dizer uma palavra mais incisiva ou uma palavra de conforto. Quem domina bem esta arte nos dias de hoje já possui uma grande vantagem competitiva. Acho que as pessoas falam muito porque não são ouvidas verdadeira e profundamente. Uma vez que encontram alguém que domina esta arte, algo acontece em seu interior, algo muda e então nasce a centelha da reciprocidade. Isso aconteceu comigo quando o conheci. Após aquelas tardes de outono nunca mais vi o mundo da mesma forma.

Inspiração!


Agora encontro-me sentado em frente ao computador e a tela em branco não me inspira! Nada, absolutamente nada passa por meus pensamentos; escrevo ao léu, sem rumo, sem pensar, deixo os dedos digitarem letra por letra, palavra por palavra, linha por linha, e assim vou seguindo adiante, em busca da inspiração que tanto almejo mas que nem sempre aparece!

sábado, 21 de agosto de 2010

Teste Tecnológico!

O interessante dos momentos de tédio é o ansejo por "colocar-se em movimento"!

Agora, por exemplo, estou testando o envio deste texto diretamente do meu celular para o Blog! Se tudo der certo, as coisas ficarão muito mais fáceis!

Abração,

Flávio Nunes.


Tédio no trabalho!


Estou no trabalho agora! Não tem enhum atendimento para fazer. Ninguém espera na recepção, ninguém telefona querendo tirar dúvidas, ninguém se manifesta. A monotonia tomou conta de mim! Tédio total.


Já não sei mais se esta situação me agrada. Já não saberia dizer se feliz ou infeliz-mente permanecer neste emprego me trará frutos. Se é para "perder tempo", que eu perca com algo que me traga mais satisfação e proveito.


Sou médico veterinário! Adoro minha profissão, mas de algum tempo para cá não vejo nenhuma evolução. Parece que estou estagnado. Casos clínicos que se repetem! Tratamentos que se repetem! Animais vivendo (A grande maioria - Graças a Deus) e outros morrendo, despesas dos clientes cada vez mais altas e reclamações (Geralmente referente às despesas) cada vez mais frequentes!


Quanto às reclamações, mesmo fazendo um bom trabalho, elas se repetem constantemente! Chego a acreditar que as pessoas se habituaram a reclamar! Se o tratamento de um paciente que leva cinco dias e eu realizo em três, por um valor apenas um pouco mais alto (O que é muito satisfatório), reclama-se que este valor está alto pelo pouco tempo. Se o organismo do paciente não responde bem ao tratamento e isso adia sua ida para casa, há reclamação, pois quem está errado sou eu. Nas cabeças dos clientes, "não estou fazendo a coisa certa, por isso ele não está melhorando"! Sem contar que há aquele tipo de cliente que não confia no trabalho realizado. Vem procurar ajuda no meio da noite, atendo, estabilizo o aninal, tiro-o do risco de morte, e ainda assim fica o tempo todo pedindo para eu entrar em contato com outro colega de profissão, para saber se o que estou fazendo está correto ou não! Isso desgasta! Isso desmotiva!


Estou tirando forças do fundo da minha'lma para seguir adiante, mas tenho quase certeza que chegará um momento que não mais resistirei. Conheço-me e por isso, sei que preciso estar constantemente inserido em algo que me motive e que me faça ter contato com o novo. Caso contrário, o tédio bate e tudo torna-se "sem sal"!

Cadência do concerto de Mozart!

Texto de Tiago Calderano (Percussionista da OSB Jovem - RJ)

"No período clássico, era habitual existir, normalmente no final do 1º movimento, uma secção denominada cadência, cuja função era permitir ao intérprete demonstrar as suas capacidades vistuosísticas. Assim, esta secção caracterizava-se por possuir notas rápidas, escalas e outras "habilidades técnicas".

Havia dois tipos de cadências: cadências escritas e cadências improvisadas. No primeiro caso, as notas eram determinadas na pauta pelo compositor, enquanto que no segundo caso aquele escrevia apenas a palavra cadenza, sem especificar concretatamente que notas deveriam ser tocadas, cabendo ao intérprete executar uma improvisação."

Olha a Cadencia do concerto que o rapaiz ai criou... Muito boa!!!



Narração da 5a Sinfonia de Beethoven - Peter Schickele (PDQ Bach)

Olá Pessoal,

Apreciem com moderação! (Risos)




quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Você sabe como se faz livros?

Olá Pessoal,

Estou achando vários vídeos legais hoje! Este outro é parte do programa de televisão chamado "Entrelinhas"!

Esse programa apresentou uma reportagem que mostra os bastidores e as etapas do processo de impressão dos livros. O programa visitou a oficina tipográfica do Senai (que preserva antigas máquinas de linotipia) e modernas gráficas de São Paulo para ver como a produção do livro evoluiu desde a invenção dos tipos móveis, por Gutenberg, no século 15, chegando às sofisticadas e gigantescas impressoras off set.

Fonte: http://www.tvcultura.com.br/entrelinhas

Vídeo: História do Livro!

Olá Pessoal,

Achei um vídeo muito legal no "You Tube". É uma animação 3D que conta rapidamente, muito rapidamente por sinal, a História do Livro!




Trilha Sonora:
Breves Dies Hominis
On the Rooftop (Michael W. Smith)
Instrumental 12 (Michael W. Smith)

Técnica:
Photoshop CS3, After Effects CS3 e Autodesk Maya 2010.

Direção | Storyboard | Direção de Arte | Edição | Cenários | Sonoplastia | Produção | Pós-Produção | Animação | Programação | Design Digital: Italo Gnocchi

its.hd1.com.br

Escada Piano!

Bom Dia Pessoal,

Acredito que muitas pessoas já devem ter visto este vídeo, mas ainda assim, pela criatividade, vale a pena postá-lo aqui!

Abração,

Flávio Nunes.




quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Ato de Escrever - Satisfação Pessoal e Terapia!


Não escrevo para enaltecer ninguém e nem para fazer com que surja, através deste ato, bajulação de qualquer espécie. Escrevo pois amo! Desde jovem o ato de escrever em minha vida é uma forma de terapia. Sempre que encontro-me muito apreensivo, tenso, ou em qualquer estado emocional fora do meu normal, recorro à escrita. Não só nos momentos deprê mas nos momentos de euforia e comoção. Sempre recorro à caneta e ao papel.

Este é o meu mundo! É o lugar para aonde fujo todas as vezes que preciso me afastar o suficiente e ver mais claramente o que está ao meu redor. Perco-me e encontro-me constantemente. É prazeroso, e porque não dizer viciante.

Quando escrevo, meu sentidos ficam mais aguçados, consigo sentir melhor o que ocorre ao meu redor. Percebo detalhes muitas vezes dispersos. Sinto texturas diferentes ao toque, cores e nuances novas, sons antes inaudíveis, cheiros e gostos exóticos. Todo o universo parece pulsar junto com a batida do meu coração e por frações de segundos aquilo que não-era passa a ser. Eis a alquimia realizada.

Quando termino, volto para algum lugar que lembra aquele que havia deixado alguns segundos ou minutos atrás, contudo não sou mais o mesmo. Minhas mutações não me deixam voltar ao tamanho original. Renovo-me constantemente e alimento minha alma com este manjar tão saboroso. O que posso eu mais querer em vida senão viver!

Preciso Desacelerar!


Que droga, gripado novamente! Como se não bastasse a garganta ruim e o acúmulo de secreção, ainda preciso conviver com a rinite/sinusite! Droga, droga, mil vezes...

Por que estou me lastimando tanto, se fui eu mesmo que procurei tal estado? Envolvido com o trabalho e com a idéia de fazer a vida dar certo, fui acumulando funções e trabalhos. Pensei, ingenuamente, que iria dar conta disso, quem sabe por dois ou três anos e, após esse período, ir podando aos poucos tudo aquilo que não fosse satisfatório até atingir um equilíbrio. Completo engano. Após um ano de trabalho, em ritmo intenso, meu corpo pela segunda vez não resistiu ao impacto e desvaneceu. A pouco mais de dois meses tive uma pneumonia e agora um novo resfriado, seguido de amigdalite e laringite.

Pela segunda vez preciso desacelerar! Preciso tomar conta da minha saúde para que os planos de vida sejam realizados. Não quero cair na angústia do sonho perdido, do desejo não realizado. Preciso alimentar a esperança do "dever cumprido".

Enquanto escrevo estas linhas, encontro-me sentado no sofá da sala, com o Notebook no colo e o celular ao lado para economizar energia e facilitar o atendimento. A tosse é constante, estou com muita secreção, o nariz está entupido e há uma leve cefaléia (Dor de cabeça) que não quis se apresentar ainda tão intensamente. Liguei para o trabalho faz pouco tempo e pedi para marcar os atendimentos todos para a parte da tarde. Mesmo doente, os compromissos precisam ser cumpridos.

Recordo-me agora da minha adolescência e dos primeiros períodos da faculdade, quando, no auge da saúde, eu praticava exercícios físicos regulares, não perdia noites de sono e não tinha a metade das preocupações de hoje. Pensava que minhas crises existenciais eram as piores coisas do mundo, hoje vejo que há coisa pior, muito pior. A maioria de minhas crises começavam internamente e após algum tempo afloravam. Hoje está tudo invertido, a maioria das coisas foge ao meu controle externamente, e quem padece são meu corpo e meu meio interno. Eu que tanto prezo pela homeostasia (Equilíbrio orgânico) estou em queda livre, estou padecendo, estou doente. É lógico, ainda não é o fim de tudo, graças a Deus. Entretanto, se não pisar no freio agora, neste momento, as consequências podem ser desastrosas e irreversíveis.

Meu ritmo não é tão intenso quanto o de antes. As pessoas com as quais convivo estão percebendo isso a tempos, só eu não tinha me dado conta, ou será que eu não queria me dar conta?

Minha mente funciona a todo vapor, contudo meu corpo não responde tão prontamente. Concluí que isso envolve rotina, noites mal dormidas, alimentação inadequada e sedentarismo. O que me dá mais prazer no momento? Estar com minha família, estar com minha noiva, ler e escrever. Miro uma nova profissão, contudo esqueço que até conseguir tirar algum proveito desta, preciso executar com esmero aquilo que aprendi a fazer tão bem, e que é o motivo da minha ascensão e ruína, em diferentes graus e escalas.

Encerro minha tagarelice de hoje com um compromisso: Preciso recuperar minha saúde, escolher lugares e momentos adequados para descansar, passar mais tempo com as pessoas que amo e investir naquilo que amo fazer e desejo do fundo do coração desenvolver!

Palavras-chaves: Desacelerar, escolher, atenuar, dedicar, fé e amor.

domingo, 15 de agosto de 2010

Procurando Forrester (Finding Forrester)!

Texto de João Luís de Almeida Machado Doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).

"Encontrando Forrester" é indicativo de caminhos que podemos (e devemos) percorrer, serve como um autêntico mapa a indicar alguns dos melhores percursos para todos. No caso do filme, essa orientação ambienta-se num ambiente ainda mais propício a atitudes que norteiem e apresentem soluções de continuidade para as pessoas, ou seja, numa escola. O que, a princípio, poderia parecer o óbvio, a estruturação de uma relação entre professor, literalmente escolado pela vida e sustentado pelo conhecimento adquirido através de seus estudos, e aluno (ou seu coletivo), tem um deslocamento de eixo, uma transposição de ordem, com os professores e a escola funcionando no sentido inverso daquilo que dela esperamos.

Mas, afinal, o que esperamos da(s) escola(s)?
O filme de Gus Van Sant nos mostra um pouco daquilo que as escolas se tornaram e nos faz refletir se estamos vivendo uma prática educacional que possa ser realmente apreciada e aproveitada por alunos e professores. Um momento de reflexão sobre a educação proposto por um filme, mesmo que tratando de uma realidade que não é a nossa, brasileira, mas a de um país com o qual temos relações tão próximas (assim como todo o mundo e a cultura ocidentais), é um indício de que há qualidades que devem ser examinadas no todo da película.

Mas, voltando a questão, a escola deve ser um ambiente proporcionador de possibilidades de aprendizagem, deve permitir aos educandos o acesso ao conhecimento, deve fazer com que a relação estabelecida entre os estudantes e o que a eles é oferecido por cada matéria seja sedimentada pela curiosidade (pelo estímulo, pelo prazer), deve ser um ambiente que permita a participação e a interação (a troca de experiências entre os alunos e os professores), deve promover projetos e práticas que envolvam os alunos coletivamente, entre tantas outras alternativas de pensar educação que encontramos hoje em dia, essas me parecem ser aceitas por um contingente respeitável de educadores e, admitidas por pessoas que trabalham educação com extrema seriedade.

No filme, o professor (o experiente F. Murray Abraham, vencedor do Oscar de melhor ator, por sua interpretação de Salieri, no ótimo e imperdível "Amadeus", de Milos Forman, sobre a vida de Mozart) defronta-se com uma situação inusitada para seus vários anos de prática educacional ao encontrar em sua sala de aula, numa escola particular frequentada eminentemente por brancos provenientes de uma camada social mais abastada, um aluno negro de origem humilde (chamado no filme de Jamal), alçado a uma melhor possibilidade de estudos em virtude de suas grandes habilidades atléticas (trata-se de um ótimo jogador de basquete) e de seu surpreendente rendimento escolar.

O preconceito racial e social não permitem que o professor seja capaz de perceber o grande potencial do referido aluno, fazendo com que o mesmo se feche a qualquer possibilidade de admitir que os trabalhos e textos produzidos por esse aluno possam mesmo ter sido produzidos por ele.

Jamal passa então a viver uma relação conturbada na escola, onde o professor procura provas de que os trabalhos produzidos por ele tenham sido escritos por uma outra pessoa.

O que faz com que possamos perceber os novos caminhos citados no início do texto é a existência de um terceiro personagem importante na trama, o escritor William Forrester vivido por Sean Connery (de tantos grandes filmes e de imenso talento), autor de um clássico da literatura americana, que depois da publicação e do reconhecimento do livro pela crítica especializada, retirou-se, aposentando-se prematuramente, escondendo-se no Bronx, o bairro onde vive Jamal. Por acidente, os dois acabam se conhecendo e, a relação tempestuosa de início, amadurece de forma a trazer bons resultados para ambos. Além de grande jogador de basquete (o que lhe permite obter o reconhecimento e maior proximidade com os alunos da escola particular onde estuda), Jamal tem grande sensibilidade literária, lê com grande frequência, seleciona suas leituras e, além disso, escreve mesmo quando não há pedidos da escola. Essa insistência, essa persistência de Jamal em ler e estudar, fazem com que Forrester acabe se interessando por ele e o auxilie, troque idéias, aperfeiçoe suas próprias concepções (justamente o que esperamos de nossos professores) e, acabe por influenciá-lo do alto de sua experiência (omitindo a maior parte do tempo sua identidade e, obviamente, sua eminência devido a sua produção literária celebrada).

Não é isso que estamos procurando? Diálogo, troca de experiências, aprendizado por parte dos alunos e também dos professores, respeito e consideração pela maturidade e aperfeiçoamento que o tempo trouxe aos mais velhos, leitura de livros independentemente da obrigatoriedade e das imposições escolares? "Encontrando Forrester" abre canais para que esses temas sejam discutidos, tempera essa discussão com outros temas paralelos de grande interesse (como as diferenças étnicas e sociais, a valorização dos livros clássicos e a necessidade de fazer com que se equilibre a atividade física e intelectual nas escolas) e, além de tudo, é um grande divertimento. Filme de temática séria, nos emociona, nos faz pensar, cativa pela força de seus personagens e pela abordagem sensível do diretor Van Sant (o mesmo diretor de filmes polêmicos como "Drugstore Cowboy" e "Garotos de Programa").

Ficha Técnica

Encontrando Forrester
(Finding Forrester)

País/Ano de produção:- EUA, 2000
Duração/Gênero:- 136 min., drama
Disponível em vídeo e DVD
Direção de Gus Van Sant
Roteiro de Mike Rich
Elenco:- Sean Connery, F. Murray Abraham, Anna Paquin, Robert Brown,
Michael Nouri, April Grace, Matt Damon, Busta Rhymes.

Fonte: www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=46



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