terça-feira, 28 de setembro de 2010

Ainda sou poeta!

Escutando música clássica e andado pelo corredor de casa, vejo os livros na estante em meio a caixas, fotos e à luz baixa. Repentinamente transporto-me a um mundo que vivo, porém os tempos são outros. Vejo-me sentado num teatro, sentado num lugar de destaque, trajando roupas confortáveis e feitas sob medida pelo alfaiate de confiança de minha família.

Ao meu lado direito vejo minha esposa trajando um suntuoso vestido cor de marfim, cujos detalhes combinam com o colar que lhe dei de presente naquela manhã, enquanto tomávamos o café da manha em nosso jardim, junto à macieira. Ao lado esquerdo, vejo-os, nossos filhos. Lindos! Tal qual a mãe! Ele com uma miniatura do meu traje e ela com a miniatura do vestido, contudo com mais rendas e de cor verde-água, sua cor favorita.

Minha esposa e eu possuímos uma posição de destaque na vida acadêmica. Isso faz deste momento uma preciosidade sem igual. Cada qual em sua área de conhecimento, brincamos constantemente, tentando encontrar os ramos que nos são comuns e afins. Assim vivemos bem e somos felizes.

Presenciar uma orquestra ao vivo, com toda sua vitalidade e amor é para nós fonte de inspiração, emoção e alegria. Isso reabastece nossas energias. Sempre saímos extasiados, quase pisando em núvens. Os pequenos ainda não entendem que o significado de tudo isso, para eles, não passa de uma bela forma de levá-los à presença de Deus e introduzí-los ao mundo das possibilidades infinitas. Arte e cultura como base de uma formação extra-curricular tão importante quanto o que aprendiam no ambiente formal. Se os prazeres passageiros do mundo não lhes cativassem e corropessem as almas, teriam chance de serem pessoas de bem e quem sabe cotributos à humanidade.

Enquanto isso, eu ali diante daquela magnífica orquestra, ao lado dos meus amores, sob a luz baixa do teatro, vejo-me sendo transportado para o futuro. Escrevo algo num bloco de notas, sinto algo estranho e, em seguida, percebo que após séculos ainda sou poeta.

4 comentários:

Anônimo disse...

Uma vez mais me pego passeando pelo seu blog e neste momento tão único,tão meu...que nutre meu espírito de sensações deliciosas.....não pude deixar de ler esta crônica-conto,ou um misto dos dois no qual você ao final de tudo, depois de me levar para viajar em suas palavras e visualizar as cenas propostas,você se declara poeta,achei ,sinceramente ,lindo....fez me lembrar de uma pessoa que tanto amei e que dizia que um poeta nunca morre e nunca perde a sua poesia.....quando releio o que ela escreveu ,sinto muita saudade..... e hoje você me fez voltar há um tempo no qual ela ainda vivia.... eu pequenina.... e eu vivia dizendo que sabia escrever e ler,declamava varios poemas em françês e ela maravilhada com minha esperteza e com a mentira(não sabia ler e nem escrever)dava-me forças e alicerces pra contruir meu mundo encantado ...abria o livro de poemas dela e declamava coisas que aprendia,coisas que guardava....e um certo momento disse que leria Biblia e comecei...com ela aberta sobre a mesa... de cabeça para baixo e na cegueira de meus 3 anos ainda não sabia fazer a tal distinção...comecei...."um ìndio entrou na caverna e dormiu,um urubu voou.... e Jesus desceu do céu de cegonha para ver se o ìndio estava bem e se urubu tinha ido pra casa direitinho...e depois voltou para o cèu dizendo que estava tudo bem na terra....nunca me desmentiu....sempre deu asas pra minha imaginação,e sempre fez quetão de navegar nos céus e voar nos mares da minha imaginação ...era a minha companheira constante!!!" e hoje ao ler o que vc escreveu.....consegui me encontrar com ela ...novamente....obrigada por me dar essa chance ....uma vez mais!!!!!
Achei lindo,místico,encantador e....esperançoso por demais!!!!!é como se suas palavras tivessem um poder mágico de levar seus leitores justamente naquele lugar que precisamos visitar para resgatar algo!!!!Parabeńs!!!!!!!!!!!!!!!!!Um grande beijo Clarissa

Flávio Nunes. disse...

Olá Clarissa,
O que dizer diante de tamanha manifestação de carinho? Não encontro palavras para descrever minha alegria em tê-la, apesar do pouco tempo, como uma grande amiga!
Seu texto trouxe à tona um sentimento bom que tenho em meu coração. Algo que aflora todas as vezes que vejo-me diante do que há de belo no ser humano! Hoje, com esta mensagem, você fez as portas do meu coração se abrirem e daqui saiu um sem número de emoções!
Mais uma vez, e não cansarei de dizer, meu MUITO OBRIGADO!
Tenha um excelente e maravilhoso dia!
Abração do amigo,
Flávio Nunes.

Mary Kenchian disse...

Que texto lindo Flavio , como sempre voce toca com suas palavras, seu texto é maravilhoso,
E o comentário da Clarissa emocionante.
Nossa que gostoso começar o dia e fazer essa viagem com voces.
Obrigada.
Desejo a voce um ótimo dia.
Abraços.
Mary

Flávio Nunes. disse...

Olá Mary,
Primeiramente OBRIGADO mais uma vez por seu comentário e pelo seu carinho!
Fico muito feliz quando recebo recados como o da Clarissa e o seu, é sinal que estou progredindo..rs..
Quanto ao de ser "gostoso começar o dia" fazendo "essa viagem" conosco..rs.. Veio em mente a figura da personagem "Raposa" no livro "O Pequeno Príncipe", que diz: "Você torna-se eternamente responsável por tudo aquilo que cativas"!
Tenha um maravilhoso dia!
Abração,
Flávio Nunes.

Postar um comentário

Postagens populares

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...