sexta-feira, 30 de março de 2012

Valorização Pessoal!


Convivo a mais de três anos com minha esposa e a cada dia eu aprendo mais e mais sobre ela. Ontem dei-me conta de algo que ela já havia me dito algumas vezes, mas com sua nova explicação, certamente iluminada pela palestra que participamos, entendi o que até então estava parcialmente nublado. Enfim eu vi o que ela viu.

Falávamos sobre a questão de valorização pessoal e o quanto as relações humanas são superficiais e pré-conceituosas. Essa concepção está inserida dentro e fora das nossas famílias, grupos de amigos, universidades e mercado de trabalho/empresas. Ou seja, está em toda parte, dentro da sociedade.

Esteriotipamos um indivíduo e isso faz toda a diferença na hora de relacionar-se com o mundo à sua volta. Da visão que temos, geralmente pré-concebida e cheia de limites, nos deixamos levar pela aparência, se a pessoa cheira bem, se tem um bom domínio da língua portuguesa, se fala um inglês fluente, se está atualizada sobre os últimos acontecimentos mundiais, se é capaz de agir sob pressão e por último, quando é relevante, se essa pessoa tem um bom coração, se é ética, se é respeitadora, se é bondosa e se é amorosa.

As últimas características são vistas no mercado de trabalho - no mundo economo-capitalista contemporâneo -, como uma fraqueza. O mercado deseja guerreiros que não tenham dó de tirar uma vida e colocam de lado os compassivos.

O problema é que essa visão, regida pela ganância e sede de poder a todo custo, tem gerado uma sociedade nocividade e doente. Inclusive o "ato de ajudar" os necessitados foi contaminado.

Uma pessoa, para receber qualquer ajuda do governo, deve apresentar um "atestado de pobreza", ou seja, precisa atender a pré-requisitos para ser beneficiado(a). Os avaliadores, que possuem um pensamento linear, restrito e pré-conceituoso, não admitem, por exemplo, que uma pessoa que ganhe um ou dois salários mínimos por mês ande limpo(a), bem vestido(a), cheiroso(a), que almeje subir na vida, que tenha mais de uma televisão em casa, aparelhos eletrodomésticos, etc; uma vez que "ser pobre" para eles "é viver na miséria, andar sujo, mal vestido e apresentar um ar de coitadinho(a). Quem concede o benefício sente que está fazendo um grande favor a esse pobre coitado. O "pobre" que almeja sair do seu estado de pobreza acaba encontrando dificuldades em progredir na vida.

Afinal, quem disse que pobre tem que parecer miserável, indigno e coitadinho? Quem assim o pensa, contribui para a descentralização de poder, para que os pobres e miseráveis continuem como são e estão; e para que a sociedade continue envenenando-se. Em outras palavras, quem se veste bem, é amorosa e sorri numa demonstração explícita de afeto, "não sofre e certamente ganha muito bem. Reclamando de 'barriga cheia' todas as vezes que necessita de ajuda".

O trabalho da Assistente Social é de fundamental importância no levantamento de dados e adequação de normas e atitudes à questões individuais dentro da sociedade. Não desejo desmerecer nenhuma área do conhecimento humano, uma vez que todos possuem liberdade suficiente para se instruir e adquirir conhecimento dos mais variados. Entretanto, há psicólogos, psiquiátras, sociólogos e antropólogos (posso dizer inclusive que aqui entra os profissionais de RH e DP), assumindo o lugar de Assistentes Sociais. Cada um possui sua visão e age de uma forma ética, até onde se sabe e segundo seu código profissional de ética, para o bem comum de todos os membros da sociedade, mas só a Assistente Social pode quantificar e qualificar conceitos físicos, psico-emocionais, econômicos, etc; de um indivíduo e do meio com total discernimento de causa.

Difícil é ser Assistente Social, possuir uma amorosidade sem igual, um coração compassivo, um senso de ética, moral e justiça digna, encontrar-se desempregada. Quando o tenta é engolida pela sociedade, uma vez que esta incomoda-se ao defrontar-se com suas mazelas. Ou se dança no ritmo da música ou é expulso do salão. Quando se é uma pessoa boa (em toda amplitude que esse termo comporta), fica difícil ser aceita numa sociedade corrupta, imoral, anti-ética e gananciosa. Há pessoas boas, mas estas ou são pobres ou "postas para fora do salão". As pessoas boas que estão dentro do sistema, possuem algum tipo de poder, o que as isentam da perseguição e as dignificam ainda mais. Estas são minoria, infelizmente. 


2 comentários:

Cristina ferber vieira lessa disse...

Pois é Flávio, esses valores que vc bem descreve, são superficiais e apenas servem como verniz no trato com as pessoas. Não seria maravilhoso se trocássemos um “Bom dia” vindo do fundo da alma, com desejo mesmo de ver o outro bem? Igualmente, não seria bom se saíssemos na rua, em uma bela manhã, e enxergássemos as pessoas como seres humanos que, como nós, carregam seus sofrimentos e ainda assim lutam dia a dia? Se essas transformações, no modo de olhar, podem ser passadas de pais para filhos, como poderemos fazê-lo? Essa é a nossa missão em família. Boa luta! Um abraço.

Flávio Nunes. disse...

Olá Cristina,
Mais uma vez, obrigafo pela visita ao Blog e por responder a postagem.
Com certeza seria maravilhoso saudar e receber proporcional afeto nos pequenos, médios e grandes detalhes da vida.
Por suas palavras, vejo que tens um desejo semelhante ao meu, de ver um mundo mais compassivo e amoroso; um mundo mais humano.
Quanto à sua última pergunta, acho que conhecemos as árvores pelos frutos que ela dá e vice-e-verso. Uma macieira jamais dará pêssegos. A luta é dura, uma vez que as tentações são muitas e bem prazerosas, mas tenho grande esperança na humanidade.
Abração e mais uma vez obrigado pelo comentário,
Flávio Nunes.

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