segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Assédio Moral = Impotência Pessoal!

Olá Pessoal,

Venho mais uma vez escrever sobre Assédio Moral. Só que agora escrevo para relatar a minha indignação e sentimento de impotência, diante de uma empresa que além de preconceituosa, considera-se impune.

A maior dificuldade de uma pessoa que sofre Assédio Moral dentro de uma empresa é a dificuldade de coletar dados que comprovem tal fato. O Assédio Moral está relacionado ao ato de denegrir a imagem do outro, considerada pelo agressor como inferior, menos favorecido e incapaz.

Uma coisa eu fico pensando: Não é incoerente um patrão, gerente ou gestor de departamento, boicotar um funcionário? Acho que esta é uma questão patológica, uma vez que o próprio empresário, maior interessado em fazer com que o seu empreendimento evolua e progrida, seja o principal responsável pelo boicote de seus funcionários.

A impunidade é apreendida muitas vezes através de palavras como: "'Sofri' muito para chegar até aqui, e não será qualquer desqualificado que irá pegar meu dinheiro"; ou ainda: "Se ele pensa que vai ganhar a causa, coitadinho; não tem como ele provar nada"!

Imagine uma funcionária que na véspera de suas férias, descobre que outra funcionária foi contratada para "ajudá-la" nos seus afazeres. Tudo muito normal, você não acha? Imagine agora que esta funcionária perca alguns dias de suas férias para ensinar a nova contratada o dia-a-dia da empresa e do RH, local onde trabalharão juntas. Tudo foi explicado, mais de uma vez, e quando começa a caminhar sozinha, enfim, os dias de férias tão merecidos.

Ao retornar à empresa a funcionária descobre que, não bastando os telefonemas recebidos durantes as férias, existem coisas "pendentes" para serem feitas e que muito de suas funções foram transferidas para a nova "queridinha do chefe". O mais legal é que os nomes foram trocados nos documentos e os projetos, que foram inicialmente engavetados, estão todos começando a andar, magicamente após a nova contratada chegar. Incompetência da funcionária anterior? Falta de conhecimentos? Incapacidade pessoal? Não sei quanto à você, mas eu acho que não; uma vez que tudo "magicamente" começou a caminhar do jeito que ela havia projetado ao longo do ano anterior.

O momento derradeiro foi, no meio do fechamento da folha de pagamentos: "Fulana, como você está aí "tranquila", bem que você poderia comprar uma coca-cola lá em baixo para nós, o que acha"? Como assim, "comprar coca-cola" no meio do fechamento de uma folha de pagamentos? Posso estar errado, mas a minha "ranzinzisse" e ética profissional (Até mesmo o instinto - dedução, intuição, etc...), me diz: Como é que posso ir comprar coca-cola para a nova gestora logo na hora do fechamento da folha de pagamentos?

Imagine agora o alívio dessa funcionária, que sofreu por quase um ano os mais diversos tipos de Assédio Moral, no auge do seu desespero faz sua carta de demissão e quando vai entregá-la descobre que é para assinar o seu Aviso Prévio! "Graças a Deus", pensa ela. Faz os exames demissionais e descobre que não pode ser mandada embora. Entretanto, não deseja ser re-contratada. O mesmo direito que a empresa possui em desejar recontratá-la, a funcionária tem de não querer voltar para o meio do ninho de cobras e voltar a sofrer com os Assédios.

O ponto derradeiro é: "Ou te recontratamos ou você terá que pedir demissão", ou seja, ou ganhamos, ou ganhamos. Lembra da impunidade que falei anteriormente? Pois é, eis as cartas em jogo.

Como dizia a minha finada avó Carmem, analfabeta, mas uma das mulheres mais sábias que já pude conviver: "O mal da raposa é pensar que o coelho tá morto"! A funcionária, na condição de "coelho", vai lutar até o final.

Constrangimento, pressão no peito, tremores musculares, vontade de chorar,... eis alguns sintomas do ato de pensar em voltar ao covil das raposas. Não sei o que você faria neste caso, mas esta funcionária é capaz de abrir mão de uma estabilidade financeira, simplesmente pelo fato de estar com medo de voltar ao trabalho. Só de lembrar tudo o que sofreu, vem-lhe lágrimas aos olhos!

Agora vem uma questão derradeira: Para uma funcionária abrir mão de uma estabilidade financeira, a empresa deve causar algum tipo de transtorno aos seus funcionários. Como ainda, até o dia de hoje, esta empresa não foi avaliada pelos órgãos governamentais competentes? Se foi avaliada, como não foi encontrado nada? Como pode ter uma rotina de contratação e demissão alta, e ninguém fala nada? Será a funcionária em questão a toda errada, a incompetente, a incapaz,...?

Não fosse a empresa em questão de advocacia, tudo poderia até ser um pouco mais fácil. Mas lidar com advogados anti-éticos e assediadores é muito difícil, pois eles sabem exatamente até quando "apertar" e não deixar vestígios. Sabe exatamente quais são os "seus direitos" e utilizam regras de retórica e argumentação muito antigas, ou seja, bem elaboradas, como o sofismo por exemplo (Manipular a verdade em prol de si mesmos ou para levar vantagens). Mas como tudo, no campo da advocacia, requer PROVAS, o Assédio Moral só denigre o lado mais frágil da corda, ou seja, a nossa funcionária. Que aqui representa inúmeros trabalhadores brasileiros, que sofrem silenciosamente dia-após-dia.

Abração,

Flávio Nunes.


Veja também: "Preconceito + Assédio Moral" clicando no link http://excessivamentehumano.blogspot.com/2011/04/preconceito-assedio-moral.html


OBS: Boa parte dos escritos é verdade e outras é ficção! Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. 

4 comentários:

Assediados disse...

Faça parte do blog "Assediados”. http://assediados.blogspot.com/ Um espaço onde vítimas de assédio ou dano moral podem relatar suas histórias, compartilhar experiências, e buscar caminhos para tornar o ambiente de trabalho um espaço seguro, onde seres humanos sejam tratados com o respeito e a dignidade que merecem. Um espaço onde você estará recebendo sempre informações atualizadas sobre Assedio Moral no trabalho. Mande também sua história para assediados@gmail.com (nomes e contatos não serão publicados).

Flávio Nunes. disse...

Olá Assediados,
Obrigado pela atenção e pelo comentário. Vi o seu Blog e tenho certeza que seu trabalho é muito importante para inúmeras pessoas.
Tenha um ótimo fim de semana!
Abração,
Flávio Nunes.

@diariodoassedio disse...

Realmente, os órgãos responsáveis pela "fiscalização" estão a anos luz. Mesmo fazendo denúncias eles são extremamente burocráticos e demoram no socorro. Sei muito bem o que esta moça sentiu. Denunciei onde pude as agressões, mas a inércia chega a dar desânimo. Para que este tipo de agressão não continua, o Código Penal deve ser alterado. O Assédio Moral deve trilhar o mesmo caminho do assédio sexual, tornando-se CRIME. A passos lentos o Projeto de Lei 4742/2001 está andando no Congresso, mais precisamene na Câmara dos Deputados. Façamos nossa parte cobrando cada Deputado posicionamento firme e transparente sobre seu posicionamento contra estas agressões.

Flávio Nunes. disse...

Boa Noite Diário do Assédio,

Antes de tudo, obrigado pelo comentário e por compartilhar conosco sua opinião.

Concordo plenamente contigo, no que diz respeito ao Assédio Moral ser tratado, visto e punido como o Assédio Sexual.

Façamos as nossas partes, cobrando do governo e órgãos competentes, como você bem disse, o posicionamento firme e transparente contra esse tipo de agressão, que não é só física, mas psico-emocional.

Abração,

Flávio Nunes.

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