quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Carlos Drummond de Andrade - Vida e Obra!




Queridos amigos,

Hoje que fui agraciado com mais uma manifestação de Deus, compartilho algo, que para mim, é sensacional: Amor em palavras!

Não escrevo poemas rimados, não sei os tempos, os espaços, as nuances... sou um "poeta" prosador! Não consigo dividir-me em versos, mas em prosa, em romances, diálogos,... Transcrevendo, na medida do possível, o que há de mais natural no mundo: O Viver!

O viver não é nem de perto simples, é sim magnífico, esplendoroso. O que seria de mim sem a vida? Você vive? Vive realmente? Ou finge que vive e todos acreditam?..rs.. Estou vivendo, não sei se da melhor maneira, mas estou vivendo da maneira que meu coração sente-se mais acalentado, do jeito que minha face sente-se mais rosada, do jeito que meus olhos sentem-se mais úmidos, do jeito que meu coração sente-se mais acelerado e minha mente mais aberta!

Ouvi Drummond esta manhã e gostaria de compartilhar com vocês esta "descoberta"! Estou extasiado de felicidade, pois, mais uma vez, senti Deus tocar a minha face, me pegar no colo e me conduzir. Mesmo que tudo daqui para frente dê errado, pois de agora em diante, depende de mim a condução dos acontecimentos, sei que Ele estará presente, tal qual me prometeu na Capela a dois anos atrás, e sei também que Ele me deixará livre, tal qual sempre fizeste.

O motivo da minha alegria: Perdi o emprego ontem e em menos de 24h recebi uma nova proposta, ganhando do dobro do salário! Acabei de receber a ligação para a entrevista!

Conto com as orações de todos(as)! Juntos podemos mais! Lembrem-se sempre: O amor é o único que quanto mais se divide, mais se multiplica!..rs..

Deixo-os com meu amigo Drummond! Sei que estarão em boa companhia!..rs..

Abração,

Flávio Nunes:








Minha Maior Riqueza - (Conto)!


Minha Maior Riqueza

Minha herança eram dois baús cheios de papéis e cadernos velhos. Eu não podia acreditar que aquilo estava acontecendo. Ele sempre dissera que entre todos os netos, o mais capaz era eu e, no entanto, me deixou como herança dois baús repletos, até a boca, com cadernos, folhas, diários e desenhos, com as mais variadas datas. “Quinquilharias velhas”, pensei, já com uma dose de rancor brotando no coração.

Certamente havia ali anotações que datavam da sua juventude. “Mas de que tudo isso me serviria”? “O que vou fazer com todo este papel velho”? “O que ocorreu com a promessa que fizeste: ‘Para você deixarei o meu maior tesouro’”! Pensei. Enquanto recordava suas palavras, a frustração aumentava. Ainda hoje me lembro dos seus olhos brilharem, todas as vezes que falava: “Sonhador, você é uma criança muito especial e como tal se tornará um adulto muito especial também. Você chegará ao topo e eu te ajudarei”! A todos, ele chamava pelo nome, mas a mim dirigia-se sempre como “Sonhador”!

Na época eu sentia uma emoção profunda ao ouvi-lo proferir tais palavras e escutá-lo chamando-me daquela forma me instigava a sonhar cada vez mais alto. Meu coração palpitava e não era difícil sentir a face aquecer-se e as mãos suarem. O desejo de “logo ficar grande” e descobrir meu “tesouro”, me fascinava e me fazia fantasiar varias situações. Aguardei este momento por tantos anos, para agora receber “velharias”! Agora que tenho o meu “tesouro”, não sinto a mesma emoção de antes e, para falar a verdade, tento controlar a ira que vem brotando não sei de onde.

“Para um deixou o carro de luxo, para outro uma das mansões, para outra a casa na França e para os dois irmão, parte das ações da empresa que construíra ao longo da vida. Já para o ‘sonhador’ aqui, deixou um monte de papel velho”! Devo parar de rever mentalmente os presentes dados aos outros. O problema é que quanto mais penso nisso, pior eu fico. Preciso repensar o assunto, “repassar isso mentalmente só está me fazendo mal e aumentando ainda mais a minha ira. A essa altura, toda a família deve estar rindo pelas minhas costas. Como pude ser tão tolo? Não, não fui tolo. O velho não ia me enganar, tenho certeza dos seus sentimentos por mim. Não posso negar, ele gostava de mim”! Acalentei a minha alma, respirei fundo, re-li o bilhete que ele pediu para me entregar e que haviam colocado junto aos baús:

“Querido Sonhador,

De toda a minha riqueza, escolhi meus bens mais preciosos e lhe dei de presente. Eu coloquei todos os outros no cume da montanha, entretanto, com você, fiz diferente, deixei-lhe um mapa. Faça bom uso dele.

Lembre-se sempre: Mais difícil que chegar ao topo, é permanecer nele.

Um abraço forte do seu velho avô,

F.S.N.

PS: Leia cada linha com máxima atenção”!

Já havia revirado os dois baús e não encontrei nenhum mapa. Isso poderia ser uma brincadeira dele. Sei que gostava deste tipo de coisa; brincar de “tesouro perdido”! Um furto era praticamente impossível, pois a chave me foi entregue pessoalmente por seu advogado e os baús, além do mais, estavam lacrados! Após alguns instantes, eu já estava mais calmo e todo aquele turbilhão de pensamentos já havia quase se extinguido.

Aproximei-me de um dos baús, olhei do alto, numa visão geral, tudo o que nele havia, abaixei e peguei um dos cadernos. Era, na realidade, um bloco de notas. A capa era de couro, da cor preta. As folhas em seu interior possuíam cada uma, dois furos, por onde passava um fio, também de couro, cuja finalidade era manter as folhas unidas e atrelar estas à capa.

Sem pensar muito abri o bloco, escolhendo uma folha aleatoriamente. Após isso, ainda de pé, em frente ao baú, pus-me a ler:

“...é o que mais gosto nesta vida. A fotografia é um tipo novíssimo de arte. Há os que dizem que nada substituirá os quadros, e que esta é a única forma de registrar uma imagem com perfeita poesia. Dizem que a poesia está em tudo e tomam por base, além da escrita e da música, as artes plásticas. Concluem dizendo que a ‘engenhoca’, a ‘caixa mágica’, corrompeu a pintura e seu papel não passará de mera subversão à verdadeira arte’.

Nota Pessoal: Penso o contrário e acho que essa ‘engenhoca’ terá um papel de destaque, como forma de arte, num futuro não muito distante”.

O que eu acabara de ler foi o relato autêntico de um dos homens que mais influenciou o mundo gráfico de nossa época. Ele, no texto, acabara de ter um insight sobre a máquina fotográfica. Ele de uma forma ou de outra, direta ou indiretamente previu, e quem sabe, ajudou a construir as bases do que hoje conhecemos como fotografia digital.

“Que mais deveriam conter aquelas páginas”? Meus pensamentos mudaram e uma centelha de curiosidade reluzia dentro de mim. Folheei algumas páginas e do meio de uma folha e outra, quase no fim do bloco, desprendeu-se algo e este foi direto ao chão. Minha percepção e reflexo não foram suficientemente rápidos para pegar o objeto antes que este caísse em meio à poeira do sótão.

Já no chão, percebi que o tal objeto tratava-se de uma fotografia. Peguei-a com cautela, tirei a poeira que nela havia aderido e aproximei-a até que pudesse vê-la com clareza. Tratava-se de uma fotografia antiga, datada de 1925. Era em preto e branco. No primeiro plano havia a imagem de um portão, certamente de metal, com detalhes magníficos. Estava semi-aberto. Através da parte aberta via-se três pessoas, sendo uma delas, uma criança e também um cão, que pela proporção era de médio porte. Ao fundo via-se a Torre Eiffel, imponente e soberana. Ao redor estava a Paris daqueles tempos. “Que fotografia esplendida”, pensei.

Manuseei a foto com cuidado e ao virá-la percebi que havia uma frase: “Sophia, Flávio, Carolina, Primavera e Paris; uma mistura encantadora”!

- Quem é esta Carolina? Falei em voz alta, sem perceber que havia sonorizado meu pensamento. Uma explosão de curiosidade tomou conta de mim. “Quem é esta Carolina? O vovô nunca havia falado sobre ela. Se me lembro bem, o vovô havia se casado em 1921 com vovó Sophia, mesmo ano em que Coco Chanel lançou seu mundialmente famoso perfume nº 5. Papai nasceu um ano depois,...”! Comecei a recordar as histórias do meu velho avô. Esta em particular era famosa, pois o tal perfume foi presente de casamento que ele dera à vovó. Ele contava que foi um dos primeiros a comprar o perfume, à um preço bem acessível, e que antes do frasco acabar a Senhora Chanel, com então 38 anos, estava riquíssima. Cerca de um mililitro do perfume valia cinco vezes o valor pago por todo o frasco. “Eu adorava escutar as histórias do meu velho”, recordei-me de uma de suas clássicas gargalhadas e meus olhos ficaram rasos d’água.

Voltei para o bloco de anotações e vi que ele estava aberto bem na página de onde havia caído a fotografia. Sem perder um só segundo, pus-me a ler:

“Paris, 26/Out/1925,

Aproveitando que hoje fui dispensado do trabalho, peguei o pequeno Flávio no colo, empunhei minha câmara fotográfica e convidei Sophia para sair. Fomos ao Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris. Lá chegando, encontramos nossa amiga Carolina. Ela conhece Paris muito bem e além de ser uma excelente pessoa é uma adorável companhia.

Nos conhecemos de maneira inusitada, na Cafétéria Du Musée Rodin, local onde trabalho e que fica localizada na Rue de Varenne, nº 75007. Na ocasião, eu lhe servia o café-crème, especialidade da casa e seu favorito. Isso ocorreu a pouco mais de dois meses. Na primeira oportunidade apresentei-a a Sophia, para que nenhuma desavença ocorresse. Fico feliz, pois se deram muito bem. Encantei-me imediatamente com sua simpatia, o que a deixa ainda mais bela. Ela é uma poetisa extraordinária. Veio a Paris sozinha e com dois objetivos bem estruturados: Estudar e compor sua obra poética. Nossa amizade está crescendo em terreno fértil e sinto, apesar do pouco tempo, que será algo duradouro.

Hoje ela nos surpreendeu com um novo companheiro de caminhadas. Seu fiel amigo Shakespeare, o cão da raça Braque, que por sinal é muito dócil e carinhoso! Sua coloração branca com manchas castanhas lhe confere uma beleza toda especial. Ela adora a natureza e os animais. Colocou este nome no cão em homenagem à livraria que costuma freqüentar, a “Shakespeare and Company”. Foi o lugar onde conheceu um jovem jornalista chamado Ernest. Ela disse que ele escreve contos divinamente e tem certeza que seu talento um dia será reconhecido. Costuma se referir a ele como o ‘Encantador de Palavras’ ou como o ‘Encantador de Pessoas’.

A luminosidade hoje estava singular. Deixei-as conversando e andando pelos jardins, enquanto eu procurava alguns pontos estratégicos e específicos para fotografar. Acredito que a fotografia é um arte mágica ao alcance de nossas mãos. É a maneira que o homem encontrou de parar o tempo e eternizar um momento específico da história. Não menosprezo a pintura, ao contrário, a admiro muitíssimo, contudo, creio desde o mais profundo do meu coração, que esta arte que inicio, ganhará notoriedade no futuro.

Hoje fiz uma bela foto da entrada do Musée d'Art Moderne de la Ville de Paris com vista para a Torre de metal construída pelo Senhor Eiffel. Minha família, Carolina e o cão Shakespeare serviram de modelos. Apesar de não vê-los detalhadamente, até que a composição ficou muito boa. Por isso coloquei o nome da foto de ‘Sophia, Flávio, Carolina, Primavera e Paris; uma mistura encantadora’!

Terminamos o dia aqui em casa em meio a queijos e vinhos”.

Ao concluir a leitura percebi que “o mapa” não era uma cartografia, mas todo o material ali contido naqueles dois baús. Ele havia me deixado tudo o que escrevera ao longo da vida e como foi que se deu sua formação pessoal e profissional. “Tenho em mãos o relato da construção de um império e como faço para ser eu também o imperador da minha vida”, pensei e imediatamente um sorriso surgiu em minha face, meu coração acelerou e eu tive a certeza que o velho estava certo desde o começo.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Inveja!


- Sempre sofri por causa da inveja de outras pessoas! Disse o velho professor com semblante triste.

- Mas porque as pessoas teriam inveja de você? Perguntou o jovem, que ainda não entendia bem as sutilezas do bem e do mal.

- Em todos os lugares onde ja trabalhei, em todos o lugares por onde andei, sempre, sem excessão, havia ao menos um, ou uma, que considerava a minha presença um risco, que considerava o meu engajamento, prontidão e profissionalismo algo "nocivo" ao posto que ocupava, e por isso "dificultavam" meu trabalho. Francisco falava com certa tristeza e suas palavras saiam quase como um lamento.

- Eu não entendo. Você é bom no que faz e é bom como pessoa. Sabe trabalhar em conjunto e, numa equipe, sabe fazer a diferença sem excluir ninguem. Suas intensões sempre foram as melhores. Não precisa procurar muito para perceber. Olha o que você fez com aquele grupo de jovens. Isso sem contar o projeto etinerante, que é fantástico! O jovem disse estas palavras munido de toda a admiração que nutria pelo velho professor. Entretanto, Francisco o surpreendeu dizendo:

- Querido amigo, tudo isso que adjetivou a meu respeito é matéria prima para o desenvolvimento da inveja. A dificuldade está em permanecer firme e forte diante dos ataques. Nisso, meu amigo, eu falhei. Não fui forte o suficiente para suportar, por muito tempo, as constantes retalhações. Recompensavam meu trabalho com dinheiro, mas em nenhum lugar recebi "recompensas" para minha alma. Em nenhum lugar acalentei, de fato, o meu coração. Tudo começa muito bem, contudo, o tempo passa e num determinado momento o que outrora era satisfação, torna-se intriga. Com isso, a motivação vai diminuindo aos poucos, até o limite da exaustão. Tudo culmina com o "bonzinho"aqui tendo que procurar outra fonte de renda! O velho disse isso e desabou na cadeira. Estava exausto!

O jovem não teve outra reação que não fosse escutá-lo com atenção.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Carinho de Verdade!

"Lançamento da campanha 'Carinho de Verdade' em 19/10/2010, com direção de Fernando Salis, solução visual de Visualfarm e criação e idealização da campanha de Casanova Comunicação. Oito projetores de 15.000 Al cobrem a estátua do Cristo Redentor com imagens da cidade do Rio de Janeiro e de animações em 3D, culminando com o 'maior abraço do mundo'. Música de Villa Lobos, Bachianas Brasileiras no. 7."



Tenho Sede de Mim no Mundo!


Olá,

Hoje eu assisti um vídeo e este fez-me pensar: Que bom seria se não houvesse discórdia no mundo, que todos pudessem se amar recíprocamente, sem esperar nada em troca. Assim, quem sabe, seriamos mais felizes e as desigualdades diminuiriam! Foi então que resolvi escrever o texto abaixo!

Abração,

Flávio Nunes.



Tenho sede! Não uma sede de água, nem de refrigerante e muito menos de bebida alcoólica!
Tenho sede de amor, de fraternidade, de felicidade, de sorriso, de abraços sinceros, de amizades sinceras, de carinho, de palavras bonitas, de cumplicidade, de respeito, de esperança, de humanidade,... Tenho sede!

Infelizmente não é em qualquer fonte que posso saciar esta sede! Não é em qualquer deserto que encontrarei oasis! Não é em qualquer paraíso que encontrarei redenção! Não é em qualquer mundo que encontrarei a mim mesmo! Não é em qualquer lugar!

Estou a procura de mim no outro. Tenho esperanças de encontrar, um dia quem sabe, o reflexo do amor que brota em meu peito, espalhado pelos caminhos que passei. Tenho esperança de ver surgir flores, mesmo que de lotus, sobre os passos que um dia dei. Tenho esperança!

Procurar-me no mundo não é tarefa fácil, mas de maneira alguma é impossível. Encontro-me num sorriso, num ato de amor, num ato de caridade, numa lágrima sincera e que demonstra felicidade. Encontro-me também na angústia, no desespero, na falta de força de vontade para mudar aquilo que precisa e deve ser mudado. Encontro-me num mundo que não é meu!

Tenho sede de mim no mundo! Mas infelizmente não encontro-me no mundo. O Mundo também não encontra-se em mim. Que pena! Que desconexão. Tínhamos tudo para dar certo! Não sei se um dia nos entenderemos novamente. Eu, ser humano que sou, perdi o amor do mundo e este agora não responde-me com o todo o amor que tens. O mundo está magoado e ressentido! Esconde-se atrás da individualidade e de prazeres passageiros. O que fazer para mudar esta situação? Não sei ainda, mas uma coisa é certa: Tenho sede de mim no mundo!

Ainda há esperança em meio ao desespero! Ainda há vontade de mudança! Ainda há amor! Ainda há verdade em meio a ilusão! Ainda há luz em meio às trevas! Ainda há um pouco de mim no mundo e um pouco de mundo em mim! Tenho fé que as lágrimas derramadas corram em direção ao oceano da compaixão e da caridade, para enfim, num futuro desconhecido, retornem à terra e ajudem a nutrir e germinar as sementes do bem que hoje plantamos.


Tocando por uns trocados: Stand By Me (Fique Comigo)!

Texto e vídeo retirado do Blog do meu amigo Paulo Rech ( http://psic-paulorech.livejournal.com/ )


"Playing For Change. Em tradução literal, "tocando por uns trocados". O projeto une algumas idéias muito interessantes, entre as quais gravar os artistas de rua, mas não somente. A grande novidade é reunir, em uma única música, profissionais de diversas partes do mundo, em uma composição poética única, capaz de mostrar em poucos minutos, a universalidade da música, da poesia, da beleza e a "universalidade da solidariedade"...

[...] Acompanhe a lírica mas também os diversos personagens que aparecem no video, incluindo o brasileiro Cesar Pope...

Bom proveito!"


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Amar em Qualquer Circunstância!


Olá Pessoal,

Li esta história a alguns anos, lembrei-me dela hoje e gostaria de compartilha-la com vocês! A escrevi tal qual veio-me à mente!

Serve como fonte de meditação e reflexão. Espero que gostem!

Abração,

Flávio Nunes.

Amar em Qualquer Circunstância

Foi então que ele chegou ao inferno. Percebeu que tudo ali estava um caos. Não demorou muito ele fez amizades, melhorou uma coisa aqui, outra ali, e com a ajuda de alguns foi dando um jeito naquele cheiro horrível que existia em todo aquele lugar. Não demorou muito o ambiente estava com um aspecto bem melhor, as pessoas haviam diminuído pela metade as brigas e quase não se ouvia discussões. As pessoas se cumprimentavam, se abraçavam e sentavam juntas para plantar as flores do jardim que a muito estava sem cuidados. As pessoas estavam felizes e uma atmosfera de harmonia e amor surgia no inferno.

Tudo estava caminhando muito bem, até que o Diabo voltou da viagem que fez aos submundos e viu que o inferno não era mais o mesmo. Bastou ele se ausentar por três meses para que toda aquela revolução ocorresse. Ele estava com muita raiva e quis saber quem era o responsável por toda aquela mudança. Foi então que um senhor muito simpático se apresentou e explicou toda a situação.

O diabo foi até o arquivo ver os documentos daquele homem e percebeu que o guardião das postas do inferno havia feito uma grande confusão. Aquele homem deveria ter ido direto para o paraíso. Não perdendo nem mais um segundo, o diabo ligou para o céu e pediu para virem buscar aquele homem imediatamente, antes que o inferno se tornasse num paraíso.

Moral da História: Se formos suficientemente bons e nossos atos forem conseqüências do amor que existe em nossos corações, mesmo que, se por engano, formos parar no inferno, seremos capazes de torná-lo num paraíso.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Mais Uma Noite de Sono!

Acabo de sair da reunião que mais parecia um julgamento. Na minha frente o juiz (O meu Chefe), apresentando as "denúncias" e ao meu lado direito minhas acusadoras (Outras veterinárias, colegas de trabalho). Foram expostos meus pontos fortes e meus pontos fracos! Eram estes últimos que estavam em jogo.

Após as "acusações", deram-me o direito de defesa. Eu poderia negar tudo, mas mentir não faria sentido algum. Refleti, abaixei a cabeça desolado e culpado dos erros que cometi, respirei fundo e falei: "Concordo com tudo, realmente errei e assumo os fatos apresentados. Peço desculpas pelo ocorrido"!

- "Que soluções, na sua opinião, poderão ser tomadas? Uma readequação de horários, sua saída completa dos plantões, ou..."? Perguntou aquele que me ajudava a ver minhas mazelas.

Pensei rapidamente numa solução, não poderia perder tempo. Sinérgicamente, a proposta de assumir o Domingo à tarde surgiu, mas esta não me interessava. Resolvi então abandonar um dos plantões, aquele que mais me desgastava. Entramos num acordo e agora poderei voltar a dormir uma noite a mais por semana!

Assumir nossas fraquezas publicamente não é muito fácil, ainda mais quando a atmosfera inquisitora está presente. Contudo, sinto-me leve e em paz, pois passei pelo "vale das sombras" do meu momento presente e sobrevivi, sem precisar mentir, sem desmerecer ninguém, sem discutir, sem perder minha razão,... e melhor, ganhando uma noite a mais de sono!

O que será daqui para frente? Não sei. Só tenho o momento presente para fazer minha vida valer a pena. O futuro a Deus pertence! Enquanto isso escrevo e saborei-o minha torta de chocolate, cafeína e creme de nata!

Pai e Filha!


Hoje eu presenciei uma cena fantástica! No metrô vi o pai conduzindo sua pequenina filhinha até o banco do vagão, vi-o acomodá-la em seus braços e após tê-la acalentado, pôs-se a ler uma história. Tudo alí, em meio a pessoas desconhecidas, homens, mulheres, etc... Ele lia e ela sorria..rs.. Ela parava a história, falava algo, inaudível para onde eu estava sentado, e ele sorria...rs... Que cena! Lembrou-me o filme "La Vita è Bella" de Benigni.
Por um instante projetei-me no futuro e me vi sentado na varanda de casa com minha pequenina nos braços, contando-lhe histórias. Quase pude ver seu rostinho ainda desconhecido, quase pude sentir seu corpo pesar sobre meus braços e quase pude ouvir seus risos quebrando todo o silêncio. Seja como for, ela está lá, no futuro, em algum lugar... Teremos que descobrir..rs..

domingo, 17 de outubro de 2010

Medicina Veterinária + Emoção!


- "Você sabe quanto é uma legua de beiço"? Pergunta o velho em meio às gargalhadas.

- "É exatamente seis quilómetros"! Mais gargalhadas.

Fico ali sentado diante dele, do outro lado da mesa, tentando retomar o fio condutor do atendimento. Afinal ele havia levado sua cadelinha vira-latas para fazer uma consulta pois estava se coçando muito. Sim, ela estava com pulga, contudo o que ele realmente desejava era um pouco de atenção.

Esta cena não é incomum. É bem verdade que muitos idosos possuem animais de estimação e além da companhia que estes proporcionam, servem de pretexto para irem ao encontro do outro, dos outros humanos, que muitas vezes não lhes dão a devida atenção. Pela solidão que portam, muitas vezes, canalizam para os animais a atenção que filhos, netos e amigos não lhes dão.

Após contar que estava de mudança para outra casa, que o filho ficaria para trás por livre vontade e que seu destino estaria ligado diretamente aos cuidados da pequenina S.R.D. (Sem Raça Definida) preta, pôs-se a falar sobre sua familia. Não demorou muito e algo inusitado ocorreu: Ele lembrou-se de sua finada esposa e começou a chorar!

Em meio às lágrimas e aos soluções. Ver um senhor de 82 anos de idade chorando ao recordar de sua saudosa esposa mexe com o coração de qualquer um. Comigo não foi diferente! Não pude deixar de analisar aquela cena e não pude deixar de comover-me com ele!

Em suas lágrimas estavam as lembranças da esposa que esteve ao seu lado durante 52 anos, mas que infelizmente, após dois anos de "sofrimento", num tratamento domiciliar que "parecia não terminar nunca", ela se foi no último Fevereiro. Dava para sentir quase seus pensamentos falarem alto da tristeza e da solidão que portava. Não passaram-se mais que trinta segundos, o tempo suficiente para recordar uma vida a dois. O tempo exato entre a lembrança da amada, a angustia da solidão e a lágrima que escorre pela face.

Queridos amigos, ser veterinário é também ter o "coração mole", contudo firme, para consolar o sofrimento dos que, por qualquer motivo, deixam ver o que há de mais sagrado guardado no recondido do seu ser.

Sonhos...

Com a brisa batendo em minha face, ouvindo o arrebentar das ondas sob a barca, vendo navios de carga, de guerra e pescadores pequeninos no meio de tanta água; surge em meus pensamentos as lembranças da criança que um dia fui e os sonhos que um dia iniciei: "Que maravilha seria se eu pudesse dar a volta no mundo em 80 dias à bordo de um balão"! Bom saber que ainda não deixei de sonhar (risos).

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Sombras!


Sombras. Elas são, para muitos como eu, um refúgio e uma fonte de esperança. Sem que nos apercebamos, entramos num mundo onde a irrealidade é a nossa maior realidade; onde a injustiça é a nossa maior justiça; onde dormimos pensando estar acordados.

Às vezes os sonhos fluem e tal qual bebês desprotegidos e despreocupados, somos levados para mundos distantes. Outras tantas vezes temos pesadelos e estes nos são angustiantes.

Lutamos, lutamos, e nada. Não acordamos. Sabemos bem lá no fundo que algo está errado; sim, algo está muito errado, mas nada de novo surge; nada de novo nos traz lágrimas de emoção aos olhos.

O paraíso é uma ilusão; a fé é uma ilusão; a felicidade é uma ilusão e o amor torna-se a maior de todas as ilusões. Perdemos o rumo e somos fadados a viver nas sombras por toda a vida.

Felizes os que a consideram positiva, ou ao menos descobrem, sua verdadeira natureza. Estes sabem que o outro lado do breu é o alvejado. Sabem que suas vidas não são um dos lados, mas a moeda em si.

Eis que descobrem que podem, e devem, permanecer vivos, mesmo que no escuro. Sabem que do outro lado da sombra há luz.

Manchas no Papel!


Às vezes, e somente às vezes, paro diante do papel sem nada dizer, procurando nada pensar; ao menos, sem nada demonstrar.

Receio que, num movimento involuntário, num olhar apertado ou num movimento de mãos, eu perca a plenitude do momento em que encontro-me.

Estar diante do papel em branco é angustiante, contudo, em outros tantos momentos, inspirador.

Noutro momento, tento não atrapalhar as mãos, enquanto elas conversam com meus pensamentos.

Estão eles conversando sobre o que os tais sentimentos captaram e porque as emoções não param de oscilar.

Não gosto de atrapalhar uma boa conversa entre amigos.

Num rompante de energia eis que a tinta mancha a superfície do papel e o que outrora era branco torna-se manchado e sujo.

Com um pouco de sorte, aquela tinta ficará ali para sempre.

Marcas de um momento que não voltará jamais.

Instrumento Musical Extraordinário!



E então? No mínimo ESTRAORDINÁRIO!!!!..rs..

Semana Mundo Unido 2010 (SMU-2010) - RJ!


Jovens refletem sobre a fraternidade em bate-papo num bar do Rio: Semana Mundo Unido vai até domingo


O Movimento Jovens por um Mundo Unido (JPMU) no Rio de Janeiro promove nesta sexta-feira (15/10) o evento “Proposta de uma releitura do ‘homem’ e da ‘sociedade’ segundo o princípio da fraternidade’’, no Bar e Restaurante Palácio, no Catete, Zona Sul do Rio. O evento faz parte da Semana Mundo Unido, que tem programação na capital fluminense até este domingo (24/10).


“Nunca deixei de me perguntar, e peço também que todos nos interroguemos sobre o que quer dizer quando se diz “irmão’”. No cotidiano de relacionamentos fragmentados de nossas cidades, essa frase do filósofo francês Jacques Derrida, escrita convite para o bate-papo no Catete, dá uma idéia do que será o evento.


“Queremos refletir sobre a fraternidade como princípio que orienta a vida e os relacionamentos. Que conseqüência ela pode trazer na nossa vida pessoal e social?”, perguntam – de forma propositiva - os Jovens por um Mundo Unido em seu convite.


O Bar e Restaurante Palácio fica na Rua Buarque de Macedo, 87, e o evento começa a às 20h.


Veja abaixo as demais atividades programadas para a SMU - sempre incluindo reflexões, dinâmicas, atividades concretas e propostas de ações de acordo com a temática já mencionada:


- 16/10 - Subida ao Morro da Urca e Luau - 14h30


- 16/10 - Reunião sobre Economia de Comunhão - 16h


- 22/10 - Momento sobre Cidadania e Política - 18h


- 23/10 - Passeio na Reserva da Tijuca/ Grajaú na Nova Divineia


- 24/10 - Dia Nacional da Juventude


Para obter informações sobre hora e local (mais detalhadas) ainda não definidas nesta notícia, escreva para semanamundounidorj@gmail.com


Blog: http://smurj2010.blogspot.com/







quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Reflexão sobre o aborto!


Olá Pessoal,

Na última conversa que tive com a Elen - minha noiva -, sobre o aborto, fizemos uma boa reflexão sobre o tema e ela fez várias colocações muito pertinentes!

Uma delas, e a que me chamou mais a atenção, é: "Como alguém que nasceu, ou seja, que por amor de seus pais veio ao mundo, deseja, muitas vezes defendendo uma idéia, ser a favor do aborto"? Acredito que só aqui já temos um bom tema para um debate! Em maior ou menor escala, devemos fazer algo para elevarmos o direito à vida!

Li alguns textos, num fórum em que alguns amigos participam, e duas coisas que me chamaram muito a atenção: 1) Como os ambientalistas, que salvam o ovo da tartaruga que está em risco de extinção, não possuem a mesma dedicação à própria espécie a que pertence? 2) Como evitar que alguém que tenha R$ 5.000,00 disponível, não pratique o aborto? (OBS: Já fiquei sabendo de jovens que fizeram aborto por muito menos).

Concordo com a Elen quando diz que a formação do indivíduo é tudo para entrarmos nesta luta social, política, econômica, religiosa e cultural. Noutro texto li algo do tipo: "Mesmo que tenhamos um governo que concorde com o aborto, mas se a população não concordar de nada adiantará tal aprovação federal! Não foram estas palavras, mas a idéia, ao que me parece, foi esta!

Acho que temos muito para conversar e muito para fazer. Só para terminar gostaria de compartilhar algo com vocês. É apenas uma comparação!

Não sei se todos sabem, mas sou veterinário e este ano atendi muitos animais que sofreram reações adversas após a administração da vacina anti-rábica (Contra a raiva) na última campanha. As reações foram tão intensas que vários animais morreram antes mesmo de serem encaminhados à clinica! Tudo porque mudou-se um componente da vacina! Após este incidente, os governantes do Estado de São Paulo e Rio de Janeiro, por pressão de ONG's e orgãos protetores dos direitos dos animais, suspenderam a campanha!

A minha reflexão é: Se a lei que legaliza o aborto passar, quantas mortes teremos que contabilizar (Não só dos fetos, mas das mães também), até que os governantes vejam que cometeram um grande erro? Será que a filha de um Dr. Sr. Exmo, seria capaz de fazer aborto só porque a criança que ela está esperando não é do genro arquimilionário que o pai desejava? Será que o comércio de pílulas abortivas vai tornar-se o centro das atenções? Será que nos planos de saúde virão uma ressalva: "Agora, também pode-se fazer aborto com 50% de desconto"? Ou ainda: "Consulte a SAC do seu plano de saúde e veja em que categoria o seu tipo de aborto se enquadra"!

Pois é minha gente, o capitalismo tende a crescer, o governo a lucrar, as indústrias farmacêuticas a enriquecerem mais, os padres rezarem missas pelas almas das adolescentes mortas após abortos em clínicas particulares, na maioria das vezes em consequência de hemorragias; e o futuro da nação será controlado por seres humanos cada vez mais "perfeitos", já que teremos o "poder" de descartar qualquer feto que por ventura venha com "defeito de fabricação"! Alguns poderão pensar: Já que Deus não faz a parte Dele nos dando filhos "perfeitos, nós faremos a nossa parte até acertarmos e obtermos um filho do jeitinho que desejamos!

Abração,

Flávio Nunes.


OBS: O vídeo a seguir possui cenas fortes! Para todos aqueles que são mais sensíveis, FAVOR NÃO ASSISTIR!


quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Loucura social (Trecho do Livro)!


“Ainda bem que este é o último do dia”, pensou o Sr. K, funcionário responsável pela avaliação dos infratores.

Pegou a pasta, abriu, leu o nome do réu e pulou direto para o laudo escrito pelos policiais. Aquele texto narrava de forma rápida e corriqueira, numa linguagem nada rebuscada, o ocorrido no bar da Rua 19 de Setembro! Pulou o cabeçalho, onde continha as descrições físicas do infrator e alguns dados pessoais. Não gostava muito de ler esta parte, pois nela continha o número da marcação magnética que todos traziam no quinto dedo da mão esquerda. Após a revolução genética, todo ser vivo foi “marcado” geneticamente. Não bastava mais a nossa singularidade, e todas as particularidades que cada indivíduo possuía, isso foi reformulado pelos cientistas e pelos governantes no pós-guerra. O controle populacional deveria ser contido.

Após a terceira grande guerra mundial, ou seja, após a “perfeita treva” como ficou conhecido este período que durou sete longos anos, o mundo sofreu outra guinada. Achávamos que as coisas não poderiam piorar, entretanto o mal sempre retorna quanto o bem não faz nada. Estávamos colhendo as conseqüências do nosso descaso perante a vida e por termos negado aquilo que nos fazia muito mais humanos que bichos, a nossa fé.

“Raiva excessiva, descontrolado, alcoolizado,...blá, blá, blá.. São sempre as mesmas queixas”, pensou o Sr. K passando os olhos sobre os pontos principais daquele texto, que havia sido grifado previamente por sua assistente.

- Srta. Helena, o infrator está pronto para a avaliação? Perguntou o Sr. K diretivamente.

- Sim Sr. K, ele já está na sala da avaliação lhe esperando! Respondeu ela também diretivamente, como havia sido treinada na academia. Ela era uma jovem promissora, mas só havia começado seu estágio a uma semana, ou seja, não tinha experiência alguma na função a não ser carregar o material do velho avaliador, anotar suas obrigações, estar ciente que tudo caminhava bem e, é claro, tentar aprender alguma coisa sobre sua futura profissão: Avaliadora de Casos! Ela era fruto do pós-guerra e como tal não conhecia o mundo antes da destruição dos continentes. Era inteligente, bela, perspicaz, uma profissional exemplar.

O Sr. K, apesar da idade, ainda tinha energia suficiente correndo por suas veias. Ele sofrera muito com a guerra, perdeu amigos e familiares, mas sobreviveu e hoje utiliza seus conhecimentos para tentar colocar um pouco de ordem num mundo destruído pela ganância e ambição de alguns poucos de nossa espécie.

Entraram na sala e lá estava o homem sentado, e acorrentado, à cadeira. Era uma medida preventiva e aplicada a todos os que continham em seus Relatos de Detenção a palavra “Descontrolado”. Como 90% dos relatos continham aquela palavra, a cadeira era muito utilizada.

O velho avaliador e sua assistente andaram até a mesa, acomodaram-se em suas cadeiras e olharam fundo nos olhos do homem que estava acorrentado no outro lado da mesa. Ele era alto, talvez tivesse uns dois metros de altura; possuía cabelos castanhos escuros, pele clara e aparentava ter uns 30 anos. Tudo isso estava escrito no laudo encaminhado pelos policiais, mas o Sr. K gostava de descobrir tudo pessoalmente. Ele dava-se de presente esta pequenina emoção.

O homem, sem dizer nada, começou a se contorcer sobre a cadeira, mas as correntes estavam muito bem presas e toda sua força de nada adiantava diante daquele metal que ligava seu corpo à cadeira. Não fosse uma pequena folga na corrente da mão esquerda, as outras estavam muito bem fixadas e justas. Ele era forte, isso se podia notar de longe. “Certamente os policias tiveram trabalho para conter este grandalhão”, pensou o Sr. K. “Que homem bruto e nojento”, pensou a assistente. Numa última tentativa de soltar-se, o homem levantou as mãos ao máximo e do outro lado da mesa os dois puderam ver que lhe faltava um dedo na mão esquerda. “O quinto dedo”, pensaram juntos. Estavam diante de um Insurgente.

Quase não se viam mais Insurgentes. Os que ainda viviam, eram extremamente astutos e muito difíceis de serem apreendidos. Eles transitavam pelas ruas, mas por obra da tecnologia, suas amputações não eram notadas. Viviam normalmente, mas lutavam às escondidas contra o mal que a revolução genética lançou no mundo: O direito de manipular geneticamente toda e qualquer forma de vida. Inclusive nós, humanos! Eles defendiam a concepção natural da vida e abominavam o aborto! Para os Insurgentes, tudo começou quando foi aprovada uma lei mundial, patrocinada pelos países mais ricos e pelas indústrias farmacêuticas, que garantia à mulher o direito de abortar quantos filhos quisesse. Tudo em função do controle populacional e ênfase exacerbada sobre a estética. Foi a busca excessiva da excelência e soberania humana que nos levou à ruína.

“Mas como este aqui conseguiu ser capturado? A meses eu não via um”, pensou o avaliador. Em meio à estarrecedora averiguação, o homem se acalmava. Não passaram-se trinta segundos e o avaliador começou:

- E então me Sr., como se chama?

O homem ouviu, permaneceu calado e com a cabeça baixa. Pareceu não dar importância ao que o Sr. K havia perguntado. A única reação observada foi sua respiração ofegante.

- “Sr., devo-lhe lembrar que deves responder as perguntas que lhe faço! Isso será a sua melhor saída. Muitos dos casos são resolvidos aqui e nem precisam ser levados ao tribunal. Se desejas que eu te ajude, você deve ajudar a si mesmo antes de tudo. Por este motivo lhe peço cooperação e tudo se resolverá da melhor maneira possível”! Estas palavras faziam parte do protocolo utilizado pelos avaliadores de casos. Como tal, o Sr. K, as utilizava todas as vezes que percebia que o réu não iria cooperar. Sem contar que quanto mais cedo terminassem sua avaliação e encaminhamento, mais cedo iriam para casa.

A assistente rascunhou algo num pequeno bloco de anotações, destacou a folha e entregou para o velho avaliador: “Ele não vai cooperar. O que faremos?”. O Sr. K escreveu a resposta e devolveu o papel para sua assistente. “É claro que ele vai cooperar. Uma vez que descobrirmos o motivo que o trouxe até aqui, preencheremos a ficha e o encaminharemos”! Esta era a resposta.

A ficha era objetiva e tudo o que nela continha decidia o destino do réu, que poderia sofrer três encaminhamentos: Prisão, tratamento psicológico ou morte. Caso o réu já tivesse cumprido pena e cometesse outro delito, iria para a prisão perpétua ou diretamente para a Caixa Preta. Esta última era o nome do lugar onde os sentenciados à morte iriam. Alguns diziam que alguns não morriam de fato, mas transformavam-se em colaboradores, ou seja, carrascos ou recolhedores de corpos. Entretanto, ninguém que fora julgado e sofreu pena de morte, saiu da Caixa Preta vivo! Desde que ela foi inaugurada no pós-guerra, jamais houve uma fuga.

- “Sr., o seu nome por favor”? Perguntou mais uma vez o velho avaliador.; Após alguns instantes prosseguiu: “Sr., o seu nome e o seu número de identificação”! “Sr., queira cooperar”!... Algo em torno de cinco minutos se passaram e nenhuma palavra saiu da boca do Insurgente. O velho Sr. K, em nenhum momento havia se exaltado e sabia muito bem qual era o argumento final para estes tipos. Pegou a ficha de avaliação, virou a primeira e a segunda folha, voltou os olhos ao homem acorrentado e disse:

- “Sr., faz parte da lei que lhe assiste e que me dá o poder de avaliá-lo, comunicar-lhe que por abster-se de pronunciar uma só palavra em sua defesa, seja necessário pularmos para a folha da condenação à morte! Já que não houve cooperação de sua parte, e frente ao laudo que me fora entregue pelos policiais, o senhor será encaminhado para a Caixa Preta! O que valerá serão as palavras dos policiais e esta ficha que preencherei a partir de agora! Precisarei passar o leitor do código magnético sobre seu antebraço esquerdo, para pegar o seu número de registro no ministério.

O avaliador tirou a máquina de sua velha pasta de couro, levantou-se e caminhou em direção ao homem. Aproximou-se do homem, levou sua mão direita até a altura do braço e com a mão esquerda aproximou a máquina. Havia feito isto milhares de vezes desde que começou a trabalhar como avaliador a pouco mais de oito anos. Qual foi sua surpresa ao perceber que a máquina não lia o código. “A máquina está funcionando perfeitamente bem”, pensou. Passou novamente o laser no braço do homem e nada; nenhuma leitura foi feita. De repente ele percebeu o ocorrido, o homem não tinha o marcador fixado sob a pele do antebraço.

Aquela aproximação era tudo que o insurgente precisava. Aproveitando-se do momento de desequilíbrio do avaliador, o homem levantou a mão e agarrou a manga de seu paletó. Um clima de tensão surgiu no ar. O velho havia sido agarrado pelo homem que estava sob sua avaliação e a assistente, pela sua falta de experiência, entrou em estado de choque e gritou o mais alto que conseguiu. Contudo, de nada adiantou, pois a sala era a prova de som. Queria ajudar, mas não sabia como. O medo tomou conta do seu corpo, e por este motivo não conseguiu mexer um só músculo. O mesmo reflexo que a levou a gritar, levou-a, em seguida, a desmaiar. Tudo ocorreu numa fração de segundos. O gato pegou o rato.

- “Sr. K, eu o conheço! Na realidade conheço todos vocês. Gostaria que você não fizesse alarde algum e se me escutar com atenção vou soltá-lo, aí poderá me condenar à morte. Sei que está ansioso por isso! Isto lhe dá prazer não é? Não minta para mim, você adora o poder que tens”! Estas palavras saíram da boca do réu em tom baixo e levemente rouco.

- O que você quer de mim? Perguntou o avaliador.

- Quero que me conheça antes de sentenciar-me à morte simplesmente por não compreender aquilo que você não sabe explicar. Uma assinatura sua é capaz de matar muitos homens e mulheres, você os descarta sem ao menos se dar ao luxo de conhecê-los. Dê-me a oportunidade de contar-lhe algo sobre o mundo que o senhor desconhece. Ainda assim, se meus relatos não forem satisfatórios, poderá matar-me, mas não faça isso antes de conhecer aquilo que há alem das muralhas ao norte da Polis! Salve-se Sr. K. Tire o véu espesso que cobre seus olhos. Se quiser eu posso fazer isso!

Após estas palavras o homem deu um leve sorriso e contorceu-se de dor. Soltou o avaliador e sofreu uma torturante descarga elétrica que viera conduzida pelas correntes amarradas em seu corpo. Atônito, o velho afastou-se do homem imediatamente. Deu alguns passos para trás enquanto via o corpo do homem contorcer-se de dor. A tortura durou apenas alguns instantes, mas foram suficientes para fazer o homem desmaiar e de seu nariz escorrer dois lastros de sangue.

Imediatamente, três policiais entraram na sala. Um foi em direção à assistente desmaiada, outra fora em direção ao avaliador e o outro em direção ao réu. O que estava mais próximo ao réu perguntou:

- E então Dr, este aqui vai para Caixa Preta?

O velho respirou fundo, enxugou o suor que descia pela sua face, repassou as palavras do homem em sua cabeça e disse:

- Não, coloquem-no na solitária. Será o melhor lugar para ele, por enquanto. Ainda não fiz a minha avaliação. Além do mais preciso saber mais coisas sobre este homem antes de condená-lo!

Os homens assentiram com a cabeça, desamarram-no e o levaram à solitária. Nesta altura a assistente já estava acordando e o Sr. K pensava no próximo encontro com o desconhecido. De alguma forma ele o havia tocado. “Afinal, que mundo é este que desconheço e que ele tem a me oferecer”? Pensou o velho avaliador.

Postagens populares

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...