sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Meu Alimento!

O alimento do meu corpo é diferente do alimento da minha alma. Sinto fome e sede de coisas boas e não só de boas coisas. Meu corpo se sacia com qualquer pedaço de pão, migalhas de biscoitos, restos de comida,... que em bom estado nutri minha carne cada vez mais envelhecida. Entretanto, faz parte da minha natureza, desejar e querer mais e mais, de um tipo de alimento bem especial, cada vez mais escasso nos dias de hoje. Minha alma anseia por gotas de sorrisos, de abraços, de suspiros,... por pedaços de atenção, de fé e de compaixão,.... por baldes de beijos, de cumprimentos e de Amor.

Tais alimentos não se encontram em qualquer lugar, são raros. Começando por seu cultivo, se não existir terra fértil e nem a atuação de um bom agricultor, não haverá terra no mundo capaz de fazer brotar um ramo sequer de abraços, de compaixão e muito menos de Amor. Este último tem uma particularidade, é o mais difícil de cultivar, por vezes é preciso calma e paciência, pois a casca da sua semente é resistente. Se as condições não forem favoráveis, pode esquecer, ele não vai nascer; entretanto, se tratarmos bem o solo, adubá-lo, hidratá-lo adequadamente e tivermos paciência, no momento certo ele nasce e enquanto estiver vivo, ele se desenvolve e se multiplica por onde estiver. Depois que nasce, a manutenção deve ser constante, pois há ervas daninhas e é com estas que devemos ter o maior cuidado. Se por qualquer motivo, descuidarmos e as ervas daninhas crescerem ao redor de sua base, aos poucos o Amor vai minguando, até que infelizmente ele é abafado por algo que não lhe faz bem.

O Amor, assim como a fé, a compaixão, os abraços, os beijos e os suspiros de felicidade, são alimentos que minha alma anseia constantemente, mas nem sempre encontro por aí para saciar este meu desejo tão primitivo. O desejo de estar bem, viver bem, sorrir por coisas banais do dia-a-dia, dar e receber afagos, carinhos, ou ainda, o desejo de receber apenas pequenos olhares, que por vezes não duram mais que cinco segundos, mas são capazes de me encher de energia por um dia inteiro.

Meu alimento não limita-se apenas em saciar o corpo, preciso alimentar também a minha alma. Se eu sintir fome de bondade, de carinho, de amor e não comer destes frutos, de nada valerá alimentar meu corpo físico, uma vez que minha alma terá morrido, dando lugar apenas a um vazio sem sentido.


Foto: http://cleofas.com.br/wp-content/uploads/2013/04/alma-morrendo-62c44.jpg

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