terça-feira, 3 de maio de 2011

Pedir Desculpas!

Às vezes, por pura infantilidade ou gozando de uma liberdade que não se sabe mensurar ao certo, agimos de maneira inconseqüente. Infelizmente, as ações que para nós parece banal pode soar rude e grosseira para o outro. Estas atitudes, tidas algumas vezes como agressivas, "ferem" os outros, e de acordo com a sensibilidade de cada um, quando cicatrizam deixam marcas.

Minha atitude foi natural e espontânea, coisa que para mim é banal, corriqueiro e passageiro. Quis chamar a atenção da mulher que amo para um momento que criamos e que nos liga onde quer que estejamos. Nos colocamos de acordo para que todos os dias às 20:00h pararíamos o que estivermos fazendo e efetuamos uma oração juntos. Faz aproximadamente dois meses que decidimos isso juntos e desde então tenho feito esta oração diariamente.

Ontem, como em outros dias, estávamos juntos, o relógio soou 20:00h, fui ao seu encontro e disse: "- Amor, são 20:00h"! Não obtive resposta, ela estava entretida na internet. Insisti: "- Amor, 20:00h"! No que ela respondeu: "- O que tem 20:00h"? Pensei com uma certa amargura: "- Como assim o que tem 20:00h? Estamos diariamente rezando um para o outro às 20:00h em ponto e ela pergunta o que tem 20:00"?

Respirei fundo e fiz a brincadeira mais estúpida que um homem pode fazer à uma mulher. Como estava com o celular na mão e ele tem uma capa grossa e macia de borracha, não pensei duas vezes: "- Amor, 20:00h é o nosso momento de oração", falei isso seguido de duas pequenas batidinhas leves no topo da sua cabeça. No que ela abandonou imediatamente a internet e começamos a rezar. Tudo caminhou bem, levamos sua mãe em casa e ao retornarmos ela me abordou:

"- Preciso falar algo com você"!

" - Claro amor, pode falar".

"- Não gostei do que você fez comigo".

"- O que eu fiz com você? Do que você está falando"? Já havia esquecido completamente a situação.

"- Você me agrediu. Foi uma total falta de respeito bater na minha cabeça com o celular, estou com dor de cabeça até agora,...etc, etc, etc...."!

Não estava acreditando no que eu ouvia, não podia ser verdade! Assumi interiormente que aquilo tinha sido uma atitude muito drástica para chamar a atenção dela para a oração e fazer com que abandonasse a internet, mas falar de "agressão física", "dor de cabeça por longas horas",... Como assim? Só podia ser brincadeira da parte dela.

"- Fala sério amor, que isso, nem foi forte, só chamei a sua atenção. Você não queria parar e eu dei um jeito"!

Minha falta de caridade foi notória. Eu poderia ter deixado a oração para lá, eu poderia ter deixado ela na internet até ela se cansar e após isso fariamos a oração, eu poderia ter feito um afago em seus cabelos e perguntado: "Você esqueceu né"? Mas não fiz nada disso. Como eu posso querer que alguém faça uma oração comigo e a minha maneira de chamar a sua atenção e dar duas batidinhas na cabeça de alguém? Não faz sentido algum isso. Só nos damos conta depois que passa. Como posso falar de amor, se minha falta de caridade é notória? O arrependimento tomou conta do meu coração. Entretanto não pedi desculpas imediatamente, afinal ela começou a fazer uma tempestade imensa em copo d'água. Chegou a pedir Dorflex para tomar! (Nota: O remédio encontra-se no mesmo lugar onde o deixou ontem a noite. Isso me faz pensar se ela estava mesmo com dor de cabeça).

As mulheres de plantão podem pensar: "Ela quer carinho, atenção, está fragilizada por alguma coisa, etc"! Sim, concordo. Mas se eu sustentar a fragilidade e a carência de alguém, esta pessoa jamais tornar-se-á forte suficiente para enfrentar "dores" muito maiores que esta. A culpa do filho mimado é dos pais que muitas vezes os trata com excesso de zelo. "Os filhos são criados para o mundo", não é isso que dizem por aí? Temos que dar amor, atenção, afeto,... mas não excessos. Se assim fizermos, suas asas se atrofiarão e não aprenderão a voar. Só se aprende a voar e a sobreviver no mundo, enfrentando tudo com força e determinação. Isso vale para qualquer pessoa.

Fiquei chateado, pois foi notória a falta de atenção por ela demonstrada. Por um instante pensei que ela não estava fazendo as orações diárias! Isso me frustrou e fiquei triste em ter cogitado esta possibilidade.

Às vezes eu me espanto comigo mesmo e acho que sou duro demais, rude demais, grosseiro demais; mas o amor tem mil faces e uma delas é fazer cada indivíduo equilibrar-se com as próprias pernas! Pois quando estiverem fora do ninho, os predadores não terão pena alguma.

Para mim, pedir desculpas não é nenhum problema. A dificuldade está em reconhecer que estou errado! O que já foi muitíssimo mais difícil no passado. Hoje no entanto, faço isso com uma certa facilidade, mas quando vejo que algo tão insignificante ganha proporções universais só por carência ou excesso de mimo; desculpa, mas não acho que isso seja amor! Isso é aproveitar da fragilidade alheia, de um coração arrependido, de uma mente emocionalmente abalada; e tirar proveito da situação! E quando vejo alguém tentando tirar proveito de uma situação que poderia ser resolvida rapidamente, eu não consigo engolir. Engesso e o famoso: "Desculpe, tive uma atitude grosseira. Assumo que errei! Tentarei ser menos inconseqüente e rude da próxima vez"!; não sai pela minha boca, fica entalado!

Como resposta a tal comportamento; fico em silêncio! Sei que vocês mulheres detestam isso, sei também que alguns homens fazem graças semelhantes e são  vocês que ficam em silêncio, não é verdade? Esse é um jogo que funciona para os dois lados. Um finge e o outro acha que engana. No fim, vence quem faz mais pressão emocional e psicológica. Mas do que estou falando? Como assim, vencer, perder, jogo,...? O relacionamento é um constante aprendizado, uma constante troca de amor. Entretanto basta um ceder para o outro lado da corda ganhar força! Este pensamento também não é puramente machista..rs..

A questão é: Os dois lados estão errados! A começar comigo. Por isso, quem deve assumir o erro inicial e pedir desculpas sou eu. Assim o farei e, por amor, não posso esperar nada em troca! Nenhum reconhecimento, nenhuma palavra de conforto, nenhum sorriso, nenhum afago. Se algo positivo ocorrer, os acolherei com amor. Colherei o que semeei. Só resta saber se a recíproca é verdadeira e se houverá amadurecimento de ambas as partes após isso! Só o tempo dirá.


Foto: http://www.rotinatensa.co.cc/2010/08/desculpas-para-faltar-ao-trabalho.html

4 comentários:

Ká Oliveira disse...

Querido amigo Flávio,

Sabe o quão incrível é o nosso envolvimento emocional em uma história cheia de sentimentos e tentar ser parcial em dar opiniões, conselhos ou até mesmo o silêncio quando temos sentimentos pelas partes do caso?
Precisei levantar, tomar um café, pensar no ocorrido, me colocar no lugar dos dois, enfim.. respirei fundo e aqui estou batucando meu teclado...

Primeiro, não concordo quando diz ser notória sua falta de caridade. Querido, quando nos dispomos a orar pelo nosso semelhante, independento da ligação com ele, estamos fazendo caridade. Isso tem haver com o instinto "excessivamente humano".
Do seu lado pela indgnidade sentida pela atenção não recebida e pelo lado de sua amada pelo choque de sua atenção clamada.
Acertou quando disse que ambos erraram. Quando amamos de verdade, os demais sentimentos tendem a obter força tão grande quanto: O choro será mais dolorido o riso mais engraçado, enfim tudo em doses cavalares.
Vocês estão em fase de se conhecerem, certo? Numa situação parecida como essa, os dois agirão diferente e tenho certeza que com muito mais maturidade.
Lembra do ditado da minha avó? "Para se conhecerem realmente, precisarão comer um saco de 60 kilos de sal juntos."
Acabaram de saborear mais uma pitada queridos!
Essa pitada tem nome e necessita ser freqüente: diálogo e cumplicidade.
A parte difícil do relacionamento é sim a aceitação do ser que ama e a cobrança de ser aceitado.
Isso, só encontra equilíbrio com o tempo mesmo.
Continue suas orações. Faça sua parte sem ostentar, pios tenho certeza que ela faz a parte dela.
Não exponha ser notório, algo que só você consegue enxergar. Somos tão cegos quando sentimos! hahaha...
Meu amigo, quero tudo de melhor procê, viu?
Abraço bem apertado!
Sua amiga

Flávio Nunes. disse...

Olá minha amiga Ká,
Ao ler o seu comentário, senti um embargo na garganta e uma sensação de "choro contido", sabe? Aquele tipo de aperto no peito e que não sai nada pelos olhos..rs.. Acho que agora sou eu quem fez tempestade em copo d'água..rs..
Só tenho a agradecer as suas palavras e a troca de experiências! Você está certa em cada palavra... vê-se que maturidade não tem a ver com quantidade de livros lidos, nem com a qualidade dos mesmos; tem sim a ver, com o que fazemos com as intempéries do caminho, com o quão bons somos em transformar pedras e degraus!
Nada de "notório" daqui para frente..rs.. Que venham os outros 59,900 kg de sal..rs.. Adorei quando você diz: "Somos tão cegos quando sentimos"! Isso tocou fundo no meu coração...
Tenha uma vida iluminada minha querida amiga! Saiba que hoje ajudaste um ser humano a re-encontrar seu rumo e viver mais plenamente o amor!
Um forte abraço do amigo de hoje e sempre,
Flávio Nunes.

* Verinha * disse...

Flávio.. tentei encontrar aqui a "culpa" que tanto sente.. e sinceramente não a encontrei.. muitas vezes acontecem fatos em que as pessoas fazem de tal forma para que nos sintamos culpados a fim de se redimirem de algo que fez.. não quero de maneira nenhuma criar um conflito.. apenas não se sinta assim tão merecedor dessa culpa e de certa forma se "crucificando".. se no fundo do seu coração sentir realmente que agiu de forma errada.. então... faça uso de suas desculpas.. mas não o faça só porque querem que se sinta dessa forma. Desculpe-me a sinceridade.. mas por experiência própria muitas vezes deixei pessoas me fazerem sentir o que queriam.. hoje não mais.. tenho noção plena de minhas ações e atitudes diante dos acontecimentos e se por ventura ocorre algo, não vou me culpar só pq acham q assim deva ser. Uiaaa.. acho que deu para compreender né? rssrsr

Beijão imenso em seu coração..
Verinha

Flávio Nunes. disse...

Olá Verinha,
Mais uma vez obrigado por suas palavras tão bem escritas e direcionadas! Acredito que os verdadeiros amigos são aqueles que, custe o que custar, nos querem ver bem e felizes, mesmo se para tanto seja preciso desferir palavras fortes ao coração.
Acolho suas palavras e as guardo junto a mim! Infelizmente minha pouca idade não me faz ver que acima de tudo está o amor sem culpa e sem ressentimentos!
Compreendi cada linha que escrevestes! Mais uma vez, obrigado!
Tenha uma ótima noite minha amiga!
Abração,
Flávio Nunes.

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