sexta-feira, 1 de junho de 2012

A Chegada da Mel.

Após anos sem criar um animal de estimação, chega até mim uma filhote mestiça, da raça Pinscher. Sou voluntário numa ONG que realiza o trabalho de castração, educação e atendimento clínico de animais que pertencem a famílias carentes ou advindos de resgates, cujos donos/responsáveis, os adotaram recentemente. Como Médico Veterinário Clínico dessa instituição sem fins lucrativos, atendi, a algumas semanas, um senhor com três filhotes que, segundo ele, são Pinschers legítimos. Ao olhar para os filhotes, vi que isso não era bem verdade.

De imediato vi filhotes bem jovens, com pouco mais de um mês de vida, estavam bem sujos e assustados. O responsável pelos filhotes era um senhor de trajes simples e já com certa idade. Disse-me que eles tinham 45 dias de vida e já estavam comendo ração. Disse que estava ali para dar a primeira vacina em todos, uma vez que desejava vendê-los "bem de saúde".

Após avaliar cuidadosamente cada filhote e vaciná-los, chamou-me a atenção a única fêmea do trio de filhotes. Diferente dos irmãos, ele tinha uma energia controlada e calma. Ao olhá-la mais de perto, compadeci-me. Imediatamente liguei para minha esposa e depois de uma breve conversa, decidimos ficar com ela.

Comuniquei minhas intenções ao responsável pelos cães.e este me deu o seu preço, R$ 150,00. Este foi o valor que paguei pela filhote, no total contra-gosto da presidente da ONG. Assim como ela, eu também sou um ferrenho defensor da adoção, uma vez que tantos animais precisam de um lar e estão presos em instituições super lotadas. Muitos são sacrificados semanalmente uma vez que não encontram um lar adequado que os acolham.

Ao ver aquele pequenino ser, pensei: "Se for para salvá-la de levar uma vida de sofrimentos, vale pagar por ela". Assim o fiz, juntando todo dinheiro que ganhei naquele dia com os atendimentos e pegando R$ 20,00 emprestado com a secretária da ONG.

No caminho para casa comprei sabonete, ração, comedouros e uma bela cama para ela dormir. com um pouco de náusea pelo movimento do carro e com reação vacinal, chegou a vomitar uma vez, uma mistura de arroz com cenoura. "Já está comendo ração! Tá legal", pensei.

Chegando em casa minha esposa nos recebeu e eu, entre mochila nas costas, chave do carro e bolsa de ração, portava uma pequena caixinha de papelão, local onde melhor pude locá-la para viagem até em casa. Minha esposa a viu e imediatamente se apaixonou por aquela bolinha de pêlos pequena. "Mel. Vamos chamá-la de Mel", disse minha esposa com a pequena no colo, e completou: "Ela é um docinho. Pequena e calminha". Mal sabiamos o que nos aguardava. Foi assim que nossa pequena travessa chegou em casa.

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