domingo, 22 de agosto de 2010

Francisco da Silva - Trecho do livro!

Trecho do Livro que estou começando a escrever!

Semi-pobre. Foi assim que Francisco da Silva veio ao mundo. Nasceu na condição de semi-pobreza. Na realidade a maioria dos brasileiros nasce nesta condição, porém muitos de nós nem percebe que geramos, criamos, ou ainda, somos nós, um cidadão que não nasceu em berço de ouro, mas em berço de palha. A percepção da pobreza física sobrepõe-se a todas as demais pobrezas, inclusive a algumas riquezas. “Felizes daquele que nascem em berço de ouro e que possuem sangue azul correndo nas veias; estes sim foram agraciados por Deus”! É isso o que a maioria pensa. Doce engano!

Gostaria de explicar-lhes algo. Muitos não sabem o que é nascer em tal situação, ou seja, na semi-pobreza. Esta é uma condição muito especial, que quando bem vivida pode gerar muita riqueza. Francisco é filho único por opção. Isso quer dizer que seus pais optaram por não ter mais de um filho, já que não teriam condições de alimentar mais de uma boca. Contudo optaram por terem um único filho e amá-lo profundamente, foi assim que após três anos de casamento Francisco nasceu e foi amado desde o primeiro respiro e choro. Seus pais não tinham bens materiais caros, a maioria dos seus pertences fora doados por parentes e a outra parte comprado com muito esforço. Entretanto, apesar de todos os pesares, possuíam em seus corações um amor profundo por aquele pequeno ser humano que agora enchia a casa de uma luminosidade sem igual. Suas vidas tornaram-se mais coloridas.

Foi assim que Francisco nasceu na condição de semi-pobreza. Era pobre materialmente, mas riquíssimo em amor. Isso fez toda diferença no decurso de toda sua infância, conseqüente juventude e vida adulta. Da mesma forma que não foi por acaso que ele veio ao mundo, também não foi por acaso que ele chegou ao posto mais alto de reconhecimento que um ser humano pode obter.

De seu pai, Francisco herdou o gosto pelos estudos e pela busca do conhecimento; de sua mãe, Francisco herdou a força de vontade e a capacidade de lutar pelos seus ideais, e de ambos ele herdou a amorosidade com a qual tratava as pessoas. É difícil conhecer Francisco e não esboçar qualquer sentimento. Durante toda a vida ele teve dezenas de inimigos, contudo cultivou centenas, ou melhor, milhares de amizades. E isso, no mundo de hoje, faz uma grande diferença. Francisco sofreu, chorou, foi ao inferno e voltou, entretanto recomeçou sempre, todas as vezes, e amou intensamente. Ajudou multidões a ver a vida com outros olhos, doando-se completamente, de corpo e de alma, na realização de seus sonhos. Escreveu seu nome na história.

Francisco foi um sonhador e com eximia maestria soube realizar todos os seus sonhos. Mas não o fez sozinho, obteve ajuda de diversas pessoas, das mais variadas formações, raças, crenças e idades. Era uma troca constante de idéias, projetos e conhecimentos, dos mais simples aos mais mirabolantes. Francisco sempre achou que nenhuma idéia é perdida quando bem ouvida e trabalhada. Eis duas coisas que ele sempre fez muito bem, ouvir e trabalhar. Hoje em dia as pessoas falam muito, falam excessivamente, mas pouquíssimas “sabem ouvir” de fato o que o seu interlocutor tem para dizer.

Saber ouvir é uma arte que precisa ser desenvolvida tanto quanto a pintura ou a música. Uma pessoa que sabe ouvir, sabe também o momento certo de calar, sabe o momento certo de dizer uma palavra mais incisiva ou uma palavra de conforto. Quem domina bem esta arte nos dias de hoje já possui uma grande vantagem competitiva. Acho que as pessoas falam muito porque não são ouvidas verdadeira e profundamente. Uma vez que encontram alguém que domina esta arte, algo acontece em seu interior, algo muda e então nasce a centelha da reciprocidade. Isso aconteceu comigo quando o conheci. Após aquelas tardes de outono nunca mais vi o mundo da mesma forma.

2 comentários:

Priscila Aguiar disse...

Oi Flávio...nossa adorei seu blog, valeu pelo comentaria no meu blog(Alem Do Que Se Vê)
...Queria ter o dom de escrever assim como vc♥beijos

Flávio Nunes. disse...

Olá Priscila,
Obrigado pela mensagem! Quanto ao comentário no seu Blog, não precisa agradecer. Uso o meu "radar" interno para apreciar tudo o que há de melhor no mundo e seu texto é ótimo!
Quanto ao elogio, obrigado do fundo do coração! Estou escrevendo e vou vivendo...rs...Apara uma aresta aqui, outra ali e assim vou levando...rs...
Abração.

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