domingo, 3 de fevereiro de 2013

Meu Universo Somos Nós.

Derramo-me. Sem meias medidas, derramo-me. Por vezes o que de mim sai é água pura e cristalina, tal qual aquela que brota por entre as rochas e escoa até a terra fértil. Por vezes, sou como o álcool destilado, límpido e cristalino, tal qual a água da fonte, mas capaz de ofuscar a razão. Por vezes sou como a peçonha produzida por um ser venenoso, capaz de causar um grande mal a todo quanto absorver uma gota de mim.

Hoje em dia tudo tornou-se relativo e é mais fácil explicar estados de humor através da psicologia moderna com uma precisão tamanha. Nos entendemos melhor hoje em dia. Oscilamos melhor hoje em dia. Nos amamos melhor hoje em dia. Nos maltratamos melhor hoje em dia. Que lástima é a obtenção do conhecimento puro, sem a sabedoria capaz de apaziguar o coração aflito. Um coração que clama ser visto, ouvido e compreendido. Um coração que tudo suporta por amor torna-se, à cada dia, um coração mais maduro e sábio.

Novos tempos, novos desafios. Novos altos, novos baixos. Novos momentos de felicidade, novos momentos de ansiedade. Chato saber que há corações espalhados no mundo que não sabem, ou não querem, lidar consigo mesmos. Preferem retrucar, preferem gritar, preferem empunhar a espada e ganhar novas cicatrizes, à munir-se de bens que jamais passam, jamais envelhecem, jamais morrem. Não devemos julgá-los, nem culpá-los por isso. Infelizmente aprenderam que a vida é assim desde tenra idade. Qualquer coisa muito diferente disso ou sóbria demais os causa estranheza. Preferem o mar revolto à ondas calmas e pacíficas. Confortam-se com o céu cinzento e tempestades torrenciais, às gotas de orvalho sobre as folhas das plantas no campo. Nem por isso é menos amado por Deus. 

Deus em sua infinita sabedoria criou a água cristalina, o álcool que embriaga e o veneno. Criou quem os porta e quem deles faz uso, tudo por amor. O erro consiste no fato de não sabermos lidar bem com o que é diferente de nós e nem em saber enxergar a beleza do caos que há no outro. Quando o fazemos o outro torna-se mais belo aos nossos olhos e para si mesmos. Entende o que significa o amor, pois passou a ser amado e a amar como consequência. 

O que é diferente não está errado, só não faz parte de nós até que nos importemos com isso, ou seja, é outro universo tão belo quanto nós somos, que precisa ser explorado e compreendido. Quando dois universos se encontram há uma grande troca de energia, explosões, mudanças químicas e físicas. Há os que se perdem ou se anulam frente ao outro, há porém os que se completam, e este último é o mais feliz e prospero. É feliz pois sabe que nunca mais estará sozinho na vastidão do infinito. Tem a certeza que encontrou o que lhe faltava para expandir-se e fortalecer-se. Aprende que tem em si a leveza do vento que toca delicadamente as pétalas da flor, e tem a magnitude de um maremoto, que por onde passa tudo destrói. Equilibram-se, completam-se, amam-se cada vez mais. 

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