sábado, 19 de maio de 2012

Genialidade - Capítulo 1!

"Não posso acreditar, ele realmente veio ao meu encontro", pensei.

Dr. Carlos Castagneda di Tosca era um senhor muito influente e um dos maiores intelectuais da atualidade. Uma das mentes mais brilhantes que a humanidade jamais vira. Eu, no entanto, um mero universitário que sabe-se lá como, consegui isolar uma partícula que combinada com outros componentes, é capaz de potencializar qualquer tipo de ação que contenha energia.

Tudo não passara de um experimento de fundo de garagem. Não tinha intenção alguma em descobrir tal partícula e muito menos obter tamanho reconhecimento. Entretanto, por influência do professor de Físico-química Avançada, publiquei o trabalho numa revista acadêmica. O Dr. Carlos Castagneda tomou conhecimento, demonstrou-se muito interessado no meu projeto e desejou "ardentemente", segundo as palavras do Chefe do Departamento de Físico-química, me conhecer pessoalmente.

Sinceramente, não estava preparado para tal encontro. Acho que nunca estive tão nervoso em toda minha vida. Conhecera o trabalho do Dr. Carlos Castagneda de longa data. Ele fora referência de estudos quando meu pai, ainda universitário, desenvolvia seus primeiros experimentos. Ele é um marco na história da ciência mundial. Eu simplesmente não sei o que dizer quando vê-lo passar por aquela porta.

Os minutos passaram e enfim havia chegado o momento. Eu vira o Dr. Carlos Castagneda di Tosca passar pela porta e vir ao meu encontro. Ele estava acompanhado do chefe de Departamento de Físico-química e pelo professor que me incentivara a publicar meu projeto. Pelas suas faces, pareciam muito felizes e de ótimo humor. Dr. Carlos Castagneda era um senhor alto, cabelos brancos e pele clara. Usava na ocasião um terno muito simples que parecia ter a sua idade. Andava lentamente, mas com passos firmes. Aproximou-se, estendeu a mão e disse: "É um grande prazer conhecê-lo meu jovem. Posso me sentar"? No que respondi: "Claro, pois não Doutor. É uma honra recebê-lo".

- Desde já lhe digo, fique tranquilo e nada de pompas. Já vivi e vi muitas coisas para perder tempo com coisas superficiais.

- Pois não Doutor.

- Então quer dizer que você conseguiu encontrar a partícula potencializadora da energia? Quis saber o velho homem.

- Parece que sim Doutor.

- Foi muito complicado isolá-la?

- Na verdade eu não sei muito bem como o fiz, entretanto tenho tudo anotado e registrado. Com um pouco de sorte, ficarei feliz se conseguir realizar o mesmo feito novamente.

O Dr. Carlos Castagneda ao ouvir de minha boca estas palavras não conteve o riso. Em seguida chamou o garçom e disse: "Vê-me um cappuccino e algumas bolachas adocicadas. Passarei mais tempo do que o previsto conversando com esse jovem gênio"!

- Jovem gênio - disse eu, um pouco atônito com o que acabara de ouvir -, o Doutor deve estar enganado. Começo agora meus estudos e sei que tenho muito ainda para aprender. O que fiz foi apenas um lance de sorte, uma fato isolado, um acaso do destino.

- Meu jovem, digo-lhe sem medo de errar, que não há no mundo, nada disso que me disseste agora. Somos o que somos, e quando nascemos para brilhar, não há nada que faça apagar a nossa luz.

Eu fiquei sem palavras. Os outros que estavam sentados à mesa acompanhavam a conversa em silêncio. Não desejavam estragar este momento único e como oportunistas, ali permaneciam, margeando, à espera de colherem, também eles, algo de bom e de proveitoso para suas vidas.

- Diga-me meu jovem, o que fará em suas próximas férias?

- Certamente irei viajar para visitar minha família e por lá ficar, até o retorno do novo período letivo. Quem sabe sairei com alguns amigos e se o tempo me permitir, estudar um pouco mais sobre as relações entre matéria e anti-matéria, realizando experimentos simples no laboratório que eu montei; se é que posso chamar aquilo que fiz em minha garagem de laboratório.

- Teria você por acaso, uma semana livre em suas férias para passar uns dias com este velho estudante universitário?

- Cla... claro... claro que sim! Disse, meio gaguejando e espontaneamente.

- Gostaria de lhe mostrar alguns experimentos que tenho feito e desejo a sua opinião sobre um em especial. Acho que vai gostar de saber do que se trata.

Não sabia o que dizer, diante de tal pedido. De qualquer forma, confirmei minha presença e acertamos os melhores dias para minha ida. Sem mais demoras, o Dr. Henrique da Cruz e Souza, chefe do Departamento de Físico-química, disse que custearia a minha ida e tudo quanto fosse necessário, enquanto durasse minha visita ao laboratório do Dr. Carlos Castagneda.

- Será uma grande honra senhor, mesmo não me achando digno de tanto.

- Mais uma vez lhe digo, fique tranquilo. Você já provou tudo que eu preciso saber em seu artigo. Daqui para frente só precisará conhecer as pessoas certas e estar nos lugares certos. Mesmo que esse lugar seja a garagem de sua casa. Saiba que a grande magia da imortalidade está no fato de deixarmos para o mundo, e para a humanidade, as consequências dos Dons que recebemos no nosso pequeno tempo de vida. Acredito que fiz a minha parte, e você tem um longo caminho pela frente.

- Não sei se terei condições para tanto. Não sinto-me preparado. Há tanto ainda para ser feito, estudado e descoberto.

- Esse é um dos segredos da genialidade; tender ao infinito e saber que não somos nada diante de tudo que está por vir. Qualquer um pode acumular conhecimento, mas somente os verdadeiros gênios sabem a linha tênue entre a humildade e a soberba, entre o complexo e o simples, entre uma partícula e o universo. Aproveite o Dom por ti recebido e faça bom proveito dele.

- Tentarei fazer o melhor que posso Doutor.

- Ótimo. Agora me diga uma última coisa, gostas de cappuccino e bolachas adocicadas?

- Desculpe Doutor, prefiro refrigerante e o salgadinho de queijo do senhor José, que tem uma barraquinha na esquina da rua lá de casa.



Foto: http://carlike.wordpress.com/category/ativando-a-sua-genialidade-the-bronnikov-method/

2 comentários:

Ká Oliveira disse...

Oi amigo...
Muito bom, muito bom, muito bom...
espero que o capítulo seguinte não se demore..
grande abraço

Flávio Nunes. disse...

Olá Ká,
Fico feliz que tenha gostado do texto. Como você já teve ter percebido, eu demoro uma eternidade para escrever as continuações dos meus textos, uma vez que a inspiração para o primeiro ocorrer, mas a sequencia é mais demorada..rs.. Entretanto, dessa vez vou tentar encurtar o tempo..rs..
Abração minha amiga,
Flávio Nunes.

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