quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A Experiência da Capela (Trecho do Livro)!


Eis que a respiração fica mais forte, o coração dispara, o suor começa a escorrer pela minha face e minhas pernas já não respondem mais ao meu comando. Sento-me em um dos bancos laterais daquela pequenina capela. Fecho os olhos e abaixo a cabeça por alguns instantes. Em seguida elevo meu olhar em direção ao sacrario, tenho a sensação do infinito.

Num piscar de olhos, eis que surge sorrateiramente aquela sensação estranha. Com o passar dos dias ela estava ficando cada vez mais frenquente. Era Ele, tenho certeza. Ele havia chegado sorrateiro com sempre.

Não se passou meio segundo e meus ouvidos captaram o ruido das dobradiças se movimentando e num subito virar da cabeça vi-o entrando. A passos lentos e firmes, veio em minha direção. Aproximou-se e quando parou ao meu lado olhou dentro dos meus olhos. Sempre tive a sensação que ele era capaz de ler meus pensamentos, daquela vez não era diferente.

- Estou perdido. Não sei em que direção seguir. Foram dias dificeis, ando no meio de uma escuridão sem igual. Preciso de um rumo. Disse ao meu velho amigo, antes mesmo de cumprimentá-lo e dizer da saudade que sentia.

Eis que percebendo minha angústia fez a primeira pergunta:

- O que te amedrontas agora?

- Não sei para onde estou indo. Não quero pegar o caminho errado, descobrir tarde demais que errei e que minha vida não valeu a pena. Tenho medo de desperdiçar meus poucos anos de existência em algo que não vale a pena.

Ali, naquele momento, eu abrira minha alma e expunha mais uma vez os meus medos. O principal era o medo de perder minha vida em algo sem fundamento. Tinha medo de desperdiçar minha vida em coisas vãs. “Qual estrada era a mais segura? Qual vai trazer-me segurança e realizará meus sonhos e desejos”? Não parava de pensar nisso um só instante.

Não almejava riqueza material, nem status social e muito menos econômico. Queria mesmo era “acertar” na vida. O que mais desejava naquele momento era ter a convicção que fiz a escolha certa. Mas como descobrir isso, estando num momento de completa escuridão. Havia uma luz, mas ela não iluminava suficientemente o chão que eu pisava. Precisava de mais luz; precisava de mais claridade.

- Confias em mim? Perguntou novamente aquele que me conduzira até ali.

- Confio. Respondi prontamente. Se não confiasse não teria escolhido participar dessa busca tão importante.

- Sabes bem que tenho lhe visto por aí! E você está muito preocupado com o futuro. Parece que até este momento não aprendeu direito o significado do “viver o momento presente”!

Ele sempre tocava nos pontos principais. Realmente eu estava muito agitado e minha mente fervilhava de informações, possibilidades, escolhas a serem feitas. Tudo projetado num futuro que ainda não existia. Queria tanto “resolver meu problema” que acabei abandonando umas das coisas mais importantes que havia aprendido: Não desperdiçar o momento presente!

Imagine viver uma vida sabendo que fracassou em sua busca. Que não conseguiu fazer valer os momentos únicos que lhe foram dados. Saber que a realização de um sonho estava se esfacelando era terrível. Simplesmente não poderia deixar isso acontecer. Se eu não vencesse aquela guerra, não seria capaz de conduzir minha vida dali por diante. Não havia outra saída, eu tinha que vencer.

- Em seu coração ha um conflito tremendo. O que te amedrontas? Mais uma vês ele parecia ler meus pensamentos.

- Tenho medo de tomar a decisão errada. Tenho medo de não fazer a escolha correta e colocar minha vida em risco. Não quero viver uma vida sem sentido.

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