quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Inseto + Cegueira Temporária!

Alguma vez na sua vida um pequenino inseto voador (uma Drosophila por exemplo), ja mergulhou na poça de lágrima, do seu olho esquerdo, enquanto caminhava pela rua despreocupadamente? Não? Graças a Deus!

Assim que o inseto mergulha na lágrima sente-se apenas o impacto e percebemos que algo estranho ocorreu. Logo, e quase imediatamente, vem uma sensação semelhante à incandescência. "O que é isso? O que está acontecendo?", são as primeiras perguntas que passam pela cabeça. Em seguida começasse a lacrimejar descomunalmente, o olho fica vermelho e parece que o globo ocular irá pular para fora da órbita. É uma sensação semelhante a uma gota de tinta quando cai no olho direito, só que muito menos colorido! (OBS: Crianças, não façam isso sem o conhecimento dos seus pais..rs.., ou melhor, NÃO FAÇAM ISSO DE JEITO NENHUM!!!).

O que ocorre após é um total desnorteamento momentâneo. Com muita sorte você não tropeça num buraco da calçada e nem tromba com um ser humano mal humorado. Eu não tive esta sorte!

Cerca de dez minutos depois sua vida volta à quase normalidade, não fosse o olho vermelho. No meu caso em particular, ainda sobrou um lenço verde embebido em lágrimas e os fragmentos do inseto maldito!

Beirut (Líbano) - Projeto Social!


Olá Pessoal,

Hoje escrevo para dividir com vocês um vídeo que uma amiga, Clara Atallah, que é Libanesa, me enviou esta manhã! Ela mora na cidade hoje conhecida como "a París do oriente", ou seja, Beirut. É uma cidade linda, com uma riqueza cultural enorme, contudo "muito mal aproveitada", segundo as próprias palavras de Clara.

Segundo uma rápida pesquisa que fiz, o Líbano possui um dos mais elevados padrões de vida do Médio Oriente (Há poucos anos - quando a guerra civil ainda fazia parte do quotidiano do país -, este tinha a pior qualidade de vida da região).

O Líbano possui uma riquissima cultura, herdada desde remotas épocas, de influências que vão da Fenícia ao Império Romano e ao mundo árabe.

A cultura árabe como um todo - na qual a cultura libanesa está inserida -, se destaca das demais por sua música, religião, dança, entre outros aspectos. No Líbano é muito comum a Dabke, dança em que várias pessoas danças ao mesmo tempo de mãos dadas e andando em círculos através dos passos que conduz.

O árabe é a lingua oficial do país, sendo falado na sua forma de dialeto libanês. Este dialeto é intelegível para os arabofónos do Médio Oriente, caracterizando-se pela presença de várias palavras estrangeiras oriundas do francês, inglês, turco e italiano.

O Francês e o inglês são a segunda e a terceira línguas do país, sendo entendidas por cerca de 50% da população. A língua arménia é utilizada pela minoria arménia do país (OBS: Só para constar, a Clara fala libanês/árabe, francês, inglês, espanhol, italiano e português..rs.. Uauuuuuu...rs...).

No mais é isso! Uma breve introdução à cultura Libanesa e agora segue o vídeo onde mostra a atuação da ONG, que a Clara ajuda como voluntária, numa das comunidades carentes do país!




Abração,

Flávio Nunes.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Ainda sou poeta!

Escutando música clássica e andado pelo corredor de casa, vejo os livros na estante em meio a caixas, fotos e à luz baixa. Repentinamente transporto-me a um mundo que vivo, porém os tempos são outros. Vejo-me sentado num teatro, sentado num lugar de destaque, trajando roupas confortáveis e feitas sob medida pelo alfaiate de confiança de minha família.

Ao meu lado direito vejo minha esposa trajando um suntuoso vestido cor de marfim, cujos detalhes combinam com o colar que lhe dei de presente naquela manhã, enquanto tomávamos o café da manha em nosso jardim, junto à macieira. Ao lado esquerdo, vejo-os, nossos filhos. Lindos! Tal qual a mãe! Ele com uma miniatura do meu traje e ela com a miniatura do vestido, contudo com mais rendas e de cor verde-água, sua cor favorita.

Minha esposa e eu possuímos uma posição de destaque na vida acadêmica. Isso faz deste momento uma preciosidade sem igual. Cada qual em sua área de conhecimento, brincamos constantemente, tentando encontrar os ramos que nos são comuns e afins. Assim vivemos bem e somos felizes.

Presenciar uma orquestra ao vivo, com toda sua vitalidade e amor é para nós fonte de inspiração, emoção e alegria. Isso reabastece nossas energias. Sempre saímos extasiados, quase pisando em núvens. Os pequenos ainda não entendem que o significado de tudo isso, para eles, não passa de uma bela forma de levá-los à presença de Deus e introduzí-los ao mundo das possibilidades infinitas. Arte e cultura como base de uma formação extra-curricular tão importante quanto o que aprendiam no ambiente formal. Se os prazeres passageiros do mundo não lhes cativassem e corropessem as almas, teriam chance de serem pessoas de bem e quem sabe cotributos à humanidade.

Enquanto isso, eu ali diante daquela magnífica orquestra, ao lado dos meus amores, sob a luz baixa do teatro, vejo-me sendo transportado para o futuro. Escrevo algo num bloco de notas, sinto algo estranho e, em seguida, percebo que após séculos ainda sou poeta.

A Bruxa (Carlos Drummond de Andrade)!

A Bruxa

Nesta cidade do Rio,
de dois milhões de habitantes,
estou sozinho no quarto
estou sozinho na América.

Estarei mesmo sozinho?
Ainda há pouco um ruído
anunciou vida a meu lado.
Certo não é vida humana,
mas é vida. E sinto a bruxa
presa na zona de luz.

De dois milhões de habitantes!
E nem precisa tanto...
Precisa de um amigo,
desses calados, distantes,
que lêem verso de Horácio
mas secretamente influem
na vida, no amor, na carne.
Estou só, não tenho amigo,
e a essa hora tardia
como procurar amigo?

E nem precisava tanto.
Precisava de mulher
que entrasse nesse minuto,
recebesse este carinho,
salvasse do aniquilamento
um minuto e um carinho loucos
que tenho para oferecer.

Em dois milhões de habitantes,
quantas mulheres prováveis
interrogam-se no espelho
medindo o tempo perdido
até que venha a manhã
trazer leite, jornal e calma.
Porém a essa hora vazia
como descobrir mulher?

Esta cidade do Rio!
Tenho tanta palavra meiga,
conheço vozes de bichos,
sei os beijos mais violentos,
viajei, briguei, aprendi.
Estou cercado de olhos,
de mãos, afetos, procuras.
Mas se tento comunicar-me,
o que há é apenas a noite
e uma espantosa solidão.

Companheiros, escutai-me!
Essa presença agitada
querendo romper a noite
não é simplesmente a bruxa.
É antes a confidência
exalando-se de um homem.

Em Boa Companhia!

Estou sentado no chão da cozinha, do rádio vem a música clássica e de Drummond vem a poesia! Acredito estar em ótima companhia, pois não são todos os dias que se está sozinho e na presença de Mozart, Strauss, Chopin e Drummond. Sou um privilegiado por estar só e tão bem acompanhado!

Nesta condição tão particularmente singular, tudo o que é, não é. Tudo o que penso que sou, não sou mais, agora. Após alargar minh'alma, impossível voltar ao tamanho original.

Agora sou mais tónicas, graves e agudos, sou mais e menos oitavas, sou mais poesia. Sou mais! E por que não mais, ja que isto me faz bem? Que grande dia terei.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Na Estrada!

Estou na estrada. Por não ter seguido meu instinto, sabe, aquela voz la no fundo da alma que conversa às vezes com a gente, encontro-me agora num transito infernal (O Diabo que me perdoe, e que Deus me perdoe mais ainda), em algum lugar entre São Gonçalo e Niterói!

Não fosse o fato de estar caindo um "dilúvio", do transito parcialmente parado e eu magnanimamente atrasado para o trabalho; não fosse estes pequeninos detalhes, o dia estaria perfeito.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Meu Sapato Velho!

Existem diversas coisas boas na vida, uma delas é usar sapatos velhos. Não digo aquele que já esta perdendo o solado, tão pouco aquele que já esta furado ou rasgado. Falo daquele sapato especial, sabe...aquele que temos um carinho particular. Tal qual há camisas, calças, lençóis, toalhas e travesseiros, há também o sapato querido.

Caso o meu pudesse falar, diria o seguinte: "Tanto já andei por aí. Conheci lugares fantásticos e tanto ainda tenho para conhecer"! Acredito que diria isto. Eu diria o mesmo se estivesse no lugar dele!

Como companhia ele gosta da calça jeans, que também é minha fiel companheira. Esta sempre vem comprida demais; por respeito (e preguiça), simplesmente dobro-a. Duas pequenas voltas e pronto. Todos ficam felizes! O sapato velho por ainda sentir-se útil, a calça jeans por não ser cortada e eu, por sentir-me sempre confortável. A nível de amizade, estes são alguns dos mais fiés que possuo.

Imagino o conforto que os sapatos de R$ 500,00 devem possuir. Que dirá o extase que proporcionarão quando envelhecerem? Rio-me sozinho quando penso estas coisas. Tem um quê de insanidade nisso, mas não me apego a este devaneio, vai que eu fique são!

Por hora vale apenas aproveitar as lembranças que vem à tona, todas as vezes que pego-me perdido em pesamentos, contemplando meu sapato velho.

PS: Tenho recebido algumas mensagens de pessoas perguntando: "Como faço para deixar um comentário no seu Blog"? É simples, basta clicar no número que encontra-se do lado direito de cada Título! Aguardo os comentários! Desde já o meu MUITO OBRIGADO!

Bomba de Sódio e Potássio + Lanchonete (Trecho do Livro)!


Pelo semblante que portava, o velho professor logo percebeu que algo de muito errado havia ocorrido. Disfarçadamente esperou minha chegada enquanto saboreava o lanche que acabara de comprar. Era um sanduíche natural que continha tomate, alface e uma pasta de frango desfiado com cenoura ralada, ervilha, milho verde e pedaços de azeitona. Era uma refeição caseira, que chegava diariamente à lanchonete. Todas envoltas em papel alumínio. Para beber, havia suco de laranja com acerola sobre a mesa. Ele sempre dizia que após uma determinada idade a imunidade abaixa e as doenças são mais suscetíveis, por isso costumava manter uma dieta sempre equilibrada.

- Não é possível que uma coisa dessas ocorra numa universidade! Cheguei esbravejando. O professor encarou-me, em seguida abaixou os olhos e continuou saboreando o seu lanche.

- Não acredito que em pleno século XXI uma professora universitária explique a matéria errada. Ao mesmo tempo em que falava isso, fui logo puxando uma cadeira e me sentando ao lado do amigo recém adquirido.

- Você está dez minutos atrasado. Tive que começar a lanchar sem a sua presença. Começou ele. Em seguida mais uma mordida.

- Desculpe a demora; é que hoje a professora de Fisiologia teve a audácia de errar algo fundamental em sala de aula. Nesse instante chegava junto de nós uma amiga de turma, que também se encontrava visivelmente abalada com a situação.

- E o que ela errou? Perguntou Francisco.

- Ela trocou o potencial de ação da Bomba de Sódio e Potássio. Disse isso olhando para minha amiga de classe, no que ela concordou com a cabeça.

- E que mal tem nisso? Perguntou o professor.

- Que mal tem nisso? Felizmente ela e eu – disse apontando para a amiga -, estudamos ontem a noite esta matéria. Gostamos de estudar antes de virmos para a aula. Fazemos isso desde que nos conhecemos ano passado, no primeiro semestre. Por causa disso fomos os únicos a perceber de imediato que ela estava errada. Conferimos o livro e todos puderam verificar que sua explicação não era a mesma que encontrava-se ali diante de nós, na página que estava à nossa frente.

Começaram a chegar mais colegas de classe, todos abalados com o ocorrido. Alguns falavam alto, outros só ouviam calados. Entretanto, todos, sem exceção, esboçavam alguma reação de descontentamento. Um a um, todos foram ocupando as cadeiras vizinhas.

Eu estava completamente sem fome. Os acontecimentos daquela tarde, em sala de aula, haviam me deixado completamente abalado. Perguntei para Vivi se ela desejava comer algo, ela disse que também estava sem fome, mas que gostaria de beber um suco de abacaxi com hortelã.

- Você divide comigo? Perguntou ela olhando para mim com aqueles olhos castanhos amendoados e cativantes. Sem reação, sorri e concordei com a cabeça.

Ela saiu para comprar o suco e o professor perguntou algo que naquele momento não fazia o mínimo sentido:

- Como vai o seu relacionamento com sua namorada?

- Muito bem, como sempre! Respondi, fiz uma pausa e completei: - Sei onde quer chegar, mas a Vivi é apenas uma boa amiga. Além do mais ela também tem um namorado e nosso relacionamento não passa de amizade!

Para bom entendedor um pingo é letra. O professor não havia nem tocado no assunto de namoro, e eu logo entreguei o ouro de mão aberta. Para que ele precisava saber se ela tinha ou não namorado, isso não o interessava.

O velho Francisco havia percebido algo no ar. Algo que só a idade e a experiência de vida podem perceber. Os homens e as mulheres, com o passar dos anos, começam a perceber detalhes que outrora seriam imperceptíveis enquanto jovens. O comportamento de dois jovens amigos, numa troca singela de carinhos é um sinal explicito e berrante de amizade ou amor. No fim tudo é amor, contudo o sentido é diferente. Só com a idade ou maturidade é que determinadas nuances comportamentais saltam aos olhos.

O professor percebeu algo que eu levaria a faculdade toda para dar-me conta. Ele percebeu que eu era amigo da Vivi, contudo ela não era apenas minha amiga, ao menos seus sentimentos por mim eram no mínimo mais ternos. Eu tinha minha namorada e ela sabia muito bem disso. Nosso relacionamento não passava de uma bela e cativante amizade. Mal sabia que a sementinha do amor brotava em seu coração, e eu, assim como a maioria dos tímidos que existe neste mundo, demorei muito para perceber.

Ela estava retornando da lanchonete e trazia, seguro por sua mão direita, um copo de suco, que pelo tamanho parecia ser de 500 ml. Em sua mão esquerda havia o troco, o comprovante de pagamento e o que parecia ser dois canudos. Ela caminhava com toda delicadeza, desviando-se das mesas, cadeiras e transeuntes, concentrada, para não deixar derramar uma só gota do suco. Ao chegar onde estávamos colocou o copo sobre a mesa, guardou as moedas e o comprovante de pagamento em um dos bolsos da calça, me deu um dos canudos e...

- Bom apetite Fla. Disse sorrindo.

O professor acompanhou o andamento de toda a cena sem dizer uma só palavra. Ao ver-nos tomando o suco juntos, deu um leve sorriso e desferiu-me uma piscadela, seguido de um sorriso de canto de boca. Aquele era o sinal de que ele, no fundo, estava quase certo do que falara poucos instantes antes.

- Mas qual é mesmo o motivo de tamanho abalo por parte de vocês? Perguntou o professor , iniciando a conversa novamente.

- A professora de Fisiologia I. Ela cometeu um erro gravíssimo em sala de aula. Ela, por total falta de atenção ou desconhecimento, estava ensinando algo errado. Respondi, agora mais tranqüilo.

- Agora me lembro! Tinha a ver com a Bomba de Sódio e Potássio. Não é isso?

- Sim, isso mesmo! Disse Vivi.

- Pois é, faz tanto tempo que não estudo isso. Mas a Bomba de Sódio e Potássio não é um tipo de transporte ativo primário?

- Sim, é isso mesmo! Respondi prontamente. Havia estudado isso na noite anterior com a Vivi, enquanto o namorado dela assistia o jogo de futebol na TV.

- Agora eu estou me lembrando! Disse o professor olhando para o alto, em direção a um ponto qualquer do infinito. Quase podíamos ouvir seus pensamentos. Comecei a assombrar-me com a capacidade intelectual daquele velho.

- Você sabia que assim como os íons de sódio e potássio, também os íons de cálcio, hidrogênio, cloreto e alguns outros, também realizam o “Transporte ativo primário”?

- Sim, sabia! Respondi, concordando também com a cabeça.

- É interessante saber que existe um mecanismo como este esteja presente em todas as células do nosso corpo! Neste exato momento ele está funcionando em nós! Ou seja, o mecanismo que bombeia os íons de sódio para fora da célula, através da membrana celular, enquanto, ao mesmo tempo, bombeia os íons de potássio de fora para dentro da célula. O Sódio por ser positivo e o Potássio por ser negativo, ao entrarem e saírem da célula, através da membrana, estabelecem um potencial elétrico negativo no interior das células e, consequentemente, um potencial elétrico positivo em seu exterior.

Ao falar isso o professor chamou a atenção dos alunos que estavam sentados nas mesas vizinhas. Estavam próximos o bastante para escutarem e acompanhar o professor discorrer sobre o assunto.

- Quando três íons de sódio se fixam na parte interna da proteína carreadora e dois íons potássio se fixam à parte externa da célula, a função ATPase da proteína é ativada. Isso cliva uma molécula de ATP, transformando-a em difosfato de adenosina (ADP) e liberando a energia de ligação fosfato rica em energia. Acredita-se que essa energia provoque alteração conformacional da molécula da proteína carreadora, o que expulsa o sódio para o exterior e traz o potássio para o interior da célula. Isso faz com que haja um controle do volume das células, ou seja, sem essa função da bomba, a maioria das células iria inchar até estourar.

Todos estavam acompanhando o raciocínio de Francisco em completo silencio. Muitos do que estava sentados o redor, viraram suas cadeiras a fim de participar mais ativamente daquela conversa e ouvir a explicação do velho.

- A bomba de Sódio e Potássio que existe em nosso organismo é algo “simples” e fundamental à vida. Que grande mecanismo funcional é este. E ainda gera o potencial elétrico que muda à cada nova troca de íons. É uma verdadeira bomba eletrogênica.

Ali, em meio a sanduíches, sucos e refrigerantes, eles tiveram uma aula de Fisiologia celular inteiramente gratuita. Melhor ainda, entenderam em cinco minutos o que a professora levou meia hora para explicar.

Alguns murmúrios começaram a preencher o ar em volta daquela mesa, e toda aquela sensação de perda de tempo em ter freqüentado a aula havia passado. O velho professor havia oferecido aos jovens que ali estavam, aquilo que eles precisavam e isso o alegrou profundamente. “Você poderia dar aulas no lugar daquela professora”, disse um. “Se ela explicasse a matéria assim, não teria problema algum para entender”, dizia outro na mesa do fundo. “Você parece entender muito sobre este assunto. Isso torna as coisas mais fáceis”, disse uma aluna. E assim os comentários seguiam.

Eu olhava perplexo a reação dos meus amigos, ao mesmo tempo que olhava para aquele homem diante de mim. “Como podia ele lembrar disso após tantos anos”?, perguntava-me mentalmente. “Será que ele era Fisiologista”?, “Como ele conseguiu prender a atenção de todos nós, em tão pouco tempo”?, “Muitos aqui estão vendo-o pela primeira vez, e o que parece é uma empatia mágica; como ele conseguiu fazer isso”? Estas e tantas outras perguntas rondavam-me a mente naquele instante. Todos estavam fascinados com a maneira que ele havia explicado o assunto.

- E é só isso? Uma bomba de íons, no caso Sódio e Potássio, que controla o volume de líquido entre o interior e o exterior da célula, e por causa desse entra e sai, cria um potencial energético? Perguntou um dos alunos com ar de incredulidade.

- Isso mesmo! Isso é tudo o que você precisa saber de mais importante sobre este assunto. Ao menos por hora! Após isso vem outras coisas associadas, afinal o organismo é um conjunto de pequenos mecanismos funcionais, que tem como principal função promover a Homeostasia do corpo, ou seja, o equilíbrio, a boa condição, constante, do meio interno!

Muitos ali sabiam o que isso significava, mas outros tantos olharam para Francisco com cara de vaca no pasto, ou seja, com cara de “O que”? “Como”?

- Gostaria de pedir lincença aos que já sabem o que significa homeostasia e falar para aqueles que já ouviram o termo, mas não sabem seu significado! Falou isso olhando diretamente em minha direção.

O copo de suco que Vivi trouxera ainda estava 1/3 cheio, e isso era raro quando tomávamos suco juntos, pois, normalmente, não se passavam dois minutos e tudo já estava acabado. Olhei ao redor e vi que muitos ali estava com os olhos grudados no professor. Mesmo aqueles que eu sabia conhecer a resposta, o olhavam com respeito e curiosidade.

- Por exemplo, os pulmões fornecem oxigênio para o líquido extracelular para repor o que está sendo consumido pelas células; os rins mantêm constantes as concentrações iônicas e o sistema gastrintestinal fornece nutrientes para o corpo. Isto está relacionado ao modo como cada órgão ou tecido contribui para a homeostasia, ou seja, o corpo possui uma ordem social com cerca de 100 trilhões de células, organizadas em diferentes estruturas funcionais, algumas das quais chamamos órgãos. Cada estrutura funcional contribui com sua conta para a manutenção das condições harmônicas de todo o corpo. A interação recíproca entre os diferentes tecidos, e órgãos, do nosso ambiente interno, resulta em automaticidade contínua do corpo, que perdurará até que um ou mais sistemas funcionais percam sua capacidade de contribuir com sua cota de funcionamento. Quanto isso ocorre, muitas células do corpo sofrem. A disfunção extrema leva à morte, enquanto a disfunção moderada, ou parcial, causa a doença. Mas tudo isso que digo aqui vocês encontraram nos livros de Fisiologia. Este que está com a Vivi por exemplo – apontou para o livro que ela havia colocado sobre a mesa ao chegar -, é ótimo para a consulta e estudos. Além do mais, quando começarem a disciplina de clinica médica, verão que tudo isso faz um grande sentido e será de grande valia.

Assim como eu, outros ali já haviam escutado aquela explicação em sala de aula, contudo tudo parecia estar envolto numa nova atmosfera, tudo parecia estar mais límpido e claro. Olhei para os lados novamente e vi os olhos atentos, os sorrisos e os murmúrios de contentamento. Estávamos participando de algo que parecia ser uma nova aula de fisiologia, sem ao menos darmos conta disso e melhor ainda, sem cansaço ou lamentação alguma. Estávamos todos sentados ali por livre e espontânea vontade. Nada nos prendia àquele lugar, afinal estávamos na lanchonete da universidade.

Éramos todos alunos de medicina, de uma faculdade muito bem conceituada. Aquele que nos falava era um velho professor universitário e até onde sei havia feito faculdade de Medicina Veterinária a muitos anos atrás, havia clinicado por um período, mas logo percebeu que seu caminho era outro. Não nascera para ser clinico, contudo acadêmico. “Como explicar para meus amigos que o homem que os estava ensinando e que os fizera entender conceitos básicos de fisiologia era na realidade um Médico Veterinário”? “Melhor não comentar”, pensei. O que fiz a partir de então foi acompanhar o raciocínio veloz e sagaz de Francisco e as reações dos meus amigos de turma.


Um vídeo ilustrativo:




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O que é Santidade?


Olá Pessoal,

E então, pode haver santos no mundo de hoje? O que vocês acham?

Segue um vídeo que recebi hoje pela manhã, onde jovens e adultos respondem à pergunta: "O que é Santidade"? Não é nada muito detalhado, mas serve como fonte de reflexão!

Abração,

Flávio Nunes.




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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Das Vantagens de ser Bobo (Clarice Lispector)!

Olá Pessoal,

Basta prestar bem atenção nos detalhes..rs.. Bom divertimento!

Abração,

Flávio Nunes.




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Educar (Rubem Alves)!


"O estudo da gramática não faz poetas.
O estudo da harmonia não faz compositores.
O estudo da psicologia não faz pessoas equilibradas.
O estudo das "ciências da educação" não faz educadores.
Educadores não podem ser produzidos. Educadores nascem.
O que se pode fazer é ajudá-los a nascer.
Para isso eu falo e escrevo:
para que eles tenham coragem de nascer.

Quero educar os educadores. E isso me dá grande prazer
porque não existe coisa mais importante que educar.
Pela educação o indivíduo se torna mais apto para viver:
aprende a pensar e a resolver os problemas práticos da vida.
Pela educação ele se torna mais sensível e mais rico interiormente,
o que faz dele uma pessoa mais bonita, mais feliz
e mais capaz de conviver com os outros".


Rubem Alves




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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Religião, Família e Eu (Trecho do Livro)!


Era muito novo quando comecei a participar dos encontros de jovens na igreja central da cidade onde morei dos meus 11 aos 17 anos de idade. Havia um amigo que participava dos encontros todos os Domingos. Ele sabia que eu vinha de uma família que outrora fora evangélica, e acredito que tenha sido por este motivo que demorou tanto tempo até me convidar para participar desses encontros. Acho que queria ter certeza que eu realmente iria.

Após começar a participar dos encontros, num determinado dia, ele me confessou que sua maior preocupação era como meus pais iriam reagir a esse convite. Apesar dos conselhos de minha mãe sobre bons comportamentos, nunca se importaram d'eu participar do encontro de jovens de uma paróquia.

Meus pais, ainda jovens, deixaram suas práticas religiosas de lado. Até onde sei, houve um desentendimento entre os membros da igreja que participavam. Após alguns dias eles, junto com outros jovens, se afastaram definitivamente daquele grupo e nunca mais retornaram.

Afastar-se da igreja, independente da prática religiosa que segue, não significa perder a fé e nem deixar de acreditar no misticismo que a "palavra" - Igreja -, comporta. É evidente o fato dos meus pais terem sofrido um trauma significativo, junto aos membros que lá haviam; contudo não abandonaram em nenhum momento o senso de caridade que a igreja plantou em seus corações.

Com o passar dos anos, o mundo tomou conta de partes importantes de suas vidas. Sem a presença da igreja para preencher algumas lacunas, pensamentos cristãos foram sendo esquecidos aos poucos e tudo aquilo que a TV mostrava começou a criar raízes em suas almas. Aos poucos o rio que era de águas límpidas, começou a tornar-se levemente turvo. E isso prejudicou a maneira que eles começaram a “ler” o mundo ao redor. Medos começaram a vir à tona, assim como algumas referencias de religiosidade começaram a se perder pelo caminho. (Nota: Vale lembrar aqui que religião e religiosidade possuem significados diferentes).

Sobre eles, não tenho do que reclamar. Só tenho a agradecer cada momento de vida e cada minuto que passamos juntos. Eles continuam sendo minhas "pedras fundamentais" e meus maiores heróis. Contudo, desde muito cedo, comecei a perceber que eu teria que trilhar meu próprio caminho. De uma forma que eu não sabia explicar até então, sentia que aquele mundo não era completamente meu.


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Gandhi e Santificação (Trecho do Livro)!


O Mahatma afirmava que o amor é a força mais abstrata, e também a mais potente que há no mundo. O amor e a verdade estão tão unidos entre si que é praticamente impossível separá-los. São como duas faces da mesma medalha.

Ela falava sobre amor e verdade. Amor eu conhecia, ao menos eu pensava que conhecia. Este, o amor, vim aprimorar anos mais tarde. Mas a verdade, o que significava "a verdade"? Falar a verdade é não mentir. No auto da minha sabedoria juvenil entendi que falar a verdade era um grande ato de amor.

Quanto mais lia mais sentia minha alma ser engrandecida. Mais dava-me vontade de ser um outro Gandhi. Um outro Mahatma. Mas será que eu estava disposto a sofrer tanto, fazer jejuns, praticar a abstinência e morrer assassinado? Não, aquilo estava muito longe da minha realidade. Principalmente a abstinência e o assassinato. Eu queria era viver muito, já cedo eu desejava morrer bem velhinho.

Foi então que uma certa dose de tristeza tomou conta do meu coração. E ponderei pela primeira vez a possibilidade da minha mãe estar certa. Ser santo é difícil. Nunca conseguiria tal feito. Mas uma coisa eu já havia descoberto, existiam pessoas que ainda hoje conseguiam se santificar. Gandhi provava isso para mim. Afinal ele morreu no mesmo século em que eu nasci. Isso já faz uma grande diferença.

Além de tudo que já havia lido sobre sua vida algumas outras coisas me chamaram profunda atenção e marcaram minha vida. Ele acreditava que só podemos vencer o adversário com o amor, nunca com ódio; e que o sofrimento, e só o sofrimento, abre no homem a compreensão interior.

Queria sinceramente atingir esta compreensão interior, mas não estava disposto a sofre. O que fazer? O tempo me deu a resposta.

No fim do livro haviam inúmeros comentários sobre o legado desse que foi “a grande alma” para seu povo. Os comentários eram feitos por autores de diversos livros, personalidades políticas e cientificas, entre outros.

O comentário que me chamou mais atenção foi o de Albert Einstein, um dos maiores cientistas da humanidade. Físico e pai da lei da relatividade. Sua sabedoria lhe trouxe grandes méritos, mas também lhe causou um grande mal estar. Pois foi através de seus estudos que “ingenuamente” foi construída a bomba atômica.

Einstein disse que as gerações futuras terão dificuldade em acreditar que um homem como Mahatma Gandhi realmente existiu e caminhou sobre a superfície da Terra. Ele estava certo. Quem pode acreditar que tal homem tenha realmente vivido e feito o que fez.

Após o termino do livro, muitas perguntas rondavam minha cabeça. Durante dias eu pensava insistentemente sobre o que havia lido e aquele pequeno livro me abria um leque de possibilidades para estudar e obter conhecimento. Fiz uma pequena anotação. Numa folha de papel escrevi assim:

Coisas para conhecer e fazer:

- O que é a verdade?

- Como praticar a não violência no meu dia a dia?

- Existem santos que não morreram assassinados?

- Deus tem religião ou não tem?

- Meus pais estão certos ou errados sobre Deus e a igreja?

- Eu também posso conhecer Deus? Em caso positivo, como faço isso?

- Se eu conhecer Deus e querer ser santo, eu também corro o risco de morrer assassinado?

- Quem foi São Pedro e São Paulo?

- Quem foi Jesus?

- Como fazer para não sofrer?

- Quem foi Albert Einstein?

O papel com as anotações ficou em lugar de destaque dentro do meu guarda-roupas durante algumas semanas. Depois de um tempo eu via que meus esforços e meu tempo estava sendo perdido. Não conseguia responder a todas as perguntas. E as que eu respondia, geravam mais perguntas.

Acreditando que a santificação era algo muito distante de mim, abandonei completamente aquela idéia. Por alguns anos vivi sem me preocupar mais com isso. A adolescência foi passando, novos amigos fui conhecendo e com eles aproveitei tudo o que a juventude pode desejar, ou seja, a busca de minha auto-afirmação como pessoa e os prazeres passageiros.

Saia com os amigos, bebia, dançava, namorava, etc. Assim o fiz até chegar à universidade. Quando pensei que iria aproveitar mais minha vida de “malandragem”, sofri mais uma reviravolta.

Conheci novos livros e novos santos.


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domingo, 19 de setembro de 2010

Brinquedoteca - 1º Dia!

Olá Pessoal,

Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras. Sendo assim, eu tirei boa parte da minha noite para produzir um vídeo com imagens feitas ontem na Comunidade da Divinéia (RJ). Pensei em preparar um texto "gigantesco" para narrar em detalhes como foi a emoção de estar ali desenvolvendo um trabalho com a comunidade e para a comunidade!

Fomos muito bem recebidos e nem vimos o tempo passar! Pelos comentários vindos ora de uma ora de outro, durante todo o dia, e pela última foto (Não vale pular direto para o final..rs..), você sentirá que foi um momento muito especial.

Tudo o que você verá nas fotos, corresponde apenas ao primeiro dia de atividades! Temos ainda dois Sábados pela frente! Tudo ficará fantástico!

Uma das coisas mais belas do mundo é ver o sorriso na face de uma criança! Eis a nossa contribuição:




Tenham todos uma ótima semana!

Abração,

Flávio Nunes e Cia.


PS: Tenho recebido algumas mensagens de pessoas perguntando: "Como faço para deixar um comentário no seu Blog"? É simples, basta clicar no número que encontra-se do lado direito de cada Título! Aguardo os comentários! Desde já o meu MUITO OBRIGADO!

sábado, 18 de setembro de 2010

Dá um Abraço?

Sintam-se todos abraçados..rs..


quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Livros: Matematicamente falando ou 6,25 dias!


No intervalo de três dias comprei quatro livros novos! Isso, matematicamente falando, apresentá-me uma média de 1,33333... livros/dia. Levando-se em consideração que o valor total pago é de aproximadamente R$ 110,00, tive uma despesa correspondente à R$ 36,67000032/dia, ou ainda, R$ 1,52791668/hora. O simples fato d'eu ter existido para comprar livros nos últimos três dias me fez gastar R$ 0,025465278/minuto.

Juntando todas as páginas dos livros, tenho aproximadamente 800 páginas para ler de hoje em diante. Leio, quando é algo satisfatório e cativante, aproximadamente, 8 páginas em 25 minutos (Média entre maior ou menor tempo, de acordo com tamanho de letras, tipo de fonte, formato do livro, complexidade do texto, tipo de cadência, autor, e por aí vai...). Bom, isso faz com que eu leia, aproximadamente, 32 páginas/hora. Tirando as horas de sono, de trabalho e de vida extra-literatura, que giram em torno de 20 horas, tenho em média quatro horas por dia para ler. Isso dá-me, aproximadamente, 128 páginas/dia. Dessa maneira conseguirei terminar de ler os quatro livros em aproximadamente 6,25 dias.

Como a vida possui muitas variáveis e nem sempre a matemática aplica-se à contemplação do belo, à introspecção, à reflexão, ao prazer de ler e re-ler, ao cansaço físico e emocional; certamente terminarei de ler os quatro livros dentro de 30 dias, ou mais.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Cia do Livro - Amor pelos livros!

Cappuccino gelado cremoso com creme de chantily, bolo de cenoura com cobertura de chocolate e livros, muitos livros! Eis os ingredientes da livraria que deu-me a possibilidade de sonhar mais alto. Foi na "Cia do Livro" que eu iniciei, a alguns anos, a compra dos meus primeiros livros. Minha modesta, porém significativa, biblioteca pessoal, tem em seus exemplares a história desta cativante livraria.

Ontem fui a minha cidade natal apresentar-me no Cartório Eleitoral afim de tomar posse do cargo que exercerei nas próximas eleições. Saindo de lá fui à livraria, onde a finalidade era rever meus velhos amigos. Se encontrasse algum livro interessante, numa "remota possibilidade", eu compraria um exemplar. Mas como controlar a compulsividade? Após o cappuccino, o chocolate e um bate-papo rapido com Heidegger, resolvi prestigiá-lo e comprar uma de suas publicações.

Conversei com os amigos livreiros, contei as novidades, compartilhamos os planos e sonhos futuros. Após pagar a conta e receber duas ligações de casa, fui-me embora satisfeito. Vivi um dos raros momentos da vida onde a linha do tempo faz um quiásma entre passado e futuro.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Exercício - Deixar o texto fluir... #1


Tenho dez minutos à partir de agora para contar uma experiência que aconteceu comigo! Imagine isso como um exercício de escrita! Quando acabar os dez minutos, não escrevo nem mais uma letra; vou parar onde estiver e só utilizarei o tempo restante para formatar o texto...



A pouco mais de três dias, no Shopping, trombei com um velhinho na fila do caixa de uma loja de malas de viagens e bolsas de mãos! Pedi desculpas, no que ele respondeu:


- Tudo bem meu filho, o mundo está ficando cada vez mais apertado mesmo! Seguiu uma leve risadinha.


Aquela resposta não foi nada convencional, sorri de volta e ele continuou:


- As pessoas estão cada vez mais perdendo seus espaços, isso é uma reação mundial e em cadeia. Imagine daqui a alguns anos como as coisas estarão! Acho que temos chances de sermos outra China! Após isso, mais uma risadinha sutil.


Não conseguia esboçar nenhuma reação a não ser pedir-lhe desculpas e concordar com a cabeça. Estava completamente sem graça. Não sabia o que dizer; se dissesse algo, por onde começaria? Sei lá!


Afastei-me um pouco para dar-lhe espaço (Nada mais coerente), acho que numa ação condicional e inconsciente. Ele sorriu, agradeceu a minha delicadeza, pagou a conta, nos entre-olhamos e ele foi embora!


Fiquei com aquilo na cabeça: "O mundo está ficando cada vez mais apertado" e "As pessoas estão cada vez mais perdendo seus espaços"! Por um segundo, um esbarrão, um encontro casual e um senhor, que podia muito bem ser meu avô, falou algo com tal sutileza, que me deixou estarrecido!


Já havia escolhido o produto que iria comprar, já estava no balcão e após um instante, diante da carteira, saquei o dinheiro e paguei a conta! Fui para casa pensando no encontro com o...



Acabou o tempooooo...rs... Legal! Foi um belo exercício! Li isso num livro! Acho que vou praticar mais vezes...rs... Deixar minha mente assumir o ritmo da história e as mãos soltas diante do teclado...Nada de pensar demais, apenas deixar fluir...rs... Gostei! Gostei muito disso!

sábado, 11 de setembro de 2010

(In)Perfeição Humana + Co-criação (Trecho do livro)!


- Mas professor, eu acredito que somos capazes de mudar o mundo!

- E como você acha que isso é possível?

- Nos conhecendo, mudando a maneira de ver a realidade que nos cerca! Disse confiante, e completei: Quanto mais tendermos à perfeição, melhor será o mundo! Um dia seremos perfeitos e o mundo será um lugar maravilhoso para se viver!

O professor olhou para cima e respirou fundo. Eu já sabia o que aqueles sinais significavam: "Você ainda tem muito o que aprender garoto"! Em seguida ele olhou para mim, voltou a jogar migalhas de pão para as aves e disse tranquilamente:

- Não poderemos nunca nos conhecermos totalitariamente. É um erro acreditar na "perfeição humana" enquanto estivermos inseridos neste mundo. Não fomos criados para atingirmos a perfeição aqui, mas para sermos co-autores da vida, da realidade física e meta-física. Fomos criados para o MÉTODO, para aperfeiçoarmos a criação, em outras palavras, fomos criados para aprimorarmos o mundo, através do amor, do entendimento e conhecimento profundo dos erros e limitações existenciais.

Ouvi as palavras do meu amigo e não sabia o que falar, muito menos como reagir. Ele tinha uma capacidade enorme de dizer, em poucas palavras, coisas que me levavam a uma reflexão profunda. Naquele curto diálogo,identifiquei algumas expressões e palavras-chaves como "Totalitariamente", "perfeição humana", "co-autores da vida", "Método", "aperfeiçoarmos a criação", "Aprimorarmos o mundo" e "erros e limitações existenciais"! Tudo isso começou a circular em minha mente num turbilhão de pensamentos de infinitas conexões com outros temas e situações de vida. Era um autentico brainstorm!

- A busca humilde da verdade e o doar-se por amor ao outro, nos faz sermos cada vez mais humanos e torna o mundo cada vez mais mundo. Continuou o professor. Entretanto, enquanto seres deste mundo, assim como o verde nunca será apenas e simplesmente verde, também nós e o mundo nunca seremos apenas e simplesmente nós mesmos! O conceito de simples e perfeito existe apenas no mundo das idéias!

Recordava daquilo, ele falava novamente de filosofia antiga, mais precisamente do platonismo. Já ouvi várias vezes seu discurso sobre o mundo físico e meta-físico, sobre o mundo em que vivemos e o mundo das idéias. Entretanto, todas as vezes, sempre surpreendia-me ao perceber que para cada tema isso era perfeitamente mesclado e, melhor ainda, fazia sentido. Como pode um ser humano saber tanto de tudo? Perguntei para mim mesmo, em relação aos discursos do meu amigo. A cada dia o admirava mais e achava que ele escondia a idade. Devia ter um três mil anos de vida, conservados num corpo de cinqüenta.

Não percamos nossas vidas...


Todos nós possuímos as ferramentas necessárias à sobrevivência. Todos nós temos o dever de fazer o melhor que pudermos, independente do lugar geográfico, do ambiente sócio-econômico e político-cultural. Nascemos para atingirmos o máximo de felicidade que conseguirmos.

Aperta-me o peito, dá-me um nó na garganta, ao verificar que existem tantas vidas sendo desperdiçadas. São anônimos! Possuem sonhos, mas por comodismo, conformismo ou falta de oportunidades, simplesmente vivem e morrem como se nunca tivessem existido! Isso é uma lastima. Não precisa ser assim.

Quantas vidas perdidas, quantos sonhos não realizados, quantas buscas vãs rumo à "felicidade", quantas angústias, frustrações, medos, decepções e doenças. É um erro desistir antes mesmo de tentar. Fracos?! Lutemos pela sobrevivência, lutemos pela vida, lutemos pela felicidade.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Viagem à Assis - O Cântico das Criaturas (São Francisco de Assis)!


Olá Pessoal,

Hoje acordei e desde então não sai-me da cabeça um momento maravilhoso que vivi. Recordei-me do dia em que fui à Assis, cidade onde nasceu e viveu São Francisco de Assis, Santa Clara, e por onde caminharam São Damião, Santo Antonio, entre outros santos. Relatarei algumas partes marcantes dessa minha viagem à Assis.

Desejo a todos uma boa leitura,

Abração,

Flávio.



Viagem à Assis

Saímos de Incisa In Valdarno, região da Toscana, e fomos, um grupo de amigos e eu, em direção à Úmbria, região da Itália onde encontra-se a cidade de Assis. O tempo estava nublado, por isso, recordo que fui pedindo a Deus, numa oração silenciosa, para que mesmo assim, tudo caminhasse bem e que pudessemos aproveitar ao máximo aquele nosso momento de recolhimento. Ao passarmos pelo Lago Trasimeno ainda viamos muita névoa e o céu continuava cinzento. Contudo, quando chegamos à Perugia, o céu abriu-se e o Sol, outrora tímido, iluminou tudo ao nosso redor, com total esplendor. Pouco tempo depois chegamos a Assis. Recordo que nunca em minha vida havia visto uma cidade tão iluminada.

A primeira parada foi a Igreja de São Damião. Alí, num dos corredores havia uma placa com alguns dizeres próxima a uma janela. Ao aproximar-me li o que estava escrito (Mais ou menos estas palavras): "Desta janela São Francisco escreveu o Cântico das Criaturas"! Lembro-me que nosso guia falou sobre ter escutado de alguns frades que São Francisco olhando a cidade de Assis lá embaixo e tudo o que seus olhos podiam captar, foi escrevendo o Cântico. Haviam muitos turistas, por isso não pudemos permanecer muito tempo naquele local, que era um corredor, passagem entre um andar e outro da Igreja.

Comovi-me ao entrar no salão onde Santa Clara morreu. Tudo muito simples, tudo muito belo. Alí permaneci alguns instantes e ofereci minhas orações a ela, como ato de respeito e gratidão. Andamos mais e mais, aos poucos íamos conhecendo cada espaço que ali existia. Conheci também o refeitório dos frades, que ainda hoje é utilizado em algumas ocasiões especiais. Na parede há um afresco já desbotado e corroído pelo tempo, que mostra a imagem da santa ceia. A mesa é antiga e a madeira desgastada. Sabe-se lá quantos anos ela está ali.

Poder tocar e pisar num lugar onde São Francisco e Santa Clara estiveram para mim foi algo sobrenatural. Desde que cheguei, a sensação era que meu coração iria salta do peito a qualquer momento. Não era uma emoção passageira, era constante, ininterrúpta, trazia-me paz e conforto.


Lanchamos e retornamos pelo caminho cercado de oliveiras. Mais adiante havia uma estátua de bronze, onde São Francisco do alto daquele monte contemplava a sua cidade. Mais que depressa pulei a cerca divisória e sentei-me ao seu lado, não pude evitar. Pedi para um amigo fazer uma fotografia "artística". Até que o resultado ficou bom.

Nossa próxima parada foi a Igreja de Santa Clara. Alí tiramos mais fotos e fomos até o sepulcro onde há suas relíquias, e onde ela foi sepultada. Vi alguns pergaminhos, roupas, capuz, sandálias, uma porção de cabelos, e outras coisas pertencentes à Santa Clara. Era fantástica a sensação de estar tão próximo de séculos de histórias. Era quase como se eu pudesse tocar no tempo. Por um instante olhei para minhas roupas e senti-me deslocado, como se o que eu vestisse não fizesse parte daquele contexto. Era como se eu, por uma fração de segundos, tivesse voltado ao século 13. Fomos em seguida à sala onde havia a cruz de São Damião. A cruz original que segundo a história, São Francisco, então Giovanni di Pietro di Bernardone, ouviu a voz de Cristo, e esta lhe pedia para reconstruir sua igreja. Sim, eu estava ali, diante da cruz original. Pedi a Deus para dar-me forças em minha jornada, consolar meus familiares por causa da distancia, ajudar-me a ter forças na superação dos males e, se assim fosse Sua vontade, ajudar-me a erradicar a miséria do mundo (Fiz outros pedidos, mas desculpem-me, são assuntos muito pessoais e que não posso compartilhar com todos)! Assim rezei.


Saímos dali, e começamos a andar pela cidade. Tomamos um sorvete, tiramos fotos em fontes, próximo a restaurantes, pensões, visitamos galerias e exposições que estavam ocorrendo, caminhamos pela "Via Santo Antonio", e após subir e descer escadas deparei-me com uma bandeira brasileira ao lado de uma italiana. Era a entrada do museu brasileiro. Um pequeno estabelecimento que estava fechado naquele momento. Entretanto, através do vidro, pude ver que haviam coisas de diversas partes do Brasil, contudo os aparatos dos povos indígenas eram mais evidentes. "Que bom sentir-me em casa numa terra tão distante", pensei.

Mais um pouco, a alguns metros do museu brasileiro, avistei pela primeira vez a catedral de São Francisco de Assis. Igreja construída sobre o lugar onde São Francisco e seus primeiros seguidores foram sepultados. Na entrada do sepulcro fomos alertados que não era possível tirar fotos do local. Descemos e alí, à luz baixa vi o local onde São Francisco está velado. Que lugar, que cena indescritível. Os sons tornaram-se inaudíveis e os odores, inodoros. "O que está acontecendo? Por que sinto vontade de chorar? Por que sinto um aperto no peito e um nó na garganta? Por que parece que eu já estive aqui outras vezes?", estas e outras tantas perguntas começaram a rondar meus pensamentos. Senti-me tão acolhido, quanto um bebê o é no colo de sua mãe. O tempo passou tão rápido, meus amigos foram embora e eu fiquei alí parado, imóvel, em contemplação. Não conseguia me mexer.


Após alguns minutos percebi que todos o meus já haviam ido embora e eu permanecia ali parado. Fiz uma última oração e saí cautelosamente. Tocava em tudo. Olhava cada detalhe daquele ambiente tão estranhamente familiar. Saí e ao chegar do lado de fora a luz do sol, mais a luminosidade da cidade, quase me cegaram. Tive que permanecer parado por alguns instantes até que meus olhos pudessem se acostumar novamente com o ambiente externo. "Por que demorou tanto"? Perguntou o primeiro. "Já estávamos preocupados", falou outro. "Passaram-se quase quinze minutos desde que saímos. Já estava indo te buscar", disse ainda outro com uma leve risada. Os olhei e não pronunciei uma só palavra. Para que falar? Todos haviam entendido.

Daquele momento em diante tudo caminhou bem. Inclusive a visita que fizemos ao lugar onde São Francisco ia com seus companheiros para meditar no alto de uma montanha. Chegamos lá de carro e alí haviam pouquíssimos turistas. Nosso guia disse que poucos sabem daquele posto, e atem-se à cidade, às igrejas. Visitamos também o lugar onde São Francisco foi batizado e o lugar onde ele despiu-se e foi realizar a Vontade de Deus.

Ao entrar no carro e retornar para Toscana, parte de meu coração havia ficado alí em Assis. Entendi muitas coisas que rondavam minha cabeça desde a adolescência. Respondi inúmeras perguntas, contudo outras tantas surgiram. No carro, já na estrada de volta, ouvindo uma música instrumental, que não era clássica, pensei: "Talvez eu não tenha deixado parte de mim. Talvez eu tenha reencontrado uma parte minha que estava perdida". Isso me acalentou a alma e voltei para casa com uma leveza sem igual.


Segue adiante o vídeo que encontrei na internet. É o trecho de um filme de São Francisco de Assis, onde há o Cântico das Criaturas. Desejo que gostem.


Ser Médico Veterinário é...

Ser Médico Veterinário é muito mais que gostar de animais, é muito mais que tratá-los e vê-los bem;

Ser Médico Veterinário é olhar nos olhos dos animais e ver tudo aquilo que ele precisa sem necessitar o pronunciamento de uma só palavra;

Ser Médico Veterinário é interpretar movimentos corporais e saber que um abano de caudas vale muito mais que um latido de medo;

Ser Médico Veterinário é deixar levar-se pelo silêncio dos movimentos corporais e entender o que cada gesto representa;

Ser Médico Veterinário é ser “poliglota” no que confere a língua dos bichos;

Ser Médico Veterinário é captar as informações necessárias dos donos dos animais e através disso descobrir tudo o que precisa ser feito para proporcionar-lhes o máximo de conforto e bem estar;

Não precisa-se muito para ser Médico Veterinário, basta ter nascido para amar incondicionalmente, ter sido agraciado com o Dom de entender o silêncio, os olhares e os movimentos corporais dos animais.

A todos os colegas de profissão – FELIZ DIA DO MÉDICO VETERINÁRIO!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A Experiência da Capela (Trecho do Livro)!


Eis que a respiração fica mais forte, o coração dispara, o suor começa a escorrer pela minha face e minhas pernas já não respondem mais ao meu comando. Sento-me em um dos bancos laterais daquela pequenina capela. Fecho os olhos e abaixo a cabeça por alguns instantes. Em seguida elevo meu olhar em direção ao sacrario, tenho a sensação do infinito.

Num piscar de olhos, eis que surge sorrateiramente aquela sensação estranha. Com o passar dos dias ela estava ficando cada vez mais frenquente. Era Ele, tenho certeza. Ele havia chegado sorrateiro com sempre.

Não se passou meio segundo e meus ouvidos captaram o ruido das dobradiças se movimentando e num subito virar da cabeça vi-o entrando. A passos lentos e firmes, veio em minha direção. Aproximou-se e quando parou ao meu lado olhou dentro dos meus olhos. Sempre tive a sensação que ele era capaz de ler meus pensamentos, daquela vez não era diferente.

- Estou perdido. Não sei em que direção seguir. Foram dias dificeis, ando no meio de uma escuridão sem igual. Preciso de um rumo. Disse ao meu velho amigo, antes mesmo de cumprimentá-lo e dizer da saudade que sentia.

Eis que percebendo minha angústia fez a primeira pergunta:

- O que te amedrontas agora?

- Não sei para onde estou indo. Não quero pegar o caminho errado, descobrir tarde demais que errei e que minha vida não valeu a pena. Tenho medo de desperdiçar meus poucos anos de existência em algo que não vale a pena.

Ali, naquele momento, eu abrira minha alma e expunha mais uma vez os meus medos. O principal era o medo de perder minha vida em algo sem fundamento. Tinha medo de desperdiçar minha vida em coisas vãs. “Qual estrada era a mais segura? Qual vai trazer-me segurança e realizará meus sonhos e desejos”? Não parava de pensar nisso um só instante.

Não almejava riqueza material, nem status social e muito menos econômico. Queria mesmo era “acertar” na vida. O que mais desejava naquele momento era ter a convicção que fiz a escolha certa. Mas como descobrir isso, estando num momento de completa escuridão. Havia uma luz, mas ela não iluminava suficientemente o chão que eu pisava. Precisava de mais luz; precisava de mais claridade.

- Confias em mim? Perguntou novamente aquele que me conduzira até ali.

- Confio. Respondi prontamente. Se não confiasse não teria escolhido participar dessa busca tão importante.

- Sabes bem que tenho lhe visto por aí! E você está muito preocupado com o futuro. Parece que até este momento não aprendeu direito o significado do “viver o momento presente”!

Ele sempre tocava nos pontos principais. Realmente eu estava muito agitado e minha mente fervilhava de informações, possibilidades, escolhas a serem feitas. Tudo projetado num futuro que ainda não existia. Queria tanto “resolver meu problema” que acabei abandonando umas das coisas mais importantes que havia aprendido: Não desperdiçar o momento presente!

Imagine viver uma vida sabendo que fracassou em sua busca. Que não conseguiu fazer valer os momentos únicos que lhe foram dados. Saber que a realização de um sonho estava se esfacelando era terrível. Simplesmente não poderia deixar isso acontecer. Se eu não vencesse aquela guerra, não seria capaz de conduzir minha vida dali por diante. Não havia outra saída, eu tinha que vencer.

- Em seu coração ha um conflito tremendo. O que te amedrontas? Mais uma vês ele parecia ler meus pensamentos.

- Tenho medo de tomar a decisão errada. Tenho medo de não fazer a escolha correta e colocar minha vida em risco. Não quero viver uma vida sem sentido.

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