domingo, 7 de agosto de 2011

Crônicas Veterinárias!

Quem dera eu, por um segundo sequer, entender os humanos que tem os seus animais de estimação! Não sei o que se passa na cabeça de uma pessoa, não consigo entender os motivos que as levam a fazer tudo que eu digo e indico completamente às avessas! Se estou sendo cruel e injusto? Acho que não, pelo menos não completamente.

A situação funciona mais ou menos assim: O animal chega doente trazido por seu dono ou responsável, eu examino, verifico o problema, vejo se há necessidade de algum exame complementar ou indicação para algum especialista. Neste instante verifico se o caso inspira cuidados extras e se a indicação é ficar internado ou não. Caso não seja necessário ficar internado, prescrevo a medicação e envio o paciente e seu dono para casa. A partir desse momento algumas coisas podem ocorrer: 1) O cliente comprar as medicações, administrá-las e o paciente ficar bom logo; 2) O cliente comprar as medicações, administrá-las e o paciente não ficar bom logo; 2.1) O cliente pode continuar com a medicação de acordo com a prescrição ou ligar indignado, reclamando que o que prescrevi não está surtindo efeito algum; 2.2) Parar de administrar a medicação por conta própria; 3) Caso sinta-se inseguro, o cliente leva o seu animal de estimação em outro veterinário; 3.1) Leva-o só para contra-prova; 3.2) Leva-o para dizer que o antigo tratamento de nada adiantou e que gastou dinheiro atoa na consulta anterior; 3.3) É indiferente quanto à reputação do primeiro veterinário; 3.4) Fala mal do primeiro veterinário; 4) O novo veterinário aproveita a deixa para atestar a incompetência do seu colega de profissão, numa tentativa mesquinha de ganhar mais um cliente; 4.1) O novo veterinário aproveita parte da medicação passada pelo colega e explica que o tratamento é mesmo demorado; 4.2) O novo veterinário descarta completamente o antigo tratamento e diz que o outro não sabe o que está fazendo, prescreve medicações similares e envia o animal para casa levando todo o crédito; 5) Após tantas indas e vindas o cliente escolhe aquele que melhor lhe convir e passa a levar seu animal neste veterinário; 6) O paciente melhora ou piora, dependendo do caso e após tantas mudanças de medicação.

Existem uma série de fatores que levam as pessoas a terem animais de estimação, uma delas é a necessidade ontogenética de ter um outro ser aos seus cuidados, ininterruptamente! Parece loucura, mas é  mais pura verdade! As pessoas, podem não confirmar isso, mas bem lá no fundo, o que elas desejam é ter a sensação que estão eternamente cuidando de um "bebê"! Isso faz parte da natureza humana, assim como faz parte da natureza dos animais de estimação serem cuidados e pertencerem a uma família. Não se tornaram - e foram selecionados para isso -, animais de companhia à toa. Só que a ontogenia para eles funcionam um pouco diferente, uma vez que evolutivamente, todos os animais foram trazidos da natureza. Em maior ou menor proporção, o instinto fala mais alto e é nesse instante que os conflitos inter-específicos ocorrem.

É meu dever enquanto veterinário, tratar e informar as pessoas sobre as melhores praticas de manejo e bem-estar na lida com seus animais de estimação; e é meu dever também como escritor, relatar fatos e situações para que o maior número de pessoas tomem consciência que lidar com animais é muito mais que dar alimento, água, carinho excessivo e abrigo. Cada animal é um ser único, e como tal, são antes de tudo animais e não "filhos", "bebês" e afins. Se deseja que seu animal de estimação viva bastante e seja saudável, trate-o como ele é e não como um "humano" transmutado em pêlos, penas ou escamas!


Vídeos ilustrativos:











Foto: http://dsdiversao.blogspot.com/2010/11/perigosos-predadores-felinos-o-leopardo.html

9 comentários:

Ká Oliveira disse...

Olá querido amigo...
Muito interessante ler sobre esse assunto da visão de um profissional. Não digo concordar ou descordar, pois cada caso é um caso, mas...
Quanto aos videos, o gatinho do banheiro deixaria muita mulher com inveja..hahahaha e mais engraçado, o gato cavocar o vaso após o serviço até descarga..
Grande semana pra ti!
Abraço

* Verinha * disse...

Olá Flávio!
Saudade de passar por aqui e ler suas escritas.. Belíssima crônica.. eitaaaa que me vi nesse finalzinho aí rsrsrsr.. os meus pequeninos eu os trato como se fossem mesmo os meus bebêzinhos rsrsrsr.. ai ai ai.. que essa serviu para mim rsrsrs.. mas tenho verdadeira paixão por eles.. e cada vez que algo acontece, ahhh que o desespero vem a tona.. até hoje pelo fato de ter tido que sacrificar o Dicky, cada vez que passo por onde ele ficava, ou quando chego da escola e lá estava ele de orelhinha em pé a me esperar.. ahhh que não tem como não me entristecer.. até que carrego uma culpa comigo, achando que deveria ter tentado mais um pouco.. mas já conversei com vários veterinários e todos são da mesma opinião, a cada dia ele iria sofrer mais e não haveria nenhuma melhora.. mesmo assim não consigo me conformar e com isso os outros aqui são mais que paparicados rsrsrsrsr.. talvez até seja uma forma de amenizar a perda do Dicky.. sinceramente não sei dizer.

Flávio.. deixo um beijo imenso em seu coração e o meu desejo que tenha uma belíssima semana!

Verinha

Jeferson Cardoso disse...

Flávio, você sempre fala com muita naturalidade em suas palavras escritas, mas quando o assunto é veterinário você fica ainda mais à vontade. Muito bom! Parabéns, amigo! Tenha uma ótima semana! Aguardo novidades sobre o seu livro e sobre o apoio amplo e irrestrito que sua amada lhe dá. Abraço!

Fernanda França disse...

Ótimo texto! Sou apaixonada pelos meus gatos, mas eles sao meus gatos (queridos demais, é verdade), mas nao meus filhos - mesmo que eu brinque que sao filhos felinos. Ah esse assunto é longo para escrever do celular, rs. Mas adorei e concordo! Beijos!

Flávio Nunes. disse...

Olá Pessoal,
Antes de responder os comentários, escrevo esta mensagem para pedir desculpas pela demora! Foi a primeira vez que demoro tanto para responder e prestigiar a presenta de todos por aqui!
Minhas sinceras desculpas!
Abração,
Flávio Nunes.

Flávio Nunes. disse...

Oi Ká,
Obrigado pelo comentário minha amiga! Quanto ao vídeo, realmente o do gatinho fazendo o "Nº2" no vaso e depois querer enterrar é muito engraçado..rs.. instinto preservado até num ambiente, digamos nada natural para ele!
Tenha um ótimo fim de semana minha amiga!
Abração,
Flávio Nunes.

Flávio Nunes. disse...

Oi Verinha,
Que felicidade é receber seu comentário e saber que estava com saudade de passar por aqui!
Interessante saber que você se viu por aqui nestas linhas! E sobre o seu desespero, todas as vezes que algo acontece com alguns de seus animais de estimação... é um sentimento completamente normal numa relação de amizade sincera!
Obrigado por compartilhar a sua história e sentimentos sobre o seu cão Dicky! Não sinta-se culpada minha amiga, infelizmente tem horas que não se pode fazer mais nada e o sofrimento é aparente e permanente! Mas lhe digo algo importante, não canalize suas emoções e sentimentos para os outros animais, pois isso é um sofrimento para você e para eles também! Cada indivíduo é único e precisa ser amado singularmente!
Desejo-lhe um ótimo fim de semana minha amiga!
Abração,
Flávio Nunes.

Flávio Nunes. disse...

Olá Jefh,
Muito bom ler as suas palavras! Motiva-me saber que um escritor tão bom quanto você, escreve-me tais palavras!
Estou escrevendo o livro; fase de produção! Quanto ao apoio amplo e irrestrito, conto numa nova postagem e/ou comentário!..rs...
Tenha um ótimo fim de semana meu amigo!
Abração,
Flávio Nunes.

Flávio Nunes. disse...

Olá Fernanda,
Que grande felicidade receber a sua visita e o seu comentário aqui no Blog!
Legal saber da sua paixão pelos seus gatos, melhor ainda é saber que os trata como gatos!..rs.. Com certeza é um assunto grande demais para ser escrito de um celular..rs..
As portas estão sempre abertas! Quando puder e der, deixe seu comentários!
Tenha um ótimo fim de semana minha amiga!
Abração,
Flávio Nunes.

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