quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Emergência Clínica (Ficção)!

           
            - Issac, Issac, corre lá no centro cirúrgico e abre o oxigênio. Prepara tudo do jeito que eu te ensinei.
- Qual máscara usar Doutor?
- A média.
- Tudo bem.
Com essas palavras vi o garoto sair correndo do consultório e ir para o centro cirúrgico preparar o oxigênio. Pouco tempo depois eu cheguei com a paciente no centro cirúrgico. Ela estava com uma falta de ar muito forte e já ficando com a língua roxa.
- O que aconteceu Doutor? Quis saber o garoto.
- Edema pulmonar.
- De novo?
- De novo! Mas se concentra aqui, pois preciso de você com toda a atenção. Vai ali, pega a epinefrina e o broncodilatador.
- Achei a epinefrina, mas não o broncodilatador.
- Afaste-se um pouco, deixa eu ver a estante de medicamentos. Alí, pega ali na segunda gaveta a direita. Viu?
- Vi, está aqui.
- Abre para mim e puxa um “ml” de cada, em seringas separadas.
- Mas Doutor, eu... Antes que ele pudesse completar eu interrompi.
- Não é difícil, preciso da sua ajuda. Só tome cuidado para não furar o dedo.
Um pouco sem jeito e após poucos segundos a primeira seringa estava preparada, em seguida a outra. Era a primeira vez que Issac me acompanhava tão ativamente numa emergência. Vi que ele estava tenso, mas estava indo muito bem apesar da falta de experiência e prática.
- Vá ali e regule a quantidade de gotejamento do soro no equipo... isso, isso... feche um pouco mais... aí, aí...
- Está bom assim?
- Sim, muito bom. Agora pegue essa seringa, coloque no injetor lateral do equipo e puxe até o soro chegar aos dois “mls”. Após isso, prenda a circulação do soro e injete um “ml” do conteúdo. Entendeu?
- Sim, já estou fechando e injetando. Precisa ser devagar?
- Um “ml” rápido e o restante devagar. Com intervalo de vinte segundos entre uma e outra aplicação.
- Tá legal.
- Ao terminar pegue uma ampola de furosemida. E faça da mesma maneira.
- Tudo bem. Já preparo e faço a aplicação. Também direto no equipo?
- Isso mesmo.
Tudo estava andando muito bem até aquele momento. A paciente estava no oxigênio, com o acesso venoso bem posicionado, o soro corria bem e a medicação parecia fazer efeito, uma vez que a respiração voltava aos poucos ao normal e a língua já não estava mais roxa.
- Doutor?
- Pois não Issac.
- Sempre quis trabalhar em emergência, mas vendo toda essa correria, estou desistindo.
- Por que desistiria?
- Acho que nunca vou aprender a lidar com essa situação da maneira que o senhor está fazendo.
- Só tenho um conselho para lhe dar: Não desista.
- Mas é muito difícil identificar um problema tão sério como esse, saber quais medicações utilizar, como utilizar e em que momento utilizar. É muita informação para mim. Acho que não serei capaz.
- Ninguém nasce sabendo esse tipo de coisa. Todos nós aprendemos isso, é lógico que algumas pessoas tem mais facilidade que outras, mas tudo é uma questão de pratica. Na universidade aprendemos muita teoria, e a prática varia de acordo com a nossa dedicação. O fato é que qualquer pessoa pode fazer isso que fiz e ainda, muito melhor.
- Mas o que o senhor fez agora é muito bom e tudo foi tão rápido. Disse o garoto constatando a rapidez no atendimento e estabilização do quadro clínico da paciente.
- Realmente agimos rápido, mas para tantas outras questões, algumas vezes cometemos falhas. Falhas muitas vezes fatais. Infelizmente, somos humanos e não podemos nunca nos esquecer disso.
- Quero ser o melhor que conseguir.
- Se continuar do jeito que foi hoje, com certeza será muito bom um dia, quem sabe mais do que eu.
- Você acha?
- Claro que sim! Agora pegue os dois estetoscópios ali na bancada e deixa eu te ensinar como avaliar um pulmão com edema. Mas antes encoste o "esteto" em seu próprio peito e sinta a entrada e saída de ar dos seus pulmões. Só sabemos que algo está alterado se soubermos o que é o normal.


4 comentários:

Vinícius Machado disse...

Flávio, muito bom o seu texto, uma mensagem simples e que vale para tudo na vida não só para medicina. Dois toques para ti, cuidado com a concordância por exemplo nessa passagem: "Falhas muitas vezes fatal(fatais)". E também cuidado com o uso excessivo de dos pontos de exclamação, eles tem a função de indicar irônia ou sarcasmo e tenho certeza que em alguns momentos você não quis dar esse entendimento no seu texto. Continue escrevendo sempre, não pare, mais do que nunca é a prática que nos torna melhores, como foi descrito também no seu texto. Sucesso.

Ká Oliveira disse...

Oi querido amigo...
estive longe, pois meu note está na emergência das máquinas..
Texto muito legal.. não pare, não pare, não pare,não!!!
beijo grande

Flávio Nunes. disse...

Olá Vinícius,
Obrigado pelo comentário! Quanto à concordância, essa é a segunda vez que isso acontece e para a minha alegria, da primeira vez também me avisaram.
Quanto ao uso excessivo de ponto de exclamação, sei que é um grande erro! Já faço uso do ponto de exclamação, excessivamente, já a algum tempo e estou policiando-me para melhorar!
Tenha certeza que continuarei escrevendo. Amo escrever e ler, que está em proporcional tamanho ao primeiro. O Blog foi a ferramenta que encontrei para aprimorar esta arte que me faz tão bem!
Mais uma vez obrigado pelas dicas e comentário!
Abração meu amigo,
Flávio Nunes.

Flávio Nunes. disse...

Olá Ká,
Que chato isso do seu note!!! Espero que o recupere logo...rs...
Fico feliz que tenha gostado do texto! Fique tranquila que não vou parar!
Abração minha amiga,
Flávio Nunes.

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