segunda-feira, 28 de março de 2011

Invisível!

A muito queria escrever sobre isso; sou invisível! Mas não para todos, e sim para alguns. É uma sensação estranha ser invisível. Não acostumo-me com isso, mas tenho visto que esta é uma nova tendência, ou criação, ou ainda, conseqüência do segundo decênio do século XXI.

É um fato que, "tornar-se invisível" sempre foi uma qualidade que o ser humano obteve para si próprio e para o seu próximo. Entretanto, talvez agora, com o aumento desenfreado da individualidade e praticidades do mundo "pós-moderno", isso tenha se intensificado.

Trabalho para a saúde e o bem estar dos animais e, consequentemente, para que o ser humano obtenha a máxima satisfação e afinidade com seus animais de estimação (Aqui só os de estimação). Um cão, gato, roedores ou pássaros, não vão sozinhos ao meu encontro; eles são levados por humanos, responsáveis diretos ou indiretos pelos seus cuidados. Faço muitos atendimentos por semana, muitos voltam duas ou três vezes e em mais de 90% dos casos eu obtenho uma resposta satisfatória e re-estabeleço a harmonia entre saúde e satisfação pessoal inter-espécies, ou seja, dos animais com seus donos!

A questão é que mais de 75% desses 90% que obtém grau de satisfação máximo na tríade Veterinário x Animal x Responsável/Dono, excluem, ou melhor, anulam o primeiro membro da tríade (Veterinário), quando tudo vai bem (Se algo não sai como eles desejam então, ainda saem falando mal! NOTA: O problema torna-se mais grave quando outros veterinários falam mais mal que os próprios donos, numa tentativa medíocre e infantil de "ganhar" o cliente para si). Não quero ser melancólico ou demonstrar carência com minha explanação, quero dizer que cerca de 75% dos clientes tratam-me como um entregador de pizza (Olha que eu sou um dos poucos que perguntam como eles estão, se o movimento está bom no dia, etc...). Desculpem-me os entregadores de pizza, mas o que quero dizer é que a relação é assim: Animal doente, liga para o veterinário, ele trata o animal, o serviço é pago e a satisfação garantida, ponto! A relação não é dinâmica, é mecanizada por parte dos clientes!

No começo eu me incomodava muito com isso, hoje estou bem mais tranquilo; no entanto, é muito ruim encontrar uma pessoa, cujo animal você tratou e que hoje está ótimo, passar por você na mesma calçada e nem sequer olhar no seu rosto (às vezes fazem questão de parecer que não viram), que dirá dar bom dia, boa tarde ou boa noite! Mais uma vez, é válido dizer que, cerca de 25% tornam-se amigos e que não se importam nem com hora e nem com lugar para parar, cumprimentar e dar um "Olá"! Menos de 5% dão um abraço.

Conto-lhes um segredo, se eu fosse montar um gráfico que mostrasse quem são as pessoas mais carismáticas e que possuem maior reciprocidade no pós-tratamento de seus animais de estimação e resposta seria semelhante à figura abaixo:



Não faço a mínima idéia do porque isso ocorre! Mas é um fato e eu o constato diariamente!

Abração,

Flávio Nunes.

PS: Não são nas clinicas e nem no domicílio, a constatação se dá nos encontros espontâneos do dia-a-dia!


Foto: http://v-v-c.blogspot.com/

8 comentários:

Verinha disse...

É Flávio.. isso realmente é uma coisa difícil de se entender.. aliás não só no seu ramo de trabalho.. mas de forma geral isso ocorre com frequência.. só que as pessoas se esquecem que "dor de barriga" não se dá uma vez só... ( eu já sou mais na lata rsrsrs sem meias palavras rsrsrs) e coloco isso mais além.. para mim é pura falta de educação e de agradecimento. Às vezes penso que as pessoas se esquecem que não somos uma ilha.. e que aqui estamos e precisamos, mais ou mais tarde, uns dos outros.. Enfim, para completar com chave de ouro o meu "não breque na língua".. denominaria esses seres de "pobre de espírito" rsrsr.. Uiaaa hoje eu tô que tô hein? rsrsrsrsr é melhor eu parar por aqui rsrsrsrsr
Beijinhos no coração...
Verinha

Flávio Nunes. disse...

Olá Verinha,
Antes eu pensava que isso só ocorria nos grandes centros, já que quando morava na cidade do interior, isso raramente ocorria! Uma vez que faziamos amizade, bastava encontrar o recém-conhecido na rua e já vinha pelo menos um bom dia! Hoje em dia, lamento o fato de até lá, nas cidades do interior, esta indiferença ocorrer! O que está ocorrendo?
É lamentável o ser humano não perceber que sociedade, assim como comunidade, é uma "junção" de seres humanos com propósitos semelhantes e troca de vivências, cuja finalidade é o engrandecimento de todos e a promoção pessoal na coletidade! Quanto mais harmônicas forem nossas relações, melhor será para todos! Nisso, ser simpático é o mínimo! Pelo menos esta é a minha opinião!
Obrigado pelo seu comentário minha amiga e por compartilhar sua opinião!
Abração,
Flávio Nunes.

Fábio disse...

Meu amigo... é bem isso. Ainda não sou veterinário, mas vou ser e estou lidando com isso já na clinica do hospital veterinário. Já lidava antes com a vida em comum. Tem aqueles que conversa com você, algumas vezes olham, falam um oi exatamente esquematizado no seu gráfico, outros nem se quer olham... E os que dizem oi tudo bem a grande maioria é da renda baixa. Existem aqueles que ultrapassam seus 17 salários mínimos por mês e conversa, é simpático etc... Mas consegui associar isso com a educação vinda, desde seus primórdios quando criança. Esse que ganham bem e te cumprimenta, conversa, diz oi como vai etc, são aqueles que vieram de família humilde e/ou do interior.
Um segredo: Viajei esse mês de março, passei por Campinas, São Paulo, São josé dos Campos e Cachoeira Paulista (na divisa com minas...) e vi o tratamento das pessoas comparando essas 4 cidades. Alguns muitos mau educados e nem ligam se você quer ou não uma informação, e a minoria ou seja de 10, 3 te tratam bem sejam em uma lanchonete, livraria ou um taxista pedindo informação.

Aqui vejo muito mais pessoas "amigáveis". acho que pela cultura do Paraná e por ser um cidade do interior, pequena etc... Mas existem aquelas do tipo novela das 8, "nariz" empinados, com seu carro importado e sua roupa de grife toda maquiada em pleno domingo de manhã no supermercado.

Enfim, faço a minha parte no dia a dia, o que não quero pra mim não quero para os outros.

Boa reflexão. Abraços

Gata Lili disse...

Flávio adorei seu post e é uma realidade preocupante. Desabafe sempre por aqui.Para mim, vet que cuida bem, trata, é atencioso, é meu fã. Gosto de vets que cuidam dos meus gatos como devem ser cuidados.

Flávio Nunes. disse...

Olá Fábio,
Pois é meu amigo, já andei bastante por aí... não muito, mas o suficiente para perceber que esta realidade que descreveste é bem verdade! Aqueles que pouco possuem, não fazem questão de dividir o pouco que tem com os outros; os que muito tem, muitas vezes, por boa educação são sociáveis! Mas te digo, é mais fácil receber gratidão daqueles que nada têm do que daqueles que têm em abundância! Como eu disse, já penso em escrever sobre isso a muito tempo..
Vou lhe contar algo, enquanto humano e filho de Deus, tenho uma dívida com tudo e todos que pelo meu caminhos cruzam! Assim como você, faço eu também a minha parte... sendo cordial, bem humorado, simpático, etc, etc, etc... E assim vou vivendo, amando e doando alegria por onde passo, sem esperar nada em tronca!
Obrigado pelo seu comentário meu amigo e também pela sua experiência de vida co-dividida!
Abração,
Flávio Nunes.

Flávio Nunes. disse...

Olá Gata Lili,
Fico muito feliz que tenha gostado do meu post! Realmente é preocupante, mas que podemos fazer se doamos o que temos de melhor e a reciprocidade não ocorre? Eu continuo fazendo o melhor que posso... mas às vezes me pergunto se é suficiente!!!!!
Obrigado por compartilhar a sua opinião sobre este tema!
Abração,
Flávio Nunes.

Ká Oliveira disse...

Oi querido amigo...
Super interessante o seu post... mas vou dizer uma coisa pra ti.. o povo com falta de abraço, é poruqe não abraça sua criação, ou melhor dizendo, seu bixinho de enfeite. Aqueles que os consideram mesmo de estimação, com certeza passarão pelo médico e além do abraço, vai querer contar até quantas vezes o bixim fez cocô por dia..hahaha.
Já disse que sou mãe de aluguel de uma Shitzu, né? pois então, eu a levo no colo pra cama.. faço um carinho e pronto!
Anjinho.. não se doa pela falta de humanidade no ser humano, os bixim, com certeza devem suprir essa falta...
beijo enorme
sua amiga de sempre
karina

Flávio Nunes. disse...

Olá Ká,
Acho que você disse algo importante, o pessoal que não se importa com um abraço, é porque não tem esse tipo de carinho e sensibilidade para com a criação!
Como eu disse no texto, essa "invisibilidade" ocorre na rua e nos encontros cotidianos... no consultório, enquanto sou útil (E ai de mim se não for, na cabeça deles..rs..), todos, diria 99% das pessoas, são um doce..rs..rs.. Interessante não?!?!?!
Claro que lembro da "sua" Shitzu! Que felicidade saber que está sendo muito bem cuidada...
Continuo fazendo a minha parte e tudo aquilo que não obtenho de carinho e atenção dos seres humanos, os tenho em abundância dos animais!!!!!
Uma ótima noite e uma extraordinária terça-feira!!!
Abração,
Flávio Nunes.

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