segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Os Poetas Mortos!

Olá Pessoal,

Acabei de assistir, mais uma vez, o filme "A Sociedade dos Poetas Mortos", e não pude deixar de refletir mais uma vez sobre o livre pensar! O filme todo é uma grande meditação sobre ser quem sou ou o que os outros desejam que eu me torne! Infelizmente, não deve-se agir de maneira desregrada e inconsequente, entretanto é interessante que bem cedo na vida possamos abrir a consciência àquilo que realmente importa: Amar em plenitude! Isto ocorre em consequencia de uma vida bem vivida no momento presente!

Postei o vídeo a seguir e nele há dois trechos muito interessantes. O primeiro fala sobre a perecibilidade da vida e a importância de viver bem o momento presente, o segundo trecho (que começa à partir de 07:02min. de vídeo) fala sobre a poesia e sua formação enquanto extensão do amor do homem pela vida! Não é um ato de rebeldia não seguir a "métrica" poética, é sim um ato transcendental ir além da métrica e do quadradismo que alguns sisma de nos colocar e nos fazer engolir como verdade última de um determinado assunto.

Os poetas "morrem" à medida que seu espírito livre e inventivo torna-se um exemplo a ser seguido, e este passa adiante esta métrica quadrada, presa a palavras, à fórmulas, à definições,... Acho que isso é muito errado! Transcrevendo um trecho do filme, digo que "não lemos ou escrevemos poesia porque é moda. Lemos e escrevemos poesia por que fazemos parte da raça humana, e a raça humana está impregnada de paixão". Paixão, amor, beleza, romance,... e isso molda todos os nossos demais afazeres e dita as regras do jogo entre ser humano, outro animal qualquer ou uma pedra! Precisamos de uma base, mas acredite, vai além todo aquele que transcende o saber universal sobre determinado tema ou assunto!

Não nos detenhamos às métricas e aquilo que é, ou outra vem sendo passado como "verdade última"! Me disseram certa vez que tudo quanto poderiamos inventar, já foi inventado; reta-nos aprimorar tais invenções! Se isto é certo ou errado eu não sei, mas sei que não gosto de ater-me a coisas pré-programadas! Não sou anarquista ou um rebelde vadio e errante, sou um ser humano munido de sentimentos e amor. Mesmo que não reconheçam minhas facetas e que minha trajetória não sirva em nada para ninguém além de mim, ainda assim, terei vivido e amado intensamente como poucos neste mundo o fizeram! Isso, meus caros, permeia a minha vida. Não sei viver de outra maneira senão re-inventando o amor a cada dia!

Abração,

Flávio Nunes.

PS: Qual é o seu verso?!?!?!


A Escolha do Primeiro Portal (Fábula) #2

Continuação do texto: Sobre o Inferno, o Mundo e o Paraíso (Fábula) #1


Após o término da leitura o guerreiro elevou os olhos e verificou mais detalhadamente o seu entorno. Aquele ambiente era depressivo e não lhe dava gosto algum, a última coisa que pretendia era permanecer ali. Soube de imediato que todos aqueles ossos entulhados ao lado do alta eram de homens ou mulheres que por medo, escolheram a escuridão à busca do desconhecido. "Não sou assim, prefiro mil vezes correr o risco do desconhecido à morrer aqui sem arriscar", pensou o bravo guerreiro.

"Que portal entrar primeiro"? Perguntou-se mentalmente. O silêncio cortava o ar, e aquela atmosfera de mistério  gerava-lhe descargas constantes de adrenalina. Após tanto lutar e de ver tantos horrores ao longo da vida, não havia medo em seus pensamentos e atitudes, havia sim um desejo primário e incauto de desbravar aqueles três mundos. Todavia, deixou de ser precipitado a muito tempo e não podia aventurar-se sem tomar o mínimo de cuidados. Seria uma agressão ao seu intelecto e sua saúde física e emocional se não se precavesse de alguma maneira.

Após algum tempo analisando que caminho seguir primeiro, fez sua escolha, optou por conhecer primeiro o inferno. Não havia o que temer, pois no pergaminho não havia uma só passagem dizendo dos riscos à sua integridade física, psicológica e emocional. Segundo os escritos ele foi escolhido para descobrir os mistérios e as verdades do mundo e poderia, por até sete luas permanecer ali, em seguida retornará ao seu ponto de partida e escolherá o novo portal. Não havia outra coisa a fazer senão acreditar no que estava escrito. Os ossos e as relíquias deixadas ao lado de cada coluna do outro lado da ponte, mostrava-lhe que os dizerem do pergaminho eram verdadeiros.

Seus olhos estavam voltados para a ponte durante todo este momento de escolha do caminho e reflexão, o que não durou mais que dez segundos. Ao voltar-se em direção ao altar e em seguida à parede que outrora havia três portais, qual foi seu espanto ao ver que agora só havia uma porta e que sobre ela havia o dizer "Inferno"! Fez sua escolha e agora só tinha esta opção, era inevitável, o caminho era único dali por diante.

Com um passo após o outro adentrou o portal.


(Continuação em: O portal do Inferno - Parte I (Fábula) #3)




Foto: http://www.portalcwb.com/?p=2419

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Conflito e Paz!

Infelizmente, o ser humano tem uma capacidade grandiosa de subverter tudo quanto nos é dado de graça e que, segundo nossa concepção pessoal, mereça um "aperfeiçoamento"!

Foi através da nossa gana por sermos os melhores em um ou mais quesitos, individual ou coletivamente, que nasceram a maioria das guerras e conflitos humanos ao longo da história!

Segundo uma linha filosófica, não existe algo no mundo sem o seu antagônico direto! Assim, é fácil pensar na relação do Bem x Mal! Infelizmente, enquanto existirmos neste planeta e viver da maneira que vivemos, haverá sempre esta relação tão cautelosamente balanceada entre os opostos! Com isso, quero dizer que, por mais que desejarmos, nunca atingiremos a paz e o amor em plenitude aqui nesta relação espaço/tempo cotidiana. O que me faz afirmar isto? Voltando à explicação no início do parágrafo, continuo o raciocínio à partir de um  detalhe muito importante: A Paz perderia o sentido se não houvesse guerra! A paz só é a paz, pois a guerra é a guerra! Uma não existiria sem a outra! Ou seja, enquanto houver guerra, haverá paz e esta fará sentido!

Imagine um mundo onde todas as guerras foram extintas! O que tornar-se-a a Paz para nós? O que a justificará? Não me entendam mal, não faço alusão à guerra e não acho que ela é a melhor faceta humana! Acho a guerra uma excrescência humana, ou seja, algo completamente inútil e desnecessário, que afeta direta ou indiretamente a harmonia existente entre o homem e todo o restante do planeta e universo!

Para todos quantos sentiram-se incomodados com minha afirmação, digo-vos algo: Não seria os pequenos conflitos diários uma forma de "guerrear" com nossos opositores? Explicando-me melhor, gostaria de perguntar se há aqui alguém que nunca teve um "atrito", um sentimento de amargura, de raiva, ódio, inquietude ou desavença, por menor que seja, com outro ser ou coisa, ao longo de toda sua vida? Um(a) namorado(a) que não cumpre o prometido, o chefe que lhe cobra mais que suas possibilidades, um vizinho inconveniente, o trânsito caótico, um colega de turma implicante, uma nação que tenta impor sua cultura, um povo que tenta dominar o outro por causa de suas terras, um funcionário que calunia seu companheiro de trabalho, um pesquisador que publica algo pelas costas do amigo, etc, etc, etc... Muitos são os exemplos.

Parece uma comparação muito, muito pobre e sem nexo, mas foi a primeira coisa que me passou na cabeça; imagine um cão de rua que adora correr atrás dos carros em movimento e vai latindo para os pneus por longos trechos. Quem já viveu esta experiência vai entender o que eu quero dizer. O que ocorre quando o carro pára, após o cão passar um longo tempo correndo e latindo? Ele ataca o motorista? Fica esperando o primeiro que sair do carro para atacar? Ele ataca o pneu? Ele arranha a lataria do carro? Chama outros cães para ajudar a colocar medo e atacar em grupo?..rs.. Pois bem, em 99,9% dos casos, ele simplesmente fica imóvel ao lado do pneu, olha para um lado, para outro e se afasta ou segue seu caminho de volta para onde estava incialmente, ou seja, não faz nada verdadeiramente significativo. O que desejo exemplificar com isso! É que o cão ao ver o carro parado, perde sua razão de ser e agir. O que realmente importa é seguir com o jogo "Mocinho x Bandido"; ele adora mesmo é a perseguição!

Quando a causa que impulsionava o cão deixa de existir, todo o restante perde o sentido. Não sabe o que fazer, não sabe como agir, não faz a mínima idéia do por que estava fazendo aquilo. Irracional? Não, é causa e efeito. O carro e o pneu não deixaram de existir, só estão em outra condição física, e esta mudança de condição foi suficiente para tirar do cão sua busca implacável, desenfreada e desnecessária. Mas basta o carro voltar a andar que toda a perseguição volta a ocorrer!..rs..

Agimos de forma semelhante com os conflitos diários em nossas vidas. Enquanto há movimento, enquanto há algo que desencadeie nossa adrenalina, nosso instinto de perseguição, nossa ânsia por guerrear, continuaremos nos alimentando psico-emocionalmente dessa situação. Uma vez que harmonizamos os conflitos cotidianos, internos e externos, a paz é estabelecida, mas não perdemos o conceito de conflito; ele está apenas adormecido em algum canto.


Foto: http://letrastk.blogspot.com/2009/11/paz-depois-da-guerra.html

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Fisiologia e Bioquímica Comparativa!

Olás,

Queridos amigos, hoje vasculhando minhas pastas "antigas" sobre material de estudo, visualizei este texto que posto logo abaixo. Ele, na realidade, foi uma tentativa de Pré-projeto de pesquisa acadêmica, cujo objetivo era a aprovação no Mestrado!

Aqui nesse texto, não há nada definido e coloco apenas as minhas idéias iniciais sobre o que seria meu objeto de estudo! Por isso, este texto não passa de um brainstorm inicial e muito superficial. Depois disso eu comecei a desenvolver algo, mas quis o destino me desviar do ambiente acadêmico naquela ocasião!

Tomei a liberdade de mudar algumas coisas do texto original. Neste por exemplo, não consta a "Conclusão". Assim o fiz por dois motivos: 1) Preservar o professor que seria meu orientador, seus estudos e trabalho, e 2) Não divulgar o "pulo-do-gato"..rs..!!!!! Entretanto, para o profissional da área, o que exponho aqui pode servir para o desenvolvimento de um bom trabalho acadêmico!

Então, boa leitura!

Abração,

Flávio Nunes.


Foto: http://scienceblogs.com/gregladen/2008/06/biology_never_was_the_same_mar.php


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Compreendendo o Ambiente de Estudos Dentro da Fisiologia e da Bioquímica Comparativa

1.     Introdução:

Tradicionalmente, os campos de estudo da bioquímica e da fisiologia comparativa são focados em questões empíricas sobre a sobrevivência dos animais em diferentes ambientes, e como sua fisiologia, por que não dizer, seus corpos, suportam a notável diferença comportamental e ecológica observada na natureza (Navas et. al., 2007).
De acordo com os mesmos autores, historicamente, os estudos comparativos em fisiologia e bioquímica emergem usando modelos animais que dêem suporte e continuidade as questões biomédicas. Nesse sentido os Princípios de Krogh dizem que há um modelo animal ideal para cada problema fisiológico. De acordo com estudos recentes a mudança de pensamento, dentro do campo da bioquímica e fisiologia comparativa, possuem a seguinte conformação: 1) Princípios de Krogh, 2) Estudos comparativos, 3) Estudos Ecofisiológicos e 4) Estudos Evolutivos.
A partir dessa brevíssima introdução, podemos dizer que são utilizados diferentes animais (Modelos Experimentais), para diferentes tipos de análises, de acordo com o tipo de sistema orgânico e função fisiológica e/ou bioquímica especificas.
Percebi que as serpentes são um excelente modelo para estudos relacionados à metabolização de nutrientes e conversões metabólicas, relacionadas ou não à temperatura, atividade física, quantidade/tamanho de alimento ingerido e o período de jejum ( Toledo, Abe e Andrade, 2003; Lignot, Helmstetter e Secor, 2005).
Nas serpentes, percebe-se uma grande alteração no trato gastro-intestinal, manifestadas através de alterações histológicas (Microvilosidades, muco, gotículas de lipídio, etc), seguidas de alterações nos padrões metabólicos de diversos nutrientes na fase pós-prandial (ibid).

2.     Compreendendo os Estudos Alométricos:

De acordo com o Dr. José Eduardo de Carvalho, um renomado Bioquímico da UNIFESP, existem intensos debates na literatura sobre a importância das relações de escala para os vertebrados. Dessa maneira parece não haver um consenso sobre o significado, e mesmo sobre o valor, do expoente que define a relação entre a taxa metabólica e a massa corpórea em diferentes indivíduos. Ele diz também que as discussões se baseiam em torno dos valores de 2/3 (ou 0,67) e ¾ (ou 0,75) para os expoentes b obtidos a partir de diferentes técnicas de análise e coleta de dados. Expoente este empregado na fórmula TM = a.MCb, onde TM é a taxa metabólica; MC é a massa corpórea; a é o intercepto da relação, ou constante de escalonamento; e b é o expoente que define a relação, ou expoente de escalonamento.
Segundo os trabalhos desenvolvidos por ele, esses valores obtidos em comparações inter-específicas, envolvendo uma grande diversidade de organismos, indicam que o expoente b da equação reflete uma relação de proporcionalidade intermediária entre a que seria dada estritamente pela massa corpórea (ou seja, uma relação isométrica onde b=1) e aquela que seria devida a uma função da área superficial do corpo (onde b=0,67). O fato é que, dependendo da natureza do estudo, seja ele baseado em análises alométricas estáticas (utilizando indivíduos de uma mesma espécie em um mesmo estágio de desenvolvimento); ontogenéticas (utilizando indivíduos de uma mesma espécie em diferentes estágios de desenvolvimento); ou evolutivas (utilizando indivíduos de diferentes espécies em um mesmo estágio de desenvolvimento); e dos próprios grupos animais envolvidos (unicelulares, pluricelualres, endotermos ou ectotermos), diferentes valores para o expoente b podem ser encontrados, e não há motivos sólidos para se acreditar que tais valores sejam universais para todos os casos.

3.     O que eu conheço por “Extrapolação Alométrica”:

Pois bem, eu utilizo a fórmula “TMB = K x M0,75”. Ela é utilizada para calcular a Taxa de Metabolismo Basal (TMB), para extrapolação de drogas a serem administradas nos animais silvestres/exóticos que costumo atender na clínica médica. Para exemplificar, costumo receber na clínica  Hamsters, pequenas serpentes e aves em geral. Nessa fórmula, TMB é a taxa de metabolismo basal; M representa a massa corpórea (Peso em g ou Kg) do individuo; e K é uma constante (10, 49, 70, 78 e 129; para réptil, mamíferos não placentários, mamíferos placentários, aves não passeriformes e aves passeriformes, respectivamente). Após o contato com o texto do Dr. José Educardo de Carvalho, compreendi que as constantes que utilizo em minha fórmula constituem valores muito generalizados e, havendo ainda um ponto cego a ser estudado e desenvolvido; não há uma constante para anfíbios/anuros.
De acordo com Cubas, Silva e Catão-Dias (2006), a TMB é o valor medido quando um animal endotérmico se encontra quieto, inativo, não digerindo qualquer alimento, sem sofrer qualquer tipo de estresse e mantido sob temperatura ambiental ótima (O que é praticamente “impossível” de se conseguir quando manipulamos qualquer tipo de animal e, de acordo com o procedimento clínico, precisamos administrar um determinado tipo de medicamento)!
Além da TMB, existe ainda a Taxa de Metabolismo Especifico (TME), que é a menor taxa metabólica por unidade de massa, em animais endotérmicos, cujo valor é obtido pela divisão da TMB pela própria massa do animal. Sendo assim, a fórmula para TME é a seguinte: “TME = K x M0,75 ÷ M” ou “TME = K x M-0,25.
Ainda segundo Cubas, Silva e Catão-Dias, em 2006, animais menores, de determinado grupo taxonômico, tem taxa metabólica mais alta que os maiores. Em função disso, são também diferentes dos maiores em muitas particularidades biológicas, como na velocidade de ocorrência de eventos fisiológicos. Em relação aos maiores, os animais menores têm menor tempo médio de circulação sangüínea, freqüências cardíacas mais elevadas, maior necessidade de oxigênio por unidade de massa, maior densidade de capilares por unidade de determinado tecido (maior superfície de difusão de substâncias), maior área de superfície de trocas gasosas respiratórias, taxa de filtração glomerular mais alta, maior concentração de hepatócritos por unidade de massa, maior concentração intracelular de mitocôndrias e citocromos-C por unidade de massa, e maior área de superfície corporal (m2). Os mesmo autores citam Schimdt-Nielsen na seqüência; dizendo que este resumiu de maneira magistral essas diferenças biológicas, afirmando que “animais menores têm mais ferramentas metabólicas que animais maiores”.
Após a leitura dos textos e um brainstorm magistral, algumas questões começaram a surgir: Serão estes dados ligados diretamente aos endotérmicos ou seriam também aplicados aos ectotérmicos? Se são aplicados aos ectotérmicos, os animais que apresentam diferenças marcantes em peso, atividades metabólicas energéticas, relações comportamentais intra/inter-especificas, temperatura e umidade ambiental, entre outros fatores; apresentariam alterações significativas nos valores de substâncias fisiológicas e bioquímicas, quando comparadas?
Pela primeira vez eu percebi algo que não havia notado antes: Não há dados que demonstram que os cálculos para répteis e anfíbios são confiáveis e diretamente relacionados a um determinado táxon. Todos são cálculos aproximados e levam em consideração valores, também aproximados, do peso corporal das espécies que estão sendo tratadas. Por exemplo, se temos que aplicar uma dose qualquer de antibiótico num hamster de 25g, calcula-se a dose para um cão de 10 Kg e no fim realizamos uma regra de três para aproximar os valores das drogas a serem administradas no hamster (mamífero placentário) de 25g.
Dessa forma as diferenças metabólicas em função de tamanho, peso, unidades celulares, enzimas e substancias orgânicas; assim como diferenças comportamentais, intra e inter-relações animais, condições ambientais (Temperatura, umidade,...), etc, podem vir a apresentar diferenças no expoente b.

4.     Formulando uma linha de pensamento:

Se o estudo for baseado em análises alométricas estáticas, ou seja, utilizando indivíduos de uma mesma espécie em um mesmo estágio de desenvolvimento, poderiamos perguntar: Uma serpente da espécie Bothrops jararaca que vive em região de mata-atlântica e uma outra da mesma espécie, e no mesmo estágio de desenvolvimento, que vive na região da caatinga, apresentam uma mesma resposta bioquímica/fisiológica na fase pós-prandial? E ainda: Haveria alguma alteração na concentração do veneno, capaz de ajudar ou dificultar (Dependendo do caso) na digestão da presa apreendida? As mesmas questões poderiam ser utilizadas para diferentes espécies de animais, de acordo com suas particularidades fisiológicas e bioquímicas, pois existem diferentes animais, de espécies variadas, vivendo em diferentes biomas.
Um outro exemplo seria descobrir as diferenças no metabolismo energético em animais da espécie Liophis miliaris, pois sabe-se que estas serpentes vivem em região de Mata-atlântica (Matas e zonas de transição – Pastos) e no cerrado. Sabe-se também que se alimentam de pequenos anfíbios e peixes. Por estes e outros motivos, poderíamos questionar: Há alterações nas vias glicolíticas, gliconeogênicas e metabolismo aeróbio em indivíduos que vivem no cerrado em relação aos que vivem em zona de mata-atlântica de acordo com o período de jejum, o tipo de dieta e a quantidade de alimento que ingerem por vez?
O Dr. José Eduardo de Carvalho levanta a seguinte questão em seu texto: “Considerando ainda um contexto mais abrangente, quais seriam os padrões evolutivos das respostas metabólicas decorrentes do período pós-prandial nos diversos grupos de serpentes que apresentam diferentes hábitos alimentares e comportamentais, e que ocupam ambientes sujeitos a restrições na disponibilidade de recursos?”. Essa questão me chamou profunda atenção.
Me corrija se eu estiver errado, mas dessa forma, além das análises alométricas estáticas, também pode-se desenvolver trabalhos na linha ontogenética (utilizando indivíduos de uma mesma espécie em diferentes estágios de desenvolvimento) e/ou evolutivas (utilizando indivíduos de diferentes espécies em um mesmo estágio de desenvolvimento).

5.     Referências Bibliografias:

Carvalho, J. E., Gomes, F. R. and Navas, C. A. (2008) Energy substrate utilization during nightly vocal activity in three species of Scinax (Anura/Hylidae). J. Comp. Physiol. B. 178: 447 – 456.
Cubas, Z. S., Silva, J. C. R. e Catão-Dias, J. L. Tratado de Animais Selvagens – Medicina Veterinária – São Paulo: Roca, 2006.
Lignot, J. H., Helmstetter, C. and Secor, S. M. (2005) Postprandial morphological response of the intestinal epithelium of the Burmese python (Python molurus). Comp. Biochem. and Physiol. A 141: 280 – 291.
Navas, CA; Chaui-Berlink, JG ; Bicudo, JEPW ; Pivello, V.R. and Martins, M. (2007). Comparative biochemistry and physiology in Brazil: A critical appraisal. Comp. Biochem. Physiol. 147: 586-593.
Secor, S.M. (2001) Regulation of digestive performance: a proposed adaptative response. Comp. Biochem. Physiol. 128A: 565-577.
Secor, S. M. (2003) Gastric function and its contribution to the postprandial metabolic resposnse of the Burmese python Python molurus. J. Exp. Biol. 206: 1621-1630.
Secor, S. M.; Hicks, J.W. and Diamond, J. (2000) Ventilatory and cardiovascular responses of a python (Python molurus) to exercise and digestion. J. Exp. Biol. 203: 2447-2454.
Toledo, L. F., Abe, A. S. and Andrade, D. V. (2003) Temperature and meal size effects on the postprandial metabolism and energetics in a boid snake. Physiol. And Bioch. Zoo 76(2): 240 – 246. By Univer. Of Chic.
Wang, T.; Busk, M. and Overgaard, J. (2001) The respiratory consequences of feeding in amphibians and reptilies. Comp. Biochem. Physiol. 128A: 535-549.

Economia e Saúde em 4 minutos!

Olás,

Tem horas que me surpreendo com a capacidade humana de formular esquemas gráficos para demonstrar seus estudos científicos! Este aqui por exemplo é surpreendentemente fantástico!

Vale a pena assistir!!!!!!!

Abração,

Flávio Nunes.


terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Sem Inspiração!

Passei  todo o dia na frente do computador e nada, nem uma centelha sequer de inspiração! Li textos em Blogs, assisti a diversos vídeos, li algumas páginas do livro, conversei com amigos, saí para andar por ai, e nada, nada, nada. Nem uma gota, nem uma faísca.

Falta menos de uma hora para eu começar o plantão! Saio amanhã bem cedo e sabe-se lá Deus os atendimentos que virão esta noite! Agora que meu computador ficou bom, acho que vou levá-lo, vai que no meio da madrugada eu tenho um insght, um deja vú ou um brainstorm daqueles? Quem sabe?

O que sei agora é que vou levar minha janta hoje! Strogonoffe de frango, com arroz branco e batata palha. Por um lado, hoje o meu dia foi positivo, financeiramente falando, não gastei um centavo sequer! Pensei em ir ao cinema, mas ir sem minha noiva não tem graça; pensei em almoçar fora, mas ainda tinha boa comida na geladeira, bastou esquentar; ir ao médico, mas a consulta só poderá ser marcada para a próxima semana!

Para não dizer que o dia foi em vão, pensei no Projeto que estou desenvolvendo, no Projeto que minha noiva elaborou e que desenvolveremos juntos no futuro, resolvi coisas do casamento e do trabalho novo. Mas ainda assim, passei, com certeza, mais de 60% do meu dia diante do computador e do ventilador!

Agora é hora de preparar-me para ir trabalhar. Vou tomar banho trocar de roupa e colocar meu livro dentro da mochila. Acho que vou deixar o Note em casa; além do peso pode ser que não terei tempo para escrever! Será que conseguirei, ao menos uns trinta minutos de descanso? Sei lá, é melhor não pensar nisso agora. Sem projeções, viver o momento presente é sempre a melhor escolha!


Foto: http://algumasmanias.blogspot.com/2010/12/sem-inspiracao-nenhuma-pra-postar.html

Música e Literatura!

Olá,

Olha só o vídeo que eu achei na net! Isso sim é integração total entre boa música e a literatura..rs..

Abração,

Flávio Nunes.


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Tristeza!

Passava das 02:00h da manhã quando a campanhia tocou. Eram duas meninas, amigas e unidas numa mesma causa: salvar a vida de um cão!

Elas o trouxeram num carrinho de bebê. Ele gania alto, visivelmente sub-nutrido e com movimentos de pedalagem acentuados. Seria vítima de atropelamento? Teria sofrido uma queda? Será que foi mal tratado? Varias coisas passavam pela minha minha cabeça ao vê-las se aproximando com aquele cão, agora em seus braços. 


A consulta começa com o primeiro olhar disferido ao paciente. Ali, observando o comportamento e o aspecto físico do animal, começamos a direcionar a consulta e estabelecemos as perguntas iniciais necessárias a anamnese. Antes de qualquer palavra, vi o paciente, sua secreção ocular e incoordenação motora, associação nada boa num cão visivelmente debilitado.

- "Eu o peguei faz uns quinze dias. Passei em outro veterinário e ele me disse que era pneumonia". Começou uma das meninas.

Com o animal sobre a mesa pude avaliar melhor toda a situação. Não havia dúvidas, todos os sintomas apontavam para uma doença viral muito conhecida e altamente contagiosa, a Cinomose! Esta doença é transmitida através das secreções e excretas, ou seja, secreção nasal, saliva, urina e fezes. Quem causa esta doença é um vírus da família Paramyxoviridae e atinge animais das famílias Canidae (Cães domésticos e selvagens), Mustelidae (Furrões/Ferrets), Mephitidae (Gambás) e Procyonidae (Guaxinins/Mãos-peladas). O vírus no corpo do animal atua no Sistema Nervoso Central e Periférico. O vírus provoca a degeneração da bainha de mielina, envoltório lipídico que envolve os axônios dos neurônios, levando o animal a problemas de incoordenação motora, difculdade para mastigar, espasmos musculares involuntários, etc. Pela debilidade do organismo, as infecções bacterianas são comumente encontradas, sendo as principais relacionadas ao Sistema Respiratório e Trato Gastro-intestinal.


A medida que conversávamos, colhia fatos importantes sobre o animal e ia fechando o diagnóstico. Descobri que o animal foi adotado, junto com outros quatro, na mesma data. Todos vieram de uma área onde recentemente ocorreu uma catastrofe natural. Soube que na região onde estes cinco animais foram resgatados, está ocorrendo surtos do diversas doenças ocasionadas por bactérias, fungos e vírus. Muitos animais estão morrendo!


Fiz o procedimento padrão para atendimento emergencial e estabilizei o paciente, ao mesmo tempo que conversava com as meninas, responsáveis por ele. Era cinomose e infelizmente o caso dele era gravíssimo e irreversível, estava sofrendo muito! Após fechado o diagnóstico, conversamos com calma e verificar clinicamente as chances que o animal teria de melhorar e voltar á vida normal, ficou claro que sua vida seria de muito sofrimento e dor. Após alguns instantes uma das meninas ligou para a veterinária que atendeu o animal inicialmente e mais conversa. Por fim optaram pela eutanásia!


É sempre com muita dor no coração que, ao diagnosticar um paciente com uma doença irreversível, os donos optam pela eutanásia. Eu, como clínico, sofro muito todas as vezes que isso ocorre, pois estudei - e continuo estudando -, para salvar vidas; entretanto há casos em que a eutanásia é melhor que o sofrimento e a agonia de um animal enfermo. Após todos as avaliações feitas e re-feitas, elas se despediram do cãozinho e ficaram ao seu lado até que este dormiu profundamente. 


Desde a decisão até o desfecho, ouve muitas lágrimas. 






Vídeo ilustrativo:







Foto: http://www.canilneweverest.com.br/saude.php?lang=br

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Meu "Bonsai"!

Estava fazendo compras com minha noiva e ao passar perto da área de jardinagem vi esta pequenina muda de jaboticaba retratada acima. Na embalagem dizia "Bonsai Jovem de Jaboticaba", é necessário sol constante, água à vontade e utilização e fertilizante 10-10-10 por apenas R$ 3,99. Examinei a planta em detalhes e percebi as folhas bem enrugadas, quase sem vida, algumas delas estavam caídas no chão. Além disso a terra estava bem seca. Não nos contivemos e, por meu incentivo, a compramos!

Ja havia cuidado de um "bonsai" na adolescencia, mas na época, por pura negligência, deixei-o morrer. Agora, mais uma vez, tento cuidar dessa planta utilizando uma arte milenar que aprendi a amar. Sempre quis ter um jardim de Bonsais, quem sabe este será o primeiro de muitos?!

Hoje pela manhã eu comprei terra adubada e o fertilizante. Como eu "bom entendedor" de plantas que sou, fui logo pedindo tudo quanto achei ser necessário, no que o florista comentou: "Pelo visto você gosta de plantas"! E eu respondi: "Não só de plantas, mas de tudo que está vivo e precisa de cuidados"! Falei da maneira mais tranquila e bem humorada possível, para não causar constrangimentos.  Mesmo sabendo que esta não é a melhor época do ano, fiz a adubação da terra e uma leve poda da raiz e de galhos secos. Estou com a melhor das intenções e tenho esperança de salvá-la. Contudo, comparando-a com uma da mesma espécie, vi que a minha pequenina está muito debilitada!

Se alguém tiver alguma dica para me ajudar, ela será muito bem vinda!

Desde ja o meu muito obrigado.

Grito para a vida!

Estou pensando sobre a perecibilidade da vida, na madrugada, comendo sorvete de chocolate na chícara e lendo Maturana/Varela.

Mais cedo vi um "reality show" onde policiais foram na casa de um suicida. Quando os policiais o encontraram, ele chorava muito e dizia, mediante às perguntas, que não queria mais viver, que tomava anti-depressivos para acordar, passar o dia e dormir. Avisou a polícia, através de uma ligação telefônica, que iria se matar e explicou que o fez pois queria que alguém consolasse sua avó. Disse ainda que, segundo ele, sua depressão havia surgido na infância, hoje ele sabia disso! Falou ainda, várias vezes: "Estou cansado"!

Recordei do irmão de um amigo do colégio que se suicidou. Enforcou-se na frente da casa de sua ex-namorada, após esta tê-lo abandonado. Um caso muito triste! Lembrei-me ainda de um conhecido que foi morto a tiros em frente ao mercadinho, na esquina da rua onde morava.

Além desses, há outros tantos que se foram tão jovens vítimas de acidentes no trânsito. Desconhecidos, conhecidos, colegas e amigos que se foram, por vários motivos. Na flor da idade, deixaram esta vida e deixaram lembranças. Cada ser humano tem uma história singular e magnífica. Muitas vezes perdida no tempo e na lembrança dos seus.

Voltando ao assunto inicial, ouvi certa vez que o suicida não deseja morrer, quer sim viver, mas viver sem dor, sem medo, sem cansaço... No fundo, a morte para eles é um grito para vida!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Camisa Nova!

Isto sim é vestir a camisa..rs..

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Tony Melendez!

Olá,

Já faz tempo que assisti este vídeo para primeira vez! Sempre que o vejo, emociono-me! Não há melhor maneira de mostrar para uma pessoa que ela é capaz de atingir seus objetivos, se realmente os quiser, do que assistindo a este vídeo!

Veja com seus próprios olhos e tire suas conclusões!

Abração,

Flávio Nunes.




Foto: http://www.guate360.com/blog/2005/06/09/tony-melendez-en-guatemala/

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

É Médico e Veterinário!

- Pessoal - começou o professor -, acho que um bom caminho para todos nós seria começarmos com as nossas tradicionais apresentações. Como aqui tem gente de todos os cantos e profissões, acho que será interessante apresentarem-se primeiro por profissão, só para eu saber a quantidade de cada uma e conduzir melhor a nossa primeira aula. Tudo bem?

Todos concordaram com a cabeça. Alguns ajeitaram-se melhor nas cadeiras e outros permaneceram estáticos olhando para frente com uma cara de "vamos lá idiota, não tenho o dia todo para ficar aqui escutando ladaínha"!

- Percebi que a turma, em sua maioria é composta por médicos. Gostaria de saber aqui quem são os médicos, podem levantar a mão por favor?

Haviam na sala trinta alunos, sendo treze médicos, seis enfermeiros, cinco fisioterapeutas, três assistentes sociais, dois pedagogos e um médico veterinário. Ao desferir a pergunta, quatorze braços levantaram-se, no que o professor achou estranho, já que em sua lista haviam treze médicos.

- Acho que a direção enviou a lista faltando uma pessoa. Disse isso ao mesmo tempo que recontava os alunos. Os números não batiam e fez algo que ficou para sempre marcado em sua vida:

- Vou chamá-los pelo nome e assim confiro se está tudo correto!

Assim começou a chamar um por um. No fim os nomes batiam com os que estavam na lista, mas e aquele "um" que faltou.

- Com licença Dr., meu nome é Flávio e gostaria de dizer que o senhor não disse o meu nome.

- Mas não há nenhum Flávio na listas dos méd..... Interrompeu a fala e descobriu o que estava errado. Flávio era o nome do Veterinário.

- Desculpe-me a indelicadeza, mas é que o senhor é veterinário e pensei que entrava em outra categoria! Mal disse isso e um dos alunos intrometeu-se:

- Claro que entra em outra categoria, ou o "Doutorzinho" dos bichos acha que pode se equiparar com os verdadeiros Doutores? Disse aquele que estava com cara de "Vamos lá seu idiota", no início da aula.

Com uma leve risadinha, Flávio respirou fundo e disse as seguintes palavras:

- Desculpe se ofendi alguém, mas acredito que sou tão médico quanto qualquer um dos treze que se encontram dentro desta sala. Se não o fosse, minha faculdade não se chamaria MEDICINA Veterinária. Acho que o Veterinária vem, na realidade, para mostrar que estudamos e precisamos conhecer e tratar mais de uma espécie.

- Você está nos equiparando a bichos? Disse o médico que comprou a discussão. Com o ego ferido, começou a atacar o veterinário:

- Desculpe-me "amigo", mas por ordem de importância, a medicina é muito mais importante que a veterinária. Nos especializamos e cuidamos de doentes que possuem uma ligação muito grande com seus entes e familiares. Nada comparado com a sua veterinária!

Flávio ouviu aquilo, refletiu um pouco e desferiu seu contra-argumento:

- Nada do que me diz é novidade. Na Medicina Veterinária, temos todas as especialidades que hoje existe na medicina humanas, e outras tantas direcionadas a animais, cuja anatomia e fisiologia, são distintas do humano. Sobre importância dentro da família, os animais hoje em dia ocupam o status de membros da familia e não mais o de um "bichinho" para alegria de todos. Com sua perda, o sofrimento é tão grande quanto o de qualquer familiar que se vai. Disse tudo isso sem aumentar o tom de voz, enquanto o outro já estava ficando vermelho de raiva e visivelmente alterado.

- Ainda assim, não se compara. Existem coisas que só aplica-se aos humanos e ponto.

- Concordo contigo! Como existem coisas que só se aplicam aos animais. A dificuldade é que existe uma coisa que se aplica a todos os humanos, enquanto com os animais, dependendo do tamanho, anatomicamente falando, existe um tipo de material clinico, por exemplo, para cada taxón. Ainda mais te digo, dentro de cada táxon, pode ocorrer variações e aí a coisa complica-se mais.

O médico estava ficando realmente muito nervoso ainda mais por acabar de descobrir que não fazia a menor idéia do que era um "táxon"! Não tinha contra-argumento sobre isso e saiu pela tangente.

- Você se acha muito esperto não é "Doutorzinho" dos bichos! Então gostaria de lhe propor um desafio, acha-se capaz de aceitá-lo? Disse o médico com toda a arrogância que pode existir dentro de um ser humano.

A última coisa que Flávio gostaria era expor-se e expor qualquer um de seus colegas, mas a "briga" estava comprada e agora tinha que ir até o final. Mas não queria prolongar aquilo por muito mais tempo, pois enquanto discutiam o professor aguardava para iniciar a aula.

- Aceito sim, mas sejamos breves por favor, pois estamos perdendo um tempo precioso aqui! Disse ainda em tom suave e sereno.

- Tudo bem, não vai demorar mesmo - Disse isso, com um sorriso nos lábios e com ar de superioridade. O desafio é o seguinte: Imagine que chega em seu consultório um paciente com dificuldades para respirar, secreção nasal, tosse e na auscultação pulmonar você descobre que ele está com edema pulmonar. Qual o diagnóstico você daria para este paciente "Doutorzinho"?

Flávio abaixou a cabeça, pensou um pouco, levantou-a em seguida e olhou em direção ao seu "carrasco", proferindo estas palavras:

- Sintomatologia pulmonar, interessante! A principio podem ser várias coisas, mas vou ater-me as patologias mais comuns. A primeira delas e mais obvia, num primeiro momento, e bronco-pneumonia. Entretanto, esse edema pulmonar pode estar relacionado a complicações cardíacas.

Ao falar isso o médico perdeu completamente as forças das pernas e sentou-se na cadeira. abriu bem os olhos e começou a suar.

- Tomemos o cão como exemplo, poderia ser qualquer outro mamífero, mas o cão é mais acessível e de fácil compreensão. Existem alguns que por pré-disposição, associado a dieta irregular, produzem uma quantidade muito grande de tártaro. Sabe-se, e isso existe descrito na literatura científica, que animais com muito tártaro, pode de médio a longo prazo, ao longo da vida, desenvolver complicações em várias partes do corpo, contudo as área de maior aparecimento de problemas, associado a periodontite, são coração e os rins! Sendo assim, não descartaria a possiblidade desse paciente ser um cardiopata e quem sabe um nefropata, se for humano e tiver mais de sessenta anos de idade. Às vezes mais novo, às vezes mais velho. Você sabe que biologia não é matemática, se fosse uma ciência exata não seria classificada como biológica. Disse isso e deu uma leve risada para descontrair.

O médico que desferiu o desafio estava mudo e continuava suando. A sensação que todos tinha agora era que ele estava se afundando na cadeira.

- Só para concluir, acredito que neste tipo de caso, não é conveniente ater-se apenas à sintomatologia clinica e medicar o paciente sem verificar o organismo como um todo. É lógico que precisamos tirá-lo da crise, e por isso um mucolítico e um diurético osmótico é bem vindo, entretanto o broncodilatador precisa ser utilizado com cautela, já que muitos provocam alterações cardíacas. Quanto aos exames complementares, acredito que seria interessante fazer um raio-x de tórax, no mínimo duas incidencias, realizar um exame de sangue para verificar, além do hemograma, a Função Renal e a Função Hepática. É sempre bom verificar se as funções metabólicas estão bem. Se quiser, pode-se fazer outras dosagens enzimáticas, mas tudo depende do quadro clinico e das informações que foram coletadas na anamnese. Por fim, fecha-se o diagnóstico com um Eco e um Eletro-cardiograma.

Todos escutavam o medico veterinário falar com atenção e lamentavam o outro ter instigado e comprado a briga. Eram unânimes os olhares e o comportamento dos outros alunos. Todos pareciam dizer: "Não gostaria de estar na pele do nervosinho ali"!

- Agora se nada disso for compatível com o que estamos procurando, abrimos outra linha de pensamento e verificamos traquéia, se há ou não alguma massa tumoral, etc, etc, etc. Se possível tudo isso deve ser feito dentro de vinte e quatro horas, o que hoje em muitas clínicas e hospitais veterinários já é uma realidade! Antes que eu esqueça, basta ter coração parar desenvolver uma cardiopatia, entretanto a forma de tratar é diferente, em alguns pequenos aspectos, para um réptil, uma ave e um mamífero. No mais, conversamos a "mesma lingua"!

Quando o médico veterinário acabou de falar, todos estavam mudos e o "Dr." que havia comprado a "briga" estava "derrotado" sobre sua cadeira. Não tinha mais argumentos e viu-se completamente sem energias. Levantou-se devagar e seguiu em direção á porta da sala.

- Onde vai, vamos começar a aula agora? Disse o professor parar o médico que saia à passos lentos da sala de aula.

- Vou tomar um café e respirar um pouco. Pode iniciar a aula, já retorno. No que o professor concordou com a cabeça!

- Professor, só por curiosidade, qual é a especialização do nosso amigo que acaba de sair? Perguntou Flávio.

Olhando na lista com os nomes dos alunos e professor falou: Ele é cardiologista!

O médico veterinário ficou feliz por ter atingido seu objetivo e acertado em seu diagnóstico. Quisera passar desapercebido, mas numa turma de mestrado, onde todos estavam cursando pela primeira vez o Stricto Sensu, ele era Doutor em Fisiologia Animal Comparativa e este era seu segundo mestrado. Queria este, antes do Pós-Doc na europa.


Foto: http://www.fotocomedia.com/artigos/fala-com-a-minha-mao.html

Expressões Populares!

Olá,

Recebi este e-mail de uma amiga e achei bem legal. Por isso resolvi postar aqui no Blog e partilhar com vocês estas "Expressões Populares" que todos dizem e pouquíssimas pessoas sabem de onde vieram e como surgiram!

Alguns podem classificar como cultura inútil, outros no entanto, como conhecimentos gerais! No mais, para pessoas de qualquer opinião, acho que é sempre legal conhecer um pouco mais a nossa lingua mãe e nossos regionalismos!

Desejo que gostem..rs..

Abração,

Flávio Nunes.




EXPRESSÕES CURIOSAS DA LÍNGUA PORTUGUESA


 JURAR DE PÉS JUNTOS:Mãe, eu juro de pés juntos que não fui eu. A expressão surgiu através das torturas executadas pela Santa Inquisição, nas quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado pra dizer nada além da verdade. Até hoje o termo é usado pra expressar a veracidade de algo que uma pessoa diz.

MOTORISTA BARBEIRO:
Nossa, que cara mais barbeiro!No século XIX, os barbeiros faziam não somente os serviços de corte de cabelo e barba, mas também, tiravam dentes, cortavam calos, etc., e por não serem profissionais, seus serviços mal feitos geravam marcas. A partir daí, desde o século XV, todo serviço mal feito era atribuído ao barbeiro, pela expressão "coisa de barbeiro". Esse termo veio de Portugal, contudo a associação de "motorista barbeiro", ou seja, um mau motorista, é tipicamente brasileira..

TIRAR O CAVALO DA CHUVA: Pode ir tirando seu cavalinho da chuva porque não vou deixar você sair hoje!No século XIX, quando uma visita iria ser breve, ela deixava o cavalo ao relento em frente à casa do anfitrião e se fosse demorar, colocava o cavalo nos fundos da casa, em um lugar protegido da chuva e do sol. Contudo, o convidado só poderia pôr o animal protegido da chuva se o anfitrião percebesse que a visita estava boa e dissesse: "pode tirar o cavalo da chuva". Depois disso, a expressão passou a significar a desistência de alguma coisa.

À BEÇAO mesmo que abundantemente, com fartura, de maneira copiosa. A origem do dito é atribuída às qualidades de argumentador do jurista alagoano Gumercindo Bessa, advogado dos acreanos que não queriam que o Território do Acre fosse incorporado ao Estado do Amazonas.

DAR COM OS BURROS N ' ÁGUA:
A expressão surgiu no período do Brasil colonial, onde tropeiros que escoavam a produção de ouro, cacau e café, precisavam ir da região Sul à Sudeste sobre burros e mulas. O fato era que muitas vezes esses burros, devido à falta de estradas adequadas, passavam por caminhos muito difíceis e regiões alagadas, onde os burros morriam afogados. Daí em diante o termo passou a ser usado pra se referir a alguém que faz um grande esforço pra conseguir algum feito e não consegue ter sucesso naquilo.

GUARDAR A SETE CHAVES:
No século XIII, os reis de Portugal adotavam um sistema de arquivamento de jóias e documentos importantes da corte através de um baú que possuía quatro fechaduras, sendo que cada chave era distribuída a um alto funcionário do reino. Portanto eram apenas quatro chaves. O número sete passou a ser utilizado devido ao valor místico atribuído a ele, desde a época das religiões primitivas. A partir daí começou-se a utilizar o termo "guardar a sete chaves" pra designar algo muito bem guardado..

OK:
A expressão inglesa "OK" (okay), que é mundialmente conhecida pra significar algo que está tudo bem, teve sua origem na Guerra da Secessão, no EUA. Durante a guerra, quando os soldados voltavam para as bases sem nenhuma morte entre a tropa, escreviam numa placa "0 killed" (nenhum morto), expressando sua grande satisfação, daí surgiu o termo "OK".

ONDE JUDAS PERDEU AS BOTAS:
Existe uma história não comprovada, de que após trair Jesus, Judas enforcou-se em uma árvore sem nada nos pés, já que havia posto o dinheiro que ganhou por entregar Jesus dentro de suas botas. Quando os soldados viram que Judas estava sem as botas, saíram em busca delas e do dinheiro da traição. Nunca ninguém ficou sabendo se acharam as botas de Judas. A partir daí surgiu à expressão, usada pra designar um lugar distante, desconhecido e inacessível.

PENSANDO NA MORTE DA BEZERRA:
A história mais aceitável para explicar a origem do termo é proveniente das tradições hebraicas, onde os bezerros eram sacrificados para Deus como forma de redenção de pecados. Um filho do rei Absalão tinha grande apego a uma bezerra que foi sacrificada. Assim, após o animal morrer, ele ficou se lamentando e pensando na morte da bezerra. Após alguns meses o garoto morreu.

PARA INGLÊS VER:
A expressão surgiu por volta de 1830, quando a Inglaterra exigiu que o Brasil aprovasse leis que impedissem o tráfico de escravos. No entanto, todos sabiam que essas leis não seriam cumpridas, assim, essas leis eram criadas apenas "pra inglês ver". Daí surgiu o termo.

RASGAR SEDA:
A expressão que é utilizada quando alguém elogia grandemente outra pessoa, surgiu através da peça de teatro do teatrólogo Luís Carlos Martins Pena. Na peça, um vendedor de tecidos usa o pretexto de sua profissão pra cortejar uma moça e começa a elogiar exageradamente sua beleza, até que a moça percebe a intenção do rapaz e diz: "Não rasgue a seda, que se esfiapa".

O PIOR CEGO É O QUE NÃO QUER VER:
Em 1647, em Nimes, na França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D`Argent fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel. Foi um sucesso da medicina da época, menos pra Angel, que assim que passou a enxergar ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imaginava era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos. O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou pra história como o cego que não quis ver.

ANDA À TOA:
Toa é a corda com que uma embarcação reboca a outra. Um navio que está à toa é o que não tem leme nem rumo, indo pra onde o navio que o reboca determinar.

QUEM NÃO TEM CÃO, CAÇA COM GATONa verdade, a expressão, com o passar dos anos, se adulterou. Inicialmente se dizia quem não tem cão caça como gato, ou seja, se esgueirando, astutamente, traiçoeiramente, como fazem os gatos.

DA PÁ VIRADA:
A origem do ditado é em relação ao instrumento, a pá. Quando a pá está virada pra baixo, voltada pro solo, está inútil, abandonada decorrentemente pelo Homem vagabundo, irresponsável, parasita.

NHENHENHÉM:
Nheë, em tupi, quer dizer falar. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, os indígenas não entendiam aquela falação estranha e diziam que os portugueses ficavam a dizer "nhen-nhen-nhen".

VAI TOMAR BANHO:
Em "Casa Grande & Senzala", Gilberto Freyre analisa os hábitos de higiene dos índios versus os do colonizador português. Depois das Cruzadas, como corolário dos contatos comerciais, o europeu se contagiou de sífilis e de outras doenças transmissíveis e desenvolveu medo ao banho e horror à nudez, o que muito agradou à Igreja. Ora, o índio não conhecia a sífilis e se lavava da cabeça aos pés nos banhos de rio, além de usar folhas de árvore pra limpar os bebês e lavar no rio as redes nas quais dormiam. Ora, o cheiro exalado pelo corpo dos portugueses, abafado em roupas que não eram trocadas com freqüência e raramente lavadas, aliado à falta de banho, causava repugnância aos índios. Então os índios, quando estavam fartos de receber ordens dos portugueses, mandavam que fossem "tomar banho".

ELES QUE SÃO BRANCOS QUE SE ENTENDAM:
Esta foi das primeiras punições impostas aos racistas, ainda no século XVIII. Um mulato, capitão de regimento, teve uma discussão com um de seus comandados e queixou-se a seu superior, um oficial português.. O capitão reivindicava a punição do soldado que o desrespeitara. Como resposta, ouviu do português a seguinte frase: "Vocês que são pardos, que se entendam". O oficial ficou indignado e recorreu à instância superior, na pessoa de dom Luís de Vasconcelos (1742-1807), 12° vice-rei do Brasil. Ao tomar conhecimento dos fatos, dom Luís mandou prender o oficial português que estranhou a atitude do vice-rei. Mas, dom Luís se explicou: Nós somos brancos, cá nos entendemos.

A DAR COM O PAU:
O substantivo "pau" figura em várias expressões brasileiras. Esta expressão teve origem nos navios negreiros. Os negros capturados preferiam morrer durante a travessia e, pra isso, deixavam de comer. Então, criou-se o "pau de comer" que era atravessado na boca dos escravos e os marinheiros jogavam sapa e angu pro estômago dos infelizes, a dar com o pau. O povo incorporou a expressão.

ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA, TANTO BATE ATÉ QUE FUR
A:
Um de seus primeiros registros literário foi feito pelo escritor latino Ovídio ( 43 a .C.-18 d.C), autor de célebres livros como "A arte de amar "e "Metamorfoses", que foi exilado sem que soubesse o motivo. Escreveu o poeta: "A água mole cava a pedra dura". É tradição das culturas dos países em que a escrita não é muito difundida formar rimas nesse tipo de frase pra que sua memorização seja facilitada. Foi o que fizeram com o provérbio, portugueses e brasileiros.
 





Foto: http://saudesabervirtude.blogspot.com/2008_02_01_archive.html

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Humor: Milagre do Álcool!


Dispensa comentários..rs.. Só para distrair um pouco..rs...

Epistemologia Genética!


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Etimologia da Palavra
epistemo = conhecimento
logia = estudo

Epistemologia Genética é a teoria desenvolvida por Jean Piaget, e consiste numa síntese das teorias então existentes, o apriorismo e o empirismo. Piaget não acredita que oconhecimento seja inerente ao próprio sujeito, como postula o apriorismo, nem que o conhecimento provenha totalmente das observações do meio que o cerca, como postula o empirismo.
Para Piaget, o conhecimento é gerado através de uma interação do sujeito com seu meio, a partir de estruturas existentes no sujeito. Assim sendo, a aquisição de conhecimentos depende tanto das estruturas cognitivas do sujeito como de sua relação com os objetos. Durante sessenta anos, Jean Piaget coordenou projetos de pesquisas, que deram base à compreensão contemporânea do desenvolvimento infantil. Piaget estava interessado em investigar como o conhecimento se desenvolvia nos humanos. Piaget fez sua formação inicial em Biologia e por isso alguns conceitos desta disciplina influenciaram sua teoria e descobertas sobre o desenvolvimento infantil.

Estrutura e aprendizagem

Na concepção piagetiana, a aquisição de conhecimento só ocorre mediante a consolidação das estruturas de pensamento e portanto sempre se dá após a consolidação do esquemaque a suporta, da mesma forma a passagem de um estádio a outro está dependente da consolidação e superação do anterior.
Para Piaget, o desenvolvimento ocorre de forma que as aquisições de um período sejam necessariamente integradas nos períodos posteriores.
Sua teoria depende de 4 elementos:
1. Maturação do sistema nervoso central
2. Experiências físicas e lógico-matemáticas
3. Ambiente social
4. Equilibração das estruturas cognitivas

Estágios do Desenvolvimento

De 0 a 1 ½ ou 2 anos: Sensório-motor
De 1 ½ ou 2 anos até 6 ou 7 anos: Pré-operatório
De 7 ou 8 anos até 11 ou 12 anos: Operatório concreto
De 11 ou 12 anos em diante: Operatório formal
Sensório-Motor
A criança busca adquirir coordenação motora e aprender sobre os objetos que a rodeiam.
. Período mais elementar
. Período em que a criança capta o mundo pelas sensações;
. O bebe pequeno não separa o eu do objeto
. É como se ele e o mundo fosse uma coisa só

Pré-Operatório
A criança adquire a habilidade verbal e simbólica. Nesse estágio, ela inicia a nomear objetos e raciocinar intuitivamente, mas ainda não consegue realizar operações lógicas:
. Fase bastante egocêntrica
. Realiza representações mentais de objetos

Operatório Concreto
A criança começa a formar conceitos como os números e classes.
Possui lógica consistente e habilidade de solucionar problemas concretos.

Operatório Formal
O adolescente começa a raciocinar de forma lógica com enunciados puramente verbais (hipóteses)
. raciocínio hipotético-dedutivo
. deduções lógicas sem o apoio de objetos concretos
. refletir para além do real presente
. refletir sobre possibilidades
. fazer planos
. elaborar “teorias”
. construir “sistemas”
. pensar sobre o próprio pensamento.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Caso Clínico Veterinário: Tumor em Ave!


Olá Pessoal,

Hoje pela manhã atendi um Periquito Verde (Brotogeris tirica). Também conhecido com o nome vulgar em outras parte do mundo como: Periquito-rico (Português- Portugal); Plain Parakeet (Inglês); All-green Parakeet (Inglês); Tirica Parakeet (Inglês); Tirikasittich (Alemão); Tirikaparakit (Dinamarquês); Catita tirica (Espanhol); Periquito amarillento (Espanhol); Bahianaratti (Finlandês); Touti Tirica (Francês); Perruche Tirica (Francês); Parroccheto Verde (Italiano); Parrocchetto Disadorno (Italiano); Onagamidoriinko (Japonês); オナガミドリインコ (Japonês).


O histórico foi de dificuldades para se locomover. Nada mais! Segundo a proprietária alimenta-se normalmente e as fezes/urina estão normais. Entretanto, na avaliação clínica, vi que ele estava trocando as penas (fase de muda), coisa que não é comum nesta época do ano! O segurei e comecei a avaliação física, foi então que percebi algo estranho em seu peito, uma massa sólida e bem aderida. Subi e fiz o raio-x! Olha o que eu encontrei:





Mediquei e agora estudo se há possibilidade de operá-lo! Já fiz cirurgia de extração de tumor em Hamster, Lagartos e outras aves como Canário e Coleiro. Obtive sucesso em mais de 90% dos casos, mas é os 10% que me assusta! Ainda mais se tratando de uma estrutura tão aderida e localizada próximo à jugular!


Expliquei toda a situação para a cliente! Agora é uma luta contra o tempo. Quando tiver novidades sobre o caso, posto um novo texto contando o desfecho dessa história!


Abração,


Flávio Nunes.




Foto: http://www.xamanismo.com.br/Hector/SubHector1189369065It004#Periquito_Brotogeris_tirica (Nesse link você encontra informações sobre o Periquito Verde e sobre outras tantas aves de nossa riquíssima fauna)!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Resgatando as Origens!

Olá Pessoal,

Uma grande amiga (A Tatis), doutoranda da USP, enviou-me um e-mail hoje cedo que contava a história de um belo trabalho acadêmico! Ao ver todo o material que ela me encaminhou fiquei entusiasmado e muito feliz, por saber que assuntos que conversamos a pouco mais de três anos pode sim ser colocado em prática e desenvolvido não só em âmbito municipal, mas também estadual e nacional.
O Texto abaixo foi extraído do site da "Agência USP de notícias"! É uma matéria que exorta o trabalho desenvolvido pela mestra Maíra S. Ferreira; uma dissertação defendida no dia 04 de Agosto de 2010, orientada pela professora Mônica do Amaral, na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), cujo título é "A rima na escola, o verso na história: um estudo sobre a criação poética e a afirmação étnico-social em jovens de uma escola pública de São Paulo"!
Este é um tipo de trabalho que vale a pena ser visto, comentado e passado adiante! Acredito que tão importante que "fazer cultura", é resgatar aquela parte, muitas vezes esquecida, de nossas raízes. As vezes esquecemos de onde viemos, simplesmente por focar demais onde queremos chegar! Felizmente uma boa história precisa ter começo, meio e fim!
Desejo a todos uma boa leitura!
Abração,
Flávio Nunes.
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Adolescente que conhece suas origens é agente político
Por Glenda Almeida - glenda.almeida@usp.br
 Publicado em 2/dezembro/2010 |  Editoria : Educação 
Nas salas de aula de uma escola pública em São Paulo, os alunos não são ensinados a relacionar o conteúdo dos livros à história de sua própria comunidade. Por conta disso, não se sentem pertencentes à humanidade, facilitando a aceitação de rótulos e estigmas como o de “favelado qualquer”. Apesar disso, uma pesquisa realizada na Faculdade de Educação (FE) da USP demonstrou o quanto é possível mudar esse quadro utilizando o que é produzido cotidianamente pelos estudantes, como a música, a poesia e os desenhos, para que eles mesmos identifiquem os elos com seus antepassados. Ao fazerem isso, são capazes de se afirmarem como verdadeiros sujeitos políticos “da sociedade” e “na sociedade”.

Favela Real Parque: HipHop é manifestação
A psicanalista Maíra Ferreira, autora da dissertação A rima na escola, o verso na história: um estudo sobre a criação poética e a afirmação étnico-social em jovens de uma escola pública de São Paulo , aponta a escravidão como a “barbárie brasileira”, cujas consequências ainda subjulgam a sociedade, principalmente quando o assunto é pobreza, discriminação e afirmação étnico-social. Com esse olhar, ela estudou durante dois anos uma turma de 30 alunos, amantes do rap, da sétima série de uma escola pública da favela Real Parque, localizada no Morumbi. De 2 a 3 vezes por semana, observava os alunos, conversava com eles e, junto a alguns professores, passou a intervir em sala de aula.
No início de seu trabalho na escola, a psicanalista percebeu que nos tempos vagos entre as aulas, algo comum no dia-a-dia das escolas públicas em todo o Brasil, os adolescentes rimavam, improvisavam e desenhavam com muita facilidade, demonstrando a capacidade crítica inclusive com os temas escolhidos em suas artes. Além disso, o dom da oralidade também chamou atenção da pesquisadora. Contudo, ao mesmo tempo em que apresentavam tão rica manifestação cultural, recusavam suas origens no ambiente escolar.
Segundo Maíra, essa recusa denuncia a “presença e permanência de políticas discriminatórias brasileiras desde a época dos cativeiros”. A escola, ao não reconhecer e contextualizar a importância da história da comunidade que atende, e não relacioná-la com o presente dos alunos, “perpetua a formação social e cultural do preconceito brasileiro”.
O Nordeste e o Hip Hop
Na sala de aula, a pesquisadora mostrou aos alunos as relações entre a capacidade de rimar e improvisar do rap, um dos elementos do Hip Hop, e as produções culturais do cordel e dos repentes nordestinos. Tratando-se da Favela Real Parque, os estudantes são herdeiros culturais das famílias afro-brasileiras e indígenas Pankararu, oriundas do sertão de Pernambuco, que migraram a partir da década de 1950 para São Paulo principalmente para trabalharem na construção do Estádio do Morumbi.
Assista os registros da viagem da pesquisadora no nordeste, onde conheceu o cordel e o repente:
Em busca dessas evidências de relação entre culturas, Maíra viajou para o Nordeste, para a região do Brejo dos Padres em Pernambuco, onde pesquisou o cordel e os repentes sertanejos como a cantoria de viola e o coco de embolada, expressões claras da tradição da oralidade, tão marcante no rap dos estudantes. Com uma filmadora na mão Maíra andou pelas ruas nordestinas ouvindo e gravando declamações espontâneas: improvisos poéticos de farmacêutico, sapateiro, manicure, dentista, padre, crianças e idosos. “Em uma cidade chamada São José do Egito (PE) ouvi o seguinte ditado: Aqui quem não é poeta é louco e quem é louco faz poesia”, disse a pesquisadora.
Abaixo, vídeos da pesquisa de campo em São José do Egito, onde a poesia está em todos os lugares:
Segundo a psicanalista, mesmo diante da violência social, a miscigenação étnico-social brasileira apresenta sua resistência: “das rodas de jongos e capoeria aos improvisos dos repentes e do rap está o movimento de resistência, apropriação e criatividade frente às políticas de discriminação existentes desde a escravidão”. Essa constatação é a prova de que durante a história do País não houve aniquilação da cultura dos povos que sofreram com tais políticas, e sim recombinação, reinvenção, recriação, ou seja, está aí um outro tipo de “marca humana” — no caso, o desejo de construir e não o de destruir.
Contudo, a “atualidade da escravidão brasileira” ainda aparece no cotidiano do brasileiro. De acordo com a pesquisadora, “a formação social brasileira está longe de elaborar e superar esse trauma que permeia as instituições de ensino e os espaços jurídicos do País”. Para isso, é essencial e possível ensinar aos alunos que eles podem e devem “atualizar as suas tradições” a fim de se apropriarem do passado, para construírem seus projetos futuros. Aliás, um dos alunos traduziu muito bem o pensamento de Maíra: “Já sei, professora. É pegar carona na tradição”.
A dissertação foi defendida no dia 4 de agosto de 2010, orientada pela professora Mônica do Amaral, e pode ser acessada neste link.
Mais informações: (11) 2812-5086, (11) 7100-5824 emailmairasoaresferreira@gmail.com

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