domingo, 3 de abril de 2011

A História de T.J.!

Imagine uma pessoa do tipo paciente, imaginou? Agora multiplique por dois. Pois bem, este era T.J., um garoto como outro qualquer, que gostava de ler revistas em quadrinhos, sair com os amigos, jogar vídeo-game e gostava de brincar com seu cãozinho de estimação. Mas T.J. guardava um segredo que não contava a ninguém. Segredo este que estava prestes a ser descoberto por um amigo e que lhe renderia glória e desalentos.

O garoto de estatura mediana, corpo levemente acima do peso, pele morena, cabelos crespos e olhos castanhos amendoados, tinha uma caixa em baixo da cama e dentro dela estava o seu segredo. Lá haviam alguns cadernos que continham anotações e desenhos dos mais variados. Isso mesmo, T.J. deixava de jogar bola no fim da tarde com os amigos para sentar em frente do caderno e simplesmente, escrever.

As desculpas para não sair e brincar eram as mais variadas e criativas. Iam desde dor de barriga a ajudar a mãe a preparar biscoitos amanteigados. Na realidade ele estava debruçado sobre o caderno escrevendo sem parar, sobre os assuntos mais variados. Não gostava muito de ler naquela época; gostava sim era de inventar suas próprias histórias, seus próprios poemas, seus próprios contos de terror e ficção científica. Sem métrica, sem nada; era uma escrita livre!

O gosto pela leitura veio mais tarde, também pelo estímulo da mãe, sua grande cúmplice. Ela achava sua letra muito feia e por isso estimulava o filho a pegar tiras de jornal, parágrafos de livros e transportá-los para o papel. No começo era um martírio para T.J., mas com o tempo ele gostou tanto da idéia que sua mãe nem precisava mais insistir. Na realidade ela tinha que contê-lo e persuadi-lo para que fosse brincar na rua com os amigos. Ele inventava as histórias e desenhava os personagens. Para ele, que tinha pouco mais de onze anos, isso era uma grande diversão. Era filho único, e como tal aprendeu a divertir-se sozinho.

O gosto pela leitura veio mais tarde, entre os estudos para a prova de admissão na universidade e os primeiros meses de vida acadêmica. Adorava as matérias e os textos passados em sala de aula. Todavia, o melhor posto da universidade era a Biblioteca. Mas tudo aquilo não era o suficiente, queria entender outras coisas que não uma teoria já pronta e regurgitada sobre ele pelos professores. Queria entender o mecanismo funcional da apreensão do conhecimento e como era a melhor maneira e a mais abrangente possível, para atingir o maior número de alunos e fazer destes bons profissionais. Que interessante um aluno de graduação pensar nisso e não em sair com os amigos, beber todas e dar muitos beijos na boca. Fez tudo isso, mas preferia os livros e seus momentos de escrita, à gastar dinheiro para perder o juízo.

Que grande confusão passava pela sua cabeça. Não entendia por que gostava tanto da área de saúde, já que boa parte de sua vida foi voltada para a área de letras. Tinha que solucionar este impasse. Foi então que começou a estudar textos pedagógicos e psicológicos, textos de comportamento, evolução, filosofia e religião! Deveria haver uma maneira de inter-ligar tudo isso, e outras coisas secundárias, de forma que o maior número de pessoas tirassem o melhor proveito da ciência, da religião e da vida profissional e pessoal. A meta passou a ser a promoção do ser humano em sua totalidade!

Viu, com o passar dos meses e dos livros, que seu objetivo fora tentado por outros antes dele, mas que até o momento nenhum fim haviam chegado. Ler, escrever, filosofar e entender o mundo à sua volta, passou a consumir boa parte do seu tempo. Bastou dois semestres universitários e T.J. já não era mais o mesmo garoto de antes. Havia amadurecido fisicamente e psico-emocionalmente. Compreendeu que tomar muita bebida alcoólica não era bom, pois o tirava da realidade e não o fazia pensar ordenada e coerentemente. Beber pouco, um copo de cerveja ou uma taça de vinho, acompanhado de seu bloco de anotações era muito mais interessante. Fumar não o atraia. E bastava um amigo chegar, para ele “vomitar” em cima dele todo o seu brainstorm.

Nessa altura já tinha namorado três meninas, mas não eram a sua cara-metade. Tinha certeza que a sua pretendida estava em algum lugar do mundo, mas definitivamente não era ali. Começou a estudar as bases da Física Quântica, o pensamento Ecológico, sobre Eco-fisiologia e Fisiologia Comparativa. Nessa época todos os que se diziam amigos não mais estavam em seu encalço. Preferiram mais a cerveja e o risco de adquirir doenças sexualmente transmissíveis, à uma boa conversa sobre a formação do universo, a ligação entre todos os seres vivos com seus ambientes de origem e como era possível tratar desde uma formiga à baleia, utilizando-se de ferramentas que iam do construtivismo à extrapolação alométrica.

De tanto estudar e desenvolver suas próprias histórias ao longo da vida, desenvolveu também seu conceito de Amor Ágape e de ligação com o Eterno Pai. Percebeu que nada do que há no mundo se compara ao que os grandes mestres da espiritualidade disseram ao longo dos milênios. Concluiu que o ser humano subverteu o mundo ao seu bel prazer e tudo quanto era bom, ético, racional e prazeroso, havia de alguma forma ganhado uma mascara e uma sombra no fundo da caverna. Deu graças a Deus por ter entendido o Mito da Caverna a tempos e por ter lido bons livros até aquele instante. Pagou o preço da indiferença. Só não sofreu mais pois há em seus lábios um sorriso fácil, um forte aperto de mão e um abraço caloroso!

Hoje, T.J. vive com sua cara-metade, trabalha no que gosta, toma cerveja quando quer e escreve nas horas vagas. Continua lendo constantemente sobre diversos assuntos e continua arrumando desculpas para aprender algo novo em cada raiar do sol. É claro, sua estante de livros e as caixa dobraram de tamanho e quantidade desde os onze anos. T.J. ganha o suficiente para sobreviver e não sabe até hoje como chegou onde está e nem porque cá chegou. Sabe apenas que após tantos “tantos”, é hoje um homem como outro qualquer, mas que procura fazer de sua vida uma obra de arte inigualável.


4 comentários:

Verinha disse...

Esse personagem não sei não... me faz lembrar de uma pessoa que sempre veio aqui visitar [:)] ... será?!?

Beijocas em seu coração Flávio e um ótimo domingo para você!

Verinha

Ká Oliveira disse...

Oi querido amigo,
Estou de volta!! fiquei longe 5 dias das minhas leituras e trocas virtuais.. mas foi bom voltar te ouvindo mais uma vez...
Amei a história e acho que sempre teremos um pouco de T.J. dentro de nós.. qualquer semelhança será mera coincidência, ou fazemos parte da mesma sintonia de Amor Ágape! rsrs
Flá, continue; continue...
Grande abraço
sua amiga
Karina

Antonio de Aruanda disse...

Muito prazer, T.J. - Texto delicioso,meu amigo. Grande abraço.

Flávio Nunes. disse...

Olá Verinha,
Pois é, o T.J. foi um personagem que eu inventei baseado em minhas próprias experiências de vida!!!!..rs.. Tem coisa que é ficção e tem coisas que são reais..rs..
Gostaria de parabenizar a sua sensibilidade para perceber isso!!!!!
Obrigado pela visita..rs..
Abração,
Flávio Nunes.


Olá Ká,
Que bom que está de volta! Você tem razão, o T.J. é um personagem bem interessante e em maior ou menor escala, cada um de nós tem um pouco dele. Ele tem algumas características bem marcantes e uma singularidade sem igual! Coloquei nele algumas de minhas características, no entanto ele, diferente de mim, é um ser único e irrepetível!
Continuarei, continuarei...rs...
Tenha um ótimo dia minha amiga!
Abração,
Flávio Nunes.


Olá Antonio,
O T.J. agradeço os seus cumprimentos..rs..!!!! Fico feliz que tenha gostado do texto e agradeço a sua visita! É sempre muito bom recebê-lo aqui no meu "piccolo mondo"!!!!!!
Tenha uma ótima semana meu amigo!
Abração,
Flávio Nunes.

Postar um comentário

Postagens populares

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...