quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Aprendendo a Ser Pai!

Os filhos, essas pequeninas pessoas que são parte de nós e ao mesmo tempo tão eles mesmos. Por eles nutrimos todo o amor que nosso coração e mente podem suportar. Eles são nossa maior fonte de alegria e também, é difícil ter que afirmar, podem vir a ser uma fonte de desalentos.

É ruim, hoje eu sei, ter que aceitar o fato que por mais que tentemos, eles serão eles mesmos com suas virtudes e fraquezas. Não podemos interferir nisso. Faz parte da vida!

É incrível como conseguem ser tão irresistivelmente carinhosos, meigos e amorosos num instante, e no momento seguinte transformarem-se em seres tão estranhos que chegamos a questionar se de fato estamos diante de um mesmo individuo. A que se deve isso? Hormônios, emoções, sentimentos... Tudo maturando e se organizando dentro dos pequenos. Quase como um vulcão em erupção. É assim, durante toda a vida. No adulto menos, mas na criança em desenvolvimento, no adolescente e no jovem adulto, isso é forte, bruto e súbito.

Nós enquanto adultos temos, em muitos momentos, dificuldades para lidar com nossos sentimentos e emoções. Por vezes amanheço com um nó na garganta inexplicável. Como cobrar de uma criança que deve se comportar dessa ou daquela forma mediante as situações do dia-a-dia? Como pedir para silenciar suas emoções em prol da minha paz de espirito?

Percebi que ao tirarem nossa paz, a situação passa de uma harmonia celestial a uma calamidade infernal em questão de segundos. Em muitos casos esses momentos tão cheios de desentendimentos vem como consequência do nosso egoismo diante de afazeres e da falta de atenção ao pequeno sob nossos olhos. Segundo nosso ponto de vista, para algumas pessoas é claro, é mais interessante ficar diante do computador, conversando com um amigo via celular, vendo o filme ou programa que mais gostamos, etc; do que dar atenção e penetrar no mundo dos nossos filhos.

Eis um ponto interessante para ser levantado: Devemos nos esforçar para perder constantemente as nossas vontades e colocar-se no lugar dos nossos filhos. Se eu fosse meu filho, o que eu esperaria do meu pai ao chegar em casa: Queria que ele me desse atenção ou que me pedisse para esperar enquanto ele terminava de conversar com alguém através do celular? Que brincasse comigo ou que me ignorasse? Sim, nossos filhos nos querem por perto o máximo de tempo possível e quando não estamos presentes tanto quanto eles gostariam, o minimo de afastamento, pode gerar chamadas de atenção exacerbadas. Numa atitude rude e muitas vezes bruta, eles entram em crise simplesmente para garimpar nossa atenção, afinal estão com saudades dos nossos abraços, beijos, cafunés, carinhos e chamegos.

O tempo passa e meu coração se aperta no peito ao dar-me conta que meu filho crescerá. Até quando ele continuará chamando minha atenção para que eu o perceba ali em baixo, correndo para lá e para cá, aprontando uma aqui e outra ali, chorando, fazendo birra, gritando e pedindo colo aos soluços; simplesmente por não compreende-lo completamente em suas necessidades psico-emocionais? Até quando terei que ver meu filho tomando atitudes estremas para obter migalhas da minha atenção e afeto? Ele é muito pequeno para entender o meu mundo, mas eu já sou velho o suficiente para entender o mundo dele.

Num determinado dia, posso ter a amarga surpresa de chegar em casa, com ele já crescido, e eu com o coração cheio de amor, ter que reivindicar um afeto que não fui capaz de entender e dar agora, enquanto ainda é pequeno. Com o coração nas mãos posso vir a esbravejar, ficar rancoroso e até azedo nas relações familiares, pois não estarei recebendo o que não fui capaz de dar; meu amor, meu carinho e meu afeto à ele, meu filho.

2 comentários:

Sonia Salim disse...

É uma relação complicada, às vezes, mas vale cada minuto. Depois que crescem eles tomam conta de suas próprias vidas e nos surpreendem com boas novas a cada dia. A gente percebe que eles aprenderam os valores importantes que ensinamos. Quando eles saem para estudar fora de nossa cidade, a cada visita e cada saída para ir embora há um choro contido dentro de nós. Mas sabemos que deixar ir embora é o melhor. Tudo toma rumo certo, o que Deus planejou. E ficamos todos felizes.

Amei estar aqui e refletir um pouco de minha vida lendo o seu texto.

Muito grata. Abraços! Sonia Salim

Flávio Nunes. disse...

Olá Sonia,
Tenho certeza que a relação entre pais e filhos possuem nuances, muitas vezes, bem divergentes. Adoro meus filhos e a cada dia percebo que não podemos ver o mundo deles segundo nossa ótica. É preciso ver o mundo como eles o veem, pois assim conseguimos minimizar determinados "desentendimentos".
Ainda tenho muitos quilômetros para andar, até que os pequenos ganhem esse mundão. Até lá, vou fazer o meu melhor.
Obrigado por compartilhar um pouco dessa relação conosco.
Abração,
Flávio Nunes.

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