terça-feira, 1 de março de 2011

O portal do Inferno - Parte I (Fábula) #3

Continuação das postagens:
Sobre o Inferno, o Mundo e o Paraíso (Fábula) #1
A Escolha do Primeiro Portal (Fábula) #2 


Sem exitar o bravo guerreiro adentrou o portal do inferno. "Que coisa vou encontrar por lá? Que tipos de criaturas devem existir? Será o inferno tão quente e inóspito quanto dizem por aí? Será que encontrarei demônios e almas amaldiçoadas'? Estas e tantas outras  perguntas passavam por sua cabeça naquele caminho obscuro.

Não demorou muito e avistou uma pequenina luz ao longe, que à medida que andava tornava-se cada vez mais proeminente e cintilante. Aquela luz foi por um instante seu fio condutor, sua meta. Não demorou muito e o brilho intenso da luz começava a ofuscar seus olhos, andava com uma de suas mãos sobre os olhos, temia que que todo aquele brilho o cegasse. Saiu de um lugar completamente escuro para chegar noutro com luz tão intensa. Não sabia qual incomodo era maior, ou da completa ausência de cores ou a sua completa presença. Concluiu que todos os extremos lhe eram ruins de uma maneira ou de outra, entretanto a luz intensa lhe causava maior incômodo, hava visto que a escuridão acaba na medida que uma faísca faz fogo e este ilumina o ambiente; e quanto a luz, o que a faz diminuir de intensidade? O homem não conseguia mais ver onde pisava e muito menos para onde estava indo. Seguia o caminho por puro instinto.

Num determinado momento ele não aguentando mais aquela situação prostrou-se de joelhos e ali permaneceu por um longo período. Passados alguns minutos, não muitos, nem poucos, algo estranho começou a ocorrer. Sentiu como se todo seu corpo levitasse e o vermelho intenso que transpassava suas palpebras não mais existia. Ainda com certo receio, abriu os olhos bem devagar e pôde ver o mundo à sua volta.

Estava ajoelhado no meio de uma estrada, cercado por árvores gigantescas, que mais pareciam tocar o céu. Pôde ouvir ao longe o barulho de um riacho e muitos animais correndo por entre a mata densa. "Que lugar é este? Será mesmo o inferno? Se for, acho que algo está muito errado. Isso aqui em nada se parece com o inferno que pintam por aí", pensou o homem recém chegado ao inferno. Ainda meio tonto após a recém experiência, colocou-se de pé com a ajuda de seu cajado. "Para que lado seguir? Não importa, qualquer lado vale para aquele que não sabe onde está e nem onde deseja chegar"! Assim pensando, escolheu o norte e pos-se a andar. Achou estranho não haver nenhum portal por perto. Isso o fazia concluir apenas uma coisa: "Terei que descobrir o caminho de volta. Mas onde ele está"?

O terreno era cheio de pedras, entretanto as centenas de folhas espalhadas pelo chão gerava um alívio para os pés do homem que calçava apenas uma sandália de couro fino. À medida que andava, as árvores tornavam-se cada vez menores e o intervalo entre elas aumentava. Podia-se ver que além delas haviam campos vastos e verdes com grandes buracos. Agora podia-se ver também o céu com mais clareza. Constatou que o mesmo estava acinzentado, mas não eram nuvens carregadas e se não eram nuvens tratava-se de fumaça. "Mas quanta fumaça era aquela e de onde vinha"?

Não demorou muito e o homem descobriu a origem de toda aquele tom cinza que manchava o céu. A fumaça vinha de um vilarejo, situado ao pé da montanha a oeste. Pelos seus cálculos o posto ficava a poucas horas do lugar onde se encontrava no momento. Todo o restante da paisagens entre a floresta e o vilarejo em chamas não passava de um terreno completamente destruído e devastado.

"Que marcas estranhas estas no chão. Nunca vi nada semelhante! Estas assemelham-se a pegadas, mas a marca deixada por estes pés não condizem com nenhuma sandália que eu já tenha visto! E estas outras aqui, parecem pneu de madeira e aço, mas também não condizem em nenhum que eu já tenha visto antes. Estes são largos e cheios de altos e baixos"! Aquela visão começa amedrontar o guerreiro, jamais em sua vida tinha visto coisa semelhante. "Agora sim isto está parecendo o inferno", pensou! Não precisou andar muito para ver que as tais marcas no chão multiplicavam-se a cada nova curva que fazia. Deveriam existir centenas ou milhares de marcas no chão, imaginou proporcional número de homens ou seres.

Não podia desistir, foi sua escolha vir conhecer o inferno e já que estava alí, tinha que seguir adiante até onde desse. Além disso precisava encontrar o caminho de volta à caverna, e isso não poderia levar mais que sete ciclos lunares.

Continuou a sua caminhada e após transpassar alguns montes avistou ao longe pessoas vindo em sua direção. "Serão mesmo pessoas, ou almas condenadas, ou pior, seriam demônios"? Pensou o homem, que naquela altura estava com fome e sedento. Para não chamar a atenção daqueles que vinham, resolveu esconder-se atrás de uma pedra á beira  do caminho e aguardou.

Não demorou muito e viu-os chegar e passar. Eram homens, mulheres e crianças, todos muito sujos, com roupas velhas e muito magros. Alguns aparentavam doença, outros apenas exaustão, entretanto haviam alguns carros que traziam pessoas feridas, muito feridas e outros com pessoas mortas. "Seriam demônios"? Ele não sabia. Mas não aparentavam-se com demônios! Sabia que o inferno prega peças, e nem tudo o que parece ser o é em verdade. Se ficasse ali escondido aquelas pessoas passariam e ele não seria capaz de confirmar se estava ou não no caminho certo. E por mero afoitamento, surgiu da trás da pedra e abordou os passantes:

- Queridos amigos, sou Stevan das terras baixas e venho lhes pedir ajuda. Por favor não se assustem, não lhes farei mal algum, desejo apenas confirmar se estou no caminho devido!

Todos assustaram-se com a presença do homem. Tanto pelo seu imediatismo ao aparecer, quanto por trajar roupas tão distintas das que portavam. Mas passado o susto inicial, surgiu por entre a multidão um homem barbudo, cabelos negros e olhos de proporcional negritude.  Era alto e de todos alí, era o único com o melhor tipo físico. Empunhava um tipo de metal estranho em suas mãos, preso ao pescoço por uma corda de couro. Nosso guerreiro não sabia o que era e por este motivo não ficou nem apreensivo nem alerta, simplesmente esperou a aproximação do homem.

- Que você quer? De onde vens estrangeiro? De que lado está? Começou o homem a perguntar.

- Desejo descobrir o caminho para o vilarejo! Já disse, venho das terras baixas e não sei de que lado estou, acabei de chegar aqui neste mundo e não sei bem como comportar-me aqui neste lugar! Falou o guerreiro em tom firme e baixo.

O homem que empunhava o bastão de metal não viu nele mal algum e nem um risco a todos quantos estavam seguindo junto ao comboio.

- Estás com fome, meu pobre homem? Deseja vir conosco?

- Sim, estou com fome e sede! Quanto a ir com vocês acredito que não, não os conheço, além do mais preciso chegar à origem da fumaça, acredito que lá encontrarei algo que estou procurando!

- Lamento informar, mas aquela cidade foi completamente destruída pelo mal! Não vejo a hora de acabar com esse inferno!

- Então estamos realmente no inferno?

- Sim! E você acaba de chegar para se juntar a nós!

- Mas quem são vocês?

- Somos pessoas que sobrevivem ao mal irradiado neste mundo por "demônios" vindo do quinto dos infernos para nos aterrorizar, matar nossas famílias e destuir nossas casas! Estamos lutando para sobreviver e sair daqui vivos.

- Pois é isto também que desejo: sair daqui vivo e retornar ao meu mundo!

- Não sei quantos mundos existem e nem onde fica o "seu mundo", mas não seria muito inteligente vagar por aí sozinho! Junte-se a nós e terá mais chances de sobreviver.

- Tudo bem então, junto-me a vocês! Mas com uma condição!

- Qual é sua condição?

- Preciso chegar ao portal que me levará de volta à caverna de onde vim!

Após estas palavras o homem barbudo e mais alguns que encontravam-se ao seu redor não contiveram as gargalhadas. Para eles o recém chegado não passava de um louco atormentado.

- Tudo bem, te levaremos de volta à sua caverna! Mas onde ela está?

- Não faço a mínima idéia! Após isso, mais gargalhadas.

- "Pobre homem, atormentado por causa desse inferno"! Pensou o barbudo e complementou em voz alta: - Tire estas roupas e vá no último carro ver se encontra algo melhor para vestir, parece que veio de outro mundo mesmo!

- Vim mesmo meu senhor, estás certo! Agora o que desejo é encontrar meu caminho de volta para caverna e consequentemente para casa! Preciso fazer isto antes dos próximos sete ciclos lunares. Só então voltarei para casa com segurança! Se tudo correr bem ainda chego a tempo para comemorar o ano novo cristão de 5.431!

- Agora sim você enlouqueceu de vez meu pobre homem! Estamos para comemorar o ano novo cristão de 1942!

Após isso, o novo integrante do grupo foi escolher roupas novas.


(Continuação...)


Foto: http://www.portalcwb.com/?p=2419 

4 comentários:

Ká Oliveira disse...

Oi Fla.. antes de falar do texto, algumas correções, se não se importar:
" Não precisou andar muito para ver que as tais marcas no chão multiplicavam-se a cada nova curva que Fazia. Deveria existir centenaS ou milhares de marcas no chão, imaginou proporcional número de homens ou seres." coloquei as letras em maiúsculo.. sorry

Olha.. estou fascinada pela linha que está seguindo querido!!
Grande beijo

Flávio Nunes. disse...

Olá Ká,
Claro que não me importo... não me importo mesmo, até sinto-me agradecido com tais correções! Somente verdadeiros amigos auxiliam os outros de coração sincero, para no fim, ambos se engrandecerem!!!!!! Resumo: Correção vista, aceita e realizada!..rs..
Fico muito feliz por gostar da linha que estou seguindo, mas saiba que esta é apenas uma das linhas que gosto! Estou trabalhando num projeto muito especial... quando tiver mais coisas sobre ele eu te falo!
Abração,
Flávio Nunes.

Ká Oliveira disse...

Oi querido amigo...
Estava eu xeretando seu blog e percebi minha curiosidade batendo na SUA porta..hahahaha..
Adoraria ler a continuação desses.. será que só deixado para mais tarde ou esquecido?
O verdadeiro inferno do leitor é a pausa do escritor; ainda que no inferno o escritor esteja pensando no descaso do leitor... (opa.. devaneios e palavras de myself..kkkk)
Beijo grande

Flávio Nunes. disse...

Oi Ká,
A alguns dias atrás eu lembrei-me desta história e pensei com continuá-la! Estou pensando em como nosso "Herói" vai se comportar daqui para frente. Acabei escrevendo outras tantas coisas e esta história ficou um pouco de lado! Mas tenha certeza que irei retomá-la!
Para responder a sua pergunta, lhe digo: Estou deixando ele para mais tarde!
Gostei muito do jogo de palavras entre escritor, leitor, inferno e textos deixados de lado..rs..
Abração minha amiga,
Flávio Nunes.

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