quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Abstinência Intelectual...

Refletindo sobre minha atual situação, consegui chegar ao cerne do meu desalento. A muito descobri que alguns dons que possuo e algumas vocações, todas passiveis de serem desenvolvidas. Aqui entretanto trato da que me traz profundo interesse; a vocação aos estudos. Propus-me não deixar de lado este que é para mim fonte de grande alegria e satisfação. Mas devido à minha nova grade de trabalho, extra intellectus, e devido às novas responsabilidades que descortinaram-se para mim nos últimos meses, "abandonei" a vida acadêmica (O que chamo e considero meu "auto-didatismo").

Estava insatisfeito com um não sei o quê, sem saber o porque de sei lá como. Entendeu? Não? Pois é, isso me trazia uma grande agonia. Pensei inicialmente que pudera ser estafa, estresse ou o aperto financeiro, mas nada disso fazia sentido para mim. Já passei por situações "holocáusticas" outras vezes e sobrevivi para contar a história. Minha família é e sempre será meu maior tesouro. Nada se compara o amor de minha esposa e tudo quanto ela e meu filho significam para mim. Se não é nada disso, o que então me atormentava tanto? Foi aí que percebi; afastei-me dos estudos e todas as tentativas para retomá-lo foram falhas.

Comparo este momento de minha vida a um dependente químico que está saindo do seu vício. Desculpem fazer tão dispendiosa comparação, mas é a única que me ocorreu para que, em analogia, pudessem compreender meu desconforto. Sou viciado em livros e como consequência de meu vício, aprendi a canalizar o conhecimento obtido formulando e desenvolvendo novos escritos, mesmo que sem valor algum a não ser para mim mesmo. Leio, escrevo, leio algo novo, escrevo,... e assim vou seguindo. Captando informações, refletindo, ponderando, descartando o que não passa pela peneira do discernimento e guardando em mim mesmo ou escrito num canto qualquer, tudo quanto tem algum valor.

Quebrei o ciclo do meu "auto-didatismo" e isso me trouxe angústia, muita angústia. Não encontrando tempo para ler satisfatoriamente e nem para escrever tudo quanto era de meu interesse, pereci e vi-me passando por uma crise de abstinência intelectual. Ver-me longe do meu vício literário, trouxe-me tremendo mal-estar. O que refletiu em minha vida pessoal e profissional. Estava num estado depressivo, de grande desânimo e desdem.

Percebi que o período da luta contra a abstinência passou e que agora encontrei novos meios para reequilibrar-me e voltar à ativa auto-didática. Na realidade sou um pseudo-intelectual, um pseudo-cientista, um cara curioso que pensa estar contribuindo para o bem maior da humanidade, quando na realidade não passo de um anônimo às margens da sociedade tida culta e intelectualmente capaz. Não posso mais me enganar assim, mas não posso deixar de ser quem sou. Tenho que tirar proveito disso, afinal não sei quão tênue é a linha que separa minha loucura de minha sanidade.


Foto: http://joebrazuca.blogspot.com.br/2011/08/porques.html

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