terça-feira, 24 de agosto de 2010

Primeira Sessão de Acupuntura!


Hoje realizei minha primeira sessão de acupuntura. Confesso que pelo desconhecimento da técnica, encontrava-me um pouco apreensivo. Até a presente data, procurei informar-me sobre que tipo de sensações teria ao ver-me deitado sobre uma cama sendo perfurado em vários pontos do corpo por agulhas de metal. Minha imaginação não ajudava muito.

Com o passar dos meses, mais e mais convicto ficava ao obter boas referências sobre a ajuda orgânica que esta prática oriental milenar porta aos seus praticantes. Sem contar que todos me diziam sempre as mesmas palavras, "é quase indolor". O reconhecimento deste "quase" é que fez o tempo passar e adiar o que hoje concretizei.

Cheguei ao local indicado por uma amiga, faltando nove minutos para o início da consulta. Fui gentilmente recebido e aguardei até ser chamado. Para evitar o tédio e alimentar meu vício, tomei pelas mãos o livro que trazia comigo, o dispús confortavelmente sobre o colo, abri-o na página marcada e reiniciei a leitura do ponto onde havia parado ao descer do metrô.

Não se passaram quatro páginas e fui chamado pelo meu "carrasco", aquele que iria friamente introduzir as agulhas no meu corpo à sangue frio. Atrás daqueles cabelos brancos, corpo franzino, olhar calmo e voz suave, encontrava-se um masoquista em potencial. No fundo do meu coração eu suspeitei disso, ainda assim segui adiante até o fim do corredor, "no final, à esquerda", ele disse, conduzindo-me à sua masmorra, à sua sala de torturas!

Ao chegar vi um lugar estranhamente simples, onde havia uma cadeira, na qual deixei meus pertences, havia uma cama devidamente forrada com leçol branco e uma cômoda de madeira antiga. Diante da cama havia uma janela donde pude ouvir pássaros, crianças e carros circulando ela rua. Mas onde estavam as agulhas? Será que ele resolvera abandonar as agulhas e fazer um Shiatsu? Esta é uma técnica japonesa que usa o principio da acupuntura, porem sem a utilização das agulhas. Doce ilusão, havia pedido acupuntura em alto e bom som, e todos sabiamos disso, não precisava enganar-me daquela forma. Comecei a acreditar que quem gostava de sofrer era eu, afinal fui com minhas próprias pernas ao encontro das agulhas.

Sentamos, ele e eu, sobre a cama, de frente um para o outro, cada qual de um lado. Não era uma cama de pregos, percebi logo. Sabe-se lá.

"Então", começou ele quebrando o gelo,"por que veio até aqui? O que está ocorrendo"? Descorri sobre meu estado de saúde e sobre a indicação da amiga pelo local. Após cinco minutos ou menos de conversa vi que aquele homem estava com boas intenções e explicou-me resumidamente, à sua maneira, o que ia fazer. Pediu para acomodar-me bem confortavelmente sobre a cama e foi buscar as agulhas. Na primeira sessão pagamos pelo kit de agulhas que serão usadas à posteriori. Ao retornar ouvi o barulho de um líquido sendo derramado e logo percebi, pelo cheiro, que se trava de álcool. Ouvi também o barulho das agulhas, que pareciam ser muitas. Apreensão, este era o sentimento.

Ele aproximou-se e com um algodão umedecido em álcool, passou-o sobre meu peito, num ponto específico, bem no centro, no esterno, utilizou o mesmo algodão sobre meus punhos, canelas e calcanhares.

A primeira agulhada foi no peito. Doeu um pouco, "mas se todas foram assim tudo bem, é suportável", pensei. Após esta ele espetou agulhas em mais oito pontos, e para minha surpresa apenas um deles doeu um pouco, o outros sete pontos foram completamente indolores. Incrível!

Ele perguntou mais uma vez se estava confortável, no que respondi afirmativamente. Ele disse que isso era bom, pois eu ficaria alí por vinte minutos! Fazer o que né, tudo bem! Após dois ou três minutos imóvel, amargurei o fato de não ter trazido meu aparelho de mp3!

Qual foi minha segunda grande surpresa ao perceber que após poucos instantes parte da minha falta de ar havia diminuido. Tamanho foi meu relaxamento que meu corpo entregou-se ao sono. Acordei com sua entrada na sala dizendo: "Pelo jeito fez efeito", seguido de uma risada. Retirou as agulhas e percebi que no lugar dos dois pontos mais doloridos sangraram levemente. Foram apenas duas gotículas, nada para alarmar-se.

Marquei a próxima sessão para daqui a uma semana, fui aconselhado quanto à ingestão de bastante líquido - no caso, água -, mudanças no hábito alimentar e práticas de atividades físicas. Gostei do cara, e recordando um desejo antigo, por um segundo, ressurgiu em minha mente a imagem do jovem universitário que sonhava em aplicar as técnicas da Medicina Tradicional Chinesa na vida profissional.

2 comentários:

Joana Carvalho disse...

gostei!

obrigada

Flávio Nunes. disse...

Olá Joana,
Obrigado pelo comentário!
Tenha um ótimo fim de semana,
Abraço,
Flávio Nunes.

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