domingo, 8 de agosto de 2010

Cotidiano: Ler, escrever e... chocolate!

Como retratar o cotidiano com tamanha clareza a ponto de iluminar, através das palavras, a mente curiosa de um leitor atento e exigente? Eis meu objetivo tão sonhado.

Treino minha alma constantemente! Ler e escrever é para mim uma fonte de grande prazer; todos os estudos que faço traz-me paz.


Encontro-me neste momento numa livraria, sentado numa cadeira de madeira bem confortável. Logo à minha frente está um porta guardanapos com quadro ou cinco unidades de papéis esperando o momento oportuno para serem utilizados, o prato bem elaborado com o brownie de chocolate com creme, meu bloco de notas e em minha mão direita está a caneta negra, leve e de escrita fácil. Estou sozinho à mesa.

Em outra mesa, mais adiante, está uma familia constituída por quatro membros, pai, mãe, filho e avô, ao que parece paterno. E ainda, mais ao fundo está um senhor aparentando ter em torno de quarenta anos. Este último encontra-se sozinho à mesa como eu. Fora estas figuras, transita por entre mesas e cadeiras o garçom, que pela pouca idade e comportamento diria trabalhar neste estabelecimento a pouco tempo. Apesar de fazer o trabalho com esmero, repete o pedido dos clientes, anota e confirma verbalmente. Talvez seja uma técnica adotada entre os garçons para minimizar os erros.

A familia conversa descontraidamente, falam sobre familiares, amigos, dificuldades no trabalho e sobre uma viagem que farão no próximo ano para o Peru. O mais jovem, porta em suas mãos um livro que conta a história do país e traz dicas sobre a língua e outros aspectos regionais. Houve um momento em que o avô fez menção de querer ver o que o neto lia, por pura curiosidade, no que o neto virou para a mãe, com ar um tanto quanto ríspido, porém sutil, e disse: "De que adianta, ele não consegue ler sem os óculos"! O avô realmente não conseguira ler, o pai trocou de assunto e a conversa fluiu com tranquilidade novamente.

Já o senhor d'outro canto do mezanino, dirigia-se ao garçom com palavras simples e diretas, indicou no cardápio o que desejava e sem muita demora voltou-se à leitura. Certamente, para ele era uma leitura interessante, seu comportamento o denunciava, ele não desejava ser distraído. Ele, solitário como eu, degustava seu livro enquanto aguardava o aperitivo.

A luz fraca fazia com que eu forçasse mais os olhos. O ambiente, tal qual a música, é calmo e tranquilo. Não escutava mais do que o sons dos instrumentos e as vozes, quase murmúrios, que vinham das mesas ao lado. O ambiente tornara-se inspirador.

Percebo que nas janelas, ao lado esquerdo da mesa, há cortinas tecidas com linha e palha, que mesmo formando uma malha bem entremeada, deixa passar a luz do sol e com ele alguns raios luminosos que incidem sobre meu prato.

Degusto com calma e tranquilidade a minha guloseima, um Brownie coberto com calda de chocolate e cujo centro trazia como adorno um suculento morango. Àquela altura meu prato encontrava-se quase terminado. Restava apenas o morango e uma fatia do delicioso doce de chocolate meio amargo que trazia ainda por entre a massa pequenos pedaços de pêra. Que sensação maravilhosa é sentir, após cada colherada, o doce dissolvendo-se na boca. O gosto do chocolate fica marcado na memória e na boca por alguns minutos. Não fosse pelo valor pago, eu seria capaz de apreciar mais uma fatia.

Infelizmente o momento de partir aproxima-se. Preciso voltar a realidade, contudo retornarei assim que possível ao mundo dos sonhos e dos chocolates.

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