segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Sobre o Inferno, o Mundo e o Paraíso (Fábula) #1


Meu lugar é permanecer no caminho.

Havia, a muitos anos atrás, um guerreiro que caminhava errante sobre a face da terra. Obteve várias conquistas e foi derrotado em outras tantas batalhas, mas sobrevivera para contar suas histórias. Após tantos anos guerreando traçou uma meta pessoal: Conhecer o máximo que pudesse a cerca do mundo antes que a morte sorrateira viesse lhe buscar.
Havia aprendido com um sábio que tudo na vida é passageiro e que um dia ele também pereceria. Sua vida de nada valeria se não tivesse aprendido o máximo que pudesse e se não deixasse algo realmente significativo para as futuras gerações. Aprendeu também que o mundo é cruel com todos aqueles que não sabem lutar e defender seus reinos, por isso tornou-se guerreiro.
Mas ele não era qualquer tipo de guerreiro. Ele não é desses que se encontram por aí em qualquer vila ou povoado, não é o tipo sanguinário. Esse que vos falo é um guerreiro estrategista, astuto e compassivo. Isso fez dele o melhor de todos. Ninguém antes dele havia ganhado tantas batalhas e recebido tantas condecorações.
Tamanha era sua bravura que chegou a derrotar dezenas de inimigos numa só batalha, sem derramar uma só gota de sangue. Ele destruía mentes e corações. Sua armadura era os frangalhos que usava e suas armas eram suas palavras. Não tinha medo de morrer, assim como não tinha medo de viver. O tempo passava e seguia seu plano: Conhecer o mundo! No fim precisava deixar algo, um legado, uma marca que poderia ser vista, se possível, por toda a eternidade. Era isso que buscava, ininterruptamente!
Certo dia ao sair de dentro de uma floresta densa e cheia de armadilhas, deparou-se com a entrada de uma caverna, esta situava-se aos pés de uma gigantesca montanha.
Ao aproximar-se da entrada da caverna o homem percebeu que havia uma inscrição talhada na pedra: “o Inferno, o Mundo e o Paraíso”.
“Que dizeres mais estranhos para estarem entalhados na entrada de uma caverna”, pensou o guerreiro.
A muito tempo ninguém passava por aquele lugar. Havia muita vegetação obstruindo a entrada. Começou a limpar e deparou-se com outras duas inscrições entalhadas na entrada da caverna que diziam: “Para todos os que desejam conhecer [o Inferno, o Mundo e o Paraíso] entre por esta porta e a verdade lhe será revelada”.
Pelo menos agora havia uma frase, mas nem por isso aquele inscrito tornava-se menos enigmático. O guerreiro sentiu-se impelido a entrar naquele misterioso lugar. Estava com medo, mas não poderia recusar aquele chamado. Sentia que ao entrar naquela caverna sua vida poderia mudar, e caso a inscrição estivesse correta, seria possuidor de um conhecimento e uma sabedoria sem igual. Algo em seu interior o impelia a entrar. Talvez a vaidade, quem sabe ditou as regras neste ponto.
Improvisou uma tocha, acendeu-a e adentrou na caverna. Os primeiro passos foram cautelosos, não conhecia o caminho e muito menos o que lhe aguardava após a próxima curva ou pedra que transpunha. Caminhou durante algum tempo, até que chegou num salão. Logo na entrada havia uma tocha presa na parede, ele aproximou o fogo e ela se acendeu e isso gerou uma cascata de reações. Após poucos instantes o salão estava todo iluminado.
Após isso, seus olhos depararam-se com algo surpreendente. O salão era dividido por blocos de pedras. Cada um deles possuía entalhes com imagens ou escritos. Não demorou muito para o guerreiro perceber que aquele lugar já havia sido visitado por muitos antes dele. Era um lugar antigo. Talvez fosse usado para adoração de alguns deuses, talvez era um templo de meditação e recolhimento, talvez era apenas um refugio para os desabrigados. Que importância isso tinha naquele momento, o homem queria apenas conhecer o lugar onde se encontrava e que ligação tudo aquilo tinha com os dizeres que leu antes de entrar.
Começou a andar por entre os blocos de pedra e verificou que ali encontrava-se vestígios de civilizações antigas. Por todos os lados que olhava, e logo abaixo de cada coluna, estava pousado algum objeto. Viu vasos de barro trabalhados a mão, viu pergaminhos, viu braceletes de ouro, viu roupas, viu cajados, viu armas de guerra e tantos outros objetos. Ficou vislumbrado. “Como tudo isso veio parar aqui”, pensou.
Continuou caminhando e percebeu que a partir de um determinado ponto os blocos estavam todos inteiros, não havia nenhuma inscrição, nenhum entalhe e nenhum objeto posto próximo a eles. Continuou caminhando até que deparou-se com uma fenda, uma ponte feita de cordas e taboas, e do outros lado avistou três portais.
Atravessou a ponte e ao chegar do outro lado ficou atônito. Haviam dezenas de caveiras, eram esqueletos completos. O que mais lhe intrigou foi que todos estavam próximos de uma pequenino altar feito de pedra. Aproximou-se e viu que em cima desse altar encontrava-se um pergaminho aberto. Retirou a poeira que o encobria e em seguida começou a ler o que nele estava escrito:
Caro viajante,
Quis o destino lhe presentear. Você esta diante de três portas mágicas. A primeira, e maior de todas, é a porta que lhe mostrará e lhe conduzirá ao Inferno; a segunda, a porta mediana, é a que lhe mostrará e lhe conduzirá ao Mundo; e a última delas, a menor de todas as portas, lhe mostrará e lhe conduzirá ao Paraíso.
Querido viajante, guerreiro de tantas batalhas, possuidor do conhecimento de todos os tempos, tu é o resumo de todas as estradas por onde já passou e mais sábio que o mais sábio que já esteve aqui pela última vez. Você foi escolhido para descobrir os mistérios e as verdades do mundo.
Quis o destino lhe presentear. Aproveite e não desperdice esta oportunidade única que agora apresenta-se diante de ti.
Tu terás a oportunidade de entrar em cada uma das portas e precisarás conhecer bem o que lhe ofereço. Poderá ficar não mais que sete ciclos lunares dentro de cada uma delas, após esse tempo deverá reencontrar seu caminho e voltar sozinho para diante dos portais. Uma vez cumprido esta etapa deverá escolher apenas um portal, entrará e dele nunca mais sairá. Contudo este não será o fim!
Poderá ficar no interior da caverna eternamente. Este fogo o iluminará e queimará enquanto existir vida e sangue correndo em suas veias. A única saída será escolher um dos portais. Por mais que tente, nunca mais conseguirá achar o caminho de volta ao mundo que existia antes de entrar aqui. Aquele mundo não existe mais para você!
O seu coração convenceu a sua razão que seria interessante desbravar um novo caminho. Apostou no desconhecido e chegou até aqui. Continua a ser um ser livre, contudo suas escolhas o conduziram através da escuridão e sua ânsia pela verdade iluminou cada passo seu.
Lembre-se apenas que enquanto permanecer aqui, no interior da caverna, continuará na escuridão e toda a beleza que verá será a dos vultos refletidos nas paredes, compartilhará dos tesouros que foram deixados aqui por outros antes de ti, mas jamais poderá ir além do horizonte, jamais verá a luz do sol novamente. Entretanto, uma vez feito a sua escolha, isso o conduzirá a algo muito maior, isso o conduzirá à verdade, aquela verdade que apenas você pode descobrir.
Por isso, querido viajante, toque, veja, ouça, sinta, viva! Conheça tudo o que puder de cada uma das verdades que lhe apresento e, no fim, faça sua escolha definitiva.
Ass: F.
Atenção: Você poderá ir e retornar pela ponte apenas uma vez!

4 comentários:

Nathália disse...

Interessante!

Flávio Nunes. disse...

Olá Nathália,
Brevemente escreverei a continuação! Obrigado pelo seu comentário! Desculpa a demora ao respondê-lo!
Abração,
Flávio Nunes.

Ká Oliveira disse...

Oi querido...
Ainda bem que sei que tem uma continuação... sabe que sou viciada em leitura... adoro aquelas séries com muitos livros.. mas é doído esperar as cenas dos próximos capítulos..hahahaha.. MAis um pouquinho de mim? adoro ficção..
bj enorme e até já!

Flávio Nunes. disse...

Olá Karina,
Muito bom saber que gosta de ficção... tenho dois projetos para este ano, entretanto acredito que será difícil terminá-los! Estou estudando sobre produção literária e estou adorando! Vou seguindo e treinando aqui no Blog..rs.. até ganhar convicção suficiente para escrever, de fato, estes projetos e publicá-los!
Aguarde que os próximos capítulos virão!..rs..
Abração,
Flávio Nunes.

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