sábado, 28 de agosto de 2010

Lembrança antiga - Tutti!


Escrevi este texto a pouco mais de cinco anos! Decidi não alterá-lo e postá-lo aqui tal qual o produzi na época. Então peço perdão pelos erros de concordâncias, repetições, etc... Espero que gostem do relato que, em linhas gerais, conta a história de meu primeiro animal de estimação!

Abração.

PS: A foto não é a da minha "Tutti", mas lembra muito!


Tutti

A lembrança mais antiga que tenho, no que diz respeito ao contato com os animais, é a da Tutti. Ela foi meu primeiro animal de estimação, era uma cadelinha linda, da raça Fox Paulistinha, branca com manchas marrons. Foi-me dada de presente por um amigo do meu pai. Não lembro muita coisa do convívio com ela. Recordo apenas fatos esporádicos.

O primeiro desses fatos é o momento em que a vi pela primeira vez. Eu devia ter entre um e dois anos de idade. Dizem os neurocientistas que fatos marcantes, tanto para o bem como para o mal, ficam registrados em lugares “especiais” de nossa mente. A imagem de ter visto a Tutti pela primeira vez nunca mais saiu da minha cabeça. Ela era linda, já disse isso né?! (Risos)

Eu tinha em torno de dois anos, lembro-me de estar no colo de minha mãe. Aos poucos fomos, minha mãe e eu, nos aproximando de uma “gigantesca” caixa de televisão de vinte polegadas (Para mim ela era enorme naquela época), com uma dose de curiosidade surpreendente e pura emoção, a vi. Ela era o filhote mais bonito de cachorro que jamais havia visto na vida até aquele momento. Lembro de minha mãe falando para dar remédio de carrapato pois seus ouvidos estavam “tampados de tanto bicho que tinha”.

Ela era quase do mesmo tamanho que eu. Tinha uma barriga proeminente como a minha, mas diferente de mim, ela estava cheia de vermes. Enfim, foi quase um presente de grego. Mas mesmo assim, ela era a criaturinha mais bacana e engraçada que eu já havia visto. Nada mais importava, agora ela era minha. Era linda (Já falei isso?). Como me diverti com ela.

Outra passagem que me lembro bem, foi o dia em que saímos de casa pela manhã e minha mãe deixou lençóis estendidos no varal. Quando chegamos em casa no fim do dia, todos os lençóis estavam no quintal, rasgados e sujos. Ela, como de costume, nos recebeu com latidos e com um balançar de caudas sem igual. Era pura alegria e satisfação em nos ver de volta. A cena seguinte eu não lembro, mas meu pai conta que dobrou uma folha de jornal e deu um “corretivo” nela, o que de nada adianto; ela repetiu a façanha algumas outras vezes, inclusive com uma calça de trabalho do meu pai e com meu uniforme da escola. Depois de tanto tempo minha mãe decidiu aumentar a altura do varal.

Junto com este mesmo relato lembro-me de outra cena. Um dia, não sei por qual motivo eu olhei pela janela e ela estava com uma pequena toalha na boca. Fui até ela para tentar resgatar o pedaço de pano. Ela adorava brincar de cabo-de-guerra. Eu puxava de um lado e ela do outro. Até que num momento eu consegui tirar a toalha da boca dela, só que não contava que ela estava extremamente envolvida com a brincadeira. Foi então que na falta da toalha ela pegou o meu braço direito. Neste dia ganhei uma cicatriz que tenho até hoje. Basta olhar as fotos e a cicatriz em meu braço para lembrar-me dela.

A última imagem que tenho da minha cadelinha foi o dia em que ela morreu. Ela tinha aproximadamente oito anos de idade e eu tinha aproximadamente dez anos. Lembro que ela tinha varias estruturas arredondadas espalhadas pelo corpo e estava evacuando uma diarréia liquida e fétida. Já não era mais aquela cadelinha ativa com a qual tanto brinquei e me diverti por anos. Lembro que o veterinário, amigo do meu pai, o mesmo que tinha me presenteado a alguns anos, ia com freqüência lá em casa para medicá-la, mas ela não melhorava.

Desde que ela havia ficado doente, todos os dias, antes de ir para a escola, eu me despedia. Ela já não saia tanto da sua casinha, ficava ali a maior parte do dia. Saia apenas para se alimentar, tomar água, urinar e defecar. Já não brincava mais.

No último dia, eu cheguei perto da sua casinha e ela estava muito ofegante, nitidamente cansada e abatida. Minha mãe e eu olhamos para ela e ela retribuiu o olhar, deitou, deu um ganido e morreu. Não entendi o que tinha acontecido, afinal era a primeira vez que me encontrava diante da morte e diante de um ser que representava algo para mim (Diferente dos meus pais). Minha mãe em meio ao choro, me conduziu até o portão, onde meu pai já me aguardava para conduzir-me à escola.

Naquele dia a Tutti tinha “dormido” e tinha ficado “curada” da sua doença. Não sentia mais dor. Contudo ela foi morar com Deus lá no céu. Esta foi a história que escutei durante um bom tempo dos meus pais. Não lembro de ter chorado quando soube que ela não voltaria mais, que estava no céu, e que Deus tomava conta dela lá por mim. Não tenho essa imagem registrada. Talvez nesse momento também tenha descoberto o que significava e representava Deus em minha vida. Uma figura muito boa, que tomava conta da minha Tutti, e era o melhor veterinário do mundo, pois a curou; coisa que o outro não tinha conseguido fazer.

4 comentários:

Thatica. disse...

Ahhhhh eu achei aonde se comenta! rsrsrsrs

Bom ao post?
Eu também tive uma cachorrinha que adorava brincar de cabo de guerra, bola e etc.
Mas quando ela já estava mais velhinha e doente, não saia da casa dela, só saia pra comer e beber. E quando ela morreu foi muito triste...
Vejo minhas fotos de infância e lá está a cachorrinha, presente em todas... enfim ela marcou uma fase muito importante pra mim!

Tenha uma otima semana! Bjsss

Flávio Nunes. disse...

Olá Thatica,
Esse tema requer um dose de "Sherlock Holmes"...rs...
Que alegria conhecer parte da sua história com a sua cachorrinha de estimação! A Tutti foi uma grande companheira, depois que ela se foi lembro-me de minha mãe dizer que "não queria arrumar tão cedo um novo cão"! Ela se apega demais! Acho que a vocação para a profissão que hoje exerço nasceu alí, no convívio com a Tutti!
Também tenho várias fotos dela, ela era linda (Já falei isso?!?!..rs..)!
Mas existem outras histórias com animais em minha vida..rs.. Aos poucos vou contando..rs..
Tenha uma excelente semana,
Abração.

Anônimo disse...

Estou aqui para comentar....mas neste exato momento estou chorando muito,pois ja me aconteceram historias identicas a sua, e que lições tirei???que a vida e a morte possuem uma fornteira muito ínfima(não sei se usei a palavra certa,mas a que iria usar sumiu,justamente quando eu iria usar,mas como não tenho o dom da escrita como você e a clarissa,então ela desapareceu por completo,estou chorando por tudo,por conhecer os dois lados,por ora viver uma quase entrada no túnel escuro com luz ao fundo...céu? não sei,apenas sei que a morte é igual a vida,ambas são momentos,ambas são complexas,ambbas requer inteligencia,ambas fazem sofrer é um misto de alegria e dor,ainda estou chorando,a emoção brotou forte,talvez porque saiba que vou morrer ,ou melhor todos nós sabemos que a morte é a unica certeza da vida.Bem nem sei mais o que comentar,meus olhos ainda possuem lagrimas,meu ser grita pra Deus que não quero ir,que quero ficar,mesmo que seja como o livro que li já há algum tempo "Rebeca uma mulher inequecível"isso mesmo inequecível,Será??? Que terei esta sorte???Ou dormirei na poeisa para sempre esquecida até o momento de alguém abrir o dicionário e encontrar a palavra.Juro não sei,apenas sei que a morte é a única certeza da vida....e que não quero partir,e quem sabe encontre com ela(minha avó) dizendo-me que "crianças não morrem nunca". Ah se eu tivesse esta certeza!!
Obrigada pela catarse estava precisando. Também tive uma cadelinha linda chamada inicialmete de Bola,pelos meus irmãos,mas depois que todos viram que ela era uma lady,mudaram seu nome para Princesa,isso era uma linda princesinha vira-lata,carinhosa,amorosa e que morreu nos braços do meu pai de saudade de mim,enquanto eu estava no hospital tentando lutar pela minha vida. até hoje,sinto a sua falta e sei que muito em breve nos encontraremos para nunca mais nos separar.
Um abraço e agradeço por relembrar minha avó emprestada e minha cachorrinha.
Um beijo da Julianna(prima da Clarissa)
Ainda estou chorando!

Flávio Nunes. disse...

Querida Julianna (Este "Anna" com dois "nn" é de derivação italiana, você sabia?!),

Emocionei-me ao ler seu comentário. Não sei das coisas que lhe ocorreram, mas sei que para escrever com tamanha emoção, Deus foi repleto de generosidade para contigo!
Peço perdão se lhe fiz reviver momentos a muito deixados no passado e que isso lhe trouxe lembranças avassaladoras!
Contarei-lhe algo que me disseram a algum tempo. Certa vez me falaram isso: "Viva cada momento da sua vida com todo o amor que puder. Você só tem o momento presente para fazer de sua vida algo extraordinário ou banal, acredito que optar pela extraordinariedade é muito melhor! Faça de sua vida uma obra de arte"!
Não pense na morte minha cara, pense na vida! Não perca energia tentando entender os problemas e as dificuldades, "perca energia" procurando as soluções! Assim como o melhor do amor é amar; o melhor da vida é viver!
Obrigado por abrir seu coração e deixar transbordar todas as cores que nele existe. Cores estas que enfeitam o mundo e o deixa mais colorido e luminoso!..rs..
Quanto às suas lágrimas, deixe-as cair até a última gota! Não há melhor forma de limpar a alma e suavizar o espírito!
Por último, gostaria de agradecer as visitas e os comentários! As portas estarão sempre abertas!
Tenha uma linda noite!
Abração do seu novo amigo,
Flávio Nunes.

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