domingo, 27 de fevereiro de 2011

Conflito e Paz!

Infelizmente, o ser humano tem uma capacidade grandiosa de subverter tudo quanto nos é dado de graça e que, segundo nossa concepção pessoal, mereça um "aperfeiçoamento"!

Foi através da nossa gana por sermos os melhores em um ou mais quesitos, individual ou coletivamente, que nasceram a maioria das guerras e conflitos humanos ao longo da história!

Segundo uma linha filosófica, não existe algo no mundo sem o seu antagônico direto! Assim, é fácil pensar na relação do Bem x Mal! Infelizmente, enquanto existirmos neste planeta e viver da maneira que vivemos, haverá sempre esta relação tão cautelosamente balanceada entre os opostos! Com isso, quero dizer que, por mais que desejarmos, nunca atingiremos a paz e o amor em plenitude aqui nesta relação espaço/tempo cotidiana. O que me faz afirmar isto? Voltando à explicação no início do parágrafo, continuo o raciocínio à partir de um  detalhe muito importante: A Paz perderia o sentido se não houvesse guerra! A paz só é a paz, pois a guerra é a guerra! Uma não existiria sem a outra! Ou seja, enquanto houver guerra, haverá paz e esta fará sentido!

Imagine um mundo onde todas as guerras foram extintas! O que tornar-se-a a Paz para nós? O que a justificará? Não me entendam mal, não faço alusão à guerra e não acho que ela é a melhor faceta humana! Acho a guerra uma excrescência humana, ou seja, algo completamente inútil e desnecessário, que afeta direta ou indiretamente a harmonia existente entre o homem e todo o restante do planeta e universo!

Para todos quantos sentiram-se incomodados com minha afirmação, digo-vos algo: Não seria os pequenos conflitos diários uma forma de "guerrear" com nossos opositores? Explicando-me melhor, gostaria de perguntar se há aqui alguém que nunca teve um "atrito", um sentimento de amargura, de raiva, ódio, inquietude ou desavença, por menor que seja, com outro ser ou coisa, ao longo de toda sua vida? Um(a) namorado(a) que não cumpre o prometido, o chefe que lhe cobra mais que suas possibilidades, um vizinho inconveniente, o trânsito caótico, um colega de turma implicante, uma nação que tenta impor sua cultura, um povo que tenta dominar o outro por causa de suas terras, um funcionário que calunia seu companheiro de trabalho, um pesquisador que publica algo pelas costas do amigo, etc, etc, etc... Muitos são os exemplos.

Parece uma comparação muito, muito pobre e sem nexo, mas foi a primeira coisa que me passou na cabeça; imagine um cão de rua que adora correr atrás dos carros em movimento e vai latindo para os pneus por longos trechos. Quem já viveu esta experiência vai entender o que eu quero dizer. O que ocorre quando o carro pára, após o cão passar um longo tempo correndo e latindo? Ele ataca o motorista? Fica esperando o primeiro que sair do carro para atacar? Ele ataca o pneu? Ele arranha a lataria do carro? Chama outros cães para ajudar a colocar medo e atacar em grupo?..rs.. Pois bem, em 99,9% dos casos, ele simplesmente fica imóvel ao lado do pneu, olha para um lado, para outro e se afasta ou segue seu caminho de volta para onde estava incialmente, ou seja, não faz nada verdadeiramente significativo. O que desejo exemplificar com isso! É que o cão ao ver o carro parado, perde sua razão de ser e agir. O que realmente importa é seguir com o jogo "Mocinho x Bandido"; ele adora mesmo é a perseguição!

Quando a causa que impulsionava o cão deixa de existir, todo o restante perde o sentido. Não sabe o que fazer, não sabe como agir, não faz a mínima idéia do por que estava fazendo aquilo. Irracional? Não, é causa e efeito. O carro e o pneu não deixaram de existir, só estão em outra condição física, e esta mudança de condição foi suficiente para tirar do cão sua busca implacável, desenfreada e desnecessária. Mas basta o carro voltar a andar que toda a perseguição volta a ocorrer!..rs..

Agimos de forma semelhante com os conflitos diários em nossas vidas. Enquanto há movimento, enquanto há algo que desencadeie nossa adrenalina, nosso instinto de perseguição, nossa ânsia por guerrear, continuaremos nos alimentando psico-emocionalmente dessa situação. Uma vez que harmonizamos os conflitos cotidianos, internos e externos, a paz é estabelecida, mas não perdemos o conceito de conflito; ele está apenas adormecido em algum canto.


Foto: http://letrastk.blogspot.com/2009/11/paz-depois-da-guerra.html

2 comentários:

gelci disse...

Bom dia, permita-me...
Belo trabalho amigo, muitos morreram falando de amor e tentando semear a paz, o existir é uma guerra diária com o vazio, pois ocupar o vazio e expulsar alguem do espaço ocupado, lutamos pela sobrevivência como qualquer animal e nos tornamos o pior dos animais no momento da ira.
Obrigado pela doação, paz ao teu coração e sejas feliz!

Flávio Nunes. disse...

Bom Dia meu amigo,
Fico muito feliz que tenha vindo e comentado!
O que dizer do seu comentário? Acredito que tenha simplificado em quatro linhas o que eu disse em oito parágrafos!
Muito obrigado por suas palavras meu querido e estimado poeta!
Tenha uma ótima semana!
Abração,
Flávio Nunes.

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