sexta-feira, 30 de março de 2012

Valorização Pessoal!


Convivo a mais de três anos com minha esposa e a cada dia eu aprendo mais e mais sobre ela. Ontem dei-me conta de algo que ela já havia me dito algumas vezes, mas com sua nova explicação, certamente iluminada pela palestra que participamos, entendi o que até então estava parcialmente nublado. Enfim eu vi o que ela viu.

Falávamos sobre a questão de valorização pessoal e o quanto as relações humanas são superficiais e pré-conceituosas. Essa concepção está inserida dentro e fora das nossas famílias, grupos de amigos, universidades e mercado de trabalho/empresas. Ou seja, está em toda parte, dentro da sociedade.

Esteriotipamos um indivíduo e isso faz toda a diferença na hora de relacionar-se com o mundo à sua volta. Da visão que temos, geralmente pré-concebida e cheia de limites, nos deixamos levar pela aparência, se a pessoa cheira bem, se tem um bom domínio da língua portuguesa, se fala um inglês fluente, se está atualizada sobre os últimos acontecimentos mundiais, se é capaz de agir sob pressão e por último, quando é relevante, se essa pessoa tem um bom coração, se é ética, se é respeitadora, se é bondosa e se é amorosa.

As últimas características são vistas no mercado de trabalho - no mundo economo-capitalista contemporâneo -, como uma fraqueza. O mercado deseja guerreiros que não tenham dó de tirar uma vida e colocam de lado os compassivos.

O problema é que essa visão, regida pela ganância e sede de poder a todo custo, tem gerado uma sociedade nocividade e doente. Inclusive o "ato de ajudar" os necessitados foi contaminado.

Uma pessoa, para receber qualquer ajuda do governo, deve apresentar um "atestado de pobreza", ou seja, precisa atender a pré-requisitos para ser beneficiado(a). Os avaliadores, que possuem um pensamento linear, restrito e pré-conceituoso, não admitem, por exemplo, que uma pessoa que ganhe um ou dois salários mínimos por mês ande limpo(a), bem vestido(a), cheiroso(a), que almeje subir na vida, que tenha mais de uma televisão em casa, aparelhos eletrodomésticos, etc; uma vez que "ser pobre" para eles "é viver na miséria, andar sujo, mal vestido e apresentar um ar de coitadinho(a). Quem concede o benefício sente que está fazendo um grande favor a esse pobre coitado. O "pobre" que almeja sair do seu estado de pobreza acaba encontrando dificuldades em progredir na vida.

Afinal, quem disse que pobre tem que parecer miserável, indigno e coitadinho? Quem assim o pensa, contribui para a descentralização de poder, para que os pobres e miseráveis continuem como são e estão; e para que a sociedade continue envenenando-se. Em outras palavras, quem se veste bem, é amorosa e sorri numa demonstração explícita de afeto, "não sofre e certamente ganha muito bem. Reclamando de 'barriga cheia' todas as vezes que necessita de ajuda".

O trabalho da Assistente Social é de fundamental importância no levantamento de dados e adequação de normas e atitudes à questões individuais dentro da sociedade. Não desejo desmerecer nenhuma área do conhecimento humano, uma vez que todos possuem liberdade suficiente para se instruir e adquirir conhecimento dos mais variados. Entretanto, há psicólogos, psiquiátras, sociólogos e antropólogos (posso dizer inclusive que aqui entra os profissionais de RH e DP), assumindo o lugar de Assistentes Sociais. Cada um possui sua visão e age de uma forma ética, até onde se sabe e segundo seu código profissional de ética, para o bem comum de todos os membros da sociedade, mas só a Assistente Social pode quantificar e qualificar conceitos físicos, psico-emocionais, econômicos, etc; de um indivíduo e do meio com total discernimento de causa.

Difícil é ser Assistente Social, possuir uma amorosidade sem igual, um coração compassivo, um senso de ética, moral e justiça digna, encontrar-se desempregada. Quando o tenta é engolida pela sociedade, uma vez que esta incomoda-se ao defrontar-se com suas mazelas. Ou se dança no ritmo da música ou é expulso do salão. Quando se é uma pessoa boa (em toda amplitude que esse termo comporta), fica difícil ser aceita numa sociedade corrupta, imoral, anti-ética e gananciosa. Há pessoas boas, mas estas ou são pobres ou "postas para fora do salão". As pessoas boas que estão dentro do sistema, possuem algum tipo de poder, o que as isentam da perseguição e as dignificam ainda mais. Estas são minoria, infelizmente. 


quinta-feira, 29 de março de 2012

Fritjof Capra e eu!

Olá Pessoal,

Hoje minha esposa e eu fomos a uma palestra super interessante. Participamos do "Encontro de Sustentabilidade com Fritjof Capra", no Centro de Eventos Sul-América. A Conferência foi promovida pelo Santander.

Inicialmente participamos do coquetel de abertura e fui direto à mesa de autógrafos, onde o Profº. Capra estava autografando os livros de todos que ali chegavam. Retirei da mochila os cinco livros que tenho dele e lá fui eu para a fila. Ao me ver ele saudou-me e surpreso me disse: "Todos os livros? Muito bom. Obrigado". Autografou todos os meus livros, fui ao seu encontro, tiramos uma foto (No topo dessa postagem), cumprimentou-me novamente e nos despedimos.

A palestra foi fantástica. Ouvir do próprio autor tudo aquilo que li em seus livros me fez re-abastecer as energias e mais uma vez re-afirmar que direta ou indiretamente, meu caminho está relacionado à área acadêmica.

O Profº Capra disse com todas as palavras que, segundo os seus estudos e experiência na área, o Brasil está no caminho certo para se tornar referência e a grande super-potência no que diz respeito à Sustentabilidade. Há um progresso visível na área, mas ainda muito para se fazer. Segundo ele, temos tudo que precisamos para nos destacar mundialmente.

Orgulho e outras emoções boas, todas mescladas, após o término da palestra, tomou a minha alma. Coisas que minha esposa e eu conversamos recentemente e em outras ocasiões, foram ditas na palestra. Tantos outros assuntos foram abordados e nos enriquecemos muito. Certamente um momento único na vida.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Mel Utilizando o Banheiro!


Como de costume, no meu horário de almoço, ligo para minha esposa. Pergunto como passou a manhã, como vai o nosso bebê e agora, como vai a Mel, nossa recém adquirida cadelinha de estimação.

A Mel chegou tímida e estava bem chorona nos primeiros dias. Contudo, apesar de estar a pouco mais de uma semana em nossa casa, posso dizer que está completamente adaptada. Brinca, corre, morde nossos calçados e ainda não aprendeu qual o melhor lugar para urinar e defecar. Quando está presa, o jornal é o banheiro ideal, mas quanto está solta parece que não dá tempo de chegar até o jornal.

Hoje ela fez a sua primeira "cachorrice". Segue o que minha esposa me contou por telefone:

- Oi amor, você não vai acreditar o que a Mel aprontou.

- O que foi? O que ela fez?

- Eu estava na sala com ela no meu colo e depois de um tempo eu adormeci no sofá. Não me pergunte como ela desceu do sofá, pois não tenho a menor idéia. Lembro apenas, não sabia se era sonho ou realidade, que ela vinha até mim, latia, latia, lambia meus dedos que estavam na borda do sofá e depois ia lá para dentro, passava um tempo e depois voltava, repetindo o processo.

- Certamente aprontando alguma.

- Pois é, escuta só. Depois de um tempo eu acordei e fui direto ao banheiro. Ao chegar lá você não vai acreditar no que vi.

- O que foi?  O que ela fez?

- Ela mexeu no lixo e espalhou papel sujo por todos os lados. Sem contar que descobriu o rolo de papel higiênico e desfez tudo, espalhando a folha branca pelo chão. Ela também mordeu e rasgou duas revistas em quadrinhos. Quando eu a vi, ela estava no meio disso tudo me olhando com uma orelha em pé e outra deitada. Com minha presença, levantou-se, veio até mim abanando o rabo e fazendo festa.

Ao ouvir minha esposa descrever a cena não pude conter a risada. Só de imaginar a cena eu não me contive.

- Você ainda ri? Perguntou minha esposa.

- Desculpa amor, mas ela está saindo melhor que encomenda. Fico imaginando como um ser tão pequeno pode aprontar tanto, em tão pouco tempo. Eu que queria tanto ensiná-la a ser uma cadelinha tranquila para inserí-la num programa de TAC (Terapia Assistida por Cães).

- Acho que a Mel nunca conseguirá ser tranquila suficiente para ser aceita num projeto de TAC. Mas se ela virar atriz canina, só fará filmes de ação. Se for protagonista, o nome do filme será "Mel, uma cadelinha do barulho".

Conversamos sobre outras coisas e em seguida nos despedimos. Ao guardar o telefone no bolso da calça e continuando o caminho que me levaria até o local onde ia almoçar, não pude me conter e dei mais umas pequenas gargalhadas pensando: "Os cães, ao menos a Mel, não utiliza o banheiro da mesma maneira que nós. Para ela, espalhar tudo, é bem mais divertido".

domingo, 25 de março de 2012

Somos!

Ser humano é maravilhoso. Ser quem sou é maravilhoso. Cada um de nós é um milagre e o resumo da história humana até então. Desde o mais humilde e mais longínquo habitante desse planeta, até o mais rico e mais próximo ser humano que de nossas vidas faz parte, todos, sem exceção, possui em si a complexitude e a simplicidade de tudo o que há. 

Concluí, talvez já o tenham feito, que criamos e mudamos o mundo pois não nos contemos em nós mesmo. Precisamos extravasar tudo o que somos e contemos, para que os outros vejam a potencialidade que há em nós e até onde podemos chegar. 

Admirar uma obra de arte, uma sinfonia, um bom livro,... é encontrar-se com o que há de de mais incrível em nossa natureza humana. Somos irrepetíveis, no entanto, cada um de nós é plenamente capaz de realizar obras maravilhosas. Um  artista plástico, um músico, um carpinteiro, um pedreiro, uma dona de casa,... todos que executam bem as suas tarefas, com amor, são pessoas extraordinárias.

Não se preocupe em ser o que os outros desejam, seja você mesmo em qualquer circunstância da vida. Não há um padrão de normalidade pré-determinado. Há o que chamamos de "bem-viver" e isso implica não atentar contra a vida do outro e nem contra a nossa própria vida. Há mentes doentes no mundo. Creio que nunca nos livraremos delas completamente - infelizmente -, mas há mentes sãs, e essas devem sobressair. 

Sanidade não quer dizer falar, portar-se, agir, pensar,... corretamente. Ser uma pessoa sã, implicar esforçar-se para amar o melhor que puder e pacificar a alma. Uma pessoa pode ser iletrada e de hábitos rudes, mas se tiver um coração amoroso e pacífico, em seu interior haverá a singeleza da mais bela flor e a sutileza da mais leve brisa. Belas vestes e poder aquisitivo/financeiro, não é sinônimo de sanidade. Esforça-te para amar e  fazer o bem sempre, em qualquer circunstância. Assim, obterás tesouros que nenhum dinheiro do mundo pode comprar.


quarta-feira, 21 de março de 2012

Mel "Chorona"!


Já fazia alguns bons anos que eu não sabia o que significava ter um animal de estimação. Pois é, parece brincadeira mas é verdade; eu que cuido diariamente de tantos animais, não tinha um que pudesse chamar de meu.

Meus últimos animais de estimação foram um casal de hamsters. Isso foi a uns quatorze anos e ficaram comigo uns dois anos, até que por situações particulares, doei-os para uma amiga do colégio.

Durante a faculdade, fiz três tentativas. A primeira foi com uma Fox Terrier que tinha incontinência urinária. O segundo foi um filhote da raça Tekel. Em ambos os casos não fiquei com eles por mais de 48h. O primeiro foi devolvido ao dono uma vez que minha tia não quis ficar com ela pois fazia muita "sujeira" em seu quintal. Com o coração partido, tive que devolvê-lo. O segundo foi rejeitado pela minha ex-namorada após, em menos de 24h, ter comido dois chinelos e rasgado algumas peças de roupa do varal; também foi devolvido. O terceiro, chamado Darwin, era um gato de rua maneta e muito experto, que após tratado foi adotado por uma família de amigos no Natal de 2004 e rebatizado com o nome de "Toquinho".

Após todo esse tempo oportunidades não me faltaram para adquirir um animal de estimação, entretanto sempre havia um entrave. Casei-me e minha esposa disse: "Quero um cãozinho pequenino e que não solte pêlos". Bom, cão pequeno não é difícil de conseguir, mas que não solte pêlos... Hummmm..., só se fosse de pelúcia.

Eis que na minha última ida à ONG chega-me um senhor com três filhotes de "Pinscher Lata" para vacinar. Não demorou muito para eu me apaixonar pela única fêmea do grupo, que também era a menor dos três. Após negociar com o velho senhor e ligar para minha esposa, decidimos ficar com ela.

Estava muito quieta e depois de alguns minutos vomitou uma mistura de ração e reboco de parede. Peguei e administrei logo um protetor de mucosa gastrointestinal e um antitóxico. Não vomitou mais desde então e terminado os atendimentos na ONG, fui para casa com minha pequena recém adquirida.

No caminho passei no supermercado. Comprei ração, vasilhas para alimentação, sabonete e uma coleira. Pela primeira vez, após anos, me caiu a ficha: Tenho um animal de estimação.

Ao chegar em casa minha esposa nos recebeu com festa. Fui logo preparando um cantinho para ela. Forrei jornal, coloquei água numa das vasilhas que comprei e ração noutra vasilha. Ela só quis beber água. Acomodou-se dentro da caixa de papelão na qual a trouxe e alí dormiu.

Fiquei preocupado; "Será que ela estava realmente bem? Será que fiz bem em pegá-la? E se ela estiver doente e morrer durante a noite?..." Estas e tantas perguntas vagavam pela minha cabeça. Contudo apaziguei meu coração, uma vez que ela apresentava-se muito bem clinicamente.

Minha esposa e eu fomos dormir e lá pelas duas da manhã acordamos com um choro sentido. Era a Mel, como a batizamos, que estava eletrificada. Mordia o nosso chinelo, corria de lá para cá, daqui para acolá e nos fazia muita festa. Vê-la assim foi um grande alívio e fonte de imensa felicidade.

Ao chegar na área de serviço vi que que ela havia comido a ração e tomado mais água. Vi também que tinha feito o número 1 e o número 2, fora do jornal é claro. Tudo organizado, voltamos a dormir. Ela chorou, chorou e logo acalmou. Entretanto, por volta das 05:30h começou tudo de novo. Assim foi nossa primeira noite com a Mel "Chorona".


PS: Na segunda noite ela fez a mesma coisa, mas minha esposa se compadeceu. Quando vimos, ela aprendeu a subir na mesa de cabeceira e lá estava ela entre nós sob as cobertas. Uma vez acomodada, cada um no seu canto, dormimos todos bem.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Saber de Tudo!


Começo esse texto com uma pergunta: Pode um ser humano saber tudo de tudo? Certamente algum pensador do passado - e/ou contemporâneo -, fez essa pergunta e tentou respondê-la. Há quem tentasse empreender tal façanha, que diga-se de passagem, é demasiada longa e cansativa.

Refletindo sobre a perecibilidade da vida e seus ciclos naturais, conclui que nem o mais arguto dos homens, nem o mais sábio, nem o mais rico, o será para sempre. Cada um de nós, independente de qualquer divergência, seja ela etimológica, cultural, sexual..., não será eterno em plenitude.

Os nossos gênios deixaram-nos um legado inestimável, que ainda hoje, questionáveis ou não, servem de contributo aos novos gênios. Nessa sucessão/complementaridade, e acúmulo de conhecimentos, caminhamos e damos novos passos.

Não há, em todo o mundo, ser humano eterno no que condiz as faculdades físicas, anatomo-fisiológicas. Há o legado, mas este, mais cedo ou mais tarde, tornar-se-á um passado distante. Certamente não estarei vivo para ver a crise intelectual, racio-teologal, que está por vir (e se repetir). Entretanto, minha descendência viverá tal marco histórico. Desejo que o contributo deles sejam satisfatórios.

Numa análise prematura, mas de conclusões semelhantes, receio que não conseguiremos mais saber tudo de tudo. A complexidade nos aprisionou no caminho da simplificação. É um caminho natural e assim o é dentro e fora das ciências, igrejas, artes, famílias,... É um processo lento, mas estamos fadados a viver cada vez mais e com muito menos conteúdo.

PS: Excesso de informação não é excesso de conteúdo intelectual; assim como acúmulo de conhecimento não é o entendimento da verdade (em nenhum dos casos, uma coisa significa a outra). 


sexta-feira, 9 de março de 2012

Começo dos Tempos - Conto!


Desde o começo dos tempos o ser humano, ou a "massa base" da qual derivamos e cujas narinas foram sopradas e os estômagos abastecidos por carne de caça, vem repetindo comportamentos e se esforçando ao máximo para ser aquilo que é.

Desde a sociedade mais primitiva, ou melhor, desde que entendemos que dois é mais forte que um e que cultivar requer menos esforços que caçar, nosso mal-estar começou. Foi à partir desse instante que descobrimos a importância da liderança, da fortaleza, do poder, da espiritualidade e da sedução. É claro que há outros fatores envolvidos, mas só estes, até a contemporaneidade, ainda dão o que falar.

Entendemos, filogenética e ontologicamente, que o mais forte pode se tornar o mais poderoso e que, por tal conquista, pode se tornar o líder de muitos. Esse "muitos" pode ser um grupo ou uma nação, dependendo da cobiça, ambição e/ou intenções daquele que comanda. Foi assim que muito tempo depois de comermos carne pela primeira vez e de já vivermos na polis, criamos um sistema brilhante de gerenciar quem manda e quem obedece para o bem (ou para o mal – dependendo do ponto de vista) de todos.

Reuniram-se os poderosos, líderes, homens e mulheres espiritualizadas e, é claro, as pessoas mais sedutoras, possuidoras de todas essas características. Várias cabeças pensantes e com poder sobre o céu e a terra estavam alí presentes convergindo e divergindo sobre vários assuntos de suma importância, como por exemplo, quem vai dar de comer a quem e o que servirá de alimento. Alguns elevavam a importância do pão e outros diziam, em contrapartida que nem só de pão vive o homem.

Entretanto o mais importante, o assunto de maior relevância, ficou por último. Afinal, quem iria se responsabilizar por tudo que desse certo e errado naquilo tudo? Diante de todas as responsabilidades que tal posto pedia, muitos se absteram e não se manifestaram. Foram poucos os que desejaram assumir tamanha carga sobre os ombros.

Foi então que o representante da linha espiritualizada levantou-se e falou que não era possível para nenhum ser humano ocupar tal posto, que isso seria impossível para qualquer ser vivente e por isso quem teria que se responsabilizar seria Deus. "Mas quem é Deus? Ele está presente no meio de nós?", quiseram saber. "É claro que está, e sempre esteve, desde o começo. Ele é o mais poderoso dos poderosos, o mais forte, o maior líder de todos e o mais sedutor, uma vez que mesmo estando longe é capaz de ver e mexer com os corações mais gélidos", respondeu o homem destemido.

"Que grande homem é este. Apresente-se", falou um dos candidatos ao posto mor, em alto e bom som. Não obtendo resposta alguma, voltou-se para o destemido homem e perguntou: "Onde está o seu representante? Onde está o seu Deus? Por que não se faz presente como todos os outros aqui nesta assembléia"? O homem, que estava com a cabeça abaixada, levantou-a, olhou bem fundo nos olhos do seu interlocutor e disse: "Somente um agraciado pode Deus pode vê-lo, senti-lo e tocá-lo. Ele se faz presente naqueles que o amam e a Ele são fieis".

Ouvindo tais palavras, uns poucos tiveram uma grande idéia. Decidiram utilizar suas características pessoais de persuasão e se auto-intitularam deuses. Alguns se bastavam a si mesmo e outros diziam ser a manifestação física de uma série de outros deuses que, como o Deus do homem destemido, estava num posto elevado e distante demais, entretanto o ajudavam em todas as tarefas que lhe fossem pedidas. Não restava dúvida, um desses deveriam ser o grande chefe e gerenciador do mundo e de todas as coisas.

Infelizmente, a intriga surgiu no meio deles, assim como a inveja e a ambição de ocupar o posto mais elevado dentre todos os homens e deuses. Desse momento em diante não se entenderam mais. Um se dizia homem suficiente para reinar, outros diziam que por serem também deuses, eram os mais aptos e outros diziam ainda que se não fosse Deus, Onipotente e Onipresente, o centro de tudo, nada adiantaria toda aquela assembléia e discussões.

Após algumas horas e nenhuma concordância, saiu cada um para o seu canto, irados e jurando a morte uns dos outros. O único que não esboçou nenhuma reação nociva foi o homem destemido, que falava do seu amado Deus. Contudo, este também enquanto ser humano procurava ser ouvido e se fazer entender. Enquanto os outros empunhavam suas armas para guerrear, este último ajoelhava-se e pedia pelas almas que não sabiam o que faziam.

De guerra em guerra, de conquista em conquista e de morte em morte, reis pereciam e outros nasciam. Chegaram a mudar a forma de se comunicar para que os outros não entendessem suas táticas. De fronteira em fronteira, nações foram erigidas e religiões foram criadas.

Deu-se então após longos anos, que alguns se cansaram de tanto sangue desperdiçado. Procuraram o homem destemido, que continuava sereno, e lhes ofereceram seus serviços em troca de paz e conforto espiritual. O homem que por tantos anos encontrava-se sozinho, daquele momento em diante passou a formar o seu exército, constituído por todos quantos desejavam mais que guerra e mais que sangue.

Aos poucos toda uma comunidade fora criada. Constituída por filhos, netos, pais e avós, todos passaram a arar sua própria terra e criar seus próprios animais. Deixaram suas armar de lado e passaram a dividir seu tempo entre trabalho, cuidados da comunidade, cuidados da família, estudos e práticas espirituais.  Em pouquíssimos anos, esta era a comunidade mais rica de todo o mundo conhecido.

Tal situação chegou aos ouvidos dos reis e rainhas dos outros povos, que até então continuavam guerreando entre si. Puseram-se de acordo e decidiram acabar com aquele povo pacífico, em busca de suas riquezas e dos segredos que guardavam para tamanha prosperidade. Não demorou muito, diversas famílias foram completamente dizimadas, alguns fugiram para as montanhas, outras para os campos, outras para as florestas e outros ainda para os mares.

Após todo aquele incompreensível  ataque, o líder dos povos guerreiros fez o homem destemido seu refém e antes de matá-lo quis interrogá-lo:

- Então você é o líder desse povo.

- É você que o dizes. Respondeu o velho.

- É você que diz ser abençoado por Deus, um Deus que ninguém nunca viu?

- Sou apenas um homem que faz a vontade do Pai que está nos céus.

- Que grande besteira é essa. Todos sabem que esse tal Deus não existe. O rei do oriente e do sul, são homens e deuses. Esses sim podem ser tocados e vistos, mas o seu é um grande covarde.

- Não diga sobre coisas que desconhece. Em verdade lhe digo que tanto o rei do oriente e do sul, que não são deuses de verdade, um dia irão perecer, entretanto o meu Deus jamais perecerá, jamais me abandonará.

- Onde está o seu Deus agora para lhe salvar? Quis saber o líder dos guerreiros, agora irado e com seu sabre apontando para o pescoço do velho.

- Queres mesmo saber onde está o meu Deus?

- É claro que quero. Onde Ele está? Diga logo seu velho insolente.

- Ele está diante de mim, gritando e apontando um sabre para o meu pescoço. Disse o velho serenamente, olhando fundo nos olhos do seu interlocutor.

Ao ouvir tais palavras o homem afastou-se e sentiu o sabre pesar a tal ponto que seu braço não agüentou o peso da arma e a deixou cair por terra. De um momento para o outro nada mais fazia sentido. “O que aquele velho louco estava dizendo? Como assim eu era o seu Deus? Nada disso fazia sentido algum”.

Todos que assistiam tal cena não entendiam o que estava ocorrendo e absteram-se de qualquer ato. Em meio a corpos mutilados, pessoas de todas as idades mortas e poças de sangue por toda parte, o velho manteve-se sereno, apesar da tristeza que lhe embevecia a alma.

O guerreiro voltou-se para o velho, com semblante completamente mudado, parecia desolado e arrependido. Aproximou-se do homem que quase matara a poucos minutos, ajoelhou-se à sua frente e disse:

- O senhor sabe quem sou? Eu sou aquele que quase lhe tirou a vida e que o fez sofrer por muitas mazelas. Mas agora não posso mais lhe fazer mal, pois me mostrou compaixão e abriu os meus olhos. Estou arrependido dos meus atos. Por favor, aceite-me como seu escravo. Se quiser pode retirar a minha vida agora mesmo.

Os outros não acreditavam no que ouviam, mas sem saber como se portar diante de tal situação, alguns embainharam suas armas e voltaram para seus reinos, outros aguardaram o desfecho de toda aquela situação. Após um breve silêncio o velho falou:

- Desculpe meu jovem, mas não tenho o poder de lhe furtar a vida. Somente Deus sabe o momento de dar e retirar uma vida. Quanto ao seu pedido, não posso escravizá-lo. Deus nos deu a liberdade e tal qual os animais da natureza, não posso mantê-lo sobe o manto da escravidão.  Aceito o seu arrependimento somente sob uma condição.

- Diga-me, faço qualquer coisa que me pedires.

- Deixe tudo para trás e abandone as guerras. Deus tem um plano muito especial para você e te ama imensamente. Ajude-me a reconstruir tudo quanto destruiu. Certamente Deus lhe recompensará abundantemente.

Assim sendo, a vida nasceu da morte. As guerras não acabaram, e receio que jamais acabarão, mas uma coisa é certa, enquanto houver homens fieis a Deus sobre a terra, não haverá guerra capaz de ceifar a vida de um homem destemido.


À Casa Cheia!


Tem horas que, junto à minha esposa, vejo espaços demasiados vazios dentro de casa. O primogênito está a caminho. Mas não é só dele que está para chegar que minha ânsia pede, contudo é pelos que se foram e não mais aparecem que minha saudade aguça o peito.

Por leis naturais e sobrenaturais, tomamos caminhos diversos. A distância se faz presente, assim como o aperto no peito por não ter perto amigos tão queridos.

Claro que o relacionar-se é uma faca de dois gumes, uma via de mão dupla. Não posso negar que, como no dito popular, "o que vale para Chico, vale para Francisco". Nesse instante percebo que a saudade que bate no peito é também minha culpa. Sim, eu tenho culpa por sentir saudades.

O que há de ruim nisso tudo é que por mais esforço por mim despendido, nossas estradas possuem mais divergências que convergências. Tudo passa para lados eqüidistantes uma vez que saímos do nosso ponto de conforto. Por mais que a distância não permita, é sempre bom ter amigos por perto.


terça-feira, 6 de março de 2012

Vontade e Necessidade!

Há uma grande diferença entre a "vontade" de realizar algo, e sua verdadeira "necessidade". Para ilustrar isso, gostaria de contar em poucas palavras a experiência que vivi ontem.

Desde que iniciei meus trabalhos aqui na cidade do Rio de Janeiro, coisa que começou em 2009, ontem pela primeira vez estive presente nos três estabelecimentos em que presto meus serviços. Sabia desde o começo que seria cansativo, mas ainda assim decidi encarar o desafio.

Na verdade meu ritmo de trabalho começou no Domingo às 17:00h e e terminou ontem às 19:30h. Fiz inúmeros atendimentos. Eram animais de diferentes espécies, raças, comportamentos, tamanhos,... Casos clínicos dos mais variados. Por um breve momento, pensei em inventar uma desculpa qualquer para não ir ao terceiro trabalho. Oportunidade foi quando, na metade do caminho, o ônibus quebrou e tivemos que esperar um certo tempo, até que outro chegasse e nos levasse aos nossos destinos.

Minha vontade era de "jogar a toalha" a qualquer momento, mas havia em mim a necessidade de cumprir com o prometido, de realizar o trabalho por mim tratado. Não poderia desamparar aqueles que contavam comigo. Por minha perseverança, ganhei novos clientes e obtive um retorno financeiro satisfatório para um dia, ou melhor, para 26 horas e meia de trabalho ininterrupta.

No fim do dia estava cansado e a todo momento lembrava de minha esposa e do meu filho. Queria estar em seus braços, mas deveria terminar o que havia começado. Assim o fiz, e terminei tudo que propus realizar.

Recompensa maior foi chegar em casa e encontrar o jantar pronto e minha esposa sorridente, também com saudade do meu sorriso e do meu abraço. Senti minhas energias reabastecidas e com o sentimento de dever cumprido. Agora a responsabilidade tem mais a ver com necessidade e vontade de vencer, para enfim gerar mais vida, às vidas que comigo compartilham os momentos de felicidade.



Foto: http://raymundo-netto.blogspot.com/2010/05/o-intruso-da-casa-cronica-de-tercia.html

sexta-feira, 2 de março de 2012

Mais um momento de felicidade!

Olá Pessoal,

É com grande alegria que passo rapidamente aqui e divulgo o mais novo record do Blog "mais" Excessivamente Humano da web.

Obrigado a todos pela atenção e carinho de sempre.

Abração,

Flávio Nunes.


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