domingo, 5 de agosto de 2012

Será medo ou despreparo?

Estou ficando viciado em café, mais precisamente no preparado instantâneo de Cappuccino! Esforço-me, tento, luto com tudo que posso, mas nada está sendo suficiente. Já está chegando aos meus ouvidos, e não era sem tempo, reclamações por minha conduta, que esboça descaso e falta de compromisso. Só Deus sabe que isso não é verdade. Infelizmente, estar atrasado é um fato concreto em tudo que faço ultimamente.

Minha esposa sempre diz algo que é uma grande verdade: "Pela falta de tempo e pela má administração do mesmo, temos que pagar mais caro para realizar tudo que desejamos"! No início, quando escutava isso, confesso que ficava um pouco irritadiço, entretanto agora acolho essa ideia que, na prática, é uma grande verdade. Não é só "pagar mais caro", contudo também é "sofrer as conseqüências".

Estou sendo lapidado a golpes de machado. Lascas imensas estão saindo de mim e se perdendo no tempo. Outro fato é, que por mais que tenha levado uma vida humilde e de poucos recursos, não conheci dificuldades. Minha esposa por outro lado, já passou por momentos de muita tensão e já sabe lidar melhor com essas intempéries. Ela é minha fortaleza.

Algo está muito errado, muito errado. A vida não pode ser tão dura assim. As pessoas não podem ser tão amargas e injustas assim. Eu não posso ser tão negligente assim. Percebo que chegamos a um ponto histórico-social onde não é mais tolerado o erro, a falha alheia. Onde o melhor não é mais suficiente, temos que ser excepcionalmente maravilhoso; menos do que isso é sinal de fraqueza, falta de competência e desqualificação. Ninguém tem pena de ninguém. Mas está no inconsciente coletivo também o evangelho: "Porque aquele que tem muito, receberá mais e assim terá mais ainda; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado" (MT 25: 29). Dizem que isso mudou desde a antiguidade até o momento presente, que a interpretação hoje em dia é diferente; eu no entanto digo que a "ideia central" continua a mesma.

Desejo ser um servo bom e fiel, mas receio que minhas limitações estejam me fazendo ser um servo mal e medroso. Certa vez um amigo psicólogo me disse que o "medo é um veneno para alma", pois a estagna e mata o homem aos poucos de dentro para fora. Preciso arriscar-me mais e não ter medo de me jogar na escuridão do abismo. Vai que ele não seja tão fundo, digamos que eu saiba voar mas tenho medo de sair da terra firme. De que adianta tanto estudo e conhecimentos mil, se não os aplico de maneira satisfatória em minha vida? Tal qual o camundongo no labirinto, preciso encontrar uma saída, rapidamente, senão padecerei.

Sempre tive orgulho em dizer que sou um construtor de pontes. Sei que as ferramentas estão bem diante dos meus olhos, mas não consigo vê-las. Estou parcialmente cego. Talvez seja meu coração, talvez a minha mente, que foi coberta de breu. Primeiro retiro o lodo, depois limpo as peças e ferramentas, em seguida organizo tudo de forma sistemática, em seguida obtenho a matéria-prima necessária, construo a ponte e por fim atravesso até o outro lado. Não pode ser tão difícil assim. Mas se um desses passos falha, o resto não evolui. Na arquitetura da vida, construir uma base sólida, saber que tipo de material utilizar e saber utilizar bem as ferramentas que tem, faz toda diferença na hora de desenvolver o nosso mundo particular.


Foto: http://webnucleoverbita.cesjf.br/node/21092

2 comentários:

Cristina ferber vieira lessa disse...

Oi Flávio! Talvez o capuccino seja a sua válvula de escape para combater a ansiedade. Já tomei muitos cappuccinos também, rs! Bem, acredito nas palavras de sua esposa que “Pela falta de tempo e pela má administração do mesmo, temos que pagar mais caro para realizar tudo que desejamos”! Acho a mais pura verdade, mas estamos aqui para aprender, não é mesmo? Também tenho problemas para organizar meu tempo, mas já melhorei muito. Vamos à luta colocando as prioridades em primeiro lugar e tudo se ajeita. Quanto ao medo de arriscar-se, penso que é absolutamente normal. Uma ótima receita contra o medo é racionalizar o problema, ou seja, deixar as emoções um pouco de lado e agir com ponderação. Não há medo que resista à calma, à segurança e à fé daquele que já acolheu todas as alternativas possíveis, já refletiu e trocou ideias com as pessoas próximas. Não há medo que resista à certeza de que estamos no caminho certo. E como descobrir isso? Sintonize-se com Deus, busque respostas dentro de sua alma, lembre-se de quando vc era menino e quais eram os seus valores e sonhos. Redescubra-se e siga em frente. Grande abraço, Cristina.

Flávio Nunes. disse...

Olá Cristina,
É verdade, o cappuccino está sendo minha válvula de escape contra a ansiedade. Os dois teses psicológicos que fiz na vida, me diagnosticaram como ansioso. Como controle, na adolescência, eu tinha as atividades físicas e as aulas de artes marciais; contudo, hoje em dia, fico com o cappuccino, com os livros e com meus escritos. Como atividade intelectual é ótimo, diria até excelente, mas preciso exercitar o corpo também.
Quando ao aprendizado de vida, está sendo duro e ao mesmo tempo uma fonte de grande e profundo amadurecimento, tanto para mim quanto para minha esposa.
Tenho racionalizado tudo. Como você bem disse, estou deixando a emoção um pouco de lado e agindo mais com a razão. Para mim isso é difícil, uma vez que sou muito mais emoção que razão.
Adorei a sua frase: "Não há medo que resista à calma, à segurança e à fé..."! Tem horas que penso estar sendo duro demais, mas acredito que também este sentimento faz parte do meu amadurecimento e, quando percebo, não estou fazendo nada de errado, apenas ponderando mais antes de dar um passo em falso.
Sobre minha sintonia com Deus, ela já andou um pouco falha, mas o Eterno Pai conhece meu coração e sabe que sou todo Dele. Firmei um pacto com Deus e não desejo quebrá-lo jamais.
Obrigado pelo carinho e atenção e desculpa a "gigantesca" reposta..rs..
Abração,
Flávio Nunes.

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