quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Aeroporto de Madrid - Barajas (Trecho do Livro)!

Aproveitando o tempo que ainda tinha, meu amigo resolveu conhecer um pouco mais aquela parte do aeroporto. Convidou-me para “explorarmos” juntos aquele ambiente, mas não quis, pedi desculpas e fiquei ali parado diante da gigantesca parede de vidro. O céu começava a iluminar-se, queria estar ali para ver aquele novo dia surgir. Antes que meu amigo se distanciasse muito, disse que desejava ter um momento de reflexão a sós. Ele concordou e seguiu pelo corredor que parecia não ter fim.

Estava sozinho. “Quem sabe ele também não aproveita para pensar um pouco”, pensei, e completei: “Só não vá perder a hora, temos outro avião para pegar”. Não foi preciso falar, ele é uma pessoa rigorosa com os horários, muito diferente de mim, que pela despreocupação, ou desatenção, quase sempre chego atrasado nos compromissos marcados.

Não queria pensar em nada, desejava apenas viver plenamente aquele momento. Tinha certeza que era algo único e irrepetível. Não sabia os planos de Deus, não sabia o que me aguardava ao chegar a Roma, sabia apenas que havia feito uma escolha pessoal. Teria que seguir firme até o fim.

Ali sentado, olhava o horizonte através da imensa parede de vidro. O dia começou a surgir no horizonte. Olhei para o relógio e ele marcava exatamente 01:10h. Ainda não havia mudado para o novo horário. Resolvi deixar como estava e isso criou uma atmosfera transcendental. Era como se eu estivesse num universo atemporal. Por alguns instantes fiquei com aquela sensação presente em meus pensamentos.

Vendo o horário antigo, foi submerso em pensamentos dos mais variados. Sem perceber começou mais uma de minhas “viagens” intelectuais. Recordei-me da família, dos amigos, da casa dos meus pais, das experiências vividas, enfim, de tudo e todos que haviam ficado a milhares de quilômetros de distancia, do outro lado do Atlântico. Naquele instante, tomado de uma completa nostalgia lembrei-me de uma frase do evangelho que diz: “Quem não deixa pai, mãe, esposa, filhos, campos, pátria,...não é digno de me seguir”. Era uma frase a muito proferida por Jesus a todos aqueles que desejassem, verdadeiramente, tornar-se seu discípulo. Após tantos séculos aquelas palavras ressoavam fundo em seu coração e embriagava meus pensamentos. Havia feito uma escolha, tomei minha cruz pelas mãos e vim em direção àquilo que acreditava. Agora que estava ali, não podia ceder, tinha que descobrir o que fui procurar. Não desistiria enquanto não encontrasse as respostas.

Sempre fui um ser humano decido. Seria capaz de dar a própria vida se isso trouxesse o entendimento que procurava. Em tudo entregava-me completamente. Não podia ser diferente naquele instante. O que desejava descobrir era grandioso demais e isso requeria minha total entrega. Tinha plena convicção que daquele momento em diante, minha vida iria mudar mais uma vez (e realmente mudou), só não sabia o quanto. Aquela viagem era para buscar certezas e não atrair mais dúvidas.

Estava ali sentado diante do horizonte com minha pequena bagagem de mão à tira-colo e muita coisa na cabeça. Olhei para o alto e mais uma vez vi o teto daquela majestosa construção. Ondulante e com uma luminosidade extraordinária. “Como era possível um ser humano, ou um grupo dos nossos, projetar e construir algo tão suntuoso? Graças a Deus não estou sozinho”, pensei no amigo que acompanhava-me naquela singular viagem, o que trouxe-me certo conforto.

O Sol, o rei de todos os astros, surgia no horizonte, sua luz e seu calor tocaram minha pele. Foi uma sensação maravilhosa. “É Deus dando-me boas-vindas nestas terras ainda estranhas”, pensei, e conclui: “Estou no caminho certo, preciso ir até o fim dessa minha Santa Viagem”.

Não queria outra coisa, desejava apenas permanecer ali parado, contemplando aquele grande espetáculo da natureza. Senti-me pequenino diante de toda aquela imensidão. Era, sem duvida alguma, uma das coisas mais maravilhosas que já havia visto. Era natural, simples e vívido. Perdido em pensamentos, tive vontade de chorar pela segunda vez, entretanto, novamente, contive-se.

No entanto, não pude evitar e uma única lágrima escapou de meus olhos. Não era uma lágrima qualquer, não era tristeza, era sim um transbordar de felicidade. Sentia uma sensação de preenchimento, meu coração acelerou, meus sentidos aguçaram-se e o mundo parou. Senti a presença do “infinito” envolver-me.

Éramos nós, o Sol e eu.

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