terça-feira, 24 de agosto de 2010

Ser Médico Veterinário "plantonista" é...


Existem vantagens e desvantagens num plantão veterinário.


Uma das vantagens (aqui citarei apenas dois exemplos), é que os atendimentos sempre são emergenciais e isso requer uma compreensão maior da medicina clínica/cirúrgica, o que torna o trabalho muito mais exigente, contudo mais atraente aos olhos daqueles que gostam de uma adrenalina a mais correndo em suas veias. Outra vantagem é a financeira, o que, em alguns casos, pode trazer um retorno proveitoso, mais do que valeria se a pessoa estivesse vindo no horário comercial.


As desvantagens são várias. Uma delas é obvia e diz respeito ao processo. Não tem como domir propriamente dito, quanto muito cochila-se. Sempre presei muito pelas noites de sono bem dormidas, contudo agora, retomando a "atividade noturna", e está ficando cada vez mais difícil dormir antes de 01:00h nos dias extra-plantões. Outra desvantagem é estar em contato direto com problemas agudos e muitas vezes, de dificil solução. Esta última gera sempre uma grande tensão, trazida sempre pelos proprietários ou responsáveis pelos animais. Só para citar, como já havia relacionado a vantagem financeira, há também o seu antônimo, ou seja, ganha-se mais, contudo esse "a mais" também diz respeito à porcentagem deixada na clinica!


Ser plantonista requer um estado de espirito singular. Não desejo "puxar sardinha" para o meu lado, mas é quase uma vocação! Não querendo usar tal palavra na tentativa de engrandecer o ato, ou diminuir a palavra em função deste. O que desejo é fazer o leitor perceber que não é qualquer pessoa que nasceu para exercer tal função.


Acima de tudo é preciso amor, muito amor ao que faz. Depois é preciso disposição física e psicológica para lidar com momentos críticos, onde um erro pode ser fatal. É preciso ter "jogo de cintura" para tratar o paciente, conversar com o cliente, fazer a conta justa e receber por tudo isso. Parece fácil? Mas imagine-se às 03:45h da manhã, após conter uma hemorragia, estabilizar o paciente, explicar para o responsável do animal que naquele momento não há possibilidade de uma transfusão imediata (mas que tudo está sendo feito e será providenciado o quanto antes), após fluido e oxigeno-terapia, medicações aplicadas, procedimento cirúrgico e estabilização do paciente; após calcular e apresentar a conta a pelos procedimentos realizados, negociar a melhor forma e efetuar o procedimento de pagamento; enfim, após tudo isso imagine-se olhando para a recepção e ver que chegou outro paciente, que por estar no meio da noite numa clinica veterinária, certamente boa coisa não ocorreu! Consegue pensar "estou pronto para outra"? Está mesmo pronto? Vale lembrar que há momentos onde isso ocorre, duas, três, quatro vezes, numa única noite! E aí, disposto a encarar? Tem vocação?


Além de toda a bagagem técnico/científico que é preciso ter, é preciso também o "algo a mais" que em muitos profissionais, infelizmente (ou felizmente, quem sabe) não existe! Este "algo a mais", para o plantonista, resume-se ao fato, na maioria das vezes, de possuir uma fonte extra de amor à profissão. Pois acima do salário, do cansaço físico, do desgaste psicológico e emocional, está o desejo sincero de ver vidas sendo salvas!

2 comentários:

Fábio disse...

Muito bom... parabéns Flávio, quero e vou ser clínico logo logo.. rs

Flávio Nunes. disse...

Olá Fábio,
Obrigado pela mensagem! Tenho certeza que será um excelente clínico!
Abração amigo.

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