sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Ato de Escrever - Aprimoramento!


Estou lendo um livro muito interessante chamado “Escrevendo com a Alma” da autora norte americana Natalie Goldberg (É uma ótima leitura, recomendo).

Li o capítulo intitulado “Não somos o poema”! Já no fim do capítulo, lê-se as frases que, baseado em todo o contexto, fez surgir uma grande reflexão. A frase é a seguinte: “Mantenha-se fluido por trás das palavras escritas. Elas não são você. São a representação de um momento especial que passou por você. Um momento que você esteve desperto o bastante para registrar e capturar”.

Segue a reflexão.

Imagine-se sentado num banco de uma praça qualquer, olhando tudo o que está à sua volta. Crianças correndo, pais preocupados com o bem-estar de seus filhos, casais apaixonados beijando-se e trocando carícias, pessoas mais idosas jogando pipoca para os pássaros, as folhas das árvores caindo e outras tantas balançando com o vento e este acariciando sua face. Ali diante de você há árvores de diversas espécies e isso faz com que se depare com varias formas, cores e cheiros. A hora já está avançada, a noite aproxima-se e o Sol começa a enfraquecer. Perceba o calor, agora mais ameno tocando sua face. A brisa leve com aquela sensação de calor atenuado tocando seu corpo é quase como o efeito que sente ao deitar-se numa cama macia e ter por cima de si um cobertor felpudo, numa noite fria de inverno.

Com um pouco mais de atenção percebe que o banco onde está sentado possui pés de metal e táboas de madeira dispostas de forma a proporcionar uma certa curvatura, cuja finalidade é gerar maior conforto e bem estar naquele que ali encontra-se sentado. As tiras de madeira são pintadas de branco e o metal pintado de cinza fosco. Como a cor branca é sempre convidativa para uma mente criativa, e sabendo-se que por ali transitam jovens apaixonados, não é difícil verificar desenhos de corações e flechas com os nomes do casal. O dele do lado esquerdo e o dela do lado direito, no meio o coração, simbolizando a união.

Mais adiante, explorando o vasto campo “branco” do banco, verifica-se algo como: “Fulano’, Te amo, Ass: Vi”; ou ainda: “Como prova do meu amor! Seu Chuchuzinho”, escrito dentro de outro grandíssimo coração. E assim segue tantas e tantas mensagens.

Se em cima há declarações de amor, em baixo dos bancos há uma quantidade infinita de chicletes colados. É obvio que não se consegue beijar adequadamente com chicletes na boca.

Uma vez abandonando o “banco dos apaixonados”, olhando para o chão adiante, a pouco mais de um metro de distância, percebo um caminho de formigas cortadoras. Como pode um ser tão pequenino carregar um pedaço de folha tão grande? Incrível. Uma a uma, dezenas, centenas, milhares de formigas, levam para seu abrigo aquela quantidade gigantesca de folhas picadas. “Terão comida por um bom tempo”, penso. Não chego perto, por mais que me dê vontade de tocá-las. Minha mãe, quando eu ainda era uma criança curiosa (Não sou mais criança, contudo a curiosidade aumenta a cada dia), disse que estas são as “Saúvas”, ou seja, “formigas cabeçudas que mordem doído pra caramba”! Lembro até hoje da explicação “científica” dada por ela: “O motivo da dor é porque elas mordem e fazem xixi em cima do lugar que morderam”! Fantástico não?!

Hoje, mais velho, ou mais experiente (Isso me agrada mais), após meus estudos zoológicos, percebo o cuidado de minha mãe, a beleza e perfeição da natureza com outros olhos. Mais crítico é claro, contudo mais sensível a estes detalhes de amor e sabedoria.


Isso tudo serviu para exemplificar o que direi daqui pra frente. Se não somos a palavras, somos, por assim dizer, o instrumento perfeito que decodifica, utilizando o papel, a tinta, a caneta, os dedos, a mão, o braço, o ombro, o pescoço, o tórax, a cabeça e o restante do corpo; o mundo ao nosso redor.

Imagine o mundo sendo captado por nossos sentidos, transformados em impulsos nervosos e estes em movimentos ritmados e harmônicos, de tal forma que no fim, esvaindo-se através da caneta, tinta e papel, fixa num determinado espaço e num determinado tempo aquilo que, naquele instante, enlaçamos. É como a fotografia, como a pintura, como a música; enfim, é arte. Todavia é preciso treino, muito treino.

Para finalizar gostaria de dizer que a arte, quando feita com amor e por amor, transforma coisas “banais” em obras primas arrebatadoras!

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