quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Quem é você?

- Quem é você?

- Eu sou Flávio!

- Não perguntei o seu nome, mas "quem é você"?

- Sou um homem, estou quase com trinta anos de idade, trabalho, sou noivo de uma bela mulher, sou taurino, sou de altura mediana e sou um grande apaixonado pela vida!

- Nada disso responde a minha pergunta. Ainda continuo querendo saber "quem é você"?

O silêncio pairou no ar e uma centelha de descontentamento surgiu da minha parte. Da parte do velho via-se uma mescla de ansiedade e esperança.

- Sou tudo isso que lhe disse e com um pouco mais de tempo eu sou capaz de enumerar tantas outras coisas.

- Tenho certeza que sim, entretanto tudo o que me disse até agora não passam de "coisas" a seu respeito e não quem você realmente é!

- Tudo bem, me diz você, quem você é? Perguntei, demonstrando certo desconforto, diante d'uma pergunta que eu não sabia a resposta.

- Eu sou tudo que você não é! Respondeu o velho num corte seco.

- Como assim, "quem eu não sou"?

- Calma, é fácil de entender. Só somos quem somos diante de tudo aquilo que o outro não é! Entendeu?

- Não.

- Tudo bem, vou explicar de outra maneira. Cada indivíduo é o que é em essencia, e também é o que nenhum outro ser no mundo é. Dessa maneira, só somos o que somos porque não somos nenhuma outra coisa! E agora melhorou?

- Deixa ver se entendi; uma vez que eu descubro quem é o outro e tudo o que ha ao meu redor, em essencia, descubro quem sou?

- Isso mesmo! Exclamou o velho maravilhado com minha resposta.

Contentei-me pois enfim havia dado uma resposta certa. Todavia, veio-me algo à mente e, em meio a todo aquele brainstorm, estas palavras jorram da minha boca:

- Mas existem tantas pessoas no mundo, tantos animais e tantas outras coisas; será praticamente impossível conhecer-me completamente!

O velho deu um leve sorriso de satisfação, suspirou fundo, olhou nos meus olhos e disse:

- Que alegria foi conhecer-me um pouco mais, passando pelo seu coração e olhando o mundo através dos seus olhos!

4 comentários:

Antonio de Aruanda disse...

Texto delicioso, amigo!

Flávio Nunes. disse...

Olá Antonio,
Mais uma vez agradeço-lhe pela visita no Blog e pelo comentário!
Tenha um ótimo Domingo meu amigo!
Abração,
Flávio Nunes.

A Peregrina disse...

Olá Flávio,

Confesso que não contive minhas lágrimas.
Que bonito! Quanta sabedoria e vida.
Mas,diz uma coisa,esse diálogo foi fictício ou existiu de fato?

Nunca vou me esquecer:

"Que alegria foi conhecer-me um pouco mais, passando pelo seu coração e olhando o mundo através dos seus olhos."

Não li esta frase,mas fui lida por ela.
Obrigada,muito obrigada.
Um abraço cordial de sua leitora,
Patrícia

Flávio Nunes. disse...

Olá Patrícia,

Mais uma vez obrigado pela sua presença aqui no Blog e pelo seu comentário!

Não sei quanto à sua espectativa, mas este texto existiu de fato e é fictício ao mesmo tempo..rs.. Vou explicar! Ele existiu de fato numa tarde qualquer em que eu estava atravessando a Ponte Rio-Niterói, mas existiu aqui, dentro de mim! Ele é fictício pois o velho e o outro indivíduo são personagens criados por mim!

É bom saber que o texto que escrevemos causa algum tipo de emoção no outro! Que não é algo que passa desapercebido, mas que torna-se marcante! Atingi meu objetivo com este texto!

Obrigado pelo feedback e por tão generosas palavras!

Tenha um ótimo fim de semana!

Abração,

Flávio Nunes.

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