sexta-feira, 13 de maio de 2011

Meu cão não é um bebê?

Ao longo das últimas décadas a relação inter-específica, homem x animal, vem ganhando uma nova roupagem, ou seja, os cães – e os outros animais domésticos e/ou de estimação –, estão deixando o posto de animais de companhia e assumindo o posto de membros da família. A troca emocional é tão grande que as “recompensas” são semelhantes as dadas aos nossos próprios filhos. A diferença é que os filhos crescem e saem de casa. Os cães, não.

Inconscientemente, sabe o que queremos deles? Eterna juventude. Queremos que o cão seja um “eterno filhote”, saudando-nos com “beijos”, que role no chão para ganhar cosquinhas, queremos obediência e agressão zero. Mas nem sempre isso ocorrer e descobrimos que nossos animais são únicos, como qualquer outro ser no mundo, e fazer com que percebam e entendam que são “bebês”ou “filhos”, gera neles um conflito interno muito grande.

O cão, em particular, é um animal que na natureza, revendo sua ancestralidade e ontogenia, vive em bandos. É natural para eles, transferirem para a relação com o dono a hierarquia de uma matilha, onde sempre há um líder. A questão é: Quem é o líder em sua casa, você ou o cão?

Quando pegamos um cão para cuidar e tratar, no ambiente doméstico, devemos estar preparados para obedecer ou dominar. É um jogo comportamental e psico-emocional, que ao menor sinal de fraqueza de nossa parte, ele – o cão –, tentará se impor. Na maioria das vezes eles conseguem ser o(a) dominador(a), o(a) líder; e nós seus subordinados. É nesse ponto que os problemas/distúrbios comportamentais podem começar a surgir. Em alguns casos os cães adultos e cães idosos desenvolvem o que chamamos de “manias”, entretanto os distúrbios comportamentais vão além disso e muitas quase sempre começa desde que o animal é apenas um filhotinho. Por mais que pareçam da família, nossos animais de estimação não podem ser tratados como seres humanos.

Atendo, dia após dia, cães, gatos, papagaios, calopsitas,... que pelo comportamento, vê-se que estão agindo de qualquer outra maneira, menos sendo eles mesmo, enquanto animais, enquanto “indivíduos”! A maioria é possui stress, agitação excessiva, medo excessivo, e por aí vai. Que estranho seria se um ser humano se comportasse, por exemplo, como um cão. Por que então desejamos que eles, os cães e os outros animais de estimação, se comportem como humanos?

Conversamos com os animais em nossa linguagem, os vestimos com roupas, lhes damos jóias valiosas, lhes damos brinquedos, às vezes até damos chocolate, biscoitos,... Dizemos: “Olha como ele está feliz”; “Ele entende tudo o que eu falo”; “Ele olha e me pede a comida”; Será mesmo verdade tudo isso? Duvido muito.

Para concluir, gostaria de expor alguns dados. Analisemos o começo do desenvolvimento dos cães como uma janela para o desenvolvimento para a mente deles. Enquanto os filhotes são pequenos, a cadela fica  no ninho e eles devem encontrá-la, devem ir até ela. Algumas cadelas costumam pegar um ou outro filhote desgarrado e coloca-os perto de seu corpo, entretanto é o filhote que precisa procurar as mamas para obter o alimento que precisa. Ela nunca oferece a mama, só coloca-se à disposição. À medida que eles crescem, às vezes ela se distancia deles – ou chega a empurrá-los – quando a procuram para mamar. Na natureza, é aí que a disciplina e a seleção natural começam. Os filhotes mais fracos demoram mais tempo para encontrá-la e não conseguem competir no momento da amamentação. Se a cadela perceber certa fraqueza em um dos filhotes, ela não se preocupará com ele. Ele pode até morrer. É possível perceber desde então a enorme diferença entre seres humanos e cães.  Somos a única espécie animal que se preocupa demais com um filho fraco. Não existe unidade de terapia intensiva numa matilha. Não é que a cadela  não cuide dos filhotes – na verdade, no mundo natural dos cães, “cuidar” significa garantir a sobrevivência da matilha e das gerações futuras. Um filhote fraco, que não consegue acompanhar os outros, coloca a matilha toda em risco por desacelerá-la; além disso, em termos genéticos, pode crescer fraco e gerar filhotes fracos. Para cruel, mas no mundo natural os fracos são sempre eliminados antes. 










10 comentários:

* Verinha * disse...

Fabulosa abordagem Flávio!
Beijocas super em seu coração e um maravilhoso fim de semana para vc!

Verinha

Flávio Nunes. disse...

Olá Verinha,
Desculpa a demora para responder..rs.. últimamente isso está virando uma constante..rs.. Motivo? Reta final para casório..rs..
Fico feliz que tenha gostado da minha abordagem sobre o tema! Mais textos sobre este virão!
Tenha uma ótima semana!
Abração,
Flávio Nunes.

Mary Kenchian disse...

Flavio,

Adorei a frase "inconscientemente, sabe o que queremos deles? Eterna juventude" no meu caso é conscientemente mesmo. Eu sempre digo que tenho 3 filhos e o terceiro é meu cachorro, a diferença é que ele nao vai crescer e me abandonar um dia....rsrsrrs
Adorei seu texto..

Beijos e boa semana

Flávio Nunes. disse...

Olá Mary,
Muito bom receber o seu comentário! Legal saber da sua relação com o seu animal de estimação! Estou voltando a estudar os assuntos relacionados ao comportamento animal e "psicologia" canina! Pretendo começar a trabalhar com isso daqui a algum tempo. Por isso o texto sobre a relação que temos com nossos amigos de quatro patas..rs..
Tenha uma maravilhosa semana minha amiga!
Abração,
Flávio Nunes.

KikalGarcia disse...

Adoro animais, já tive vários, uma pena na casa que moro não ter espaço ... mas já já estarei na minha, com um big quintal ai sim quero um lindo dog alemão ...

penso quando meus filhos estiverem na facul ...tenho pavor de solidão

Flávio Nunes. disse...

Olá Kikal,
Muito bom saber que você adora animais!!!!! Boa sorte na casa nova e com o seu lindo Dog Alemão..rs.. Um cão é sempre uma boa companhia!
Tenha uma maravilhosa semana!
Abração,
Flávio Nunes.

pedro disse...

Olá!!!
Gostei do seu post. As pessoas precisam realmente amar seus animais, respeitando seu espaço e suas necessidades . Penso que o ser humano, hoje em dia, está muito carente e por esse motivo, estão ainda mais apegados aos seus pets e acabam afetando o comportamento deles.
Abraços

Ká Oliveira disse...

Oi querido!!!
Desculpe a demora da visita... simplesmente amei o tema.. eu nunca tinha visto esse cara dos videozinhos.. muuuito bom.
Acho que deveria ter adestrador de humanos para seus animais e não o contrário..hahaha
grande beijo

Flávio Nunes. disse...

Olá Pedro,
Obrigado pelo comentário! Concordo com você quando diz que os seres humanos estão mais carentes, mas não é só isso! Acho que as pessoas estão passando por um processo de adaptação e individualismo. Estão desacreditando em outros seres humanos.
O problema ocorre no momento em que percebemos que nossa natureza é social, ou seja, não podemos viver sozinhos, aí o "individualismo" entra em crise e procuramos companhia de alguma maneira! E então, descobriu como? Pois é, nos apegamos demais aos animais; numa tentativa de suprirmos o "buraco" causado pelo individulismo!
Isso é só a ponta do iceberg!
Tenha um ótimo final de semana meu amigo!
Abração,
Flávio Nunes.

Flávio Nunes. disse...

Olá Ká,
Obrigado pela presença e comentário... quanto a demorar... tudo bem...rs... Só não demora muito..rs.. Brincadeira!!!!!
O cara dos vídeos se chama César Millan! Existe um livro dele chamado "O Encantador de Cães", mesmo nome do programa dele no Animal Planet! Muitas das técnicas que eu utilizo na clinica para controlar animais mais medrosos, ansiosos, agressivos,... aprendi com ele!!!!! Tem vários vídeos dele no You Tube, muitos somente em inglês..rs.. Melhor para você!!!!!
Quanto ao seu comentário..rs.. ele é muito pertinente e César faz também esse "adestramento de humanos" para seus animais..rs..
Tenha um ótimo final de semana!
Abração,
Flávio Nunes.

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