terça-feira, 15 de maio de 2012

Cobrador Poliglota!

Hoje cedo fui surpreendido ao entrar no ônibus e perceber que o motorista, numa conversa franca com o trocador, pediu para que ele falasse qualquer coisa em francês. O trocador um pouco surpreso inicialmente, logo entrou na brincadeira e começou a falar algumas frases do idioma pedido pelo motorista. Ao terminar, quis saber como foi que o amigo tinha aprendido tão bem falar francês, no que obteve como resposta: "Morei doze anos na Suíça e lá aprendi francês, alemão e italiano. Tenho facilidade em aprender línguas estrangeiras. Antes de ir morar lá eu já sabia falar inglês e espanhol".

Não precisa nem dizer que tanto eu quanto todos que estava sentados no ônibus, nas cadeiras próximas, ficaram admirados com esse indivíduo. Não demorou muito, e por obra do destino, um canadense entrou no ônibus e balbuciou alguma coisa num francês bem carregado no inglês, e sem meias medidas, o trocador tomou a palavra e começou a conversar com ele. Após poucas dezenas de segundos se despediram e todos puderam perceber que o trocador realmente falava a verdade. Mais um pouco de conversa daqui e outra dali, descobriu-se que ele já havia andado por quase toda a Europa, nos doze anos que por lá viveu, só voltando para o Brasil, por desenvolver uma depressão e por orientação médica.

Não por preconceito, mas por pura curiosidade, pensei: "O que faz um indivíduo, que já andou meio mundo, retornar ao seu país e procurar logo o emprego de trocador de ônibus? Não poderia ele utilizar o conhecimento de línguas estrangeiras que tem para conseguir outro cargo, talvez como intérprete em alguma empresa que lide diretamente com estrangeiros, ou algo do gênero"? Ao mesmo tempo que isso passou pela minha cabeça, refiz minha linha de raciocínio e concluí: "Após doze anos fora do país, algumas coisas mudaram, inclusive o grau de exigência dos empreendedores. Pode ser que ele não esteja interessado em nada tão elaborado para trabalhar, o que lhe facilite caso deseje voltar para a Europa. Vai que este foi o primeiro emprego que conseguiu para recomeçar uma vida nova aqui. Não sei qual o verdadeiro motivo, mas se ele está bem assim, é o que importa".

Fato é que hoje um trocador de ônibus surpreendeu a todos em ser quem é, em falar seis línguas, incluindo a língua-mãe, por ter andado meio mundo e ter histórias para contar.


Foto: http://bloguerices.com/2011/12/15/poliglota-online/

2 comentários:

Ká Oliveira disse...

Querido Flávio....
Creio que se estivesse no lugar do trocador, tornaria a depressão crônica...
Minha nossa!
Caminhos e destinos... sempre inéditos e únicos...
grande abraço

Flávio Nunes. disse...

Olá Ká,
Pois é, não sei o que se passa na cabeça desse trocador, mas com certeza ele, à priori, não deseja algo que lhe remeta a uma responsabilidade elevada!
A gente nunca sabe quem iremos encontrar na próxima esquina!
Abração minha amiga,
Flávio Nunes.

Postar um comentário

Postagens populares

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...