sexta-feira, 4 de maio de 2012

Eis-me Aqui.

Eis-me aqui, de corpo e alma. Tento, sem sucesso, resgatar pensamentos e idéias que brotaram e rondaram minha mente nos últimos dias. Por falta de tempo e afazeres extras, como a areia que cai pela ampulheta, os minutos me escapam por entre os dedos. De tudo que abri mão, o ato de escrever é o que mais dói em meu peito. Receio perder o tato, ter atrofiada as juntas dos dedos e mingar, aos poucos, os pontos de minha massa cinzenta responsáveis pelo devanear.

Tenho medo de não mais conseguir desenvolver minha literatura; e assim como ocorreu outrora, em outros tempos de minha história, deixar de lado meus prazeres, desejos e amores, e não mais retomá-los. Tenho uma memória fraca e isso é pior que qualquer outra coisa, para quem deseja viver da palavra. Com o tempo as lembranças tornam-se cada vez mais turvas, até entrar em esquecimento e não restar mais que fagulhas perdidas entre sinapses, mielina, cargas elétricas e enzimas.

Com o tempo deixo de ser um sonhador e torno-me cada vez mais um ser humano. Não que isso seja ruim, mas não desejo ser apenas um ser humano, apesar de sê-lo em tempo integral. Enquanto humano, e sonhador, sou mais que apenas um no meio de tantos outros. Sim, é verdade, minhas ambições são do tamanho dos meus sonhos. Entretanto, se meus sonhos morrem, minhas ambições perdem o sentido. Assim sendo, o vasto campo da alma deixa de florescer e gerar frutos que valham a pena.

Enquanto deixo de sonhar, vivo a realidade desse mundo e isso me constringe o peito. Dá-me um nó na garganta saber que por pressão externa, meu interior fica cada vez mais fundo. Todos sabem que quanto mais fundo é o poço, menos luz ilumina o caminho que leva ao topo. Não fui feito para viver na escuridão, apesar de conhecê-la melhor à cada dia. Minha meta é o topo, é a luz. Por isso luto, caio e levanto-me todas as vezes. Eis-me aqui, eu ei de chegar ao topo e ei de fazê-lo acompanhado.


Foto: http://aveamarelo.blogspot.com.br/2011/04/e-ai-galera-eu-vi-uma-pregacao-essa.html

2 comentários:

Cristina ferber vieira lessa disse...

Sei exatamente o que vc quer dizer. Estamos atados à luta pela sobrevivência, que é diária e o momento do devaneio, do livre pensar fica abandonado. Mas, meu amigo, descobri que podemos unir a realidade aos devaneios. Aguço o meu olhar para tirar do dia a dia momentos que são irretornáveis, e tem funcionado.Sei que muito ainda me escapa, mas me tornarei melhor para colher a beleza dentro de um simples dia "comum", Adorei o texto! Emocionante! Abraço.

vendedor de ilusão disse...

Olá, lhe conheci no blog “Poesias Para Sonhar” e vim lhe visitar, aliás, parabéns pelo blog, – gostei muito; já o sigo! Visite o meu, e quem sabe goste?
Abraços.

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