terça-feira, 18 de outubro de 2011

Na Língua dos Homens!

Quisera eu ter o dom de falar a língua dos homens. Seria tão mais fácil fazer-me entender, sem rodeios e sem complicações. Poderia fluir com meus escritos, numa sucessão constante de palavras e emoções. Todos poderiam deliciar-se com simples expressões, emaranhados de letras e fonemas; quem sabe até com rimas. Mas se um dia falei tal língua, hoje porém perdi o jeito.

Séculos se passaram e cá estou eu com a caneta na mão e um papel em branco diante dos olhos. Ambos prontos para criar um mundo completamente novo, entretanto, nada. Perdi o jeito nas últimas décadas. Tenho me esforçado, pensando até demais. Vez ou outra um insight, contudo nada significativo. Por mais que eu insista, não sou ouvido e nem lido.

As novas gerações estão cada vez mais independentes, cada vez mais auto-didatas e cada vez mais livres para ir e vir, dentro de seus mundos, seguindo suas "tribos". A internet veio para competir comigo de maneira desleal. Que fazer? Por mais que eu tente, cabe a mim permanecer isolado num canto, sofrendo com a poeira e os ácaros. Enrugo, fico manchado e cada vez mais frágil.

Apesar de todo o meu lamento, vez ou outra alguém lembra-se de mim e num contato mais estreito, posso fazê-la viajar por mundos, reinos e lugares fantásticos, usando somente a imaginação. Não é um dom especial, é apenas um "deixar-se ler" e um "deixar-se entender"! Estou sendo esquecido por muitos daqui, substituído por prazeres cada vez mais velozes e sem conteúdo duradouro. Mas re-luto e sigo em frente. Não sou apenas um livro, sou a fonte e o registro de tudo que hoje existe.


2 comentários:

Ká Oliveira disse...

Oi anjo!
Maravilhoso texto... parei e pensei.. tenho uns textos e até mesmo um projeto de livro começados.. pergunto: preciso de mais horsa no dia? Devo me isolar por algum tempo? Onde enfio minhas obrigações diárias pra poder me dedicar?
O que citou no texto não considero meus concorrentes e sim atividades que eu encaixei na minha rotina e que hoje, obrigações, não me deixam nem pegar na caneta e o papel, digito direto..
A vida!
Abração

Flávio Nunes. disse...

Olá Ká,
Pois é minha amiga, como eu já disse uma vez, o Blog é minha válvula de escape literário..rs.. No meio de todos os afazeres diários, tento e me esforço bastante, para caminhar com esta minha grande paixão!
Quanto às suas perguntas, só posso responder uma coisa: Não sei..rs.. Entretanto acho que você deveria continuar, sempre que possível com esses projetos literários e seguir o seu ritmo. No fim, tudo dá certo..rs..
A vida!!!!!!
Abração,
Flávio Nunes.

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