quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Momento EdC - Agosto/2010!

MOMENTO VOLTADO PARA ECONOMIA DE COMUNHÃO

Convite Especial

DIA 14 de agosto(sábado)
Das 16 às 19 horas
No 3° andar da Rua Benjamim Constant, 23

Você está sendo convidado a aprofundar no conhecimento da Economia de Comunhão. Poderá estender esse convite a amigos ou amigas que se interessem por essa experiência.

Se possível, confirme sua presença!

Aguardamos cada um(a) !

Prof. Cintra, Helô e Graça Rocha
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Deixamos abaixo um artigo sobre a EdC


“Bem-aventurados os pobres” é uma palavra do Evangelho, direcionada a todos, como todas as outras palavras do Evangelho: há uma bem-aventurança na pobreza.
Qual e porquê?

O empresário e a pobreza

por Luigino Bruni

"Economia de Comunhão - uma nova cultura" nº 31 - maio de 2010

È evidente que nem todas as condições de vida a que, hoje e no passado , chamamos pobreza são bem-aventuranças, felicidade. Existe, de fato, a pobreza da exclusão, da insegurança absoluta do hoje e do amanhã, a ausência de direitos e de liberdade, que não são certamente estados de bem-aventurança. Assim sendo, qual é a pobreza que é ou que se pode tornar uma bem-aventurança? Creio que seja aquela condição, sobretudo espiritual, que nos impede de sentir-nos em segurança e auto-suficientes sem ter que depender de ninguém e de nada. Quando já não nos sentimos frágeis e necessitados de ajuda, quando a conta bancária e o trabalho garantido nos dão ou nos prometem a auto-suficiência e independência dos outros, então não somos mais aqueles pobres a que o evangelho chama de “bem-aventurados”.
Esta dimensão da pobreza depende e está ligada a todas as outras bem-aventuranças (as bem-aventuranças ou as vivemos todas ou não vivemos nenhuma): só quem é puro, humilde, construtor de paz, perseguido por causa da justiça pode por primeiro entender e depois viver a vida com esta pobreza, e desejar o Reino. Quando, ao invés, os bens nos dão a ilusão de não depender de ninguém, de estarmos livres de qualquer laço forte com os outros, então o rico merece o “ai de vós” que segue o discurso sobre as bem-aventuranças. Os bens, não são só os econômicos, trazem a felicidade só se servem de caminhos para o encontro com os outros, quando vividos com castidade e não usados para nos imunizarmos dos relacionamentos verdadeiros e profundos. È este rico que não entra no Reino dos Céus: não entra porque não o vê e não o entende (é impossível não querer entrar no Reino dos Céus se o virmos e o entendermos!). O Reino dos Céus é apenas para estes pobres. Também o empresário é chamado a viver esta pobreza, se quiser ser um empresário da EdC. Uma pobreza que não é só desapego espiritual, mas muito mais. Requer o desapego do seu cargo, do poder e talvez de certos bens de conforto mesmo quando todos os seus colegas os consideram normais. Existe ainda o desapego concreto do dinheiro, quando no final do ano doa uma boa parte dos lucros para os objetivos da EdC. Estes lucros doados e não depositados no banco ou na reserva, o tornam mais vulnerável (portanto estas escolhas numa empresa, são sempre delicadas: mesmo o fato de não estar em condição de ser um peso para os outros é uma forma de amor e de responsabilidade,) e o colocam nas condições de maior dependência e vulnerabilidade, sobretudo nos momentos difíceis e em situações de crise.
A vida econômica, sobretudo a da empresa, vive de incerteza e risco, e o sucesso e os lucros dos empresários dependem dos clientes, dos fornecedores, dos trabalhadores e de tantos outros. Se hoje olharmos para os grandes ricos milionários, estes raramente são empresários: são na maioria dos casos: especuladores, administradores, agiotas.
O empresário - pelo menos tal como é visto pela tradição civil e pela Doutrina Social da Igreja - por vocação é um construtor e um inovador, não um consumista, agiota de alta escala ou um consumista de bens luxuosos, e se porventura ou quando se tornar assim estará a trair a sua função social. Desta perspectiva se compreende porque no período Medieval os mercadores eram reconhecidos entre os pobres (pauperes) porque, a diferença dos proprietários de terras, a sua riqueza era sempre frágil e sujeita aos termos dos contratos e à sorte.
Porém, estas fragilidades e incertezas não bastam por si só para colocar um empresário EdC na bem-aventurança da pobreza: é preciso algo mais. O doar, por exemplo, os lucros fora da empresa é um ato de grande pobreza do empresário, quase um ato contra-natura porque ele tem o instinto de construir a sua empresa; mas tem também um grande valor ético e espiritual, porque num mundo onde com o dinheiro se pode comprar quase tudo, o dinheiro tende a tornar-se um tudo. Ao sublinhar com os fatos, pelo contrário, que o dinheiro pode e deve ser doado, recorda a si mesmo e a todos que os bens mais preciosos são os outros, que existe um “além” que começa fora dos portões da empresa, um além pelo qual vale a pena gastar não só o dinheiro, mas toda a vida.
A Providência tão invocada, e com razão na EdC, significa também ver em ação aquela dinâmica surpreendente de quem tudo dá e depois, com a mesma pobreza com a qual doou, pode pedir tudo: “o amor que tudo pede e tudo dá”, recitava uma canção dos primeiros tempos do Movimento dos Focolares. Só se eu doei tudo com a pobreza evangélica, posso pedir tudo aos outros, a mim mesmo por primeiro, sem o pretender, com a mesma pureza e desapego com o se deu tudo. Somente o empresário–pobre conhece a Providência.
“Só agora é que também eu empresário me encontro a viver a pobreza, entendo verdadeiramente as condições daqueles pobres que por tantos anos eu procurei ajudar com os meus lucros ”, dizia-me há alguns dias um empresário, num dos momentos de comunhão mais verdadeira e profunda destes anos. Às vezes pode ser uma crise econômica grave, outras vezes uma calúnia ou uma difamação, outras ainda uma doença ou um esgotamento, mas se um empresário, e cada ator da EdC, não experimentar na sua vida, na sua carne e na sua inteligência esta pobreza, inevitavelmente o seu “ajudar ” os pobres será imaturo (talvez com toda a boa fé), paternalista, pouco evangélico, porque só um pobre pode ajudar com dignidade e respeito um outro pobre.
Hoje está nascendo da EdC uma nova figura de empresário, um comerciante que Jesus não expulsa do templo, porque é um pobre que pode e portanto deve ser chamado: “bem-aventurado”.

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