quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A Voz da Experiência!

Olá Pessoal,

Hoje, Elen (Minha noiva) e eu, fomos protagonistas de uma cena inusitada. Em pleno metrô, indo para o trabalho, fomos abordados por uma senhora com pouco mais de oitenta anos (Idade estimada) e esta nos fez uma “revelação”.

Tentarei, nas próximas linhas, descrever o ocorrido, contudo é bem verdade que nunca, por mais que tentemos, conseguimos reproduzir por intermédio das palavras uma realidade tal qual se apresenta no momento em que ocorre. Deixarei você, ao ler o texto, utilizar a imaginação e, transportando-se para o momento do ocorrido, viver conosco este momento peculiar. Sinta-se embarcando conosco!

Boa leitura,

Flávio Nunes.


A Voz da Experiência

Estava acariciando a mão da minha noiva quando percebo uma senhora olhando nosso comportamento. Passaram-se poucos segundos ela nos dirige a palavra:

- “Vocês vão dar certo, escutem o que digo. A união de vocês será para a vida toda”.

Com estas palavras, Elen e eu fomos abordados em pleno metrô do Rio de Janeiro. Estávamos indo trabalhar.

Tanto ela quanto eu ficamos surpreendidos e diria até que, no meu caso, um pouco estupefato. Que reação ter diante de tal situação? Não nos ocorreu nada, e como tal nada fizemos senão sorrir.

Estava diante de nós uma senhora que, segundo estimativa, tinha entre oitenta e noventa anos. Não fosse sua cabeça branca, pele enrugada e ombros levemente curvados para frente; diria que, pela sua lucidez, haver bem menos idade.

Tinha um ar meio ranzinza. Falava pelos cotovelos, principalmente de seu filho, único que lhe acompanhava, mas que havia sentado a certa distancia. “Onde já se viu meu filho me dizendo o que devo e não devo fazer”, dizia ela em alto e bom som. “Até parece que sou criança. Não sou criança não. Não precisa ninguém tomar conta de mim”, continuava; e ainda: “Ficar velho é um saco”. Batia no ombro de um, falava diretivamente para outro e assim foi tornando aquela viagem, que muitas vezes é bem estressante, com seu jeito ranzinza/extrovertido, em algo bastante cômico. Ainda havia sua surdez, um capitulo à parte em meio a toda aquela situação. O clima ficou com uma atmosfera de estarrecedora comicidade. Não silenciava-se por um só instante, era impossível controla-la.

- “Sabe por que digo isto a vocês”? Perguntou-nos de súbito, no que negamos com a cabeça.
- “Porque vocês nasceram um para o outro. Se vê claramente. Deus colocou vocês no mundo para encontrarem-se e viver juntos por toda vida; até que a morte os separe”. Escutávamos tudo em silencio e com um sorriso tímido no rosto.

- “Vocês já tem filhos”? Mais uma vez negamos com a cabeça.

- “Vocês terão dois belos filhos. Abençoados por Deus”.

“Dois”, pensei. É o número de filhos que sempre quis ter. Sou filho único e sei que às vezes a solidão bate, por isso descartei a possibilidade de um único filho já a algum tempo. Mais que dois? Preocupo-me; já que as despesas são em progressão geométrica. Dois é um bom número, no meu caso, no que diz respeito à filhos.

- “Vocês sabiam que os filhos alegram a união do casal? É verdade. Terão dias que você vai brigar com ela (Falou olhando nos meus olhos), e você vai brigar com ele (Falou olhando para Elen); daí vem as crianças, um pula no seu pescoço, a outra sorri para ele e o “agarra” querendo colo; vocês olham um para o outro e pronto, fazem as pazes e a alegria volta novamente. É verdade, vocês vão ver”.

O que dizer diante disso? Continuávamos sem palavras, contudo agora entreolhávamos e numa comunicação quase telepática percebíamos, no fundo de nossas almas, brotar o balsamo do “SIM, eu te quero por toda a vida”. Mais uma entreolhada e líamos em nossas pupilas: “Eu te amo”!
- “Não foi por acaso que vocês se encontraram. Deus tem um plano muito especial para vocês. A união de vocês será por toda a vida. Duas almas num só corpo. Dois corpos e uma só alma. Unha e carne”. Olhei para minha noiva novamente e senti o tempo parar. Não havia ruído, não haviam pessoas, não havia nada ao nosso redor; éramos ela e eu flutuando numa dimensão extra sensorial. Todavia aquela sensação não durou mais que alguns segundos.

- “Deus abençoe vocês. Se vocês pensam que vão se separar; não vão não! A união de vocês está escrita lá em cima...”. Neste instante fez um gesto de mão apontando para o céu, e continuou: “...Deus abençoe vocês”!

- “Obrigado”, falamos juntos. Foi a única palavra que conseguimos pronunciar diante de tudo aquilo.

Após isto ela começou a repetir varias vezes: “Deus os abençoe”, “Vocês serão felizes”, etc, etc, etc. Apenas em dois momentos ela disse coisas diferentes. No primeiro momento ela disse: “Vocês são muito parecidos e carismáticos, pensei que fossem irmãos”; e no segundo momento disse: “São noivos...Deus abençoe...”!

Por ser um pouco surda, como já disse, falava alto. Seu jeito espalhafatoso contagiava a todos; como não chamar a atenção? Todos à nossa volta escutavam suas palavras e muitos sorriam junto conosco daquela cena inesperada em plena manhã de quarta-feira.

Percebi no olhar de alguns, algo como: “Não queria estar na pele deles”! Mas, não sei quanto à Elen, eu me diverti e acolhi aquela benção, ou melhor, aquele “pacote de bênçãos”.

Foi um presente acalentador. Um encontro místico, por assim dizer, e porque não Abençoado!

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