quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Viagem à Assis - O Cântico das Criaturas (São Francisco de Assis)!


Olá Pessoal,

Hoje acordei e desde então não sai-me da cabeça um momento maravilhoso que vivi. Recordei-me do dia em que fui à Assis, cidade onde nasceu e viveu São Francisco de Assis, Santa Clara, e por onde caminharam São Damião, Santo Antonio, entre outros santos. Relatarei algumas partes marcantes dessa minha viagem à Assis.

Desejo a todos uma boa leitura,

Abração,

Flávio.



Viagem à Assis

Saímos de Incisa In Valdarno, região da Toscana, e fomos, um grupo de amigos e eu, em direção à Úmbria, região da Itália onde encontra-se a cidade de Assis. O tempo estava nublado, por isso, recordo que fui pedindo a Deus, numa oração silenciosa, para que mesmo assim, tudo caminhasse bem e que pudessemos aproveitar ao máximo aquele nosso momento de recolhimento. Ao passarmos pelo Lago Trasimeno ainda viamos muita névoa e o céu continuava cinzento. Contudo, quando chegamos à Perugia, o céu abriu-se e o Sol, outrora tímido, iluminou tudo ao nosso redor, com total esplendor. Pouco tempo depois chegamos a Assis. Recordo que nunca em minha vida havia visto uma cidade tão iluminada.

A primeira parada foi a Igreja de São Damião. Alí, num dos corredores havia uma placa com alguns dizeres próxima a uma janela. Ao aproximar-me li o que estava escrito (Mais ou menos estas palavras): "Desta janela São Francisco escreveu o Cântico das Criaturas"! Lembro-me que nosso guia falou sobre ter escutado de alguns frades que São Francisco olhando a cidade de Assis lá embaixo e tudo o que seus olhos podiam captar, foi escrevendo o Cântico. Haviam muitos turistas, por isso não pudemos permanecer muito tempo naquele local, que era um corredor, passagem entre um andar e outro da Igreja.

Comovi-me ao entrar no salão onde Santa Clara morreu. Tudo muito simples, tudo muito belo. Alí permaneci alguns instantes e ofereci minhas orações a ela, como ato de respeito e gratidão. Andamos mais e mais, aos poucos íamos conhecendo cada espaço que ali existia. Conheci também o refeitório dos frades, que ainda hoje é utilizado em algumas ocasiões especiais. Na parede há um afresco já desbotado e corroído pelo tempo, que mostra a imagem da santa ceia. A mesa é antiga e a madeira desgastada. Sabe-se lá quantos anos ela está ali.

Poder tocar e pisar num lugar onde São Francisco e Santa Clara estiveram para mim foi algo sobrenatural. Desde que cheguei, a sensação era que meu coração iria salta do peito a qualquer momento. Não era uma emoção passageira, era constante, ininterrúpta, trazia-me paz e conforto.


Lanchamos e retornamos pelo caminho cercado de oliveiras. Mais adiante havia uma estátua de bronze, onde São Francisco do alto daquele monte contemplava a sua cidade. Mais que depressa pulei a cerca divisória e sentei-me ao seu lado, não pude evitar. Pedi para um amigo fazer uma fotografia "artística". Até que o resultado ficou bom.

Nossa próxima parada foi a Igreja de Santa Clara. Alí tiramos mais fotos e fomos até o sepulcro onde há suas relíquias, e onde ela foi sepultada. Vi alguns pergaminhos, roupas, capuz, sandálias, uma porção de cabelos, e outras coisas pertencentes à Santa Clara. Era fantástica a sensação de estar tão próximo de séculos de histórias. Era quase como se eu pudesse tocar no tempo. Por um instante olhei para minhas roupas e senti-me deslocado, como se o que eu vestisse não fizesse parte daquele contexto. Era como se eu, por uma fração de segundos, tivesse voltado ao século 13. Fomos em seguida à sala onde havia a cruz de São Damião. A cruz original que segundo a história, São Francisco, então Giovanni di Pietro di Bernardone, ouviu a voz de Cristo, e esta lhe pedia para reconstruir sua igreja. Sim, eu estava ali, diante da cruz original. Pedi a Deus para dar-me forças em minha jornada, consolar meus familiares por causa da distancia, ajudar-me a ter forças na superação dos males e, se assim fosse Sua vontade, ajudar-me a erradicar a miséria do mundo (Fiz outros pedidos, mas desculpem-me, são assuntos muito pessoais e que não posso compartilhar com todos)! Assim rezei.


Saímos dali, e começamos a andar pela cidade. Tomamos um sorvete, tiramos fotos em fontes, próximo a restaurantes, pensões, visitamos galerias e exposições que estavam ocorrendo, caminhamos pela "Via Santo Antonio", e após subir e descer escadas deparei-me com uma bandeira brasileira ao lado de uma italiana. Era a entrada do museu brasileiro. Um pequeno estabelecimento que estava fechado naquele momento. Entretanto, através do vidro, pude ver que haviam coisas de diversas partes do Brasil, contudo os aparatos dos povos indígenas eram mais evidentes. "Que bom sentir-me em casa numa terra tão distante", pensei.

Mais um pouco, a alguns metros do museu brasileiro, avistei pela primeira vez a catedral de São Francisco de Assis. Igreja construída sobre o lugar onde São Francisco e seus primeiros seguidores foram sepultados. Na entrada do sepulcro fomos alertados que não era possível tirar fotos do local. Descemos e alí, à luz baixa vi o local onde São Francisco está velado. Que lugar, que cena indescritível. Os sons tornaram-se inaudíveis e os odores, inodoros. "O que está acontecendo? Por que sinto vontade de chorar? Por que sinto um aperto no peito e um nó na garganta? Por que parece que eu já estive aqui outras vezes?", estas e outras tantas perguntas começaram a rondar meus pensamentos. Senti-me tão acolhido, quanto um bebê o é no colo de sua mãe. O tempo passou tão rápido, meus amigos foram embora e eu fiquei alí parado, imóvel, em contemplação. Não conseguia me mexer.


Após alguns minutos percebi que todos o meus já haviam ido embora e eu permanecia ali parado. Fiz uma última oração e saí cautelosamente. Tocava em tudo. Olhava cada detalhe daquele ambiente tão estranhamente familiar. Saí e ao chegar do lado de fora a luz do sol, mais a luminosidade da cidade, quase me cegaram. Tive que permanecer parado por alguns instantes até que meus olhos pudessem se acostumar novamente com o ambiente externo. "Por que demorou tanto"? Perguntou o primeiro. "Já estávamos preocupados", falou outro. "Passaram-se quase quinze minutos desde que saímos. Já estava indo te buscar", disse ainda outro com uma leve risada. Os olhei e não pronunciei uma só palavra. Para que falar? Todos haviam entendido.

Daquele momento em diante tudo caminhou bem. Inclusive a visita que fizemos ao lugar onde São Francisco ia com seus companheiros para meditar no alto de uma montanha. Chegamos lá de carro e alí haviam pouquíssimos turistas. Nosso guia disse que poucos sabem daquele posto, e atem-se à cidade, às igrejas. Visitamos também o lugar onde São Francisco foi batizado e o lugar onde ele despiu-se e foi realizar a Vontade de Deus.

Ao entrar no carro e retornar para Toscana, parte de meu coração havia ficado alí em Assis. Entendi muitas coisas que rondavam minha cabeça desde a adolescência. Respondi inúmeras perguntas, contudo outras tantas surgiram. No carro, já na estrada de volta, ouvindo uma música instrumental, que não era clássica, pensei: "Talvez eu não tenha deixado parte de mim. Talvez eu tenha reencontrado uma parte minha que estava perdida". Isso me acalentou a alma e voltei para casa com uma leveza sem igual.


Segue adiante o vídeo que encontrei na internet. É o trecho de um filme de São Francisco de Assis, onde há o Cântico das Criaturas. Desejo que gostem.


6 comentários:

Thatica. disse...

"O que está acontecendo? Por que sinto vontade de chorar? Por que sinto um aperto no peito e um nó na garganta? Por que parece que eu já estive aqui outras vezes?"

O que acontece.. é que vc sentiu fortemente a presença de Deus em sua vida. Em todos os momentos Ele está ao nosso lado, mas não percebemos. Só que nesse momento vc abriu o coração e conseguiu sentir essa presença que é inexplicável, que nem a ciencia nem a filosofia, conseguem explicar.

Bjs,
Bom fim de semana
Fica com Deus.

Grafite disse...

viajar é mesmo tudo!
gostei do post =)

beiijo,
*.*

Daniela Filipini disse...

Viagens assim deixam lembranças maravilhosas e uma vontade descontrolada de revivê-las.

Flávio Nunes. disse...

Olá Thatica,
Adorei a sua resposta. Realmente aquele momento foi inexplicável. Senti, como bem disse, a presença de Deus ali comigo. Comungo com você da idéia de Tê-lo presente a todo instante, parece-me que ao virar uma esquina ei de encontrá-lo..rs..
Obrigado pela bela mensagem. Te desejo um excelente fim de semana.
Fique com Deus também,
Abração.


Olá Grafite,
Adoro viajar! Se pudesse eu passaria a metade da minha vida viajando e a outra metade escrevendo tudo o que vivenciei e "descobri"..rs..
Obrigado pelo carinho,
Abração.


Olá Daniela,
Tenho lembranças maravilhosas desta viagem a Assis. Foi apenas um dia, mas foi tão intenso que levarei comigo estas lembranças por toda a vida! Quanto a revivê-la...hummm..rs..é uma ótima idéia..rs.. Quem sabe um dia?!
Obrigado pela atenção,
Abração.

Anônimo disse...

Gostei do texto,inclusive já visitei os mesmos lugares....quer saber de um lugar em que a atmosfera parece um pouco???Visite a igreja de Sant'anna perto do campo de santana,no centro do rio de janeiro,lá dentro da igreja tem uma pequena capela com o pequeno corpo de Santa Prisciliana e vc pode admirá-la pois seu caixão é de vidro,também lá tem a história dela...senti-me como se estivesse em um lugar santo...uma vez mais parabéns pelo seu texto,pois consegue passar todos as sensações....também me senti assim quando fui visitar meu primo no Vaticano(ele é padre)...um abraço Miguel(Miga)

Flávio Nunes. disse...

Olá Miga,
Obrigado pela dica! Visitarei, assim que tiver uma folga, a igreja de Sant'anna! Quanto à Assis, você teve a mesma sensação que eu, de olhar para o céu e para as construções e ver tudo com um brilho, com uma luminosidade, quase ofuscante? Foi esta a sensação que tive quando por ali passei.
Só passei pelo Vaticano, infelizmente não tive a oportunidade de conhecê-lo mais atenciosamente! Mas, certamente, um retornarei e poderei viver outras histórias..rs..
Abração meu amigo!
Flávio Nunes.

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