domingo, 26 de agosto de 2012

Arriscar-se!

Arriscar-se é antes de tudo preparar-se para ir além dos limites. Arriscar-se é diametralmente oposto à inconsequência dos atos cometidos. Recordo uma conhecida que me disse ter ouvido em uma palestra que o cérebro humano nasce com muitas conexões e vai se ajustando ao longo da infância até que na adolescência está com praticamente todas as conexões de um adulto. Quem ministrou a palestra foi um Neurologista e este disse que isto pode explicar, até certo ponto, as atitudes de muitos adolescentes e a famosa frase expelida por tantos deles: "Eu sei de tudo, eu sei me virar, você não sabe de nada"! Segundo o Neurologista, o corpo e a mente entende que está pronta para a vida, mas não tem "maturidade" suficiente para galgar patamares mais elaborados de sobrevivência. É neste ponto que confundimos, "busca do auto-conhecimento" com "rebeldia"!

Os jovens fazem mais coisas que os adultos, ou seja, arriscam-se mais, uma vez que precisam aprender com "ganhos e perdas" o significado da vida e suas nuances. O adulto pondera mais e pensa mais antes de tomar certas decisões, ou seja, tem conhecimento de causa e efeito, conhece muitas consequências, boas e ruins, em detrimento de atos cometidos outrora.

Nesse ínterim, arriscar-se é pegar a vida nas mãos, ponderar, planejar, traçar um rumo, uma meta e "jogar-se" no abismo. Por mais que tentemos e analisemos, sempre haverá pontos ocultos, que só aparecerão à medida que a caminhada for feita. Uma vez que arriscar-se é ir ao encontro do desconhecido por nós, haverá sempre páginas em branco esperando para serem escritas.

O sucesso é consequência de um bom planejamento, de manter-se flexível, de possuir pensamento rápido e espírito empreendedor. Saber inovar também é uma boa qualidade das pessoas que se arriscam. Tudo na vida é mutável e, pelo que tenho visto, o sucesso sempre chega para todos que, após cair um sem número de vezes, continua levantando-se e seguindo em frente. Viver não é fácil, mas tem suas vantagens.


Foto: http://raimattos.blogspot.com.br/2011/04/arriscar.html

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Conto - O Estranho.

Rubert Lionel de Kiev era um típico trabalhador pós-moderno. Ligado sempre às novidades tecnológicas, tinha o emprego dos sonhos. Formado em Ciência da Computação, auto-didata e "nerd" por natureza, passava mais de doze horas diárias na frente do computador. Era coordenador de um grupo de cinco funcionários, numa empresa estatal, cuja função era prestar serviços e consultoria à diversos setores, filiais e outras empresas do ramo de tecnologia.

Conheceu Kim Wada, sua esposa, no encontro presencial da pós-graduação que fizera em Inteligência Artificial e Robótica. Ela era descendente direta de japoneses, ele tinha sangue inglês e ucraniano correndo nas veias. Uma mistura e tanto, que deu origem a um amor autêntico e, certamente, duradouro. Dessa união, não demorou muito nasceu Kato de Kiev, um belo e forte garoto. Pesando quase quatro quilos e cinquenta e dois centímetros de comprimento, o pequeno Kato fora considerado o maior do berçário.

Com a chegada do seu pequeno e amado filho, Rubert passou a fazer horas extras ao menos duas vezes por semana, uma vez que as despesas haviam aumentado e agora já não eram mais dois em casa. Ainda bem que demoraria um pouco até que o pequenino começasse a se alimentar de algo que não fosse o leite, entretanto, Rubert era precavido e possuidor de uma mente extremamente racional e calculista. Certa vez Kim pegou-o imerso em papéis, canetas e calculadora. Quis saber do que se tratava, e seu esposo lhe disse: "Estou calculando o quanto deveremos economizar para que Kato chegue na universidade com uma margem de lucratividade alta em sua caderneta de poupança. Uma vez que terás custos elevados com transporte, alimentação e com a compra dos livros"! Kim já conhecia o marido e não se enraiveceu com isso, uma vez que tais atitudes eram mais fortes que ele.

Kim sentia apenas que, às vezes, Rubert dava mais ênfase ao trabalho do que à vida familiar. Ficava com medo de Rubert não acompanhar o crescimento do filho, aproveitando cada fase de forma plena. Por isso conversaram bastante, mais de uma vez, por longas horas, até que Rubert prometeu tirar um dia de folga para dedicar-se completamente à família. Mas isso nunca chegou a ser concretizado.

Certa manhã, Rubert acordou e percebeu que Kim não estava ao seu lado na cama. Levantou-se e a procurou pela casa, encontrando-a dormindo no sofá da sala com o pequeno Kato nos braços. Era uma imagem linda de se ver, uma vez que o sol da manhã, batendo na janela da sala, penetrando pela malha da cortina, deixava o ambiente com um clima de paz e frescor. Virou-se sem fazer nenhum estardalhaço, caminhou até o banheiro e lá tomou seu banho matinal, em seguida saiu, trocou de roupa e tomou seu sempre ligeiro café da manhã. Passou pela sala mais uma vez, contemplou aquele linda cena, beijou sua esposa na face e seu filho no alto da cabeça, saindo em seguida para o trabalho.

Depois de algumas horas, sentiu-se cansado, muito cansado. Aquele dia realmente estava repleto de atividades e muitas delas precisava de sua supervisão direta. No fim do dia estava exausto, um caco. O que mais queria era chegar em casa, tomar o segundo banho do dia, o banho de relaxamento, comer algo e dormir. No caminho de casa, ligou para sua esposa dizendo que já havia saido do trabalho e que precisava descansar. Queria saber se faltava algo em casa e se era para passar no mercadinho da esquina. Kim disse que não precisava comprar nada, que tudo estava sobre controle e que o aguardava ansiosa. Rubert sentiu a voz da esposa um pouco rouca e também esboçando um certo cansaço. Pensou: "Bebês realmente dão um pouco de trabalho nesta fase. Já sei, passarei no mercadinho e comprarei um jarro de flores para Kim, ela vai gostar"! Assim o fez.

Estacionou o carro na garagem, entrou em casa e depositou o jarro com as folhes sobre a mesa da cozinha, assim Kim iria ver com certeza. Ela adorava flores amarelas. Rubert comprou a mais amarela e a mais florida que havia no mercadinho. Depois disso olhou melhor para o ambiente onde estava e achou que algo não ia bem. Estranhou o ambiente. Era como se tudo estivesse envelhecido num único dia e certos aparelhos haviam mudado de lugar, assim como a cor da geladeira. "Será que Kim comprou coisas novas e mudou tudo sem me avisar"? Pensou. Caminhou pelo corredor e ao entrar na sala tomou um choque; havia um homem deitado no sofá.

Rubert imediatamente pousou sua bolsa no chão, caminhou lentamente e viu que se tratava de um jovem, com idade entre quinze e dezoito anos, com tatuagens nos braços e barba por fazer. Dormia tranquilo sobre o sofá. Sem que o jovem percebesse a sua presença, saiu da sala e voltou para a garagem onde passou a mão na primeira ferramenta de ferro que encontrou no caminho, retornou e ponto inicial e antes de efetuar a desgraça, escutou Kim gritando: "Rubert, pare! Solte isso agora"! Com o grito a chave de rodas caiu no chão e o jovem acordou num susto, levantando-se num pulo do sofá.

Rubert correu ao encontro da sua esposa. Estava amedrontado e ao mesmo tempo curioso, "Como afinal, aquele jovem foi para no sofá da sala? E onde estava o pequeno Kato"?

- Kim, quem é este homem? O que ele estava fazendo dormindo no nosso sofá?

Kim, olhou para Rubert e sem saber o que responder para o marido, conseguiu dizer apenas o seguinte: "Ora, ele já faz isso a pelo menos dez anos. Você ainda não se acostumou com o fato"? Como assim, "não me acostumei com o fato", pensou Rubert. Quem afinal era aquele jovem? O homem vendo sua esposa tranquila e o jovem sem esboçar nenhuma reação, ainda com semblante sonolento, pôs-se a questionar tudo e todos.

- Kim, eu exijo uma explicação, o que está acontecendo? Quem é este jovem? E você fedelho, o que pensa que está fazendo deitado no sofá? Não tem mais nada para fazer? Como você veio para aqui.

Antes mesmo que a esposa pudesse falar, o jovem abriu a boca:

- Caramba, todo o dia é a mesma coisa. Que situação horrível. É por isso que gosto de dormir na casa da Marcinha. Os pais dela gostam de mim, não ficam falando no meu ouvido e fico longe de tanta encheção. Mãe, quer saber, perdi a fome. Pai, de uns tempos para cá você está cada vez pior, acho que você "tá" precisando ser internado numa clínica psiquiátrica. Vou para o meu quarto, depois como qualquer coisa.

O jovem saiu pisando duro e no fim do corredor só ouviu-se o som da porta batendo. O silêncio pairou sobre o ambiente. Kim, sentou numa das cadeiras da mesa de jantar e Rubert continuou parado em choque, após presenciar toda aquela cena.

- Ele, ele... é... o nosso......

- Sim Rubert... é claro que o nosso filho. Quem mais poderia ser? Uma das únicas oportunidades que temos de jantar com nosso filho e você o trata assim? Onde é que você estava com a cabeça? Você ia bater nele com aquela chave de rodas. Meu Deus, o que está acontecendo?

- Mas Kim, como eu ia saber. Hoje de manhã quando saí de casa eu deixei você e Kato dormindo no sofá e quando volto para casa eu encontro um homem deitado no sofá.

- Do que você está falando? Kato já vai completar acabou de completar dezenove anos, não faz nem dois meses. Ele não quer ir para a faculdade, se encheu de tatuagens e essa tal Marcinha também não é flor que se cheire. Estou vendo a hora dela bater qualquer hora na nossa porta falando que está grávida do nosso filho.

- Mas como, como isso é possível? Eu saí de casa e ele era tão pequenino e você...

- Pare com isso Rubert. Pare de se fazer de desentendido. Pare de inventar desculpas para si mesmo e tentar justificar a sua ausência de anos, com uma historinha sem cabimento. Quer saber? A culpa de tudo isso é sua. Se pelo menos tivesse passado mais tempo ao nosso lado, ao lado do seu filho, acho que nada disse estaria acontecendo.

- Mas como? Eu não tive tempo de aproveitar nada, eu nem percebi que era ele. Como pode nosso pequeno ter crescido tão rápido?

Foi então que Rubert percebeu que a sala também já estava igual àquela que ele havia deixado quando saiu mais cedo, no mesmo dia. Haviam muito mais livros na estante, o sofá não era mais o mesmo, e nem mesmo a televisão era a mesma. O que mais lhe impressionou foi ver, agora de forma clara, que sua esposa também envelhecera. Tudo estava envelhecido, passado. O homem sentiu um aperto no peito, não fossem suas pernas falharem, ele teria saído correndo daquele ambiente.

- Mas como isso pode ter acontecido? E os aniversários dele? E nossas festas de casamento? E nosso sonho de viajar o mundo? Não me lembro de nada disso.

- Claro que não vai se lembrar. Você nunca esteve presente. Sempre trabalhando como um louco, achou que uma vida de conforto e que dinheiro no bolso eram mais importantes que estar presente com sua família. Sempre foi eu que fiz as festas de aniversário do Kato, era eu que participava das reuniões no colégio, era eu que o levava ao hospital quando passava mal. Nunca comemoramos nosso aniversário de casamento longe daqui. Quanto às viagens, nunca tinha tempo para deixar o trabalho e sair, nem que seja por cinco dias , rumo a algum lugar que não fosse o shopping mais próximo. Rubert, sinceramente, você foi um pai que proveu muitas coisas para nós, contudo foi horrível na criação do nosso filho.

Sem saber o que falar, o homem fez a pergunta mais tola de todas:

- Só temos o Kato como filho? Por que não tivemos outros filhos.

- Eu não acredito que você tocou neste assunto, logo agora. Se esqueceu também que na gravidez de nossa filha eu tive várias complicações e a perdemos assim como meu útero deve que ser retirado junto. Você não quis optar por adorar nenhum outro filho, e achou que foi "bom" ter ficado só com o Kato, uma vez que as despesas seriam menores.

- Eu não... me lembrava... mas...

- Rubert, pára com isso. Está me dando nos nervos, vê-lo com essa cara de espantado. Como se você já não soubesse de tudo isso. Tudo culpa do seu patrão também, que lhe deu aquele maldita promoção a anos atrás. Foi por culpa dessa maldita promoção e da minha doença que eu tive que me afastar da universidade. Isso afastou mais você de nós.

- O que fiz com minha vida? Perguntava-se internamente o homem, sem saber como tudo aquilo tinha ocorrido e ele simplesmente não se lembrava de nada.

Não demorou muito ouviu-se uma porte se abrir, era Kato que saiu do seu quarto e adentrou a sala onde os pais estavam.

- Pai, quero lhe pedir desculpas. Sei que você não esteve muito presente nos últimos anos e que se esforçou  bastante para me dar o melhor. Sabe, acho que vou para a faculdade. Andei pensando em Engenharia Mecatrônica, o que acha? Se puder e tiver tempo, poderíamos conversar um pouco sobre isso mais tarde, pode ser?

- Pode ser, pode ser. Respondeu o homem.

Enquanto Kato voltava para seu quarto, o homem levantou-se e foi até o banheiro. Kim continuava de cabeça abaixada sobre a mesa e não dizia mais uma só palavra. Ao sair do corredor e acender a luz do banheiro, Rubert tomou mais um grande susto. Viu-se no espelho e entrou em prantos. Sua face estava envelhecida e seus cabelos mais branco do que preto. Tinha uma cicatriz na testa, que não fazia a mínima ideia de como o havia adquirido. Estava com olheiras, escuras como a borra de café. Vestia uma camisa surrada de tão velha que era. Os dentes estava amarelados e a coloração levemente amarelada da pele o assustou.

Agora já não adiantava mais, o velho Rubert deu-se conta que o tempo realmente havia passado e que perdera os anos mais felizes da vida do filho. Num rompante de pensamentos, lembrou-se, como em flashs, de passagens de sua vida, que se resumia em telefonemas, desculpas, atrasos e muito, muito trabalho. Lamentou por tudo e teve que suportar a dor de uma vida perdida. Ainda dava tempo de trilhar um novo caminho, mas tudo o que passou, infelizmente, nunca mais voltará.


Foto: http://blogdoseleitos.blogspot.com.br/2011/03/as-diferencas-entre-o-novo-calvinismo-e.html

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Amor de Deus!

Após um dia cheio de felicidades e milagres, chego hoje ao trabalho, abro minha caixa de e-mail e vejo a seguinte mensagem: "Não duvidar da ajuda de Deus"; enviado por um amigo que dispara mensagens aleatórias, diariamente, a todos os participantes e membros de um grupo on-line. Apenas isso continha o e-mail, mais nada.

Recentemente eu estava muito triste com o fato de não conseguir, financeiramente, sustentar minha família de maneira adequada. Os custos nos últimos três meses subiram muito, e praticamente triplicaram com a chegada do nosso querido e amado filho; e com o início de um novo trabalho. Mas se perceberam nas últimas mensagens (postagens), eu, mesmo triste, tentei permanecer firme na Fé e na Esperança que um milagre, mais cedo ou mais tarde, iria acontecer. Aconteceu, e ontem foi o dia.

Para todos que acreditam em milagres e para todos que acham que tudo é obra do acaso, uma incrível coincidência, digo que sendo milagre ou coincidência, os sinais são evidentes. Ontem, dia 06 de Agosto, a Igreja comemorou o dia da Transfiguração de Jesus Cristo. É neste dia que encontra-se o segredo da santidade para todos os cristãos. O significado deste ato de Jesus é, e sempre será, o que Ele sempre pretendeu, naquele tempo, ao se transfigurar para os apóstolos no monte Tabor, ou seja, preparar os cristãos para que, em qualquer circunstância, permaneçam firmes na fé e em Cristo. Este é o dia também de dois santos, São Justo e São Pastor, mártires da Igreja. Os mártires, geralmente cristãos praticantes, são perseguidos e mortos pela Fé que possuem em um único Deus e em Jesus.

Foi exatamente neste dia que o Eterno Pai, num abraço caloroso e acolhedor, tirou o peso que tanto nos afligia e nos recaía sobre os ombros. Não só a certeza da estabilidade financeira voltou, como fomos agraciados com presentes advindos de maneira inusitada e inesperada. Deus providenciou tudo o que nos faltava. Presenteou também nosso filho com uma cadeira conhecida como "Moisés" e por fim me presenteou com uma mochila nova, uma vez que a minha já estava velha e rasgada. Confesso que eu não tinha condições de adquirir uma mochila nova no momento.

Com grande alegria e com o coração transbordando de amor, encerro esta mensagem dizendo o que é um fato: "Deus nunca se deixa vencer em generosidade"!


Foto: http://www.filhosmisericordia.com.br/2011/08/06/formacao-transfiguracao-de-nosso-senhor-jesus-cristo/


domingo, 5 de agosto de 2012

Será medo ou despreparo?

Estou ficando viciado em café, mais precisamente no preparado instantâneo de Cappuccino! Esforço-me, tento, luto com tudo que posso, mas nada está sendo suficiente. Já está chegando aos meus ouvidos, e não era sem tempo, reclamações por minha conduta, que esboça descaso e falta de compromisso. Só Deus sabe que isso não é verdade. Infelizmente, estar atrasado é um fato concreto em tudo que faço ultimamente.

Minha esposa sempre diz algo que é uma grande verdade: "Pela falta de tempo e pela má administração do mesmo, temos que pagar mais caro para realizar tudo que desejamos"! No início, quando escutava isso, confesso que ficava um pouco irritadiço, entretanto agora acolho essa ideia que, na prática, é uma grande verdade. Não é só "pagar mais caro", contudo também é "sofrer as conseqüências".

Estou sendo lapidado a golpes de machado. Lascas imensas estão saindo de mim e se perdendo no tempo. Outro fato é, que por mais que tenha levado uma vida humilde e de poucos recursos, não conheci dificuldades. Minha esposa por outro lado, já passou por momentos de muita tensão e já sabe lidar melhor com essas intempéries. Ela é minha fortaleza.

Algo está muito errado, muito errado. A vida não pode ser tão dura assim. As pessoas não podem ser tão amargas e injustas assim. Eu não posso ser tão negligente assim. Percebo que chegamos a um ponto histórico-social onde não é mais tolerado o erro, a falha alheia. Onde o melhor não é mais suficiente, temos que ser excepcionalmente maravilhoso; menos do que isso é sinal de fraqueza, falta de competência e desqualificação. Ninguém tem pena de ninguém. Mas está no inconsciente coletivo também o evangelho: "Porque aquele que tem muito, receberá mais e assim terá mais ainda; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado" (MT 25: 29). Dizem que isso mudou desde a antiguidade até o momento presente, que a interpretação hoje em dia é diferente; eu no entanto digo que a "ideia central" continua a mesma.

Desejo ser um servo bom e fiel, mas receio que minhas limitações estejam me fazendo ser um servo mal e medroso. Certa vez um amigo psicólogo me disse que o "medo é um veneno para alma", pois a estagna e mata o homem aos poucos de dentro para fora. Preciso arriscar-me mais e não ter medo de me jogar na escuridão do abismo. Vai que ele não seja tão fundo, digamos que eu saiba voar mas tenho medo de sair da terra firme. De que adianta tanto estudo e conhecimentos mil, se não os aplico de maneira satisfatória em minha vida? Tal qual o camundongo no labirinto, preciso encontrar uma saída, rapidamente, senão padecerei.

Sempre tive orgulho em dizer que sou um construtor de pontes. Sei que as ferramentas estão bem diante dos meus olhos, mas não consigo vê-las. Estou parcialmente cego. Talvez seja meu coração, talvez a minha mente, que foi coberta de breu. Primeiro retiro o lodo, depois limpo as peças e ferramentas, em seguida organizo tudo de forma sistemática, em seguida obtenho a matéria-prima necessária, construo a ponte e por fim atravesso até o outro lado. Não pode ser tão difícil assim. Mas se um desses passos falha, o resto não evolui. Na arquitetura da vida, construir uma base sólida, saber que tipo de material utilizar e saber utilizar bem as ferramentas que tem, faz toda diferença na hora de desenvolver o nosso mundo particular.


Foto: http://webnucleoverbita.cesjf.br/node/21092

sábado, 4 de agosto de 2012

Enquanto isso, rezo...

Nuvem negra que vai passando em tardes de brilho tão ofuscantes. Diante dos meus olhos há tantas belezas,  mas distante estou ainda de tais conquistas. É lamentável o tamanho do meu lamento em face à idade que tenho e o pouco que empreendo. Falha-me a memória, e o que está ruim fica pior à cada dia. Cansado estou, física e mentalmente, mas se paro, morro de fome e sede. Torno-me suicida e assassino. Não quero sangue inocente nas mãos.

A luz no fim do túnel afasta-se tão rápido quando caminho, tão lento quanto me firmo. Até que tudo se resolva perco minutos valiosos ao lado de quem amo. Por minha culpa, sim, minha culpa. Pela imprudência, exacerbada generosidade e pouca ambição. O sofrimento não é só meu, mas a culpa sim. Preciso tomar um rumo mais acertado e se não posso com minhas próprias pernas, apego-me a fé e à esperança. A tempestade cai lá fora e inunda tudo aqui dentro. Já engulo parte do lodo e imundices que a enxurrada trouxe; se nada fizer, inalarei toda esse asco regurgitado pelo Sistema.

Quando percebo penso e balbucio algo desse gênero: Tu bem sabes Senhor, que não é só agora que recorro a Ti. Também nos momentos de júbilo rio Contigo. Mas, são nesses momentos que mais preciso da sua companhia ao meu lado.

Aprendi a ser um bom filho, mas é uma pena não ter aprendido - em tempo -, a ser um bom pai. Estou aprendendo agora o que significa acordar cedo, prover, responsabilizar-me pelo que fiz e deixei de fazer. Por mais que eu tente, sempre estou errado; mesmo certo, estou errado. Estou no meu limite e não basta meu suor, querem meu sangue. Quando este acabar, comerão a minha carne e cuspirão meus ossos. O que sou não importa, importa o que compõe meu legado, em outras palavras, o que faço e deixo de fazer para trazer paz, tranquilidade e felicidade.

Já estou cansando de tanto lamentar. Ainda não cheguei ao limite do desespero, pois sei que o último suspiro encontra-se longe. O que me traz agonia é saber que lutamos, sofremos, rimos e choramos para no fim o tempo continuar passando ininterruptamente. É meu desejo chegar ao topo, sem que ninguém sirva de escoro ou de capacho, para enfim contemplar verdes campos de divina beleza. Sei, mas não sei ainda como fazê-lo. Não depender de ninguém é duro demais para quem foi filho por toda a vida. Aprender a ser pai é lindo demais para quem deseja ter um legado de amor. Reabasteço-me com o amor de minha esposa e o com a vida de meu filho.

Não me resta outra coisa a não ser aceitar que o tempo passa, que não mais filho sou, que enquanto pai tudo mudou. Agora é comigo e mais ninguém. Meu filho tomou o meu lugar na escala de dependência e não posso desampará-lo. Minha esposa é meu porto-seguro, é ela minha ligação com o Infinito, com Deus. Minha família é minha joia mais preciosa. Preciso fazer algo, urgente. Preciso genuflexionar-me, elevar as mãos para o céu e falar ao Eterno Pai, do mais fundo do meu coração: Perdão Pai, porque errei. Fui imprudente, mesquinho e ansioso. Peço o seu perdão e a sua ajuda. Dê-me a Graça de ser um bom pai para meu filho e um bom marido para minha esposa. Que não nos deixe nada faltar. Abra os meus olhos e me guie pelos caminhos da salvação e santificação. Que seja feita a sua Vontade e não a minha. Mas enquanto ages em minha vida, apascente meu coração humano, ansioso, que de tão limitado só enxerga sofrimento ao invés da sua infinita misericórdia, generosidade e amor.  Amém.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Enquanto escrevo...

Desde quando comecei a escrever meus primeiros poemas e crônicas, pouco antes do ensino médio, num caderno de anotações pessoais, percebi que os melhores textos eram aqueles que me causavam maiores emoções. Isso não significava que iria agradar os que lessem tais linhas, mas para mim eram os melhores trabalhos.

Várias foram as tentativas de escrever um livro, um romance, e todas elas tinham sido frustantes, uma vez que não encontrava a emoção devida. Até que, cheio de tantas tentativas falhas, iniciei um processo de auto-descrição e resolvi contar, misturado com uma dose de ficção, partes marcantes de minha vida. Não que minha vida interesse as pessoas, mas acho que já vivi tantas coisas, em tão pouco tempo, que vale a pena relatar isso para não se perder. Se vai fazer sucesso ou se vou realmente publicá-lo, não sei, mas será o meu primeiro romance.

Estou quase terminando o original, já escrevi nome capítulos, mas ainda falta a última parte a ser relatada. Estou tomando o cuidado de alterar os nomes, fazer as devidas homenagens e colocar a pitada de ficção necessária. Num todo, estou gostando muito de como a história está se encaminhando e de como está ficando o projeto. Depois de concluso e devidamente registrado, passará pelo aval de alguns familiares e amigos. Se gostarem, ganho forças para a publicação, se não gostarem, engaveto, retomo ou inicio um novo projeto.

Só para constar, hoje cedo escrevi uma parte de minha vida que me trouxe uma dose grande de emoção, uma perda na família que deixou um lastro de angústia e sofrimento. Ao descrever o ocorrido, senti uma pressão no peito e vontade de chorar. Meus olhos se encheram de lágrimas e, em pleno ônibus, tive que parar, respirar e só depois de um tempo retomar a escrita. Percebi que estou realmente no caminho certo.

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